A bem da nação

A Alta representa uma das mais violentas intervenções urbanas do Estado Novo, que destruiu grande parte do centro histórico de Coimbra. As monumentais foram desenhadas sob uma escadaria de menor volumetria e com maior densidade arbórea. Muitos dos que hoje se revoltam contra este mural da CDU não saberão que as Monumentais são um símbolo da destruição da memória histórica da cidade de Coimbra.
Mas tomemos como base, sem o discutir, que as Monumentais transportam uma carga histórica relevante para serem tidas como património.
As Monumentais são um espaço público, como o Terreiro do Paço ou a Praça da Batalha, e não um edifício, como o Convento de Mafra. Sendo assim o problema resume-se ao facto de ser propaganda política pintada num espaço público tido como património. Ora, até hoje, só vi protestar contra propaganda política nesses espaços públicos quem tenta silenciar a mensagem política.
Se é certo que a pintura em causa não terá a relevância artística de um mural do Rivera ou de outros murais do PCP que têm vindo a ser apagados sem censura, também me parece absurda a moral conservadora que elabora sobre a “limpeza” do património e cala o desinvestimento no património da Universidade. Todos sabemos que compete às câmaras municipais retirar a propaganda política após os actos eleitorais, competência que a maioria não pratica, todos sabemos que a tinta normalmente utilizada nestes murais é relativamente fácil de limpar e que sai com a chuva e todos sabemos que há anos que os estudantes e vários partidos políticos pintam as escadarias.
Contudo, desta vez, o protesto dos “estudantes anti-partido e não-organizado” – para citar o jovem do vídeo, foi mais divulgado que a acampada de Lisboa. O que não é irrelevante sobre os conteúdos mediáticos produzidos para estas eleições.

P.S. –
As Monumentais “limpinhas”:

via facebook Bruno Martins

As Monumentais em luta:

via facebook Ângelo Alves

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116 respostas a A bem da nação

  1. anon diz:

    Esta malta das praxes é tudo merda. Nem sabem nem querem saber da carga reaccionária disso que chamam “tradição académica”.

  2. João Valente Aguiar diz:

    Excelente post meu caro camarada.

    Abraço

    • Bolota diz:

      João,

      Aqui é que se aplica na perfeição, PENTELHOS…
      Este mal amados da vida só levantam questões da treta como se o que se passou fosse assim uma coisa medonha.

      Quando as escadarias estavam limpinhas era melhor??? Mal amanhados para não dizer fodidos é o que ele/as são.

      Abraços
      Bom post

    • Sassmine diz:

      excelente, mesmo.

    • Raquel Varela diz:

      Excelente iniciativa. Parabéns!
      Raquel

  3. Rainha das Bichas do Chiado diz:

    A mim sempre me custou chamar património àqueles mamarrachos salazaristas da Alta. E impressiona-me que a estudantada não saiba o que se passou em Coimbra, mas eu resumo. Algures nos anos 30 decidiu-se construir novos edifícios para a Universidade. Na altura houve propostas no sentido de instalar a nova cidade universitária na zona onde está actualmente o Estádio da Académica, ou ainda junto da Avenida Fernão de Magalhães, entre a estação de Coimbra A e o Choupal. Mas os membros do Regime decidiram demolir boa parte da Alta, para aí instalar mamarrachos como o Departamento de Matemática. Demoliram os edifícios pombalinos, descaracterizaram a antiga Faculdade de Letras, transformada em Biblioteca Geral, até edifícios religiosos foram completamente arrasados. O Observatório Astronómico foi demolido, e a destruição não ficou por aí, até a Sé Velha ou o Mosteiro de Santa Clara não escaparam à descaracterização. Entre meados dos anos 40 e dos anos 60 do século passado, eis o que o Estado Novo fez a Coimbra. As escadas monumentais, um amontoado de cimento sem qualquer valor estético, substituíram as antigas escadas monumentais, penso que barrocas ou oitocentistas, essas sim muito belas. Procurem fotografias da Antiga Alta e ficarão chocado com a destruição preconizada pelo Regime de Salazar.

  4. Ricardo Guerra diz:

    Grande post camarada, o partido suja o património “publico”, o povo depois paga com os impostos cobrados destinados a pagar salários aos funcionários/empresas de limpeza das câmaras municipais. E depois admirem-se de as massas ingratas vos ignorarem: é que as massas, por muito estúpidas que são, já começam a perceber que o dinheirinho não nasce em árvores. É que a nós – massas – ao contrário de vós – partido – o dinheiro custa muito a ganhar.

    • JMJ diz:

      E aos “costumes”, disse nada…

      Bolonha, propinas, bolsas… nada disso merece indignação ou protesto. As pinturas é que atrasam a vida de todos nós…

    • Joana diz:

      Pois…
      Tratando-se de discutir o pormenor, gostaria de saber se também se indigna contra as toneladas de papel e plástico (confetes, flyers, etc, etc) que os restantes partidos, nas suas campanhas poupadinhas, deixam a pavimentar as ruas por onde passam. Isso também tem que ser limpo por alguém, e de uma forma bem mais pro-activa…

    • A.Silva diz:

      E já agora não o preocupa a censura e ataque constante a que a CDU está sujeito nos meios de desinformaçao social?

      Vá com essas tretas de dinheiro pra outro lado, que na CDU há muita gente que sabe quanto custa ganha-lo.

    • Nuno diz:

      Caro Ricardo Guerra,

      já que parece representar as massas, importa-se de lhes perguntar o que acham de pagarem”com os impostos cobrados destinados a pagar salários aos funcionários/empresas de limpeza das câmaras municipais” as 16 toneladas de lixo deixadas nas ruas da cidade de Coimbra só no dia do desfile (fora urina e vómito)?

    • zecarapaudecorrida diz:

      Sim,por isso é q o Dias loureiro fug,ooopsfoi para Cabo Verde,pq o dinheirinho custa muito a ganhar,seu cretino!

  5. “Todos sabemos que compete às câmaras municipais retirar a propaganda política após os actos eleitorais, competência que a maioria não pratica”….errrr…pois, não sabemos não, porque cabe às entidades que tiverem instalado a propaganda a sua remoção, dentro dos prazos definidos pelas Câmaras, coisa que nenhum partido respeita. Findo esse prazo a respectiva Câmara pode mandar retirar coercivamente a propaganda cobrando a sua remoção ao partido que a colocou.

    • Nuno diz:

      E quem é que limpa e paga as 16 toneladas de lixo deixadas nas ruas só no desfile da queima (fora urina e vómito)? Também há prazos para isso?

      • Nuno diz:

        Pensei que não tinha submetido este comentário acima João… até porque levantas uma questão importante a que não respondo…

        De facto, sobre a limpeza das campanhas eleitorais este país deixa muito a desejar: já sabemos que em agosto, junto às praias, vamos ter milhares de turistas a perguntar se há alguma festa, tal não é a quantidade de cartazes que ainda vai estar pendurada… Parece que nuns municípios a lei funciona, noutros não…

        Abraço

  6. Camarro diz:

    É isso mesmo: nem propinas, nem Bolonha e mais bolsas. Estas deveriam ser as causas pelas quais os estudantes, de Coimbra e não só, deveriam mobilizar-se. Ao invés, preferiram, de forma ignóbil e provocatória, desestabilizar duas acções legítimas de campanha da CDU.

  7. Nuno diz:

    Comentário a este vídeo no youtube:

    “É PARA OS CAMARADAS COMUNAS VEREM E SENTIREM O QUE JÁ TÊM FEITO A OUTROS PARTIDOS E ENTÃO A SÓCRATES JÁ NÃO SE CONTAM AS VEZES EM QUE VÃO DE PUNHO NO AR INSULTAR AS PESSOAS E MANDÁ-LAS CALAR…CÁ SE FAZEM CÁ SE PAGAM…CAMARADA JERÓNIMO …”

    Para lá do “excelente” uso da língua portuguesa… fica o que se lê nas entrelinhas…

  8. susana diz:

    ficou muito fixe, a pintura.

  9. Leitor Costumeiro diz:

    Bando de anormais, essa gente não é anti-partidária coisa nenhuma, muito menos esse Leitão. Tou farto que dêem tempo de antena aos deficientes sociais deste país, mas o que me preocupa mesmo é o último parágrafo.
    Em Murcia os “indignados” invadiram um canal de TV, para poderem ter tempo de antena e ainda demonstrarem a falta de liberdade editorial dos jornalistas. Em Portugal ainda precisamos mais de invasões deste género, uma redacção Tuga deve ser mais ou menos como neste vídeo: http://youtu.be/uOl_Wv_phEM.
    Este país precisa de muita cor, pintem-no todo.

  10. Paulo Granjo diz:

    Uma pessoa não pode sair uns dias do país, que quando volta anda tudo a discutir pelosidades púbicas…

  11. Mário Reis diz:

    Preocupante mesmo, é ver-se um considerável grupo de seres, a fazer um jogo bem conhecido e desviar atenções, do que é premente. Vamos ver se no dia seguinte, nos dias seguintes têm iniciativa e pulmões para combater a ameaça aos direitos, garantias e de algum modo às liberdades que a agenda das troikas e toda a chusmas de spin-doctors quererá impor.
    Não o conseguiram institucionalmete ao longo de 36 anos e não o conseguirão se os portugueses votarem seguro: na CDU! Pois como diz o H. Novo, o tal acordo que PS/PSD/CDS partilham e escondem, tem de passar pela Assembleia da Republica. Logo, há que votar e dar força, a quem sem hesitações denuncia há mais de 25 anos este embuste a que chamam de CEE/UE.
    Perdemos o aparelho produtivo e perdemos soberania. Agora hipotecaram a independência de Portugal. Tem a palavra os portugueses e os heróicos e a mais das vezes vigilantes estudantes.

  12. xatoo diz:

    já era tempo de barcelonizar Coimbra e mandarem pôr umas escadas rolantes nesta coisa, que tem um aspecto bastante íngreme

  13. LAM diz:

    Mais do que a importância das escadas ou a qualidade artística ou de conteúdo político da pintura (admitamos que uma e outra coisa são discutíveis), o que não deixa de ser surpreendente é o destaque dado na comunicação social, com as tvs à cabeça, da “rebelião estudantil”, “espontânea”, em defesa do património…
    Duas conclusões:
    – Temos o futuro garantido em termos de defesa do património e salubridade das nossas cidades. Comícios que terminem com a lixeira habitual de copos e sacos de plástico pelo chão das nossas praças: NO PASSARAN!
    – Foi preciso o Jerónimo de Sousa ir a Coimbra para despertar a costela ecológica do estudantariado e dos editores de noticiários da tv. Pelo menos por isso, bem haja!

  14. cavaco diz:

    Uma vergonha, puro vandalismo!

  15. Miguel Góis diz:

    Mais uma linda posta a defender vandalismo. Parabéns malta, não acordem que não é preciso

  16. D. Nicola diz:

    Bem lembrado! Longe vão os tempos de uma juventude crítica e empenhada na construção do futuro. Atentado ao património dizem. Quanto ao atentado à dignidade do ser humano que rebaixam e humilham em praxes acéfalas, nada. A tinta sai com a chuva. Mais rápido do que mts dos idiotas por lá permanecerão…
    Será que os morcegos limpam as ruas depois da queima?

  17. Joana Roldão diz:

    Caro Tiago,
    Vejo que pelos comentários tem muitos apoiantes. De facto, sendo de Coimbra, toda a vida vi as Monumentais “pichadas” (como agora se diz) e a maioria das vezes com irreverência e criatividade. No entanto, não posso deixar de considerar parte dos seus argumentos – e dos comentadores do seu “post” – pouco adequados. Se é verdade que o Estado Novo destruiu muito do Património de Coimbra, creio que não é esse argumento que relativiza, ou legitima o que foi feito nas Monumentais. Se repararmos bem – confesso que não me fui informar, mas falo de memória por muitas vezes ter subido aquelas escadas – as acções de protesto feitas nas Escadas Monumentais eram de cariz estudantil, diria que de protesto “para dentro” da UC. Honestamente, se não tivesse havido tanto barulho à volta disto, provavelmente nem me teria questionado sobre a legitimidade ou não do que foi feito. Mas discutir a noção de património no que respeita às monumentais parece-me excessivo. Bem como apregoar as indiscutíveis asneiras do regime do outro senhor. É património. É a minha Universidade. É a minha cidade.
    PS – quanto aos protestos dos estudantes, sou a primeira a reconhecer que a AAC está invariavelmente associada a partidos, que poucas causas têm, que muitos dos que lá andam apenas se regem por interesses. Mas discutir um protesto legítimo contra aquilo que consideraram ser um atentado ao Património da UC, isso sim, faz lembrar os tempos do outro senhor.
    Cumprimentos.

    • boda diz:

      a Universidade não é tua.
      as escadas não são da Universidade.

      • Joana Roldão diz:

        essa nem merece resposta…

        • boda diz:

          tu é que não merecias resposta a partir do momento em que falas em “Património da UC”

          • Joana Roldão diz:

            Curiosamente não falei vez nenhuma em património da UC. Falei em património, e falei na UC. Mas se calhar são pormenores… E sim, é a minha Universidade e a minha cidade. Mantenho. Quanto a não dever falar… enfim, agora está muito na moda falar em debate democrático e essas coisas parvas, não valerá a pena aprofundar o tema, pelo que percebo.

          • Joana Roldão diz:

            Correcção: acabei, de facto, com a expressão “património da UC”. mas é ler o que está antes para perceber a ideia.

        • Ana diz:

          A verdade é essa.São só umas escadas feias e os Coimbrenses têm de se deixar da ideia de que a sua cidade é pratimónio da universidade. Separação das águas, senhores. Não estamos na idade média em Bolonha. Nem a universidade é tua nem as escadas são património da tua universidade. São apenas escadas que sequer possuem valor artístico que possa ser denegrido. Cumprimentos.

          • Joana Roldão diz:

            Vamos então reduzir o tema a uma mera questão estética. E de posse, claro, porque as escadas não são minhas, nem património da universidade nem sequer da cidade. (apesar de até constarem na candidatura da UC a Património Mundial, mas também que interessa isso… são feias…!).

    • Ricardo O. diz:

      Cara Joana Roldão,

      Sinceramente e com todo o respeito acho que andou um pouco distraída. As «monumentais» têm, de facto, sido utilizadas ao longo do tempo (especialmente após o 25 de Abril) para registar palavras de ordem e mensagens de carácter político, com origem em vários partidos e no movimento estudantil.
      Desde a DGAAC, às listas concorrentes, a vários partidos, entre os quais o PCP e as coligações em que tem concorrido às eleições, assim como o próprio PS, todos têm em momentos diferentes utilizado as escadas – via pública, que não é qualquer monumento nacional) – para afirmar as respectivas mensagens políticas.
      Mas digo-lhe mais. Há quem tem argumentado que as pinturas das escadas pelos estudantes é uma coisa, pelos partidos é outra. Esta opinião, que procuram alimentar, dando a ideia que os partidos são algo manipulador, algo de terrível, que não tem espaço na academia é o próprio fim da democracia e da academia.
      Quem assim fala é quem pretende que o debate de ideias, a afirmação de propostas de governo (que inclui o governo e a política para a academia), não ocorra na própria academia. Quem assim opina não está a defender o debate, a contradição e a reflexão crítica na universidade, nos vários cursos e disciplinas ministradas. Quem assim opina, mesmo sem essa intenção, está a alimentar a ideia da ciência e do conhecimento únicos.
      Sabe, reconheço-lhe todo o direito de não gostar, até de preferir que tudo aquilo fosse desde logo apagado, mas se assim fosse não teriamos eleições, não valeria a pena dar a voz ao povo para votar. Não valeria a pena porque o debate político tem sítios próprios, dizem. Masque sítios, pergunto eu? Nas televisões comentadas por quem pensa apenas o mesmo? Nas rádios e nos jornais que apenas passam aquilo que as administrações decidem? A política faz-se na rua, pelas pessoas, faz-se na universidade, nas fábricas e noutros locais de trabalho, faz-se nas escolas, faz-se nos hospitais… Agora, provocar incidentes porque não concordamos com a mensagem? Afirmar mentiras, como a de que a DGAAC nunca pintou as escadas, que aquilo é vandalismo?

      POR AMOR DA SANTA! (com todo o respeito)

      • Joana Roldão diz:

        Caro Ricardo O.,
        Reconheço que fui pouco precisa quando referi as costumeiras mensagens que surgem nas Monumentais (aliás, prevendo esse erro, fiz até referência a isso dizendo que fazia a afirmação “de memória”. Mas não creio que o essencial do que escrevi no meu comentário mereça tamanho argumentário. Coloquei apenas a questão da noção de património a que o Tiago fez referência. Apesar de ficar grata por me “reconhecer o direito de não gostar”, também não me parece que não tenha colocado a questão entre gostar e não gostar. Quanto a não querer que o debate de ideias não ocorra na Academia… sinceramente é-me – hoje – igual ao litro. (aqui corro o sério risco duma resposta torta, mas eu aguento!) Mas o que a mim me parece é que, importante ou não, este incidente acabou por pôr algumas pessoas – que no alto da minha arrogância considerava perto do acéfalo – a pensar. E ainda bem. Confesso que fiquei ligeiramente chocada com o seu argumentário acerca da minha opinião sobre o tema – aparentemente sou contra a reflexão crítica, entre outras coisas – porque curiosamente não foi isso que andei a aprender por lá, mas isso vale o que vale.
        Respeitosos cumprimentos, (deixemos lá a Santa respeitosamente no sítio d’Ela!) JR.

        • Ricardo O. diz:

          «Quanto a não querer que o debate de ideias não ocorra na Academia… sinceramente é-me – hoje – igual ao litro. (aqui corro o sério risco duma resposta torta, mas eu aguento!)»

          Faz mal, porque a ideia de que o debate que se faz na academia já nºao lhe diz respeito ou não a afecta é não atender à dimensão e às diferentes dimensões das nossas vidas. Tal como no passado, muitas das políticas que os governos e os partidos defendem é resultado de debates na academia, que é reflexo da correlação de forças sociais e que por sua vez influencia essa mesma correlação. Não se questiona que em 2011 um grupo de estudantes (pelo menos têm a capa) que se afirmam apartidários (que muitos não são, muito menos os «agitadores») se revolte contra o próprio debate político sem ser capaz de ir ao seu conteúdo?

          «Confesso que fiquei ligeiramente chocada com o seu argumentário acerca da minha opinião sobre o tema – aparentemente sou contra a reflexão crítica, entre outras coisas»

          «sou a primeira a reconhecer que a AAC está invariavelmente associada a partidos, que poucas causas têm, que muitos dos que lá andam apenas se regem por interesses» (do seu primeiro comentário)

          Pois é… é que essa ideia de que os partidos… ui os partidos são todos uns sacanas, oportunistas, só defendem os seus interesses, leva à conclusão que o melhor é não haver partidos, e esse é um caminho tremendamente perigoso… não para os partidos que estão hoje no poder. É um caminho perigoso para o povo, que deixa de poder se organizar e decidir (bem ou mal) o seu próprio rumo, o seu próprio futuro colectivo.

          Por fim, já reparou que primeiro são as monumentais, depois são os outros murais, depois são os sartazes, depois são os mupis, depois os grandes painéis, depois os folhetos, depois os ajuntamentos, e depois… pode ser demasiado tarde!

          Com todo o respeito, porque foi assim que aprendi que deve ser feito o debate político, firme e duro, sem hipocrisias, desejo-lhe respeitosos (uma vez mais) cumprimentos

          • Joana Roldão diz:

            Ricardo,
            Continuo a achar que não está a ir de encontro à questão que inicialmente levantei. (a noção de “património” colocada pelo Tiago). Mas não entendo – desculpe, mas ultrapassa-me – como consegue tirar tantas conclusões a que não cheguei com as minhas singelas palavras. Não vejo onde possa ter posto em causa o debate político ou a existência de partidos políticos. Dizer-me que hoje muito do debate político (ou algum, para o caso não interessa porque não concordo com nenhuma das grandezas) assenta no debate dentro das universidades é, para mim, uma novidade.
            Também não concordo que os estudantes se tenham “insurgido” contra o debate político – manifestaram-se contra uma acção da CDU que consideraram excessiva. Mas estes dois últimos pontos creio que não vamos chegar a consenso.
            Que fique bem claro que não defendi a acção dos estudantes, como também não defendi a pintura das escadas, limitei-me a dizer que os argumentos do património que Salazar construiu e destruiu – não necessariamente por esta ordem – não me pareceram e ainda não me parecem um ponto importante para a discussão. Não penso que a democracia esteja em risco porque um grupo de estudantes se juntou para se manifestar, mas faço minhas as suas palavras: “É um caminho perigoso para o povo, que deixa de poder se organizar e decidir (bem ou mal) o seu próprio rumo, o seu próprio futuro colectivo.” – isto vale só para alguns?
            Por último, preocupou-me a sua despedida… apenas porque penso que tem sido uma discussão claramente respeitosa, espero que não pense o contrário!

  18. Vasco diz:

    Meu caro Ricardo Guerra, o dinheiro do Partido em causa, o PCP, vem da contribuição voluntária e militantes dos seus membros, trabalhadores na sua maioria. Ou seja, custa a ganhar a cada um desses milhares de pessoas que nele vêem a força indispensável para uma vida melhor. Com tal capacidade de indignação, sugiro que se indigne também – e sobretudo – com os milhares de estudantes impedidos de estudar por falta de bolsas, a elitização do ensino provocada por propinas e por Bolonha. SE algum dia se indignar com essas coisas REALMENTE IMPORTANTES até é capaz de querer vir pintar umas paredes – ou se quiser umas escadas – connosco.

    • LM r diz:

      Não vem só daí. O Estado também entra com algum.

      • Mike diz:

        Contra a vontade do PCP, que votou contra a lei de financiamento dos partidos, sendo que uma das razões pelo que o fez é estar contra o valor das subvenções estatais que na opinião dos comunistas é muito elevada. O PCP defende que o financiamento das actividades partidárias se deve fazer pela contribuição dos seus militantes e simpatizantes, bem como pela contribuição dos seus eleitos nos vários órgãos em representam o povo português.

        Nota final para dizer que pelo que me apercebi os três lanços superiores das escadas já estavam pichados, mesmo antes da CDU ter pintado o de baixo. Mas segundo a minha opinião a mensagem pode e deve ser escarrapachada em todo o lado, sobretudo nas fuças de muita gente… Então nas torres das igrejas é que era…

  19. LM r diz:

    Tens aqui uma imagem das escadas durante as lutas estudantis de 69: http://viasfacto.blogspot.com/2011/05/da-tragedia-farsa.html

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  21. A rigor as escadas são espaço de pintura do PCP desde 1975, intervalado com algumas intervenções mais ligadasà AAC. Não é bom nem é mau: é assim, e toda a gente em Coimbra aceita isso. E devo dizer que acho a pintura foleira.
    Mas essa é a pintelhice: o fundamental é que uma coligação das juventudes de toda a direita, do PNR ao PS, coagiu o direito de reunião de um partido político em plenas eleições. O escândalo é esse. É isso que me envergonha enquanto conimbricense. Esse foi o património, a democracia, que tentaram vandalizar. Um precedente gravíssimo, uma amostra do que pode vir aí com um bloco muito mais que central.

  22. Vasco diz:

    Assim lavadinhas e com a polícia montada à espera de arriar na estudantada que protestava é que elas estavam bem… As paredes, e as escadas, também dão voz ao povo.

  23. Zé Miguel diz:

    Boa tarde,

    Sou natural de Coimbra e toda a minha vida (já lá vão quase 3 dezenas de anos) sempre vi as escadas monumentais pintadas em tempo de campanha, e quase sempre os murais eram da CDU. Portanto, não me choca nada que a CDU o tenha feito novamente nesta campanha.

    Quanto aos tótós que foram para o comício da CDU afirmar que as escadas monumentais são património da Universidade de Coimbra e que enquanto tal são vacas sagradas, deviam informar-se melhor sobre a História que está associada à construção das escadas monumentais e sobre a “tradição” de as mesmas ao longo dos anos terem servido de palco aos mais diferentes murais.

    Já houve anos em que a própria AAC pintou murais nas escadas monumentais após decisões da Assembleia Magna. Portanto, quanto a esses oportunistas que se tentaram aproveitar politicamente de um acto perfeitamente normal nem vale a pena perder muito tempo.

    Agora também gostava de relembrar que durante os mandatos do Reitor Seabra Santos (pessoa muito próxima da CDU, antigo elemento da Brigada Victor Jara), foram autenticamente censurados e apagados por funcionários da Universidade, a mando da reitoria, todos os murais que existiam nas paredes da Universidade de Coimbra. Murais esses bastante antigos e que eram património da memória histórica da Universidade e do movimento estudantil em Coimbra. Foi com bastante revolta que assisti em Coimbra à eliminação desses murais.

    Nessa altura não vi nem a AAC, nem a JCP vir a público contestar a eliminação desse património tão importante para a nossa memória colectiva.

    • Leitor Costumeiro diz:

      Até um Mural feito pelo Mário Silva a propósito do 25 de Abril e a pedido das Repúblicas. Quem não tem nada na cabeça só se pode preocupar com nada…

    • oberon diz:

      de facto isso aconteceu a mando do Seabra Santos.

      Será que é por isso que já não é do PC?

      De qualquer modo, eu que tb sou de Coimbra e que de facto sempre vi as Monumentais pintadas por várias mensagens de várias entidades, tenho sentimentos ambivalentes em relação a isto:
      Não sei quem foi mais ridiculo, se os ‘istodantes’ mal trajados se o Jerónimo lá em baixo a gritar ‘não nos calarão!’, como se o PC falar (ou pichar) ou não fizesse alguma diferença.

      Mas os comentários aqui deixados que apelidam a ‘manif’ estudantil de provocatória são um bocado reaças: então não se podem tb manifestar?

      • Leo diz:

        “então não se podem tb manifestar?”

        Ao retardador? Dois dias depois? É que as escadas foram pintadas no Domingo e só na Terça-feira à noite os indignados acordaram. Por acaso? Não.

        Foi para tentar boicotar o Comício da CDU. Dupla asneira. É perfeitamente legítimo pintar as escadas e é perfeitamente legítimo o Comício. Tentar boicotar um Comício é que não é nada legítimo e no meu entender bastante reaccionário.

  24. l'outre diz:

    “Todos sabemos que compete às câmaras municipais retirar a propaganda política após os actos eleitorais, competência que a maioria não pratica”

    Isto é parte (significativa) do problema. É exactamente por este motivo que eu acho que a responsabilidade da limpeza deveria ser dos partidos, e que estes deveriam ser multados se não cumprissem. São os partidos que sujam, devem ser os partidos a limpar. Acho que as coisas funcionariam muito melhor assim, sem haver a necessidade de limitar a liberdade de ninguém.

    “todos sabemos que a tinta normalmente utilizada nestes murais é relativamente fácil de limpar e que sai com a chuva”

    Errado. Recordo diversos “murais” com convocatórias para comícios (não só do PCP) e greves, que se mantêm durante ANOS. Se querem escrever no chão ou nas paredes mensagens de natureza não persistente (apelos ao voto, convocações para comícios ou greves, etc), façam-no a giz. Esse sim, sai à primeira chuvada. E isto é válido para qualquer partido.

  25. O que interessa aqui é que a malta da jcp são os porcalhões e passam a vida a sujar o espaço publico, e despois nem sequer os limpam.

    Eu não quero as paredes sujas com as vossa mensagens ! Nem eu nem a maioria dos Portugueses.

    Qual será a multa ? Espero que alta !

    • Camarro diz:

      O que interessa aqui são precisamente as mensagens, que pessoas como você não gostam de ver publicadas no espaço público!

    • Leitor Costumeiro diz:

      Não há multa pá!! Informa-te sobre os teus direitos, há sítios onde se pode pintar.

      • Leo diz:

        Tem toda a razão. E que sítio mais apropriado do que as escadas para pintar: NEM PROPINAS! NEM BOLONHA! MAIS BOLSAS! LEVA A LUTA ATÉ AO VOTO! CDU (PCP-PEV).

    • Mike diz:

      Eu também não quero ver os teus post na internet, mas lá tenho de levar com eles não é???

  26. Nuno L diz:

    Sem dúvida, o PCP assusta. E sabem porquê?
    Porque pode acabar com o MUNDO MARAVILHOSO DOS TACHOS.

  27. MBO diz:

    Abraço de Urso?
    Não. Muito pior. Se Sócrates perder por pouco as eleições, o abracinho vai ser muito mais aconchegado … http://supraciliar.blogspot.com/2011/05/socrates-depois-do-pais-o-ps.html

  28. José Borges Reis diz:

    Ontem tive vergonha de pertencer a esta academia.
    Mesmo achando que já não se usa murais daqueles! Aconteceu muita coisa nos últimos 30 anos de artes plásticas. Já era de fazerem uns murais menos datados, ou “cheesy” como agora se diz.

  29. rms diz:

    Grande, grande posta. Confesso que sei pouco sobre a cidade de Coimbra em si, mas conheço um bocadinho mais do significado que Coimbra teve na luta antifascista. Mais não fosse, o dia de ontem serviu para aprender mais sobre a escadaria.

    Fui ao Comício de ontem por solidariedade com os meus camaradas de Coimbra que viram a sua liberdade política ameaçada, por elementos ligados a outros partidos. A começar no presidente da AAC, tão diligente a condenar o “vandalismo”, mas que pertence à Juventude Socialista, lado a lado com JSD, JP e três ou quatro PNR, que já tomaram de assalto o evento do Facebook destinado à alegada limpeza das escadas. O que pensará o agora ex-ministro Alberto Martins, conhecido interveniente na crise académica dos anos 60, deste seu camarada de partido?

    Ontem fiquei com a estranha sensação de que estava em 1975. O que nem foi mau de todo, do ponto de vista de formação política e militante, já que não vivi nesse tempo. Mas foi, com certeza, demasiado grave. Um contra-comício partidário a usar os estudantes como pontas-de-lança. É grave pelos próprios estudantes que se deixaram manipular, porque já nada me espanta nas tácticas de alguns partidos.

    Felizmente, embora os jornalistas tenham achado mais piada ao contra-comício, pelo menos até ao início da intervenção do secretário-geral do PCP, havia muitos outros estudantes, não trajados, a assistir ao comício. Mais. No final do comício, dois jornalistas com quem troquei impressões achavam “normal”, que “acontece em todas as campanhas”.

    Como disse, e bem, Jerónimo de Sousa no início da sua intervenção:
    «Ao longo da sua história, o PCP conheceu o silenciamento da comunicação, da tortura, da perseguição. Mas aquelas que o fizeram, e que transportaram até aos dias de hoje esse anátema, que marcou a nossa historia, é importante que saibam: não nos calarão».

    • l'outre diz:

      E pela sua cabeça não passa a ideia de que há quem não goste de ver as ruas “sujas” com mensagens partidárias, seja de que partido forem?

  30. Abilio Rosa diz:

    Não havia necessidade de mostrarem esse tipo de arte tão ao gosto do camaleónico MRPP.
    Lembram-se quem vai pagar a «limpeza» ou a remoção dessa «peça artística» vão ser os trabalhadores com os seus impostos. Não vai ser o Ricardo Salgado nem os Mello.

    Já agora que vão pintar as fachadas dos bancos que vão mamar o bolo do FMI e que vai ser pago com os nossos impostos.

    Isso si, é que seria Arte e Revolução.

    O que fizeram nas escadaria de Coimbra é uma boa MERDA!!!!!!!!!!!!!!!

    (O camarada Jerónimo tem que chamar aqueles jovens à cabine de som!)

    • rms diz:

      Falar na terceira pessoa é sempre muito bom. Pega num balde e numa trincha e vai lá pintar os bancos. E já agora, os serviços municipais de limpeza estão quase todos privatizados.

      • Abilio Rosa diz:

        Estão privatizados, mas quem paga és tu e eu.
        Respeitem o trabalho e o esforço dos contribuintes mais pobres e necessitados.
        Pintando estrão dando lucro ao comércio e às empresas de limpeza.
        Façam contas.
        Tomem o poder. Assaltam Belém ou S.Bento. Não interessa.
        Pintar paredes é que não. Isso é coisa dos fdps dos MRPPs!

        • C. diz:

          És um palerma (abilio)! Já muito se disse aqui e não acrescento nada mais mas, o teu comentário é execrável. Tenho até dúvidas da tua conotação política que mais parece de um provocador a tentar denegrir os comunistas e isso comprava-se mais do que uma vez na tua linguagem.
          Ah, já agora um lema bem interessante de uns amigos (que não são PCP) : “Paredes brancas, Povo mudo” … Espero estar a dizer a frase correcta 🙂

          • Abilio Rosa diz:

            Sei do que falo.
            Nos antigos países com democracia popular, as ruas e as paredes andavam completamente limpas.
            Não era permitido vandalismo.
            Ou achas alguma piada se eu pintasse o teu carro com siglas partidárias a torto e a direito?
            Ser comunista também é ser bem educado.

  31. Estudante de coimbra diz:

    Boa tarde,

    nao sou natural de coimbra, alias sou de bastante longe ate, mais precisamente trás-os-montes, mas como estudante da universidade de coimbra tenho um imenso respeito e paixao pelas tradiçoes e lugares que para esta academia secular (mais velha 697 anos que a CDU) têm grande significado. Nao vou falar de vandalismo, sobre ilegalidade tambem tenho pouco a pronunciar-me pois ja ouvi duas versoes que dizem que este acto é ilegal, tal como tambem ja ouvi que este acto foi legal. vou falar sobre bom senso e respeito pelos demais. nao vou ser hipocrita e dizer que sou apartidario porque nao sou, e certamente que nao sou comunista. estou revoltado com este acontecimento principalmente porque por mais publico que o lugar seja, podendo ou nao ser considerado patrimonio ou monomento, a verdade e que se trata de um lugar de grande valor sentimental, cultural e historico para os que na niversidade de coimbra estudam, ja para nao falar do repudio que sinto por ver um lugar com ligaçao tao forte a mais prestigiada instituiçao de ensino superior em portugal e uma das mais prestigiadas e antigas da europa ser usado como meio de propaganda politica! nehnuma intituiçao, estabelicimento ou infrasestrutura de ensino deve ser utilizada com um objectivo como este. Ja ouvi falar de censura por parte de pessoas ligadas a CDU, entao gostava que me justificassem porque e que os comentarios de desagrado manifestados na pagina do facebook da CDU de coimbra foram constantemente apagados?? ou expliquem-me como é que um partido que se diz anti-fascista tem a lata de desrespeitar um lugar tao emblematico para aquela que em portugal foi um dos maiores focos de luta contra o regime, A ACADEMIA COIMBRÃ!! e nao me venham com as tretas de que as manifestaçoes de desagrado sao grupos anti-comunistas orquestrados por terceiros, se o meu partido fize-se a mesma coisa eu tambem me revoltava. gostava de ver a reacçao dos dirigentes da CDU coimbra se nas proximas eleiçoes para a AAC, a sede da CDU coimbra fosse completamente pintada com frses de campanha e outras que tais.
    tambem quando referem que as escadas ja foram pintadas aquando de eleiçoes para a AAC posso afirmar com quase 100% de certeza que as listas que o fizeram eram lista 100% JCP.
    mas sabem que mais sinto-me reconfortado por saber que esta brincadeirazinha vai resulatar numa coisa: o pior resultado da historia da CDU em coimbra!!! é por estas e por outras que o comunismo nunca vencerá em portugal, porque por mais mal que estejamos ainda temos consciencia e sabemos distiguir o bem do mal… exemplo disso sao as miseraveis votaloes que CDU tem vindo a ter eleiçoes apos eleiçoes. continuem o bom trabalho: o de reforçar a posiçao das ultimas legislativas, 5ªforça politica em portugal, logo atras de BE e CDS.

    saudaçoes academicas

    • Zé Miguel diz:

      Já aprendias a escrever, ou pelo menos a colocar assentos nas palavras…

    • Ricardo O. diz:

      Pois, esses 100% de certeza acertaram… água! (para recordar um jogo da minha infância)

      Óh caro estudante, a universidade é de todos, não é só de alguns estudantes e os partidos fazem parte da cultura académica e da universidade. A universidade é sim um espaço de campanha eleitoral. O contrário é limitar a universidade e o pensamento produzido na universidade à ditadura do pensamento dominante, às TV’s e companhia.

      E como deve saber as escada monumentais não são propriedade privada. Essa sim seria uma violação da lei pintar murais na propriedade alheia sem a devida autorização…

      Mas mais importante e lamentável é considerar que o debate político, e portanto partidário, deve ser afastado da universidade. Nesse tempo vivia-se no fascismo!

  32. Pedro Pousada diz:

    Sou docente na universidade de coimbra há onze anos e sempre a conheci com um exótico mosaico de pedrinhas de vidro acumulando-se pela quadra da alta; pelas minhas actividades lectivas calcorreio todos os lugares da alta com os meus alunos e vislumbro manchas de vómito decorando muros, cantos e todo o género de superfícies pedestres. Toda a vida estudantil está colonizada por marcas e produtos, do cartão de estudante à central cervejeira patrocinadora da queima.Na zona adjacente e inclusa às venerandas e virginais escadas monumentais abundam os angariadores e promotores de todo o tipo de tralha consumista, red bull, optimus, bancos e quejandos , etc. A própria Associação Académica espetou pela cidade uns execráveis outdoors promocionais da Queima deste ano donde se destacava o das escadas monumentais com um icterício Michael Jackson; os carros estacionam em frente das escadas e a malta ou aperta-se entre eles para transitar ou passa muitas vezes por cima dos muretes adjacentes, há lixo e garrafas por todo o lado, na segunda-feira seguinte à semana da queima observei na ladeira que dá acesso às cantinas verdes sinais de mais uma praxe troglodita , restos de cabelos, mais acima fezes humanas minavam o caminho; resumindo, se há lugar menos templário e protegido da universidade é definitivamente o sítio das escadas monumentais, debrucem-se sobre a vegetação que por ali prolifera sem planeamento ou cuidado paisagístico e entenderão do que falo.
    Mas os mimosos monges de shaolin dos tachos futuros manifestam-se cobardemente contra a legítima e necessária politização do espaço público!Se ao menos se manifestassem contra o carpet bombing que aí vem com dupla tripla PSD/PS/CDS-FMI/BCE/UE…

  33. Leo diz:

    Parecem-me um pouco lerdos estes auto-proclamados “estudantes anti-partido e não-organizado”.
    Confesso que me deu uma enorme vontade de rir quando comecei a ler que: “A CDU pintou, no passado dia 22 de Maio, Domingo uma inscrição mural ao longo da escadaria que dá acesso à Universidade de Coimbra…”

    Então a coisa foi pintada no Domingo e só na terça-feira à noite é que reagiram?

    http://www.cdu.pt/2011/sobre-inscri%C3%A7%C3%A3o-mural-da-cdu-nas-escadas-monumentais

  34. arnaldo alhandra diz:

    gostava de saber se as escadas tivessem sido cagadas com pinturas do cds ou psd ou ps se os cdus n iam ficar todos fodidos e se n iam para la protestar contra a destruiçao de patrimonio.
    n tenho nada contra a cdu. acho a mensagem fixe. alias, se fosse so pelas mensagens achava melhor ainda, ou se tivessem sido os estudantes. mas cagaram as escadarias todas
    e ligaram a universidade a um partido. isso n está certo.

    • Mike diz:

      Não!
      É a resposta… Aliás era pouco inteligente um partido que defende o uso do espaço público para transmitir a sua mensagem, fica-se indignado por outros o fazerem…

    • Leo diz:

      E desde quando é que a universidade esteve desligada de partidos? Nem sabe que o o presidente da AAC, Eduardo Melo, é militante da JS? Parece-me que o problema para alguns é a ideia (e o trabalho) ter sido da CDU, se fosse doutros…

  35. Carlos Mendes diz:

    Num paìs que deixou de ter referências e em que vale tudo, e que se confunde responsabilidade com libertinagem e vandalismo, onde passámos a ter na europa “um apelido” que era utilizado nos tempos do salazarismo, só nos resta um comentário: cada país tem o povo que merece.

  36. RuiB diz:

    No vídeo acima, o morcego que bota faladura faz questão de dizer que “os partidos em Portugal são todos a mesma porcaria” (como é sabido, a velha conversa para desculpabilizar os partidos da política da direita, PS, PSD, CDS). Mas a boca, momentos antes, tinha-lhe fugido para a verdade (aos 35 segundos): “sou completamente anti-apartidário”. Como? Anti-apartidário? Ou seja, a favor dos partidos? Os tais que são todos a mesma porcaria? Vá lá, tótó, chirimi-tá-tá-tá-tá, chirimi-tá-tá-tá-tá, vai-te lá deitar no esterco das tuas contradições de pequeno fidalgote de capa e batina.

  37. Gabriel diz:

    http://img543.imageshack.us/img543/3075/cavalosp.jpg

    aqui estão os moços que querem limpeza.

  38. nao diz:

    a foto das monumentais “limpinhas” recordou-me os meus comentários aqui no 5dias que também foram “limpos” para não estragar a beleza do forum… será que este passa?

  39. Luisa Saldanha diz:

    sobre a poluição propagandística no espaço público:
    caro Tiago, com esse argumento legitimas a cara do sócrates, do passos coelho, do portas ou do louçã, etc.. pintada com grandes siglas nos pavimentos do Terreiro do Paço ou Mosteiro de Alcobaça!

    • Leo diz:

      No artigo 66.º (Propaganda gráfica e sonora) da Lei Eleitoral está no seu ponto 4.: “Não é permitida a afixação de cartazes nem a realização de inscrições ou pinturas murais em monumentos nacionais, nos edifícios religiosos, nos edifícios sede de órgãos de soberania, de regiões autónomas ou do poder local, nos sinais de trânsito ou placas de sinalização rodoviária, no interior de quaisquer repartições ou edifícios públicos ou franqueados ao público, incluindo os estabelecimentos comerciais.”

      É óbvio que a escadaria em questão não é pavimento de nenhum monumento nacional, edifício religioso, edifício sede de órgãos de soberania ou repartição pública. É uma via pública igual a milhentas outras vias públicas existentes em todo o lado.

      Não compliquemos coisas simples.

  40. estudante de coimbra diz:

    é tao engraçado ouvir estas pessoas falar de censura e de fascismo… pelos vistos o comentario que eu postei ha 2 ou 3 horas atras foi censurado, e que nao aparece… eram incomodas as palavras que escrevi? enfim… ja tudo se espera daquele que nas ultima eleiçoes lesgislativas foi o partido menos votado, que vai voltar a ser, e que em coimbra vai atingir minimos historicos, tudo graças aos rabiscos das monomentais…

    saudaçoes academicas

    • Leo diz:

      O que não deixa de ter piada é ver a nervoseira que vai pelos jotas de Coimbra e a sua indignação ao retardador.

      Mas hilariante é pensarem que são donos duma via pública. Não são não. Perceberam agora que têm mesmo de respeitar as leis do país? É que espaço público é mesmo espaço público e não é coutada de ninguém. E a CDU tem todo o direito de fazer as acções de campanha que entender nessas escadarias que são, torno a lembrar espaço público.

      Aprendam meninos e aprendam a respeitar os outros.

    • no pasoraon diz:

      verdadeiramente mono mental este comenatariu

    • Camarro diz:

      Ide praxar os caloiros, ide… E já agora, vê lá se arranjas um tempinho para aprenderes a escrever.

  41. Wilson Rodrigues diz:

    O discurso de Jerónimo de Sousa foi o discurso de um homem que passou de escravo a senhor. Porque no passado Jerónimo foi silenciado, no presente Jerónimo silencia aqueles que pode silenciar. Jerónimo teve o comportamento de um burguês bem instalado na vida a desprezar os mais fracos. No dia em que cobriu as monumentais, Jerónimo descobriu o seu verdadeiro rosto. Nada mais há a esconder: um comunista é um ditador!

    • Leo diz:

      Isto é, no Domingo a CDU fez o que costuma fazer em Coimbra, uma pintura numa via pública. Sem escândalo algum, lavou e embelezou uma escadaria pública e com agudo sentido de oportunidade lá escreveu: Nem propinas! Nem Bolonha! Mais bolsas! Leva a luta até ao voto! CDU PCP-PEV.

      Na Terça-feira seguinte Jerónimo participou num Comício na cidade. Como faz em qualquer campanha eleitoral, desta vez na referida escadaria, via pública.

      Vestidinhos a rigor, umas dezenas de betinhos tentam sabotar o Comício. Sem sucesso, o Comício fez-se mesmo, com toda a tranquilidade. Mas o Wilson acha que não, e para branquear a acção tola dos betinhos vira o bico ao prego e ainda mais tolo acusa Jerónimo de silenciar os tais palermas vestidinhos a rigor.

      Haja pachorra. Que tal ir dar banho ao cão? É que a estupidez tem limites, caramba!

    • Abilio Rosa diz:

      Tenho muita consideração pelo nosso camarada Jerónimo.
      Um exemplo de vida, de coragem, determinação e honradez.
      Todavia não apreciei muito o seu discurso.
      Ele deveia ter pedido desculpa e devia ter chamado à atenção aos camaradas que fizeram aquelas pinturas, para repor a situação anterior.
      Nós não vivemos em ditadura, pelo que determinadas acções até são contraproducedentes.
      O povo não comprrende o vandalismo ou o desperdicio de recursos.
      Há formas muito mais eloquentes, directas e politicamente eficazes do que andar a pintar paredes.
      Isso é para os saudosistas do MRPP, que como sabem era e continua a ser um grupo criado pela CIA para descredibilizar a foice e martelo.
      Abram os olhos.

      • Leo diz:

        “O povo não comprrende o vandalismo ou o desperdicio de recursos.” ????

        Agora chama “povo” aos vestidinhos a rigor? Não complique o que é simples.

        As escadas há décadas que são pintadas em periodos eleitorais, umas vezes pela CDU, outras vezes por outros.

        Faz parte do património local as frases escritas nas escadas. Aliás, são também essas pinturas que tornaram estas simples escadas património público.

        Pelas imagens os que fizeram o protesto são muito jovens. Seria bom que a Universidade fizesse acções de formação junto dos seus estudantes sobre a sua história e também acções de sensibilização sobre participação cívica e política.

        Ninguém nasce ensinado e a tolerância também se aprende.

      • Carlos Carapeto diz:

        Camaradinha Abílio tem que se deixar de preocupar tanto com as “malfeitorias” do PCP . Os colegas do seu partido é tudo gente muito bem comportadinha?

        Esquece-se de mencionar que o PCP é o partido mais descriminado pelos meios de informação burgueses? A maioria da informação divulgada por os papagaios de serviço é para denegrir o partido e os seus dirigentes. É assim tão despassarado que ainda não notou isso?

        O povo não compreende o desperdício que refere como não compreende muitas outras coisas. Por exemplo 80% votar nos partidos que o chula. Portugal tem assim tanta a gente a viver bem?

        Sabe o que é contraproducente? Sou eu abrir a minha caixa de correio e encontrá-la atafulhada de publicidade, imprensa em papel de boa qualidade, a incitar ao consumismo.

        Portanto aí já não existe preocupação com as despesas dos funcionários que têm que fazer a limpeza dos espaços públicos e as montanhas de lixo acumuladas na rua?

      • C. diz:

        Não dá para querer no que escreves, não há pachorra.
        Um conselho deixa de escrever pff. Vandalismo, o raio que o parta!!!
        Preocupa-te é com o vandalismo que as empresas comerciais têm por todo o lado, ocupando o “tal” espaço público a empurrar-te para o consumo. A isto achas bem?!! Ainda passo na 24 de Julho e os meus olhos vão à procura de um mural do mrpp e deparo-me com um gigantesco anuncio da optimus (se não estou em erro é que desligo da publicidade).
        Deves preferir ver tudo “imaculado” do que ver a expressão de luta e de reivindicação de um povo nas paredes da tua cidade, vila, aldeia ou empresa. Pois eu não…
        Ainda não deves ter apanhado bem o momento histórico em que estamos…

        • Abilio Rosa diz:

          Sou duma geração de comunistas que combatia por ideais nobres e pela transformação da sociedade.

          Agora está «surgindo» uma nova geração de «comunistas» que não luta por ideais, mas simplesmente luta pelo último modelo de telemóvel ou pelo último modelo de óculos de sol «dolce&gabana».

          Mesmo se os outros partidos conspurcam o espaço público – o que é verdade e condenável!- acham que é socialmente moral, estarraçar propriedade pública?

          Na URSS onde vivi, graças a Deus, tais comportamentos eram censurados e gravemente punidos.

          Meus amigos, se não tiverdes disciplina, moral comunista sólida e se não houver exemplos de respeito pela propriedade pública, o que é vocês esperam do Povo (não aqueles palhacinhos de estudantes que lá apareceram)?

          Respeito? Consideração? Solidariedade? Apoio?

          Leiam os clássicos comunistas primeiro e depois podem vir cá debater com o tio Abílio.

          • Carlos Carapeto diz:

            Viveste na URSS? E viraste assim casaca? Sabes eu também vivi. Conheci antes e conheço agora, por isso mesmo sou cada vez mais comunista. Agora já não se inquietam com o descalabro que por lá vai?

    • Carlos Carapeto diz:

      Correto; ninguém lhe pode tirar a razão. Se prestar atenção aos patrões da CIP , da CAP , da Sonae, do BES +++++++. Todos dizem o mesmo de Jerónimo de Sousa. Há coincidências do arco da velha.

      Aprendeu com eles a ruminar essa palhada anti-comunista?

  42. MBO diz:

    Gostaria de saber o que propõem CDS, PSD e PS sobre este assalto (agora com link correto)
    http://supraciliar.blogspot.com/2011/05/tenha-medo-tenha-muito-medo.html

  43. xatoo diz:

    “um comunista é um ditador”… e comem criancinhas ao breakfast com a dentadura do proletariado

    • Carlos Carapeto diz:

      Eles não têm é coragem para assumir a merda que fizeram na Europa de Leste.

      • Leo diz:

        Merda, merda a séria fazem os oligarcas. Se até o PNUD isso disse…é que não conseguiram mesmo disfarçar a miséria provocada pela instauração do capitalismo. Miséria, mortes, retrocessos civilizacionais em todas as esferas e em todos esses países.

        • Carlos Carapeto diz:

          É precisamente isso que eu me referia. O grande salto atrás que aquela sociedade deu, depois da instauração do capitalismo.
          Hoje já não se questiona se se vivem melhor, mas sim se têm os mesmos padrões de vida.

          É a isso que eles (burguesia) se recusam a responder.

  44. Leo diz:

    “A Comissão Nacional de Eleições (CNE) emitiu ontem um parecer que não considera ilegal a pintura de uma mensagem de propaganda eleitoral que a CDU efectuou, domingo à noite, nos cinco lanços das Escadas Monumentais, em Coimbra, e avisa que quem danificar aquela mensagem incorre numa pena de prisão e multa. (…)

    Segundo o parecer da CNE, as Escadas Monumentais “não se encontram classificadas como monumento nacional”. Decorre, isso sim, um “procedimento com vista à sua classificação, que ainda se encontra em curso”. Mas, no entender da CNE, isto não chega para terem a protecção de que gozam os monumentos nacionais.

    O parecer avisa que “aquele que roubar, furtar, destruir, rasgar ou por qualquer forma inutilizar, no todo ou em parte, ou tornar ilegível, o material de propaganda eleitoral afixado ou o desfigurar, ou colocar por cima dele qualquer material com o fim de o ocultar será punido com a pena de prisão até seis meses e multa de 4,99 a 49,88 euros”…

    http://www.publico.pt/Pol%C3%ADtica/cne-considera-que-pintura-da-cdu-nas-escadas-monumentais-de-coimbra-nao-e-ilegal_1495996

  45. Igor Caldeira diz:

    A Ponte 25 de Abril também foi feita pelo Estado Novo. Bora dinamitá-la?

  46. Abilio Rosa diz:

    De facto esta gente anda louca.
    Se Álvaro Cunhal fosse vivo teria vergonha de saber que hoje os «comunistas» têm outras preocupações «artisticas».
    Não dá para debater com estas sumidades do pincel…

    • C. diz:

      Mais um disparate do “tio” Abilio… Continuo com a suspeita que não passas de um “provocadorzeco”… Já nem me canso contigo

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