Sobre os acontecimentos em Espanha

“As grandes mobilizações de indignados assumem como denúncia central a ausência de democracia autêntica. Neste início do século XXI, no contexto de uma gravíssima crise mundial de civilização, o capitalismo, em fase senil, cola o rótulo de democracia representativa a ditaduras da burguesia de fachada democrática.”

A reflexão do Miguel Urbano Rodrigues sobre os acontecimentos no Estado Espanhol.

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26 respostas a Sobre os acontecimentos em Espanha

  1. Carlos Vidal diz:

    Notável texto, espírito de síntese, dizer certo o essencial.

    Cita até um velho conhecido meu, de que não ouvia falar há muito (cruzámo-nos num encontro sobre arte/artes/políticas, na Corunha, de que há livro de Actas publicado: “En Tiempo Real: El Arte Mientras Tiene Lugar”): o Santiago Alba Rico. Vivia há uns anos, curiosamente, na Tunísia. Saber de experiência feito.
    Alba Rico, uma recomendação para tradutores que não se deixam adormecer. Há poucos.

  2. Tiago Mota Saraiva diz:

    Muito bom texto.

  3. Tiago Mota Saraiva diz:

    “Não compartilho a euforia prematura de Atilio Boron, mas julgo oportuno reafirmar que a Espanha não é excepção na Europa. Não há democracia autêntica sem participação decisiva do povo. Na União Europeia um sistema mediático perverso e desinformador esconde a realidade. Os regimes existentes nos 27 diferenciam-se muito. Mas existe um denominador comum: a ausência de uma democracia autêntica. Neste início do século XXI, no contexto de uma gravíssima crise mundial de civilização, o capitalismo, em fase senil, cola o rótulo da democracia representativa a ditaduras da burguesia de fachada democrática.”

  4. Abilio Rosa diz:

    O Miguel Urbano deve estar a tomar alguma substância curiosa.
    Como é que ele já não viu que aquela manifestação é financiada e divulgada nos média pelos partidos da Direita, para abandalhar as propostas da esquerda?????!!!!!!

    • zecarapaudecorrida diz:

      Deves ter lido aos zige zagues.O que andas a fumar?A snifar?

    • Helena Borges diz:

      Abílio, o texto do Miguel Urbano Rodrigues é lúcido, uma reflexão muito lúcida.

      «Significativamente, o espaço e o tempo que os media espanhóis dedicaram durante a última semana aos “indignados” diminuíram drasticamente desde sábado. O tema quase desapareceu das primeiras páginas dos grandes jornais e do programa dos canais de televisão. A vitória do PP e o avanço das Autonomias monopolizaram a atenção de políticos, analistas e jornalistas do sistema.»

  5. Pedro diz:

    …nem o que se segue:

    “A consciência demonstrada pelos «indignados» de Madrid de que a «democracia representativa» é uma ficção no Estado Espanhol deve porém ser saudada como acontecimento importante no âmbito das lutas de massa europeias e não ignorada, subestimada ou mesmo criticada com sobranceria em atitudes irresponsáveis por alguns dirigentes de partidos de esquerda da União Europeia.”

    sendo profundamente partidário e politicamente orientado, não posso deixar de reparar numa certa “ortodoxia” como lhe chamei numa conversa recente com que se olha estes M#s. O perigo da eventual inconsequência destes movimentos é tanto maior por falta de maturidade própria como por excesso de paternalismos.

    Por detrás, contudo, estão as razões efectivas que despoletaram o inconformismo (ingénuo ou não) e mesmo que mais tarde ou mais cedo se instale outra vez seja por frustração da falta de resultados ou por desenganos vanguardistas, essas razões continuarão a agravar-se.

    Por mim “o caminho faz-se caminhando” e “não existem revoluções perfeitas”. Só espero que entre uma curva e outra a humanidade tenha suficiente tempo (nesta aceleração) para não se despistar na barbárie. Vamos, sim senhor, com uma grande inércia!

    • Helena Borges diz:

      É verdade, Pedro. Creio que as eleições à porta acentuam o medo… E eu até consigo entendê-lo. Mas importa tentar perceber as razões que motivam estes protestos e o texto do Miguel Urbano Rodrigues fá-lo. Tentar perceber é construtivo, sempre.

  6. Abilio Rosa diz:

    Isto só vai com um golpe de estado, meus amigos.
    Fiquem aí acampados à espera que Nossa Senhora faça um milagre…

    • Pedro diz:

      E o que vais fazer tu até que esse golpe de estado se torne inevitável ao mesmo tempo que viável?
      Estás com pressa? Podes começar já a fazer o que te der na telha! Repara que essa de “aí acampados à espera…” revela tanto de impaciência como aquela dos típicos “ocupas” que normalmente compoêm estes acampamentos, e que felizmente não se têm mostrado em maioria, dando a entender um verdadeiro alargamento do não resignação.

  7. Abilio Rosa diz:

    Isto não vai com megafones e com filmes para as «redes sociais» dos capitalistas.
    Abram os olhos.
    Estais a ser manipulados.
    No dia 6 a Direita vai tomar o poder e vocês andam a passar o tempo com esses workshops «revolucionários».
    Façam como eu.
    Engrossem a campanha eleitoral do camarada Jerónimo e andem por esse Portugal fora a convencer e a informar o nosso povo que só uma votação na CDU pode mudar o rumo dos acontecimentos.
    Ou então um golpe de estado, mas com gente que não está para brincar às «comunazinhas».

    • Pedro diz:

      Curiosamente a mim nem precisas de convencer… (e já agora, hoje mesmo engrossei a campanha de Francisco Lopes). Mas deste substância precisamente à crítica que fiz e ao que foi muito bem observado pelo camarada Urbano!

    • A.Silva diz:

      “A consciência demonstrada pelos «indignados» de Madrid de que a «democracia representativa» é uma ficção no Estado Espanhol deve porém ser saudada como acontecimento importante no âmbito das lutas de massa europeias e não ignorada, subestimada ou mesmo criticada com sobranceria em atitudes irresponsáveis por alguns dirigentes de partidos de esquerda da União Europeia.”

    • Youri Paiva diz:

      Abílio Rosa, um conselho se queres (não deves querer) convencer as pessoas a votarem na CDU: não abras a boca.

  8. Morcego diz:

    “É concepçom monoteísta
    Pensar que existe umha só soluçom
    É um conceito banal
    O dividendo por baixo do divisor
    É umha história perdida
    A coeréncia de grande pensador
    É um debate sem limite como fazer a perfeita revoluçom
    É um debate sem limite como fazê-la perfeita.
    É muito definitivo
    Umha janela tapiada na habitaçom
    É altamente agradável
    Conhecer um valente que tenha valor
    De feito é habitual
    Nom dizer nada novo na conversaçom
    É um debate sem limite como fazer a perfeita revoluçom
    É um debate sem limite como fazê-lo perfeito.
    Levere leverelem.”

    Marful-Banda galega

  9. Morcego diz:

    Carago, esqueci-me de pôr a música:

  10. Diogo diz:

    «Repito: os jovens «indignados» sentem dificuldade em definir um rumo para a luta que iniciaram. A maioria talvez não tenha consciência da complexidade do desafio lançado ao Poder.»

    Sou da opinião que os jovens indignados não querem soluções controladas pelo poder financeiro e económico, seja, capitalismos, comunismos e «sociais democracias».

    Os partidos comunistas que recolham as garras.

  11. Abilio Rosa diz:

    Espero que o PCP se demarque oficialmente dessas festas grotescas ao ar livre encomendadas – e bem encomendadas! – pela Direita.
    Isso faz parte duma estratégia europeia da banca para descredibilizar a luta do povo contra a agiotagem e roubalheira dos banqueiros.
    Ao menos o PS fornece sandes, enquanto muitos de vocês estão (objectivamente!) a pão e água ao serviço da Direita.

  12. E que tal irem ver o que se passa no Rossio, Lisboa:

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