Sobre a vitória do PP em Espanha…

No PP votaram 8.474.031 dos 35.655.630 cidadãos eleitores. A vitória eleitoral do PP foi feita à custa de uma forte deslocação de votos a partir do PSOE. Para quem defende que a democracia se constrói todos os dias, as oscilações eleitorais entre PSOE e PP são irrelevantes.
A revolução só se fará a partir de eleições, quando cada um decidir tomar partido. Quando cada um, puxando pela sua cabeça e tomando em mãos a sua vida, decidir votar. Enquanto isso não acontecer, os actos eleitorais servirão para enaltecer a soberania e o primado das diferentes oligarquias que se mobilizam sem hesitações. O PP e o PSOE devem estar agradecidos a todos os manifestantes acampados que não foram votar.

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33 respostas a Sobre a vitória do PP em Espanha…

  1. Bruno Carvalho diz:

    Seriam coerentes se não votassem e tentassem assaltar o poder. Agora, não votar e só acampar é como aquela expressão: nem fode, nem sai de cima.

    • Miguel Lopes diz:

      “Seriam coerentes se não votassem e tentassem assaltar o poder.”

      E também se votassem e tentassem assaltar o poder…

  2. CRISTIAN diz:

    A luta dos acampados vai mais lonxe do que umas elecçoes. Vai até mudar um sistema que nao representa a vontade do povo. A Política tal e como é hoje nao está ao servicio do povo. NAO SERVE! A deciçoes a tomar sobre as vidas de milloes de pessoas nao possem estar en maos dun cento delas altamente remuneradas durante anos coma se as nosas vidas e o noso voto fossem um cheque em branco sobre o que podem escrever qualquer coisa. A democracia e fazer parte das deciçoes que nos influenciam e nao por o nome dum ladrao num papel cada X anos para que nos roube!

    • Tiago Mota Saraiva diz:

      Muito bem. E agora?

      • CRISTIAN diz:

        E agora eu continuo no Rossio. Tú teis alguma proposta?? Ou vasme dicer que e posivel todo o pais votar que é que vai a Eurovisao más nao e posivel votar se vamos gastar milloes em bombas para tirar noutro pais??
        Força Rossio.

  3. Rainha das Bichas do Chiado diz:

    Em que mundo vive? O PP vencerá as eleições legislativas e a Espanha virará à Direita. Os acampados não representam a vontade da maioria da sociedade espanhola. Assim como os «PREC’s» não representavam, no passado, a vontade da maioria da população portuguesa. Quanto ao desemprego em Espanha, está elevado, em parte, porque os espanhóis não aceitam muitos trabalhos que são actualmente executados por imigrantes. Se visitar explorações agrícolas andaluzas constatará esta realidade. Até no turismo e na indústria o número de imigrantes é bem elevado.

    • Tiago Mota Saraiva diz:

      Tudo tão simples, tantas certezas…

    • zecarapaudecorrida diz:

      Xim,xim e as trerras já em adiantado estado de infertilidade com tanta merda quimica para aumentar os lucros(ganancia) duns pocos,pq os residuos irão para o ‘bem’ publico.Entretanto,os nosotros hermanos já estão a desbastar os terrenos com aquelas ‘oliveiras’….mas,a populaça democratica gosta e,um destes dias está a comer merda pq a oligarquiavai mandar vir os seus alimentos de africa(não,não é um país-é um continente)!

    • Ângulo Morto diz:

      será que a “rainha das bichas do chiado” tem conhecimento do nível de remuneração, dos “postos de trabalho” que refere? os empresários de “lá”, tal como os de “cá”, não querem empregar os seus concidadãos, mas sim escravizá-los!!!

      • Rainha das Bichas do Chiado diz:

        Por acaso tenho. Pagam entre 700 e 800 euros (40 horas) para um operário de escalão mais baixo, a um membro de um quadro de uma empresa agrícola ou para um operador de caixa. Depois é mister acrescentar os extras. Isto são ordenados para a Andaluzia, tenho ideia que em Valência ou na Catalunha se paga mais. Ter em conta que o nível de vida na Andaluzia é idêntico ou inferior ao nosso. Para apanhar fruta, pagam por produtividade. Mas sempre dá mais de 50 euros por dia.

  4. Raquel Varela diz:

    Tiago,
    Há mais de 11 milhões de abstencionistas em Espanha, e quase 1 milhão de votos brancos e nulos. Que dizer? Como Brecht, mude-se o povo que este não presta?
    Eu não sou abstencionista e estou nas Assembleias do Rossio, tomo partido. Não achas possível que estes jovens – que eu não sei se são anarquistas ou não, aliás na maioria tenho muitas dúvidas – tenham legítimas desconfianças face ao BE e à CDU, tão legítimas que os levam a ter uma posição a meu ver errada de não chamar os bois pelos nomes? É óbvio que quem governou Portugal e trouxe o FMI tem nome – PS, PPD e CDS. Mas de tanto falar do mal que os outros fazem não devíamos ter um balanço daquilo que nós fazemos?
    Diz-te alguma coisa o voto do BE ao FMI grego, o apoio a Sá Fernandes, a Manuel Alegre? Diz-te alguma coisa o Memorando que o Mário Nogueira assinou para destruir o movimento de professores? A burocracia dos dirigentes da CGTP? Os «camaradas» a fazerem de polícias na manifestação anti-NATO?
    Eu apelo ao voto no BE ou na CDU mas não fico chocada que alguém não o faça, e encontro quase 11 milhões de razões para não ficar chocada com a abstenção em Espanha, a começar por duas que tu conheces bem e que têm a nossa idade: Pactos de Moncloa e Juan Carlos. Não são razões menores para acampar.
    Saudações fraternas
    Raquel

    • Helena Borges diz:

      (O Juan Carlos tem a vossa idade? Velhotes saídos da casca, tu e o Tiago!)

      🙂

      • Carlos Vidal diz:

        Concordo com muito pouco do que a Raquel tem escrito e estudado, com quase nada mesmo.
        Já com o Renato, é diferente – ele está sobretudo ligado a uma impulsividade de acção que é muito positiva.
        Serve pois este comentário para me mostrar crítico também a uma frase tua, Tiago: “A revolução só se fará a partir de eleições”.
        Não há um único momento da história em que tal se tenha visto.
        Desde pelo menos 1990, desde que se fez o falso e oportuno, para certos mafiosos, “funeral” do comunismo que o reformismo, refundacionismo ou “bloquismo de esquerda” (coisa neutra, no fundo) tem avançado por todo o lado. Aí, desde aí, tornou-se importante e decisivo, para mim pelo menos, votar PCP ou CDU. Fielmente.
        Desde há muito tempo, portanto, que me parece não haver grande pertinência na abstenção, ainda que crítica e radical (que durante uns anos pratiquei). Mas esperar uma transformação social de um processo eleitoral, acho um pouco de mais…
        De qualquer forma, aproximamo-nos dos 100 anos da Revolução, da verdadeira revolução, da única, de 1917.
        Recordaremos Lenine, discutiremos Estaline, criticaremos fortemente Krustchov, e pouco falaremos em Trotsky. Nunca apreciei muito pessoas com “mãos limpinhas”. Votaremos a 5 de Junho, claro.

        • Tiago Mota Saraiva diz:

          Carlos, não foi isso que escrevi. A frase é esta:”A revolução só se fará a partir de eleições, quando cada um decidir tomar partido”. Repara que o sentido é bem mais próximo do que defendes.

          • Carlos Vidal diz:

            Então, eu prefiro esta frase:
            A revolução só se fará quando cada um decidir tomar partido.

          • Tiago Mota Saraiva diz:

            Carlos, tenho sérias dúvidas que a revolução se possa fazer num acto eleitoral isolado de 4 em 4 anos. A acontecer, isso só será possível se ninguém ficar em casa.
            Já aqui o escrevi, o dia em que haja uma maioria a votar em branco não será revolucionário – manterá o poder vigente. O dia em que toda a gente vote colocará o poder em sobressalto.

    • Tiago Mota Saraiva diz:

      Raquel, achas certo que “estes jovens tenham legítimas desconfianças face ao BE e à CDU”? Então o que pensarás de quem nada fez até hoje, de quem nunca votou ou de quem viveu à sombra do PS/PSD/CDS enquanto ainda havia algumas migalhas, mais ou menos, a esmagadora maioria?
      Não quero saber das diferenças que tivemos até aqui com a maioria dos que agora se manifestam contra os políticos e partidos, mas para participar e apoiar quero que as reivindicações e análises políticas sejam justas e sérias. Porque “estes jovens” somos nós, de todas as idades e de todas as gerações, abraço

    • Pedro Penilo diz:

      Raquel:
      Começar pela Espanha para argumentar com Portugal e concluir de novo com a Espanha é difícil de acompanhar.

      Quando achamos algo de errado, combatemos o erro, com explicação e convicção, e não com “compreensão” para com o erro. A desconfiança para com os partidos de esquerda é a desconfiança que os media burqueses servem a todos, todos os dias às refeições. Não é sustentada em conhecimento, na imensa maioria dos casos. Todos os dias me cruzo com gente inteligente e culta que não conhece as propostas da CDU e atira logo a primeira que a CDU não tem propostas.

      Por outro lado há o desânimo. Muitas pessoas sabem que a solução não virá do dia para a noite. Desistem. Não nos podemos deixar levar pelo desânimo. Mas também não podemos alimentar ilusões. “Yes We Camp” não levará a revolução nenhuma e vendido assim é “gato por lebre”.

      Devemos entender as dificuldades das pessoas com quem nos cruzamos. Mas se eu me cruzo com alguém que não sabe peva de economia, não demonstro a minha “compreensão” baixando o nível do debate e ou aceitando soluções estapafúrdias ou mal-informadas. Dou-lhe o que sei e aprendi e exijo-lhe que estude e aprenda como eu.

      Não há soluções fáceis. Quem não se sente bem neste quadro partidário, que crie o seu partido. Que prove na prática diária como é que se faz COM RESULTADOS MELHORES QUE OS VISTOS ATÉ AGORA. Não chega fazer uma manifestação, por muito impacto mediático que tenha, e por muito fácil que tudo pareça.

  5. potedemel--ahahah diz:

    O que dá 23.7% dos votantes, no partido do outro grupo cleptocrático!Assim vai a democra cia….

  6. Helena Borges diz:

    Repito: preciso e certeiro, Tiago!

  7. D. Nicola diz:

    Nem mais. A abstenção ou o voto branco apenas favorece os partidos do poder! Na notícia do JN refere-se isso explicitamente “…significa que ‘encarecem’ a percentagem mínima que deve superar-se para conseguir mandatos eleitos, o que acaba por prejudicar especialmente as formações minoritárias.” No fundo é um voto ou uma tomada de posição para que fique tudo na mesma. Pelo menos em democracia representativa é assim. Dia 5, é favor tomar partido!

  8. miguel serras pereira diz:

    Tiago Mota Saraiva,

    “A revolução só se fará a partir de eleições, quando cada um decidir tomar partido. Quando cada um, puxando pela sua cabeça e tomando em mãos a sua vida, decidir votar” – não podia estar mais de acordo com semelhante ideia.

    Só acrescentaria o seguinte: decidir votar – num sistema que suspende a democracia através da representação e da divisão do trabalho político que a representação instaura – pode ser decidir não votar em nenhum dos partidos ou forças concorrentes. Entre muitos outros e recorrendo à arte da ficção, José Saramago mostrou-o bem. O que não significa que tal solução seja sempre a melhor ou devamos recomendá-la sempre. No entanto, é uma hipótese a considerar sobretudo quando, a par da exaustão do regime estabelecido, existam fortes movimentos portadores de alternativas quanto aos modos – e conteúdos – de exercício do poder de mudar e decidir (poder político e económico) e que, nas suas modalidades de acção, actualizem já essa outra maneira, a democrática, de fazer política através da participação colectiva e igualitária do conjunto dos cidadãos. De qualquer modo, até mesmo quando se decida votar num partido ou coligação participantes no tipo de eleições que temos, é bom que isso seja feito e recomendado em vista da multiplicação das ocasiões de deliberação e voto e de outra forma de organização do poder político, passando necessariamente pela democratização das relações de poder na esfera da economia. Ou seja, não tanto em vista de outro governo como de outra forma de governar, que substitua à fórmula da Revolução Americana – “não aos impostos sem representação” – esta outra: “não ao governo em que os governados não sejam os seus próprios governantes”.

    msp

    • Tiago Mota Saraiva diz:

      msp, mais acima respondi ao Carlos Vidal. O comentário pretende rebater a ideia que uma maioria a votar em branco abalaria o sistema, como escreveu Saramago.
      Um dia que todos votem é que colocará o poder em sobressalto.

      • miguel serras pereira diz:

        Tiago, mas votar branco é votar. É muito diferente da abstenção. Embora esta também possa, em circunstâncias específicas, ser uma forma de boicote, as mais das vezes, e à falta de organizações ou movimentos identificados que a recomendem, transmite apenas indiferença ou alheamento. Temos um indício de que assim é no facto de, apesar de tudo, os votos brancos terem crescido cerca de cinquenta por cento nas eleições de Espanha. E, em 1975, houve quem o aconselhasse, nesta região ibérica, como forma de exprimir o apoio ao Programa do MFA.
        Outra questão é saber se, por exemplo, nas próximas eleições o voto em branco é ou não democraticamente recomendável e porquê. O ponto que levantei era prévio, e acrescento que, apesar de tudo, talvez me dê ao trabalho de votar no BE contra a troika, por muito que o BE deixe a desejar como portador de alternativas (passe o eufemismo). Dito isto, a questão do voto em branco não é simples: não seria excelente e politicamente positivo que uma boa fatia dos votos que se podem prever para a troika se transformassem em brancos?

        msp

      • Carlos Vidal diz:

        Mas onde é que eu defendi o voto em branco?

        Eu só disse é que nenhum transformação social funda se pode efectivar eleitoralmente.
        E que, eventualmente, uma revolução é um processo violento (ou, como diza o outro, “não é um convite para jantar”).
        Abraço.

        • Tiago Mota Saraiva diz:

          Onde é que escrevi que tu defendias o voto em branco?
          Concordo que a revolução é um processo violento e não se faz num dia. Nunca se consumará/concluirá numa eleição.
          Divergimos é no facto de eu pensar que um acto eleitoral pode iniciar um processo revolucionário. Abraço

  9. Augusto diz:

    E o resultado no País Basco não interessa….

    O voto não faz revoluções é verdade, mas a abstenção , tambem não.

    É por isso que a voto no Bloco de Esquerda e espero que a esquerda se reforce.

    Como saiu reforçada e MUITO no País Basco.

    • Tiago Mota Saraiva diz:

      É verdade Augusto. E a IU também teve um importante reforço.

      • Augusto diz:

        Reforço Saraiva?

        Perde a joia da coroa Cordoba.

        Deixa de fazer parte da direcção das Camaras de Jaen e sobretudo de Sevilha.

        Tem alguns reforços pontuais, e tinha tanto para crescer, e não cresceu.

        Os votos brancos e nulos subiram e muito, e a IU não foi capaz de agregar ás suas posições esse descontentamento.

        Uma boa lição para a esquerda em Portugal , no momento em que o circo vai descer á cidade, com sondagens diarias na SIC e duas vezes por semana na TVI, querem fazer tudo para não se discutir politica, e sim discutir o sob e desce da sondagens.

        Vai ser uma batalha muito dura, e nada fácil de vencer.

  10. Augusto diz:

    Diz o Carlos Vidal que pouco falaremos do Trotsky, porque aprecia pouco gente com mãos limpinhas.

    Começo por dizer que não tenho nenhuma identificação ideológica com o Trotsky, aliás para mim uma personagem abjecta.

    Mas se houve algo que ele nunca teve foi as mãos limpas.

    Até pelo lugar que ocupou durante a revolução bolchevique, de organizador do exercito vermelho.

    A repressão de Krondstad, e outros episódios pouco edificantes que tiveram a sua marca, provam que ele não olhava a meios para atingir os fins.

    • Carlos Carapeto diz:

      Amigo não sou Trotsyska; no entanto concordo com o homem quando dizia que “contra a violência reacionaria, usamos a força revolucionária” .

      Sabe de alguém que ficasse com as mãos limpinhas durante esse processo?

      Se ler bem a história vai reparar que andavam todos engalfinhados a Ocidente, no entanto entendiam-se para agredir a Revolução Russa.

  11. Orlando diz:

    Tens toda a razão no que dizes Tiago, eles devem estar a esfregar as mãos de contentes. Por acaso já fiz essa mesma pergunta ao Renato, Para estes manifestantes, os partidos são todos iguais ????????

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