Da ideologia variável de Paulo Portas ao apartidarismo

Quando defende o seu apoio à troika, Paulo Portas, tem repetido com insistência que a posição do CDS está “livre de questões ideológicas”. A purga que Portas reivindica é extremamente eficiente para quem quer ser eleito sem qualquer tipo de compromisso político. Em boa verdade, isto é o “apartidarismo” transportado para as eleições.
Não tenho nada contra o apartidarismo das lutas, ainda que prefira o multipartidarismo como expressão. Quem me conhece sabe que já participei, ao longo dos anos, em inúmeros movimentos políticos que congregavam gentes da esquerda à direita, e creio que o sectarismo não faz parte das minhas qualidades. Pela minha experiência, os movimentos multipartidários alcançam tanto mais vitórias quanto mais claros e objectivos sejam as suas intenções políticas, ou seja, quanto mais tomarem partido pelo que defendem.
O problema dos movimentos “apartidários” é quando o apartidarismo se transforma em ideologia pois, necessariamente, passa a excluir quem já tomou e/ou toma partido, privilegiando os de ideologia variável consoante o vento eleitoral.
Serve esta introdução para notar a vitória que PS-PSD-CDS obtiveram na acampada do Porto ao conseguirem ver retiradas as referências aos seus partidos do ponto 6. do manifesto, substituído pela mais comercial expressão: “partidos políticos que pela sua acção ou inércia nos conduziram à situação política actual”. Não sendo de crer que tenham estado na Praça da Batalha, os dirigentes do PS-PSD-CDS agradecem.

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