A luta é de quem luta, não é de quem a apanhar

Não Luis, o Bruno não reclama ordem e enquadramento como referes, mas sim, prudência. É certo que ao longo dos últimos 90 anos (no caso português), a prudência, já nos fez chegar atrasados, mas na maior parte das vezes evitou que desperdiçássemos forças em aventureirismos.
Contudo, o que torna este texto do Bruno particularmente importante no momento actual – numa questão que vai muito além do caso específico dos teus colegas de blogue, é o facto de sabermos que quando se inicia uma luta há sempre alguém que dela faz a sua casa para denunciar comunistas.
No caso específico que tratamos, estou em crer que a esmagadora maioria das pessoas que centra o seu combate nos objectivos declarados no 12 de Março, no 15 de Maio ou nas acampadas, deseja que os comunistas, com a sua força e capacidade de mobilização, participem e trabalhem de uma forma organizada nesta luta unitária. Pelo contrário, os que centram o seu combate político na sua denúncia e ostracização – pelos mais diversos motivos que não me cumpre analisar, e que procurando subir ao palanque constroem discursos rotundos em torno de uma pretensa moralidade insubmissa ou revolucionária não são, felizmente, os donos da luta. A luta é de quem luta e, em Portugal, como sabes, não há luta de massas que possa ser travada sem os comunistas.

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4 respostas a A luta é de quem luta, não é de quem a apanhar

  1. miguel serras pereira diz:

    Como, ao lado do incomparável camarada Luís Rainha, sou manifestamente um dos visados deste post que entende não me nomear, gostaria de esclarecer o seguinte:

    1. “também eu penso que a possibilidade de resistir à ofensiva oligárquica e ao governo exercido sobre nós por decretos pela sua economia política passa pela construção de qualquer coisa como um ‘programa mínimo’, a que prefiro (mas sem fazer disso cavalo de batalha) chamar ‘plataforma necessária e suficiente’, tendo por denominador comum a democratização a todos os níveis do exercíco do poder e das relações de forças governantes.
    Em segundo lugar, parece-me igualmente claro que essa plataforma terá de reunir enquanto base a maioria dos que actualmente se reconhecem mais ou menos militantemente no PCP, no BE e no PS, bem como um conjunto muito mais amplo de elementos não integrados nesses ou noutros partidos”.
    (http://viasfacto.blogspot.com/2011/01/alternativas.html)

    2. Quando critico o PCP, o BE e outras organizações que se afirmam comunistas ou socialistas, faço-o do ponto de vista da democratização que, só ela, pode actualizar a ideia e a realidade da “construção de uma sociedade sem distinções ou hierarquia de classe, governada por cidadãos livres e iguais, organizados em vista do exercício da direcção política e económica através da participação democrática nos processos de deliberação e decisão das questões comuns” (http://viasfacto.blogspot.com/2010/06/sobre-o-anticomunismo-uma-ou-duas.html).

    3. Faço notar que aquilo que o ponto anterior afirma é tão “anticomunista” como o programa da Comuna de Paris, a instituição dos sovietes, a Catalunha autogestionária de 1936 – ou como, no plano do debate político, as teses de Rosa Luxemburgo sobre a Revolução Russa.

    4. Não creio que seja anticomunismo sustentar que “a organização do combate democrático, cuja extensão se confunde com a ‘construção do socialismo’ deve ela própria ser democrática e socialista, deve ela própria ser expressão do auto-governo e da autonomia colectivos, os quais, pelo seu lado, estipulam e afirmam a autonomia e a responsabilidade dos indivíduos seus agentes, cidadãos apostados em dar-se, por sua conta e risco próprios, e sabendo que o fazem, a sua própria lei”.
    Pelo contrário, “a recusa de reconhecer qualquer competência, estatuto, legitimidade ou superioridade de comando ao PCP, como a qualquer outra organização partidária, que se declare proprietária ou instância de administração e condução profissional do ‘movimento comunista’, é bem menos ‘anticomunista’ do [que a posição] daqueles que, em defesa da ordem hierárquica que instituíram em proveito da sua condição de representantes ou dirigentes e candidatos a governantes ‘mais justos’ das ‘massas’ oprimidas e exploradas, não se cansam de denunciar o ‘anticomunismo’ de quem não lhes bate a pala nem, diante deles, se perfila de medo, ou acede a prestar-lhes serviços de sacristia”. (http://viasfacto.blogspot.com/2010/06/sobre-o-anticomunismo-uma-ou-duas.html)

    5. Sendo assim, seria bastante salutar que, em vez de rasgarem as vestes e de gritarem “Sacrilégio!”, quando alguém levanta estas questões, “os que, militando no PCP, mantêm viva essa vontade efectiva, anti-classista, anti-burocrática e anti-hierárquica, de liberdade, igualdade e ‘livre associação’ governante que, um dia, os levou a adoptarem como sua a ‘hipótese comunista'”, reconhecessem que vale a pena discuti-las e se dispusessem a participar na discussão (http://viasfacto.blogspot.com/2010/06/sobre-o-anticomunismo-uma-ou-duas.html).

    msp

    • Tiago Mota Saraiva diz:

      msp, se cada vez que o msp, ou João Tunes, escrevem sobre o comunismo ou comunistas, eu reivindicasse um link e/ou referência em extensos comentários, isso faria de mim um blogger profissional.

  2. Ricardo Noronha diz:

    Tiago, esta parte do que escreves, pelo menos, dá-me que pensar: “quando se inicia uma luta há sempre alguém que dela faz a sua casa para denunciar comunistas”.
    Faço-te ver que houve dirigentes do PCP a coordenar com a PSP o sequestro de algumas centenas de manifestantes a 20 de Novembro de 2010. E sobre isso, apenas pudemos ouvir silêncio da tua parte. Bem sei que esses “comunistas” não são todos os comunistas e não te ponho no mesmo saco. Mas quando se lamenta o anti-comunismo alheio é boa política estar particularmente atento ao anti-comunismo daqueles com quem se partilha o partido.

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