Já se queimavam umas fotografias da família real

“Nobody expects the spanish revolution”: certo. “Nobody expected the spanish revolution”: errado, é cedo para o passado simples. Velha do Restelo? Seja, o após 12 de Março escaldou-me. Em Espanha como no Egipto? Espero que não, os braços direitos dos canalhas não fazem revoluções. Em Espanha, no Egipto e em todo o lado, os canalhas no poder só servem para serem corridos do poder, sem apelo nem agravo nem fortuna nem… Maquilhagem.

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40 respostas a Já se queimavam umas fotografias da família real

  1. Sassmine diz:

    li e reli e não percebi nada, confesso.

    • Helena Borges diz:

      Então:

      Parece-me prematuro falar numa revolução espanhola. As imagens da Porta do Sol deixam-me assoberbada, mas receio que sejam fogo-fátuo. Entusiasmei-me com o 12 de Março e fiquei desiludida com o desfecho. O conselho militar egípcio não me inspira confiança, aquela gente tem muito Mubarak nos CVs. Em Espanha, no Egipto, em Portugal e em todo o lado, há que correr os canalhas do poder e, de preferência, não escolher outros canalhas para substituí-los. Vão havendo alternativas válidas.

    • Helena Borges diz:

      (E o título é o sangue republicano e um bocadinho provocador a pulsar.)

      • Renato Teixeira diz:

        O conselho militar do Egipto continua a ser desafiado nas ruas e está longe de ter consumado uma contra-revolução. O 12 de Março como as Puertas del Sol são dois fenómenos que se relacionam, claro, mas estão aí, acabados de nascer, para serem o que as pessoas fizerem deles. Transformar a soberba em cepticismo é capaz de não ser grande catalizador. Ao contrário da Sassmine espero não ter percebido tudo. 😉

        • Helena Borges diz:

          Aquele conselho como está não devia estar. Desde a renúncia do Mubarak, o povo egípcio ainda não parou de ter razões para contestar o poder vigente. Nas ruas, têm de continuar a resistir e a insistir: a revolução tem de consumar-se. Pronto, sou poupadinha com o termo, acolá e aqui.

          O 15 de Maio tem de aprender com os erros do 12 de Março. Os dias são pretextos e o pretexto do dia 12 de Março serviu para pouco ou nada, porque deu frutos irrisórios. Multidões nas ruas, mais multidões nas casas arrependidas por não terem saído… E, um mês depois, o FMI em todo o lado.

          Embora empanque na ideia de democracia verdadeira – a democracia existe ou não existe, democracia falsa não é democracia -, acho que o manifesto de ontem faz o que o manifesto do dia 12 de Março não fez: aponta o dedo aos culpados, tau! E como começar sem acusar os culpados?

          (Estou céptica, o que não é lá muito revolucionário, não. Tenho andado caladinha para não ajudar a minar o processo revolucionário em curso, mas não resisti. Pode ser que sirva para picar.

          E continua a gritar revolução! Faz falta, mesmo: no mínimo, as pessoas ficam atentas e isso é bom.)

          😉

          • Sassmine diz:

            eu gostava de saber, face ao que se está a passar, quais foram os erros do 12 de março, mas enfim… devo ser eu.

          • Renato Teixeira diz:

            Processos revolucionários (como o do Egipto) estão em disputa. Não vejo que se estejam a cantar alegrias a fingir. Ide para a Batalha ou para o Rossio. 🙂

        • Sassmine diz:

          é isso, Renato. precisamente isso. já não consigo ouvir que o 12 de Março morreu na praia quando está tudo isto a acontecer. só me lembro da frase do Fausto “na verdade o que vos dói é que não queremos ser heróis”.

          e espero, muito honestamente, que não façamos como os nossos pais, que com os sectarismos/purismos em que se perderam, entregaram de mão beijada a revolução àqueles que a querem catatónica.

          • Renato Teixeira diz:

            Eu acho o balanço está feito e refeito. É preciso continuar. Aquilo que dizes ser a crítica ao 12 de Março não pode senão ser entendida como uma crítica colectiva ao tempo que toda a gente levou a pensar por onde queria continuar a ir. A verdade, é que no final do dia ninguém concretizou nenhuma acampada e para tal acontecer não bastava, por certo, que os oito amigos que lançaram a ideia terem levado sacos de cama para todos.

          • Helena Borges diz:

            Mas tenho muitas saudades, certas penas e desejos.

            🙁

          • Youri Paiva diz:

            Eu consigo dizer e repetir: o 12 de Março morreu na praia porque acabou por ser um número. Por mais que tentem agora com assembleias (2 meses depois) no ISPA ou com debates com a Associação 25 de Abril. Enfim, foi uma experiência que resultou num número.

            Isto que se está a passar tem outras proporções, mas em termos de transformação, no que se está a fazer e como se está a fazer é bastante diferente. Se se quer analisar as coisas não podemos estar a engrandecer umas coisas para nada.

      • Sassmine diz:

        dessa parte eu gosto…

  2. Abilio Rosa diz:

    Eu ainda não percebi o que essa coisa da «revolução» mas Portas do Sol em Madrid.
    Serei burro? Serei reaccionário? Ou alguém não está a ver um boi à sua frente?

    • Carlos Vidal diz:

      Não meu caro Abílio, deixe estar as ruas ocupadas e com acampamentos.
      A Helena Borges tem toda a razão: é aliás preciso passar à fase seguinte (a problematizar rápido: o mais difícil), sem nunca sair das ruas. Nunca.
      O PSOE e o PP merecem isto e muito mais: a Espanha “socialista” é uma tragédia: já devem ser, de certeza, mais de 25% de desempregados.
      Nas estatísticas dos gajos do poder são menos, na realidade são mais.
      É preciso não desistir e agir com tenacidade.
      Abraço camarada.
      CV

  3. Sassmine diz:

    é só um boi, de certeza? ou são vários?

  4. Sassmine diz:

    (o medo de que somos barrados, reaccionários e pseudo-revolucionários, não cessa de me surpreender.)

  5. Sassmine diz:

    adenda: http://15maio.blogspot.com/p/manifesto.html

    para quem quiser ajudar com os braços que tem.

    • Helena Borges diz:

      Traduzir “democracia real, ya” confunde-me um bocado. Apesar de tudo, os portugueses podem eleger um presidente e deputados, mas não têm sabido elegê-los. Se não queremos ser “mercadoria nas mãos de políticos e banqueiros”, usemos o voto como arma: dia 5 de Junho está quase a chegar. Sim, podem (e devem) haver formas de organização popular que não passem pela militância partidária.

      Estive no 12 de Março, no 25 de Abril, no 1.º de Maio, no 19 de Maio e nos outros dias do ano. Desde o 12 de Março, também tenho estado nas assembleias populares (deliberativas) portuenses. Aquele teu parêntese não deve ser para mim.

      😉

      • Sassmine diz:

        aquele meu parêntesis é para todos nós, inclusivé para mim que nos últimos três meses quase não tenho saído da rua nem largado o megafone. negar o medo em vez de o enfrentar parece-me a melhor maneira de o deixar ganhar o jogo. mas não quero dar lições, cada um fala por si, naturalmente.

      • Renato Teixeira diz:

        A luta ajuda o voto mas tenho dúvidas que o resultado dos votos venha a ajudar a luta. Veremos. Até ao dia 5 não há, seguramente, contradição.

        • Sassmine diz:

          eu ainda não parei de sonhar. as sondagens são parte da engrenagem, peça do jogo. nada me diz para levá-las a sério. pode ser que ainda nos surpreendamos, se a abstenção e o branco não comerem tudo…

  6. noise diz:

    queima para aí.

  7. Youri Paiva diz:

    Pondo cepticismos à parte, o que é verdadeiramente admirável no que se está a passar no Rossio é que um conjunto considerável de pessoas se juntou para fazer coisas de uma forma um pouco diferente. Claro que oiço muita coisa com a qual não concordo, que me parece mal colocado, etc e etc; mas ver umas 300 pessoas a discutir e a decidir como se organiza um acampamento numa praça de uma cidade, como se fala com os que ainda não estão lá, o que se pretende com isto (e pretende-se muita, muita coisa), é realmente admirável. A fazer com as suas mãos e com os outros – é (muito) mais do que temos tido.

    Eu vou engolindo o meu cepticismo. Mesmo que revire os olhos umas vezes.

    • Sassmine diz:

      a questão é mesmo essa. não está feito, está por fazer, está em curso, será o que conseguirmos fazer. e as minhas mãos e a minha garganta são tão importantes e necessárias como a do meu vizinho. tirar conclusões à priori é pôr calços de ferro e justificar a inacção. não estamos em tempo disso. as conclusões tiram-se no fim. o que não implica, nem pouco mais ou menos, que o caminho se faça de olhos fechados.

    • Helena Borges diz:

      Aproveito a tua deixa para dizer que os amigos libertários portuenses e em trânsito portuense têm dinamizado assembleias populares desde o dia 12 de Março. Organizaram-se grupos de trabalho que estão a planear acções de sensibilização e protesto. A dinâmica é semelhante à que tu descreveste. São outras formas de organização e luta, também válidas.

      • Sassmine diz:

        Claro que sim. Mas é esse o espírito do 12 de março, era isso que aquelas oito pessoas, que entretanto decidiram organizar-se, pretendiam. Não é pôr toda a gente a seguir um timoneiro. Não somos a bounty, somos uma armada. Uma armada livre. É uma coisa nova? Com certeza. Mas as velhas já vimos bem onde vieram dar.

        • Youri Paiva diz:

          As conclusões tiram-se no fim? Ah não, mesmo dando de barato o caminho não ser de olhos fechados! A crítica tem que existir sempre e, francamente, ainda bem que a Lena vem pôr estas questões (ainda que exageradamente negativa, a meu ver). É que um certo fascínio e embelezamento da coisa é bem pior que uma crítica de quem está de pé atrás (e faz sentido estar, com as coisas que tenho ouvido e lido no Rossio…).

          Mas vamos ver como isto vai correndo. Ver e participar, atentamente.

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  9. Dédé diz:

    Os que cá andam há mais tempo é certo que vão dando luta, mas com o resultado que se vê. Queriam que os que estão a chegar agora atinassem à primeira?
    Eu também gosto de dar uns sprints, mas estas cenas são para corredores de fundo.

  10. Helena Borges diz:

    Sassmine, como as respostas às respostas já estão muito estreitinhas, aqui vai:

    O erro maior do 12 de Março foi, no final do dia, termos decidido desmobilizar, ir para casa. Esperamos e esperamos, até voltarmos a ser convocados pelos organizadores do protesto: no Porto, o desfasamento foi grande; em Lisboa, o desfasamento foi enorme. Dir-me-ás que não tínhamos de esperar, que só tínhamos de agir, mas saberás que esperamos sempre alguma coisa daqueles que chamam a si a responsabilidade de dar a cara. O caminho entre a resposta ao convite do Prós e Contras e o M12M parece-me sinuoso: daqui para aqui.

    A indefinição do manifesto da manifestação – nós, quase todos, queremos pedir a todos que actuem para alterar esta realidade – pode ter sido um erro, também. Foi o preço da difusão mediática, de levar gente tão heterogénea para as mesmas ruas. Ainda assim, o 12 de Março valeu a pena? Acho que sim, mas não sei se foi uma alavanca ou se foi um tubo de escape. Espero que tenha sido uma alavanca.

    (Aborrece-me que não estar exactamente da mesma maneira e na mesma medida seja o mesmo que estar contra, aborrece-me que querer discutir o incómodo seja contra-revolucionário e, portanto, tabu. Não creio que penses assim, afinal, até te dás ao trabalho de responder e eu aprecio muito isso.)

    • Sassmine diz:

      Eu não penso assim, de facto, ou não conseguiria estar no M12M onde não há duas pessoas a pensar da mesma maneira e mesmo assim nos conseguimos entender.

      Aflige-me, sim, o sectarismo que oiço repetidamente. O protesto do 12 de Março foi muito claro nas suas origens. Entretanto essas pessoas que tens na foto da mesa da Assembleia Geral foram absolutamente ganhas para o activismo e fez-lhes sentido criar um movimento — ligando-se a activistas com mais experiência, como a Raquel Freire, mas não só. A Raquel Freire, o João Labrincha e eu, que também integro agora o movimento, estamos neste blogue, somos teus colegas. Se há sinuosidades elas podem ser imediatamente interpeladas, sente-te à vontade. Agora, a directa-indirecta — e isto não é pessoalmente contigo, é com toda uma tendência que parece querer afirmar que aquelas oito pessoas ou eram heróis ou são uns falhados, isto ao mesmo tempo que estamos todos a colher frutos do 12 de março e a tomar conta da parte da sementeira que ainda está em germinação — a indirecta, dizia, aquele cheirinho a suspeita que vem de algumas maneiras de colocar as discordâncias, parece-me apenas e só uma queda na roda sectária que os nossos pais deixaram que os paralizasse. E só serve, repito, os que querem o povo catatónico. No momento em que estamos, estas pessoas que conseguiram uma mobilização completamente inesperada e lançaram semente para a profusão de debates e de acção que tem havido, são elas (ou seja nós) o inimigo? Não entendo.

      Assim como não entendo como podem os milhares de espanhóis nas Portas do Sol dizer que o 12 de Março os inspirou (sendo que o manifesto começa quase ipsis verbis como o nosso era) e há portugueses de esquerda em Portugal a alardear que o 12 de Março falhou e que temos de começar do zero. É isto o zero? Qual é o lucro de nos enfraquecer, de desfazer o tamanho e o significado daquele dia extraordinário? Quer dizer, eu vejo lucro, mas não é para quem luta, é para os mesmos de sempre.

      Se tens dúvidas, Helena, podes perguntar-me. Posso dizer-te que é um movimento horizontal, não hierárquico, de pessoas que vêem o mundo pela esquerda, embora haja uma grande diversidade de opções concretas entre os membros. Temos dado a cara. Temos estado na rua. Temos debatido. Temos questionado. Amanhã temos uma acção de rua lado a lado com o acampamento. A dúvida e a sinuosidade estão precisamente onde?

      Não queria, no entanto, deixar de agradecer este teu comentário. Ele explica melhor as tuas —obviamente legítimas— questões. Mas convenhamos que não é isso que faz o post que deu origem a esta discussão. O post não questiona às claras, não discute directamente, sugere suspeitas, usa termos que não estão dirigidos —o braço direito dos canalhas quer dizer o quê, refere-se a quê, a Espanha, ao Egipto, ao M12M, a nada disso? Não me parece, repito, que o sectarismo nos vá ajudar em seja o que for. Devíamos aprender com os erros, sim, os do PREC, os nossos estruturais da esquerda, os que servem quem nos quer ver a perseguir constantemente a própria cauda.

      Discutir, às claras, é de facto muito bom. Mas discutir é “olhos nos olhos”, não é dar uma estalada aqui e outra ali, se é que me faço entender. Digo-te isto honestamente e sem ponta de veneno. Abraço.

      • Helena Borges diz:

        Em sentido estrito, os braços direitos dos canalhas são as altas patentes do Mubarak no conselho militar; em sentido lato, são os fantoches de mudança no poder que servem o capital, o mais canalha dos canalhas! Se eu não tivesse escrito aquilo daquela maneira, talvez não estivéssemos a ter esta conversa. Seria uma pena, estou a gostar.

        Infelizmente, o sectarismo é uma doença transversal: dela tanto padecem os que gostam de tudo organizadinho e denunciam tudo o que é desorganizado, como os que gostam de tudo desorganizadinho e denunciam tudo o que é organizado. Sectarismo é legitimar a nossa luta deslegitimando a dos outros, sem querer perceber que as lutas podem tocar-se e, até, ser a luta.

        Temos de aprender com os erros e isso faz-se a discutir, a discordar e a concordar, se possível. Se não for possível concordar, não é assim tão grave, também aprendemos muito com a discordância. Acho que aqui, no blogue, há lugar para isto, também. Comentei mais ou menos o que disse atrás sobre o M12M num post do João Labrincha e não obtive resposta, mas ficou tudo bem, não devemos responder por obrigação, devemos responder porque achamos que vale a pena fazê-lo.

        Aquelas oito pessoas não foram heróis nem falhados, assim como não o serão: continuarão a ser pessoas. Não estou a deixar cair uma insinuação, não nos conhecemos olhos nos olhos, mas gostaria que acreditasses que não sou muito disso, de insinuar. Aceito que digas que o meu post inicial é críptico, mas não é uma insinuação. Uma provocação? Talvez. Bem, sim, é uma provocação, mas uma provocação não pode ser um desafio? Um desafio não pretende suscitar uma reacção? Se eu achasse que não valia a pena, estaria a marimbar-me.

        No M12M a discussão pode ser aberta, mas as decisões parecem ser fechadas. A sinuosidade andará por aqui. Admito que possa estar enganada, afinal, estou a acompanhar o movimento à distância física de trezentos e tal quilómetros, por isso, as acções chegam-me mediadas. Repara, eu não digo que é ilegítimo que dez amigos – agora, serão pelo menos dez, contigo e com a Raquel Freire – decidam planear acções juntos e, depois, desafiar outros a participar nelas. Era o que faltava, dizê-lo. Se este é o caminho, não é novo.

        Sassmine, Joana, é claro para mim que não és a inimiga e que o M12M não é o inimigo. O inimigo é o mais canalha dos canalhas, os seus rostos visíveis e os seus fantoches!

        Abraço sem ponta de veneno.

  11. Sassmine diz:

    Agora não tenho muito tempo, porque vou para uma acção de rua. Mas não quero deixar de dizer isto. O que é novo não é a actuação do M12M, que é mais ou menos aquela que descreves (a razão porque as decisões são tomadas entre nós é precisamente porque entre 200 era impossível). O que é novo é esta onda não precisar de um barco só, mas de muitos. E esses barcos, todos diferentes, conseguirem concertar-se sem se comerem e sem necessitarem de ser iguais ou normalizados, para realmente operar uma revolução ao nível das consciências e do modo quotidiano de fazer política. Não é totalmente novo, mesmo assim, mas é nova a sua real prática e disseminação, sobretudo porque surge sem líderes, cheio apenas de ideias. Gosto de pensar que a Rosa Luxemburgo não o desdenharia. Mas isto são as minhas paixões pessoais. Abraço.

    • Helena Borges diz:

      Os barcos sempre foram necessários, muitos e diferentes. Se alguns só resolveram fazer-se ao mar agora, não devemos censurar o atraso! Quantos mais melhor, digo.

      Sabes que mais? Temos é de ser como a sardinha, Joana, voar por cima das águas!

      🙂

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