Sostiene Pereira

Nas próximas eleições, em princípio, não votarei no PCTP-MRPP, e boa parte das razões pelo qual dificilmente o farei não estão suficientemente justificadas aqui. Apesar das profundas desconfianças políticas pela organização, da incapacidade do Xatoo em explicar o inexplicável apoio ao Alegre, o candidato presidencial de Sócrates, e os motivos pelos quais não anda aos pulos com o confronto imperialista entre a virilidade da França e o puritanismo dos EUA, concedo que as razões possam ser mais de ordem psicológica do que propriamente políticas.

A verdade é que Garcia Pereira tem, até ver, a melhor performance na campanha eleitoral, o que é assinalável uma vez que ele é um dos excluídos do disparate reaccionário dos meios de comunicação, que insistem em discriminar os partidos sem representação parlamentar e em codificar perniciosamente a sua mensagem política.

Em apenas 10 minutos, na entrevista que arrancou a ferros na TVI, o cabeça de lista por Lisboa deste partido de difícil análise, deu uma lição de política a toda a esquerda que está a ir a votos. Mesmo sem largar a albarda etapista que sobra à insistência na dimensão patriótica do discurso político, com razões históricas, é assinalável a clareza como justifica a injustiça da dívida e a justiça do seu não pagamento, o desassombro como caracteriza o papel da Alemanha de Merkel e a coragem com que assume que o partido que ganhar as eleições não só não está vinculado como deve rasgar o programa da troika feito sob suspensão democrática. É pena que estes e outros argumentos avançados por Garcia Pereira não confrontem directamente nenhum dos cinco candidatos a primeiro-ministro e, já que não foram, é pena que elas não tenham sido ouvidas por Francisco Louçã e Jerónimo de Sousa. Quanto mais não fosse, mesmo que não saíssem convencidos, iriam a tempo de evitar ser dizimados pelos lugares comuns que escolheram para se debaterem com a demagogia diletante e as mentiras do Sócrates.

Campanha à parte, ou talvez não, seria interessante perceber as razões que levaram boa parte da esquerda a ilegalizar o PCP-ML, AOC e MRPP, em pleno PREC e com o partido único ainda tão fresco na memória. Antes de qualquer conclusão sobre isso seria bom primeiro ler o que têm a dizer os entendidos.

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35 respostas a Sostiene Pereira

  1. Alex Gomes diz:

    Com todo o respeito pelo Garcia Pereira e fazendo um exercício digno da saga twilight zone, gostaria mesmo muito de ver se mantinha o discurso ao fim de 12 anos (ou 36) como deputado. Provavelmente andaria mais desbotado…

    • Renato Teixeira diz:

      Escapou-me a ironia Alex. É pública ou privada? Ninguém devia ser deputado mais do que 8 anos e acho que o trabalho é capaz de ser pedra pouco feliz. Diz que quem não é deputado, tem mesmo que o fazer a vida toda.

      • Tiago Silva diz:

        Não percebi muito bem o comentário. Quer isso dizer que qualquer militante, mesmo revolucionário, tende a tornar-se “moderado” depois de umas jornas na AR? É confirmar-se isso, teremos de abandonar a táctica parlamentar ou, um dia antes da queda do regime, vamos andar a (re)negociar com o moribundo…

        Acho que qualquer um dos deputados da esquerda deveria ter a coragem de dizer isto na AR, de forma clara e sem o jargão economicista, tal como o Garcia.

        Seja como for, tenho de admitir que, por muito que tenha gostado da entrevista, acho que sempre desconfiarei do PCTP-MRPP.

        • Renato Teixeira diz:

          Acho que a ironia do Alex se prendia com outra coisa. No seu entender, precário, precário, é ser deputado da Assembleia da República.

  2. José Borges Reis diz:

    “Um país que reserva aos seus jovens licenciados acabarem a dizer os números premiados da lotaria nos call-centers da PT por 600€ por mês, é um país que errou completamente” — simples, sucinto, acutilante. Isto é que é uma frase de campanha! Nem Louçã nem (muito menos) Jerónimo cunharam uma tão boa.

    • Renato Teixeira diz:

      O Louçã ainda cunha? Nesta campanha só me ficou aquela do 12 de Março no ouvido, que acabava no dia 5 de Junho, nada tinha no meio e nada dizia sobre depois.

      Nada como o grande líder da classe operária para trazer os proletários a terreiro! Posta pá! Matas um homem de saudades.

  3. Youri Paiva diz:

    Garcia Pereira, aquele que ataca a direita na política, mas a defende em tribunal? Aquele que transformou o PCTP-MRPP num processo de promoção pessoal? Aquele que diz o que lhe apetecer para lhe encher o ego e sem ter que entrar no jogo? Vá lá Renato, o Garcia Pereira tanto diz uma coisa óptima como uma coisa horrível. É daqueles que, ainda menos que os outros, não se deve levar a sério.

    • Renato Teixeira diz:

      Eu já começava por comentar o que ele diz de bom, não?
      Acho que o Garcia Pereira é advogado e como tal defende quem lhe paga. Aceita casos que não devia aceitar? É possível. Não sei. Mas sei que quando o patronato é de direita há compromissos fodidos de se fazerem, mas que a classe trabalhadora inteira os faz, faz. Do Mac Donalds ao Call Center. Da barra do tribunal às redacções dos jornais. Das ONG ao processo cooperativo.
      O teu sectarismo é insofismável. 😉

      • Youri Paiva diz:

        Sim, tudo bem. Mas escolhemos de quem se comenta o que se diz de bom. Também fazes essa escolha.

        Agora parece-me que comparar um trabalhador do McDonalds ou de um call center aos trabalhos que um dos principais advogados do país escolhe um bocado esticar a corda. Até porque defender o Paulo Portas em relação a defesas de bom-nome em relação a acusações de “calotes políticos” é um bocado estranho (http://aeiou.expresso.pt/garcia-pereira-advogado-de-portas=f254581)… Só para dar um exemplo…

        Pode ser sectarismo. Eu cá não consigo é ser optimista em relação a tudo o que aparece fora dos dois partidos da esquerda (nem dentro). Mas sou um rabugento, sem duvida.

        • Renato Teixeira diz:

          Em qualquer trabalho podemos ser mais ou menos dignos. A posta não é sobre isso, é sobre outra coisa, que eu destaquei por ser correcto, não por ser de A, B ou C. Ser rabugento não é mau, entre outras virtudes previne o oportunismo. Ser sectário é uma merda, especialmente quando nos colocamos de acordo.

        • Youri Paiva diz:

          E essa coisa das escolhas do Garcia Pereira e do MRPP (e do POUS, já agora) acho que costumam ser muito acertadas quando se juntam aos fascistas do PNR e do PPV: http://portugalprovida.blogspot.com/2011/03/nova-peticao-pelo-direito-vida-dos.html / http://www.dnoticias.pt/actualidade/politica/160290-pequenos-partidos-querem-evitar-extincao?quicktabs_2=2

          Acho que é uma plataforma interessante essa (não que defenda a sua extinção, mas juntarem-se todos?! com aqueles?). O meu sectarismo, de facto, não permite isso.

          • Renato Teixeira diz:

            Estamos de acordo também sobre isso. Com fascistas nem o urinol divido. Agora isso continua a não retirar uma vírgula de razão ao Garcia Pereira sobre a dívida, a Merkel ou a Concordata do FMI. (Ainda não percebi porque lhe chamam memorando. Terão medo de alguma quebra de memória?)

          • Youri Paiva diz:

            Não estou a retirar razão ao Garcia Pereira, mas retiro-lhe alguma validade no discurso que faz. É que mesmo que o Francisco Louçã não faça estas críticas tão abertamente, respeito muito mais o seu percurso e compreendo – não significa que aceite – que ele pense que tenha certas responsabilidades que implica não poder dizer tudo.

            A comparação ao Garcia Pereira não serve de nada, a questão é que os partidos de esquerda têm medo do discurso a usar. E aí não se admirem quando se ouve muito dizer que ‹‹são todos iguais››, é que mesmo não sendo, parecem com estas entradas no jogo.

  4. Mario diz:

    Porque é que estes partidos foram ilegalizados?

    Ó Renato, a AOC foi certamente por aquele logotipo horrível, do castelo de Guimarães em fundo vermelho com uma estrela por cima. Aquela merda não lembra ao Vilar…

    Agora a sério, foram ilegalizados por supostas actividades anti-democráticas, mas aquilo que os unia era serem maoístas, o que, como deves saber, eram nessa altura os movimentos mais críticos dos ‘PC’s pró-soviéticos por esse mundo fora. Ao ponto de dizerem que estes eram mais perigosos que o capitalismo.

  5. MBO diz:

    Com um Governo destes até a direita como eu tem vontade de citar Garcia Pereira.
    Um oligopólio bancário que anda a comer à mesa do orçamento há anos, que faz favores ao poder político que lhes faz favores a eles, tem agora uma medida discricionária nas suas mãos para usar contra que não é amigo.

    http://supraciliar.blogspot.com/2011/05/ganancia-mata-economia.html

  6. RuiB diz:

    Como de há muitos anos para cá, uma colagem oportunista às posições, análises e propostas da CDU, que depois tem a suprema desonestidade intelectual de embrulhar no lote dos partidos responsáveis pela situação. Um discurso escorreito e desenvolto, mas que deve muito do seu charme ao “desassombro” com que a ignorância e a impreparação lhe ditam as barbaridades habituais (que o país importa “80% do que consome”, que se liquidou a indústria conserveira e a indústria em geral, etc., etc. etc.). Praticamente cada informação é um exagero, a necessidade oportunista de sobressair levam-no, com demasiada facilidade, ao despautério. Não fosse a cópia das propostas da esquerda consequente e uma ou outra formulação pessoal bem esgalhada (como no final da intervenção) e o discurso seria um alinhavado dos clichés e banalidades correntes que, mal ou bem, são decantados da indignação e protestos populares. Mas o Renato devia informar-se melhor das razões que levaram à interdição eleitoral durante o processo revolucionário. Aliás, as acrobracias políticas oportunistas não são de agora, no apoio ao Alegre, candidato socialista: logo nas primeiras presidenciais, o MRPP fez questão de elucidar os desatentos com o seu apoio, ao lado da direita mais reaccionária (como por exemplo o CDS), ao general Ramalho Eanes.

    • Renato Teixeira diz:

      E vai daí e proíbe-se de ir a votos? Não estariam os eleitores em condições de serem eles a tirar e a dar conclusões sobre isso?

      Quanto à colagem, tirando a tirada patriótica, (que me parece natural também naquela campo ideológico), eu só vejo grandes diferenças. A política do PCP e do BE para dívida é miserável. (Renegociar o que não negociamos? Querer discutir um juro de um empréstimo que não queremos contrair?!?)

      Já sei da veia anti-PCP do MRPP, como sei das suas diferentes direitadas, mas tira isso razão ao Garcia Pereira sobre a Dívida, a Merkel ou a Concordata, como perguntei ao Youri?

      • RuiB diz:

        Não se engane o Renato com as grandes tiradas, como sempre demagógicas e oportunistas, contra a dívida. Qualquer pessoa séria e consequente que defenda a renegociação da dívida (para além da reestruturação dos montantes, juros e prazos) sabe que há dívida e dívida, e que se impõe analisar, distinguir e isolar cuidadosamente as componentes do total do endividamento que configurem de facto uma “dívida odiosa” ou ilegítima. É diferente uma dívida contraída para pagar salários de trabalhadores ou investimento produtivo (do sector privado ou público) de uma dívida efectuada para adquirir submarinos inúteis, é diferente uma dívida acordada com total transparência de uma dívida baseada em subornos e corrupção para negociatas obscuras. Os países, como o Equador, que corajosamente (e com proveito) enveredaram pelo caminho da renegociação, com anulação de partes da dívida, fizeram-no com a preocupação, o cuidado e o esforço de discriminar e extirpar as componentes “odiosas”. Mas trabalho destes, para o MRPP, tá quieto! Exigir pura e simplesmente a anulação da dívida sem perceber patavina de como se decompõe e a que é devida, é infantilidade ou oportunismo. Como sempre, é mais fácil instrumentalizar oportunisticamente a predisposição popular e as soluções propostas, nacional e internacionalmente, pela esquerda consequente.

        Nada de novo. Depois da adesão à CEE, cavalgando oportunisticamente sentimentos de sectores populares que combateram ou reagiram a essa adesão, o MRPP apareceu com a palavra de ordem de saída da CEE/CE/UE, como sempre sem nenhuma consideração pelas novas realidades criadas pela integração. Quando a onda passou, meteu a viola no saco e o Renato que me diga quando voltou a ouvir o candidato Garcia Pereira, sempre tão ardoroso, voltar a exigir a saída da União Europeia (muito pelo contrário!). É sempre a mesma coisa, a cantiga só dura enquanto está na moda.

        As palavras e o discurso são importantes, mesmo muito importantes, mas é infantilidade e ingenuidade negligenciar se têm verdadeiramente correspondência com as acções que se praticam.

    • fuser diz:

      “(que o país importa “80% do que consome”, que se liquidou a indústria conserveira e a indústria em geral, etc., etc. etc.). ”

      É mentira?

      • RuiB diz:

        Evidentemente.

        • RuiB diz:

          Corrijo. Mentira é forte demais. É uma grande inverdade, sem correspondência com a realidade. Mas acredito que não seja dito com intenção maliciosa. É antes um grande exagero e a reprodução acrítica do que se ouve dizer. Sei bem que afirmações semelhantes podem ser encontradas na boca de lutadores sociais e de activistas políticos, da CDU ou do BE. Isso é, nalguma medida, natural. É o que se diz e a luta social e política nem sempre deixa tempo para se averiguar da veracidade ou correcção de todas as afirmações que se reproduzem ou proferem. O que distingue o MRPP é que, como vai sempre atrás das outras, e exagerando sempre para parecer que vai à frente, tem no discurso uma densidade de asneiras e barbaridades verdadeiramente dignas de registo.

          Para que não sobrem equívocos sobre as afirmações em causa, e poupando o recurso sempre tedioso às estatísticas. No domínio agro-alimentar, o país importa actualmente cerca do dobro do que exporta e a produção nacional assegura a maioria (talvez mais de 70%) daquilo que se consome, o que é muito insuficiente e agrava significativamente, todos os anos, o nosso endividamento externo. A indústria conserveira não se extinguiu, mas estagnou. O mesmo se pode dizer para a indústria em geral, extractiva e transformadora, nos últimos 10-15 anos (como pode ser verificado expeditamente pela evolução a preços constantes do VAB industrial), o que é, de facto, muito grave, demasiado grave para ter que ser exagerado em palavras.

          O risco do exagero é sempre o seu desmentido, a conclusão de que as coisas não estão assim tão negras e que o Sócrates e o governo PS, afinal, não são tão maus como se diz (quando a verdade é que são muito piores e os verdadeiros índices da nossa dependência e do nosso bloqueamento industrial e económico seriam suficientes para mostrá-lo).

  7. xatoo diz:

    o óbvio, mais tarde ou mais cedo, caba por se tornar…óbvio! passem os preconceitos, realmente ninguém conseguirá perceber qual a razão porque uma voz, independente, séria e acutilante como a de Garcia Pereira nunca foi levada ao Parlamento
    As perseguições (como a que aqui é recordadadurante o prec) só são engendradas contra aqueles que se tornam de facto perigosos para a classe dominante e os seus serventuários. Os próprios intelectuais burgueses preferem de longe alvos mais fáceis para “dialogar” que Garcia Pereira e assim se vão congratulando com a eleição de galambas, lellos, teresas caeiras e betinhos do bloco

  8. xatoo diz:

    “a incapacidade do xatoo em explicar o inexplicável apoio ao Alegre” não é relevante… tratou-se, como já aqui o disse e não foi escutado, de um apoio pontual a uma candidatura que em primeira instância observava a soberania nacional – quererá RT comparar, como igual ou pior, o posicionamento de Alegre perante a NATO face ao posicionamento de Cavaco?

    • Renato Teixeira diz:

      Igual. Participar. “Cumprir com as obrigações e os compromissos internacionais”. Continuar a guerra no Afeganistão. Já sei que sabe bem o que pensa Cavaco, mas seria boa ideia ler o que pensa Alegre antes de lhe dar apoios críticos.

  9. fuser diz:

    Em 10 minutos na TVI o homem abriu o livro.
    Creio que é importante refletir sobre o que diz Garcia Pereira e sobretudo a forma como o diz. Clareza, objetividade e lucidez.

    O resto são arrufos entre partidos. Resquícios de coisas que já se passaram há mais de 30 anos, quando uma grande parte das pessoas que fazem hoje a esquerda ainda nem sequer era nascida. E isso é o que me preocupa mais.

    Enquanto andamos para aqui a lutar cada um para o seu lado, a senhora Merkel vai exigindo. Exige o aumento da idade da reforma e a diminuição da remuneração da mesma. Exige os despedimentos fáceis e baratinhos. Exige juros incomportáveis para assegurar as poupanças dos alemães, como admitiu Oli Rehn há dias.

    E nós andamos aqui entretidos a escalpelizar o simbolismo do MRPP mais as suas reais intenções ou ambiguidades do Garcia Pereira.

  10. Pingback: A intervenção de Garcia Pereira | Sentidos Distintos

  11. Luis Júdice diz:

    Votar PS, PSD ou CDS, é votar na TRAIÇÃO!
    .por Luis Júdice a Terça-feira, 3 de Maio de 2011 às 19:54.
    No momento em que se aproximam as eleições de 5 de Junho e muitas pessoas, de várias “gerações à rasca”, se questionam em quem votar, se uma vez mais no voto útil (em Ps, PSD ou CDS), se num voto consciente de repúdio por aqueles que nos levaram à situação que hoje vivemos, proponho algumas reflexões:

    1.Sabia que um trabalhador médio português ganha cerca de metade de um trabalhador na zona euro?

    2.Sabia que os gestores das grandes empresas públicas e publico/privadas (e que são quer do PS, quer do PSD), ganham mais de 32% do que os americanos, mais de 22,5% do que os franceses, mais de 55% do que os finlandeses e mais de 56,5% do que os suecos? Todas elas, como se sabe, economias muito mais débeis que a nossa?

    3.Sabia que a dívida pública portuguesa (previsão para 2011) corresponde a 97,3% do PIB, sendo inferior à de países como a Irlanda (107%), a Grécia (150,2%), a Belgica (120,2%), e que, mesmo as da França e da Alemanha, andam na ordem, respectivamente, dos 86,8% e 75,9%?

    4.Sabia que, já a dívida privada, aquela de que os principais responsáveis são a banca e o sector imobiliário, corresponde a 220% do PIB?!!!

    É sobretudo esta componente privada da dívida que fez vir a Portugal o FMI/FEEF/BCE, para “negociar” (leia-se impor) as medidas que conduzam ao “resgate” da mesma, com a mesma fórmula de sempre (vejam-se os casos da Argentina, da Grecia e da Irlanda e, no passado, de Portugal), isto é, à custa de mais fome e mais miséria, mais desemprego e precariedade, mais recessão, mais cortes salariais, redução drástica das prestações sociais e mais perda de soberania.

    E é esta dívida que PS, PSD e CDS, que se sujeitam de forma canina aos ditames e formulas do FMI/FEEF/BCE, querem que nós paguemos.

    Perante estes factos que consubstanciam a TRAIÇÃO que aqueles partidos levam a cabo, está você disposto a continuar a votar neles e a dar a sua chancela à traição? Está disposto a contrair e a pagar uma dívida que não é sua? Está disposto a avalizar um “empréstimo” que vais sequestrar as expectativas de um futuro melhor para si próprio, mas, sobretudo, para o futuro dos seus filhos e dos seus netos?

    Se ainda estiver hesitante, tenho mais más notícias para lhe dar. É que, consequência da política neo-liberal que a Comissão Europeia e o imperialimo germânico impôs, através dos acordos que, quer PS, quer PSD, assinaram, liquidou-se o nosso aparelho produtivo, desde a agricultura às pescas, passando pela industria naval, a siderurgia, metalomecanica/metalurgia, minas, etc. O que faz com que todo e qualquer empréstimo, como não temos economia e importamos mais de 80% do que consumimos, só possa ser pago à custa do agravamento das nossas condições de vida.

    É por isso que o PCTP/MRPP afirma, no seu MANIFESTO ELEITORAL, que, para além de NÃO PAGARMOS A DÍVIDA, devemos lutar pela constituição de um Governo Democrático de Esquerda que, com base em princípios, congregue o maior número possível de partidos, personalidades e plataformas democráticas e de esquerda, para cumprir um programa imediato de restauração do nosso aparelho produtivo, de luta contra o desemprego e a miséria, de luta pela nossa soberania e independência nacional

    .

  12. Luis Júdice diz:

    A Natureza da Dívida!
    .por Luis Júdice a Sexta-feira, 6 de Maio de 2011 às 18:53.No momento em que tanto se fala de dívida pública, e que os senhores da TROIKA do FMI/FEEF/BCE impuseram aos partidos “responsáveis” que implementem uma política de traição contra o povo português, proponho que se faça uma análise e reflexão sobre a natureza da mesma.

    O grande capital financeiro e a política neo liberal que lhe está subjacente, após o fracasso do mercado sub-prime vira-se para outra fonte de lucro e rendimento: a dívida pública!. Essa dívida decorre de vários factores. Ou fomentando guerras e fornecendo armamento, às vezes a ambas as partes em conflito, para que, depois, os países onde ocorreram tais conflitos fiquem com uma dívida por pagar que gera lucros fabulosos a quem financiou a guerra.

    Ou, como é o caso de Portugal, da Grécia e da Irlanda, e outros virão, que, fruto de terem destruido a sua capacidade produtiva e de dependerem fortemente daquilo que importam para poderem sobreviver, não conseguem gerar economia e, por isso, entram num circulo vicioso que é o de pedirem dinheiro para fazer face à dívida externa acumulada devido ao facto de terem de importar quase tudo o que consomem e pagar os tremendos juros decorrentes dessa “ajuda”.

    Cumulativamente a este ciclo vicioso, a já citada crise do sub-prime, que consistiu, basicamente, no seguinte: a política neo liberal, que aposta na auto regulação dos mercados, permitiu que a banca e os grandes grupos financeiros praticassem uma política de crédito sem precedentes, não fundamentada numa análise de risco consolidada e séria. Essas dívidas, sobretudo aquelas derivadas de créditos hipotecários eram, depois, agrupadas em pacotes aos quais eram dados os nomes de fundos pomposos e, a cada operação de transferência ou venda desses pacotes, o operador ganhava fabulosos lucros. Só que esta bolha financeira atingiu limites tais de insustentabilidade que acbou por rebentar.

    E ao sistema político que adopta esta visão neo liberal da economia, mais não restou do que, para salvar o sacrossanto sistema financeiro e bancário, apostar noutro “produto”: a dívida soberana! Para justificar a rapina, lançam-se mitos como os de que somos todos responsáveis porque consumimos acima das nossas possibilidades, escamoteando que foram as sucessivas operações de venda dos produtos tóxicos decorrentes do mercado sub prime que levaram à dívida.

    Escamoteando que, ao consumidor individual, ao povo, que adquire a sua casa, o seu automóvel, ou outro bem de consumo, se não pagar o crédito que contatualizou com o seu banco, só lhe resta ver penhorados os seus bens, incluindo os seus salários ou reformas.

    É por estas razões que o PCTP/MRPP sempre inscreveu, desde a primeira hora, no seu programa político, o NÃO PAGAMENTO DA DÍVIDA, com base no princípio de que dívidas privadas – da banca e dos grandes grupos financeiros – não podem ser pagas pelo erário público, isto é os nossos impostos ou a depreciação dos nossos salários e prestações sociais. Mas, não tenhamos ilusões. Não basta a recusa da dívida para resolver os problemas do povo, criar emprego e gerar riqueza. O sistema vigente, tal como se viu, só pode gerar mais crise e mais miséria para o povo. Não basta reinvidicar mudanças de política como o fazem o PCP e o BE (que tem o descaramento de afirmar que é a favor do pagamento da dívida, mas em prestações mais dilatadas e a juros baixinhos). É necessário que se constitua um governo democrático de esquerda que aplique um programa de restauração do nosso aparelho produtivo, desde a agricultura às pescas, passando pela indústria (siderurgia, industria naval, metalomecanica e metalurgica e minas) e que aproveite a situação geoestratégica única que Portugal possui. É necessário aplicar um plano que desenvolva a economia, que promova o emprego e a riqueza e assegure a nossa independência nacional.

    Nestas eleições de 5 de Junho, temos de demonstrar aos senhores da TROYKA do FMI/FEEF/BCE, que o povo português não aceita a “solução” que nos querem impôr, nem, muito menos, aceita quem aqueles serventuários do grande capital europeu escolheram para executar as suas políticas – PS, PSD e CDS. O povo deve votar naqueles que nunca estiveram comprometidos com o poder e suas políticas de exploração e miséria, o povo deve votar PCTP/MRPP.

  13. C. diz:

    Fantástico Ricardo!
    MRPP/Garcia Pereira… é de morrer a rir ler as suas razões, enfim cada um tem as suas.
    Só saliento o interessante facto do seu reposicionamento ideológico. Desavindo do BE, pelas razões que tem vindo a publicar, criticando duramente (e estamos de acordo) o apoio do BE a Manuel Alegre, entre outras. Vem para a rua (que é como quem diz este espaço de recreio cibernético) e publicita, a quando do pedido de intervenção do FMI, o correcto e empenhado esforço de contestação da CDU à ingerência. Agora MRPP… Ok, mrpp…mrppp… Ah já sei o do Arnaldo Matos, do Garcia (o homem que queria ser operário a todo o custo), o Garcia (bom rapaz) a magistrada que (agora) não recordo do nome, o do Pacheco Pereira, entre outras estrelas… ah e do Durão Barroso (este grande timoneiro da classe operária no PREC).
    Bora lá pessoal desavindos e com desavenças, pegamos no MRPP “vestimos” uma nova roupa de “modernidade” e de “pluralidade” e fazemos mais um frete ao capital!!!
    Abaixo os sociais-fascistas!

  14. por mais que se escreva sobre este sr e PCTP/MRPP, não consigo dizer muito mais do que isto: ridículo.

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