Repito: liberais-fascistas! E reforço: com o pior dos liberais e com o pior dos fascistas.

O saque a que estão a sujeitar os trabalhadores, de Portugal à China, dos EUA à África do Sul, da Suécia ao Brasil, a suspensão democrática em boa parte dos países em crise, o gigantesco exército de reserva de desempregados, a recuperação do colonialismo, o aumento generalizado da repressão e da tortura, da fome e da miséria, o deboche narcisista dos plutocratas, a violação da soberania dos países, dos salários, em suma, da vida da maioria das pessoas, seria o suficiente para chegar a tal caracterização. Os liberais-fascistas dos tempos que correm absorvem dos primeiros a gula furiosa e fundamentalista da agiotagem financeira prescindindo das virgulas progressivas a que outrora nos habituou o pensamento liberal. Dos segundos prescindem da crueldade do eugenismo racial para o substituírem por uma nova forma de arianismo social, onde se refunda um regime que sem perder a lata de se proclamar democrático, resgata sem qualquer pudor uma versão radical do feudalismo de castas. Com os amos achar que são deuses, da penumbra dos hotéis de luxo aos calabouços do terrorismo de Estado, o exercício do seu poder ultrapassou as marcas que aconselhavam pruridos de ordem linguística. Os 412 milhões de euros dados pelos Emirados Árabes Unidos para que a parideira da Blackwater funde um exército de 800 mercenários (ao preço de 500 mil euros cada) com a função de operar dentro e fora do território e de ter as revoluções árabes debaixo da mira, é a prova que o liberal-fascismo ainda só agora começou a mostrar os dentes e não vão ser precisos muitos anos para que o termo deixe de parecer exagerado para passar a ser um eufemismo.

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12 respostas a Repito: liberais-fascistas! E reforço: com o pior dos liberais e com o pior dos fascistas.

  1. DrStrangelove diz:

    É preciso ter ainda mais cuidado do que com o social-fascismo.

  2. JL diz:

    Renato,
    E o que dizer da final da liga europa?
    Desta vez torce contra quem?
    Um abraço
    *esqueça lá essa marmelada dos liberais-fascistas, homem.

  3. O Exilado diz:

    Tanto se fala fascismo como de bola na mesma frase… isto é que é levar os temas a sério.

    • Renato Teixeira diz:

      Na mesma frase? Onde? E não acha que os dois temas têm subtemas que os relacionam? Vou dar-lhe um exemplo. A gloriosa briosa viu o fascismo (e o Benfica, claro) roubar-lhe a taça e o campeonato de futebol por não estar alinhada com o regime. Viu?

      • O Exilado diz:

        Tem razão numa coisa, não é na mesma frase. É no mesmo post. De qualquer forma quando se fala de coisas de alguma importância não se deve misturar com palhaçadas como a bola. Impede o que foi escrito (e o autor) de ser levado minimamente a sério e não respeita o tema.

        • Renato Teixeira diz:

          O benfiquismo do JL e o meu anti-benfiquismo ficam bem ao lado de qualquer tema. Desculpe discordar. Acho que não há vacas sagradas e nem que estivesse indignado por falar de bola numa posta sobre os liberais-fascistas me deixaria compreensivo. Quer questionar se a seriedade da caracterização é séria, devia começar por ai.

          • O Exilado diz:

            Sabe que isso é uma questão de hábitos. O que se leva a sério e o que não se leva a sério, o tempo da galhofa e os momentos mais sóbrios (a divisão entre estes dois polos é um dos factores que distingue a conversa de café da opinião informada). Quanto ao resto, caso não tenha sido claro, não estava a criticar a sua opinião em concreto (que é legítima) mas sim a escolha de não saber separar os momentos. É como seguir um documentário sobre o holocausto com um momento de stand up. Claro que a escrita é sua e o espaço também (e não sou eu que tenho que ditar o que é escrito ou como é escrito) mas existindo um espaço de comentário penso que estou dentro da minha liberdade e da minha obrigação cívica de dizer que é de mau gosto fazer estas misturas para dizer o mínimo.

      • JL diz:

        ó Renato,
        Vc pode não acreditar mas embora caganito fui ao estádio nacional ver esse jogo (o primeiro ao vivo) e bem que gritei pelo Reg… (Benfica).
        Lembro-me que os senhores crescidos com quem fui falavam à boca pequena sobre os estudantes vestidos de preto e havia no ar um cheiro de mistério.
        No fim fiquei contente e desde aí que grito pelo Glorioso.
        um abraço e vamos torcer pelo Reg… (Braga)

  4. Migpt diz:

    O autor tem a sua coerência intelectual feita num frangalho. Ao ler o 1º parágrafo pensei que ele estaria a falar da Coreia do Norte, esse éden de liberdade e bem-estar social. No 2º parágrafo volta à sua inovação paradoxal do “liberal-fascismo” (o tal morto-vivo), apresentando como prova da sua existência um pretenso financiamento de um GOVERNO (essa entidade liberal por excelência) a uma entidade privada, com o propósito de aumentar a repressão sobre homens livres e garantir assim a sua perpetuidade no governo, ao melhor estilo Estalinista.
    No que concerne ao liberalismo estamos falados.

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