Gostava de ver a mesma capacidade crítica do Ângelo Alves sobre o PCP, até porque, está visto, sabe ler nas entrelinhas.

“Mas, apesar dos titânicos esforços do núcleo dirigente para minimizar danos em período pré-eleitoral, esta Convenção não conseguiu esconder as profundas contradições, indefinições e conflitos que caracterizam a sua vida interna e o seu posicionamento político, e que põem a nu as suas incongruências, o seu oportunismo e crescente falta de credibilidade.

No meio das altercações entre a Ruptura/FER e a corrente social-democrata, a convenção do BE lembrou-nos a fase da adolescência. Desde logo pela ziguezagueante hesitação de Louçã sobre o que é o seu «governo de esquerda» afirmando na sexta-feira que este incluía o PS, mas sem Sócrates! e no domingo voltando com meia palavra atrás, não deixando contudo de atirar com a «riquíssima» fórmula de que o tal «governo de esquerda» é um governo que «recusa a bancarrota, defende o emprego e uma “economia de decência”». Um adolescente indeciso dos seus primeiros amores não faria melhor.

Ao ouvir os principais dirigentes do BE lembrámo-nos de um jogo muito popular entre os adolescentes: o jogo das palavras proibidas. E nesta Convenção elas foram: balanço crítico; Manuel Alegre; ataque à Líbia, ajuda à Grécia, Moção de Censura…

Mas compreendemos que assim tenha de ser num partido onde um dos seus deputados europeus diz que é um mero «eleitor» desse Partido; onde uma das suas destacadas dirigentes afirma com grande entusiasmo que o Bloco não tem uma ideologia; ou ainda onde um dos seus deputados e destacado dirigente assina um manifesto para a criação de um «movimento social mundial», «pela regulação democrática e solidária do capitalismo». Foi só pena não vermos Daniel Oliveira e Joana Amaral Dias a jogar ao elástico… o jogo mais indicado para um Partido que estica e encolhe a «esquerda grande» à medida das conveniências e das tricas internas e que encolhe cada vez mais a «confiança» que teima em pôr à direita da palavra «esquerda».”

No Avante, via Vermelhos.

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45 respostas a Gostava de ver a mesma capacidade crítica do Ângelo Alves sobre o PCP, até porque, está visto, sabe ler nas entrelinhas.

  1. Chalana diz:

    “GOSTAVA DE VER A MESMA CAPACIDADE CRÍTICA DO RENATO TEIXEIRA SOBRE A rubra, ATÉ PORQUE, ESTÁ VISTO, SABE LER NAS ENTRELINHAS”.

    • Renato Teixeira diz:

      A ver vamos se não faço como o Ângelo Alves. Deixa-me tentar:

      A Revista Rubra, prova da sua maturidade política, revela-se a melhor publicação militante da esquerda portuguesa.

      Consegui?

  2. rms diz:

    n se pode tocar nas vacas sagradas.

  3. Camarro diz:

    Alguns dirigentes do PCP não resistem a estas alfinetadas ao BE. Mas, convenhamos, que o BE também se põe a jeito! Resta saber se alguns dirigente do BE não têm nada a apontar ao PCP… Nesta altura, em que o POVO mais precisa de uma esquerda forte, vamo-nos entretendo com estas quezílias.

    A suposta convergência, está visto, não passou de uma encenação. Os homens e mulheres de esquerda que querem uma ruptura efectiva com as políticas de direita que governam Portugal há mais de 3 décadas esperam, certamente, mais da esquerda que é suposto representar-nos!

    • Renato Teixeira diz:

      É exactamente aí que quero chegar. De que adianta fazer encontros para jornalista ver se mal se entendem na rua seja para lutar contra o FMI, a NATO ou o Sócrates? Já nem falo de entendimentos eleitorais e de manifestos comuns com base em meia-dúzia de ideias de combate. Falo tão simplesmente da confluência das ideias de ambos para o mesmo calendário de luta. Enfim. O “governo de esquerda” vai continuar sem significar um pintelho, já que a palavra entrou na moda.

  4. Pedro Penilo diz:

    Aparte questões de estilo, não me parece que o que no artigo seja dito não seja fundamentado em factos ocorridos e, consequentemente, dignos de crítica, idêntica, aliás, à realizada no decurso da Convenção. Lembro que no próprio momento, à saída do encontro com o PCP, Louçã fez questão de evidenciar as diferenças entre os dois partidos. Ou é preciso ir buscar a gravação da declaração de Louçã?

    • Renato Teixeira diz:

      Ouvi as declarações do Louçã e foram, recordarás, bem mais modestas face ao PCP. Interessa pouco, é verdade, mas estou em crer que pese embora a razão que ambos terão em algumas das críticas que trocam, o caminho da unidade é capaz de ser outro.

  5. Justiniano diz:

    Caro Renato, o debate de ontem vem sustentar a caricatura que ali é feita pelo Alves!! No meio da tensão dos amores rompidos e frustrações recalcadas, o do BE não conseguiu abjurar a cruzeta do outro!!

  6. LAM diz:

    As eleições para alguns partidos da esquerda (eu sei lá o que é isso…) têm mais importância do que o que pretendem fazer crer. E estamos em época de eleições. E o PCP sabe que a única forma de sair do gueto é pescar nas águas do Bloco. Quem for mais velho um bocado, sabe que, quando o PCP era a única força de esquerda “oficial” (parlamento, acesso às televisões, aos jornais etc) nunca o nome, ou existência sequer, de outros partidos ou organizações políticas de esquerda era citado e, muito menos, feitas referências em comícios. Agora que a “maioria de esquerda” com o PS foi definitivamente enterrada (definitivamente para já, atrás dos tempos vêm tempos ou lá o que é), há que pescar noutras águas. As hostes mantiveram-se nervosa mas silenciosamente expectáveis sobre o que queria dizer a tal “troca de experiências” e “possibilidades de entendimento futuro” entre BE e PCP, até Jerónimo de Sousa primária e desbocadamente ter dado o tiro de partida com um comentário de bancada acerca da convenção do BE. Foi o arranque “oficioso” agora oficializado por esse artigo do Avante. Camaradas, já se pode, temos 3 semanas pra dar cabo deles.

    • Renato Teixeira diz:

      LAM, táctica partidária à parte, vejo que não debate nenhuma das conclusões do Ângelo Alves. Terá dito só asneiras?

      • LAM diz:

        Mas há alguma novidade nas conclusões de Angelo Alves? Há alguma coisa que não tenha sido em momento próprio alvo de críticas e/ou opiniões, por junto ou separado? Não há, Renato. Não sejamos ingénuos, o que releva deste texto é tática partidária para uma coisa que vai acontecer daqui por 3 semanas. O chato é que isso se sobrepõe até (mas também confirma), que nem as circunstâncias atuais de necessidade de congregação de forças são capazes de sossegar o pito a alguma gente.

      • Leo diz:

        Quem lá esteve é que pode ajuizar se bate certo que “esta Convenção não conseguiu esconder as profundas contradições, indefinições e conflitos que caracterizam a sua vida interna e o seu posicionamento político, e que põem a nu as suas incongruências, o seu oportunismo e crescente falta de credibilidade” conforme o Ângelo concluiu.

    • Rui F diz:

      Dia 6 vai começar a ladaínha das coligações patrióticas á Esquerda.

      Até lá vai-se à “caça do possível” dentro nos destroços (não muitos, diga-se) do Bloco, sabendo eles (não é Chico Lopes?) que a queda do BE não é proporcional à subida do PC.

  7. Augusto diz:

    Eu também poderia tirar outras conclusões, da amena conversa de café ( a que alguem chamou debate), entre o Jerónimo de Sousa e o Passos Coelho.

    Afinal PS e PSD mais o CDS não são por igual , responsáveis pelo estado a que o país chegou?

    O programa já apresentado pelo PSD, não é um feroz ataque aos mais elementares direitos dos trabalhadores e dos mais pobres?

    A fúria destrambelhada de privatizações , que vai da água á RTP, passando pelas linhas de comboio rentáveis, da REN , aos CTT, e á CGD, não mereceriam a condenação clara de qualquer dirigente de esquerda.

    Só espero que Louçã esteja á altura, e denuncie ao País o que realmente representa Passos Coelho, como ontem denunciou o que representa Socrates.

    E espero que Medeiros Ferreira esteja enganado, quando alvitrou que se pode estar a preparar um Compromisso Histórico á Italiana.

    Se assim fôr muita coisa ficará explicada.

    • Rocha diz:

      O Augusto tem sonhos molhados com o Compromisso Histórico à italiana.

      Mas esquece-se que aqui não há nem nunca houve nenhum Berlinger (houve um Cunhal que está nos antípodas dessa criatura) e a essa corja de eurocomunistas, reformistas (sem reformas) e revisionistas que se auto-apelidam de renovadores, nós tratamos-lhes da saúde (para quem não aceite estatutos e programa, ou a vontade da maioria a porta da saída está sempre aberta).

      Somos marxistas-leninistas com muita honra e não são meia dúzia de “aristocratas” “marxianos” que nos passam a perna com a velhíssima lenga lenga/conto do vigário social democrata.

      O mesmo não se pode dizer do famigerado “compromisso histórico” à largo do ratazana que se forjou em nome do mítico “alegrismo”, o poeta sebastianista que se zanga com o neoliberalismo antes das eleições mas que apoia “obedientemente” a Troika e o FMI. Ninguém sonhou com as tristes figuras de Louçã e Sócrates no mesmo palco, no mesmo comício, aconteceu mesmo.

      E olhe que a malta de esquerda que se preza quer no BE, quer no PCP lamenta francamente essas asneiras.

      Estamos juntos na luta, aqueles que nesses partidos de esquerda, em outras organizações políticas e sociais e simples cidadãos que afirmam uma alternativa de esquerda contra os partidos do FMI, PS-PSD-CDS, nem com Sócrates nem sem Sócrates, nenhum compromisso com a burguesia.

      • Camarro diz:

        Já que invocas os estatutos do PCP, deverias saber que o debate se faz internamente. Desrespeitas continuamente esses estatutos, ó camarada!

        • Rocha diz:

          Por essa lógica o Jerónimo também não devia debater com o Louçã, nem mesmo para debate eleitoral, já que só o pode fazer internamente.

          Já cá faltava esta provocação. Não sou mais papista que o papa. Agora quando tentaram, internamente, liquidar o meu partido pela direita estive lá para defendê-lo.

          Sabes muito bem que no PCP nem todos pensamos da mesma maneira mas, se alguma coisa do que eu digo é contrária a uma orientação do partido que me apontem concretamente o que é.

          E não sou mais nem menos que o Saramago, sabes que a cultura do partido é que somos todos iguais como camaradas (tratamo-nos por tu). O Saramago disse e abraçou quem lhe deu na gana. Podes crer que sou muito mais leal não a uma abstração chamada “partido” mas aos militantes comunistas que o compõem, a essa massa humana trabalhadora que é o PCP.

          • Camarro diz:

            Sabes bem a que tipo de debate me estou a referir… Comparar o debate interno com uma analogia entre o debate entre o Jerónimo e o Louçã não me parece a melhor opção.

          • Rocha diz:

            Por momentos pensei que o Camarro e o Chalana fossem a mesma pessoa. Mas não, já vi que não.

            Olha camarada, não quero discutir isto contigo, mas sinto me à vontade parar falar de pessoas que saíram do partido a atacá-lo pelas tribunas da burguesia, a desrespeitar o colectivo partidário e a proclamar a sua vontade de liquidar o marxismo-leninismo.

            Não é debate interno na medida em que essas pessoas não pertencem ao PCP. E não te fica bem esse tom, olha que telhados de vidro temos todos se formos a ver, mas eu não entro nesse jogo.

            Sou daqueles que dou ao partido (tempo, dinheiro, esforço, dedicação, sacrifício, couro e cabelo) sem nada receber em troca. Não tenho nada a recear de conversas ameaçadoras.

          • Camarro diz:

            Conversas ameaçadoras??!!!

            Já atacaste, aqui no 5 dias, militantes do PCP! Não são ex-militantes!

            Aqui vai:
            http://5dias.net/2011/04/24/junta-de-convergencia-nacional-v-%e2%80%93-perguntas-avulsas/
            Rocha says:
            24 de Abril de 2011 at 11:12
            Teixeira, da Silvas e Dias podem chorar, mas com o PCP não mamam!

            Segundo nos consta, como já foi dito neste blog a intenção desta junta de convergência petit-burguesa era dar uma segunda vida ao alegrismo. Um passeio dos alegres papalvos. 99% do PCP não dá um cêntimo para esse peditório.

          • Renato Teixeira diz:

            Não terão sido esses militantes a ir contra as orientações do partido? Seria bom perceber se o PCP optou pela versão bloquista de democracia interna onde uns militantes valem mais do que outros fruto do protagonismo mediático que têm, não raras vezes à custa do trabalho colectivo. O manifesto caminha com o PS. É isso que o PCP tem vindo a dizer?

          • Camarro diz:

            Renato,

            Não subscrevo o manifesto! Se alguns comunistas acham por bem assiná-lo, isso é com eles. A fazer críticas a esses camaradas, prefiro fazê-las internamente, alías, como mandam os estatutos. Era aí que eu queria chegar com esta troca de palavras com o Rocha.

          • Renato Teixeira diz:

            Mas isso não esclarece quem tem razão, se a parte do partido que tem falado contra o Manifesto se a parte que o subscreveu. Longe de mim querer meter-me nos assuntos internos do PCP, mas convirá que a sua posição face ao PS e a subscrição pública de manifestos diz respeito a todos aqueles com quem o PCP quer dialogar. Ou não será assim?

          • Camarro diz:

            Mas a subscrição desse documento é feita individual ou colectivamente? É legítimo inferir que, só porque alguns militantes comunistas assinaram esse Manifesto, o PCP estará na disposição de dialogar com o PS?

          • Renato Teixeira diz:

            Isso vale, quanto muito, para militantes de base. Os dirigentes sabem que falam também pelos outros. Deviam redobrar cuidados quando colocam em seu nome individual o capital colectivo da organização dos quais são porta-vozes.

          • Camarro diz:

            Penso que, actualmente, nenhum dos subscritores é dirigente do PCP.

          • Renato Teixeira diz:

            Camarro, sabe bem que isso é um argumento formal. São tidos como tal, interna e externamente.

          • Camarro diz:

            Não é um argumento formal, é um argumento de facto. Embora perceba o que o Renato quer dizer.

  8. Augusto diz:

    Rocha, para alguem de um partido que engoliu sapos vivos na primeira eleição de Soares, estamos conversados.

    Quanto aos aristocratas, olhe que Cunhal não era nenhum operário.

    Espero que a previsão de Medeiros Ferreira esteja errada.

    Veremos…..

    • Rocha diz:

      É Augusto é melhor falar do que se passou há décadas e que foram apoios críticos e do tipo “mal menor” do PCP a candidatos presidenciais do PS, prática que entretanto se reviu e abandonou.

      É melhor falar disso, porque não convém nada falar do apoio entusiástico, imediato e em conjunto com Sócrates e o PS que aconteceu apenas há uns meses em relação ao Alegre.

  9. Portela Menos 1 diz:

    mas que interesse tem um PCP com uma aliança de esquerda se já tem a CDU … e os Verdes?

  10. Portela Menos 1 diz:

    acabei de ouvir na tvi24 o “ganda nóia” sobre os debates já efectuados;
    no meio de muitas asneiras ditas fixei-me na “simpatia de Jerónimo”.

  11. Chalana diz:

    Camarada Rocha:

    Todo este post é uma (básica) provocação. A propósito duma (infelizmente) justa análise ao que têm sido os zig-zags do BE$, o articulista lá foi capaz de meter uma bucha anti-pcp.

    • Renato Teixeira diz:

      Bucha anti-PCP?!? Onde? Não me diga que o Chalana é pouco amigo da auto-crítica, ainda por cima dispondo de tão exímio analista?

      • JMJ diz:

        As qualidades analiticas do “eximio analista” serão analisadas no local de análise indicado, caro Renato.

        O facto de isso não lhe agradar, porque se sente excluído é, como dizer, uma chatice, que a mim e a outros militantes do PCP não aquece nem arrefece.

  12. Chalana diz:

    e então, ao invés de se discutir nesta caixa de comentários o zig-zaguear bloquistas, toda a sanha e preconceito anti-pcp teve rédea solta.

    Imagino que este tipo de tácticas seja o prelúdio do apelo ao “voto em branco” com que o articulista já nos brindou durante a campanha presidencial e que apenas auxiliou a eleição de Cavaco.

  13. Chalana diz:

    O que o Gerónimo hoje defende, já o Xico Lopes defendia há 3 meses atrás. Neste caso, é o que se pode chamar duma “evolução positiva” por parte do articulista.

    Quanto às “bocas”, parece-me bem que se o articulista anda à chuva… molha-se.

    • Renato Teixeira diz:

      Errado. Não tínhamos nenhuma garantia que votar Lopes não seria votar em Alegre. De todo em todo, mesmo que acabasse por não apenar ao voto no candidato do Sócrates, o voto no Lopes contribuiria para o duelo entre Alegre e Cavaco, as duas caras do regime.

      Pode retomar todo o debate aqui: http://5dias.net/tag/presidenciais-2010/

  14. Chalana diz:

    Se fosse consequente, pelo seu modo de pensar, apelava agora e de novo no voto em branco.

    Pois se afirma que votar Xico Lopes não impediria uma 2ª volta Alegre/Cavaco – e portanto não valeria a pena votar – então agora, como votar CDU ou Bloco, não impedirá o Governo FMI, o mesmo tipo de conclusão se impunha.

    O apelo ao voto útil do articulista, neste caso e pela maneira como é feito, apenas revela os “tacticismos” d’ habitude

    • Renato Teixeira diz:

      Não oh bigodes, o voto fora do espectro dos partidos da troika reduz o número de deputados desse programa. O voto em Lopes ajudava ao duelo entre dois candidatos da situação.

  15. Chalana diz:

    Whatever! O Renato há-de dar todas as justificações ab nauseam porque toda a gente está sempre errada e o Renato tem sempre a razão toda. Agradeço-lhe o apelo (desta vez) ao voto consequente.

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