This is how we do it in Portugal…

Por falar em vídeos patéticos, parece que a Associação Académica de Coimbra apostou na internacionalização. O resultado é esta gosma.

Durante mais de 4 minutos mostra o orgulho desta malta nas actividades académicas em Portugal. Começa com um grande repto: ‹‹Do you think you know how to live your student life? This is how we do it in Portugal…›› e de seguida mostra logo os mais velhos a mandar nos mais novos (e é completamente claro no que isso significa), passa para o alcoolismo, mostra a tradição do uniforme, pelo meio há a história (lutas estudantis, coisa importantíssima na actualidade – e nos anos 60 não foi por acaso que a praxe caiu em desuso, mas isso não interessa agora), há a Queima das Fitas – o maior evento estudantil da Europa, em 2º lugar no consumo de cerveja depois do Oktober Fest -, um carro alegórico em chamas, um casal a pinar em cima de um carro, a tourada… Enfim… Vejam, vejam. E orgulhem-se.

Também publicado no blogue do M.A.T.A.

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20 respostas a This is how we do it in Portugal…

  1. Rocha diz:

    Ah, bons velhos tempos!

  2. Tiago diz:

    Este é um post completamente desenquadrado e adulterado…

    De facto, este vídeo foi realizado como parte da apresentação dos alunos portugueses em Erasmus em Praga no 2º semestre 2010/2011, como pode ser visto aqui: http://www.youtube.com/watch?v=MB0tfTQx7ko.

    Óbvio que não deixa de ser uma burrice de vídeo e que não representa a comunidade estudantil portuguesa, mas é dando visibilidade a estas coisas que se generalizam ideias erradas.

    • Youri Paiva diz:

      É irónico numas partes. Ser de uma apresentação de erasmus não lhe retira o disparate. Mas é uma via de internacionalização…

      Mas agradeço teres encontrado a fonte das fontes, bem procurei sem sucesso.

      • Youri Paiva diz:

        E já agora, não é não se falando das coisas que existem que elas deixam de existir. Principalmente quando o Rossio, em Lisboa, tem andado cheio de morcegos.

      • Tiago diz:

        Com certeza, daí ter realçado a burrice dessa apresentação. Eu próprio sou fui estudante de Erasmus nesta cidade, e realizei também o mesmo género de apresentação. Já conheço este vídeo há algum tempo, e chocou-nos (a mim e colegas portugueses da mesma altura) esta apresentação que em nada tem a ver com a realidade portuguesa.

        De resto, já deves ter percebido que não sou anti-praxe, muito menos contra tradições académicas. Óbvio que não podemos ser cegos nem fundamentalistas, como em qualquer assunto. E há abusos, verdade que os há, e que têm de ser combatidos e punidos. Lembro-me de uma praxe aqui há uns anos, em que os caloiros tinham de fingir assaltar um banco, resultado: foi tudo preso. E isso é estupidez da mais pura, da parte de quem deu a ideia e de quem a aceitou.
        No entanto, acho sinceramente que é perfeitamente possível manter uma praxe saúdavel que leve os novos a integrarem-se num ambiente completamente novo e que crie laços dentro dos novos, e entre novos e mais velhos.

        Acima de tudo, tenho é pena que as Universidades tenham perdido em parte aquele papel histórico de centro do pensamento e das reacções sociais. Cada vez mais é são sítios amorfos, onde todos têm de comer a papinha e calar. Faz falta muito pensamento crítico!

        • Youri Paiva diz:

          A praxe implica sempre uns a mandar e outros a obedecer e isso não faz sentido na universidade (nem em lado nenhum). Por isso não me parece interessante a praxe ser moderada e combater excessos quando a praxe é sempre simplesmente uma coisa reaccionária.

          ‹‹Acima de tudo, tenho é pena que as Universidades tenham perdido em parte aquele papel histórico de centro do pensamento e das reacções sociais. Cada vez mais é são sítios amorfos, onde todos têm de comer a papinha e calar. Faz falta muito pensamento crítico!››
          A praxe está envolvida nesse processo: comer a papinha e calar.

  3. Abilio Rosa diz:

    Eu já dei a recita o ano passado.
    Quem não quiser ser «praxado» leve consigo uma moca ou um taco de basebol.
    Dar porrada nos grunhos que querem praxar é úm dos melhores desportos que eu pratiquei enquanto jovem.
    Não sejam «amélias». Porrada para cima deles!
    Não se impressionem se alguma cabeça partir.
    Não encontrarão nada lá dentro…

  4. LuisP diz:

    Sim, dá uma certa vergonha isto…

  5. Zegna diz:

    Digam lá que isto das Praxes não é cultura? é cultura e da boa…….. algumas curiosidades do nosso mundo académico:
    – entrar na faculdade com o 12ºano completo ? não , isso é para os otários…….esperas pelos 23 anos ( tens tempo …vais viver com os pais até aos 40 anos)
    – é a faixa etária que mais fuma ganza , bebe mais alcool e faz sexo sem protecção .
    – sempre felizes com as queimas das fitas mesmo que não se passe de ano.
    – entrar em coma alcoolico não é mau , é sempre melhor que ficar sobrio.
    – entrar na faculdade e sair de lá virgem é bem pior que não acabar o curso.
    – estudar ? isso é para Betos…..o que é preciso é sair á noite e dormir de domingo para segunda ( chega bem)
    – ir sempre ás aulas ? não , isso já não se usa ………

    • Youri Paiva diz:

      Há aí alguns equívocos, Zegna. Parece-me que o problema nº 1 das praxes é haver uns estudantes a mandar noutros estudantes, não tanto as outras coisas que vão aparecendo por acréscimo.

      Ou seja, não tenho nenhum particular problema com os ‹‹maiores de 23››, fumar ganzas, beber copos ou com o sexo em geral, com o não passar de ano, a virgindade ou a não-virgindade, o estudar ou não estudar (o que é estudar ao certo?), ou ir sempre às aulas (algumas, francamente, não o merecem).

      Embora esteja ligado, a ‹‹qualidade›› do ensino superior e as praxes, não é bem por aí (mas eu próprio caí nesse ‹‹erro›› com o que escrevi no post, ainda que fosse apenas acerca do vídeo).

      A questão é: que raio de escola queremos? Eu quero – para toda a gente – uma escola em que as pessoas discutam, aprendam umas com as outras, sem entrar em facilitismos mas sem rigidez absurda, sem praxes, sem uniformes. Sem pessoas a mandar.

      • Rocha diz:

        Ah ok Youri, por momentos pensei que o seu post pretendia dar um puxão de orelhas moralista aos praxistas – quando de facto não são só os praxistas mas muitos outros estudantes que fazem esse suruba chamado Queima das Fitas.

        Quanto a essa crítica de uns estudantes mandarem em outros, estamos mais ou menos de acordo. Mais ou menos porque o verdadeiro problema é que uns estudantes tem mais papel, carcanhol, dinheiro que outros. E as universidades e faculdades estão cada vez mais feitas para os ricos e alguma classe média alta e cada vez mais inacessível para quem trabalha, para quem é pobre e descamisado.

        Repare que a participação dos estudantes na reitoria/governação das estudantes foi eliminada justamente enquanto a burguesia era promovida aos conselhos de administração das universidades e as propinas subiam brutalmente.

        A mim não me perturbaria a pandega dos estudantes, a não ser porque essa pandega já se transformou na celebração do triunfo dos filhos da burguesia sobre o mar de jovens precários à deriva, cujos papás não podem nem pagar o curso nem colocá-los nos conselhos de administração de empresas, de ministérios e talvez até… de universidades.

        • Youri Paiva diz:

          O meu problema com a praxe é grande, sim. E na praxe há uns que mandam noutros, os veteranos – trajados, (sem sempre) mais velhos – mandam nos caloiros e obrigam-nos a fazer uma série de parvoíces que se vê nesse vídeo. Esta pandega não é só o triunfo da burguesia, é também o entretenimento para não se fazer outras coisas. Na praxe quando é criticada dizem sempre ‹‹pois, mas é assim. é a tradição››… o mesmo para a universidade… é assim…

  6. Julie diz:

    os futuros “quadros” da nação
    mega presunçoso, tens razão
    a necessidade imperativa de dizer que x é melhor que y
    coisinha irritante.
    já nem acredito nas universidades
    o saber (tecnológico) está a descentralizar-se à velocidade da net
    dentro de algumas décadas, a educação centralizada, massificada (e o que são estes meninos e meninas senão membros de um rebanho!!?? o rebanho do saber… sempre identitário, com as suas vestes e despes, os seus ritos ridículos (e a formalização ad absurdum do mais elementar senso comum…o senso comum elevado ao critério do “bom”… etc…uma seca brutal!!! gandes totós, youri. sans doute. 🙂

    • Youri Paiva diz:

      Por acaso uma coisa que me preocupa é que sempre que for ao médico ou a um advogado, que falar com não-sei-quem para resolver alguma coisa, para discutir – o que seja -, foi uma pessoa que esteve na universidade desta forma. E estar desta forma é pior do que ter acabado o curso com média de 10 porque está relacionado com toda a forma de relação com as pessoas e o mundo.

  7. Julie diz:

    Totó Central

    🙂

    PS: gostaria muito de um dia usar uma daquelas vestes numa performance de cabaret! lol 🙂

  8. CMO diz:

    PSD e CDS sobem; PS começa a queda definitiva
    Marktest

    http://supraciliar.blogspot.com/2011/05/psd-397.html

  9. Manu diz:

    Concordo em quase tudo, mas condenar o alcoolismo? Deixa-te de moralismos porque afinal cada um de nós arca com as consequências do que faz (bom, e no meu caso do que não faz) e pode muito bem vir a pagar por isso e não ter de ser julgado pelos outros em relação a isso.

    • Youri Paiva diz:

      Não estou a condenar que se bebam copos, isso faço eu também. O alcoolismo está é no vídeo como uma virtude, o melhor possível, a única coisa possível.

  10. Raul diz:

    As praxes são uma coisa digna de saloios que acham que são diferentes dos outros por andarem na universidade. São estúpidos e arrogantes. tirei o curso que quis tirar, com paixão mas sempre com o espírito crítico desperto (não, não fui às aulas todas, tenho horror ao vazio). Gosto mesmo é do meu trabalho. Não me venham com a treta da integração: há uma miriade de actividades para nos integrarmos: até estudar.

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