
Quando eu era pequenino, a minha mãe fazia um bolo sempre que dava na televisão o Festival da Canção. Era nesse dia e no dia das eleições, cujos resultados finais só chegavam pela madrugada. Eram os momentos mais importantes do ano. Não me lembro da «Desfolhada», porque ainda não tinha nascido; nem do «E Depois do Adeus», porque tinha apenas 3 anos; mas lembro-me perfeitamente do «Adios, adios, aufwiedersehen, goodbye» (uma canção eminentemente étnica); ou da magnífica canção da Sabrina que representou Portugal na semi-final de 2007 e cuja letra tocava o menos sensível.
Dança comigo, que eu dou-te o céu que há em mim
Dança comigo, que aos teus desejos direi sim
Dança comigo, que nos teus braços vou sonhar
Dança comigo, que eu dou-te a lua, o sol e o mar
Devia ter uns 7 ou 8 anos quando Israel ganhou o Festival da Canção com «Aleluia». Ao que parece, a Turquia não participou por motivos políticos, mas suponho que na altura esse pormenor me tenha passado ao lado. Aliás, é provável que tenha ficado a pensar que Israel fazia parte da Europa.
Passaram muitos anos. Nunca mais me lembrei do Festival da Canção até hoje. Os «Homens da Luta» devolveram-me a lembrança desses tempos. E com mais ou menos caricaturas, não me lembro de ter ouvido antes num festival transmitido em directo pela RTP a frase gritada «A luta continua / quando o povo sai à rua».
No entanto, há uma dúvida que continua a atormentar-me tantos anos depois. Israel fica na Europa? Eu até nem desgosto da letra da música que vai representar Israel em 2011, cantada pela famosa Dana Internacional
Ding dong, diz nunca mais
Ouço uma oração silenciosa
Que me faz levitar e voar – eu sei até onde
Estou a vir-me
mas a questão não é essa. A questão é mais geográfica. Aquilo é um Festival da Canção da Europa, constituído por países que ficam na Europa.
Mas Israel fica na Europa? E a Palestina? E a Síria, Jordânia, Arábia, também? E o Iraque? E o Irão? E o Afeganistão?





É estranho que faça essa pergunta.
Ou é desconhecimento de que Israel é forçado a virar-se para a Europa para cooperar e competir em diversas organizações e instituições de carácter regional, como no desporto e na eurovisão, por exemplo, face aos vetos dos países árabes e à recusa destes em competirem com equipas israelitas, desconhecimento que não deixa de ser curioso; ou é uma pergunta meramente retórica e, então, não se percebe bem a sua existência.
Isso seguramente não o torna um Estado Europeu.
Evidentemente, nem eu o disse.
É coisa que tem a mim me causa confusão desde essa altura. Mas também no futebol se passa a mesma coisa (Israel faz parte da UEFA).
É verdade, na UEFA também. O que me espanta é virem dizer que não têm com quem brincar porque os meninos vizinhos não gostam deles. Olha, brinquem sozinhos, que culpa nós temos disso?
Pois… Mas quando eramos crianças o que nos disseram que era um continente? Um grande pedaço de terra rodeado de mar por todos os lados, não?!
err… não. Se assim fosse, europa e ásia seriam um só continente. Claro que há quem o considere assim, mas as diferenças étnicas e demográficas justificam a distinção.
Evidentemente.
São essas considerações, a que acrescem as culturais, que levam a considerar Chipre – mais próximo da Ásia do que da Europa – ou a Islândia – mais perto da América do Norte do que da Europa – países europeus.
O Festival não é da Europa, mas da Eurovisão, associação de televisões que apesar de ter o prefixo euro, foi criada como uma associação de televisões da europa e mediterrâneo. Assim são membros fundadores da eurovisão (1950), o Líbano, Egipto, Marrocos e Tunisia, a que se juntaram Israel (1957), Argélia e Jordânia (1969) e Líbia (1974). Quaiquer um destes países pode apresentar canções ao Festival, mas apenas Israel o faz e Marrocos já o fez no passado.
Ainda vamos ver o Irão a cantar na Eurovisão.
E depois digam que o ti Abílio bebeu vinho nacional!
Teria uma certa piada, a Líbia participal no Festival Eurovisão deste ano…
Curioso…
Qual é a razão para apontar especificamente ISRAEL e deixar de fora a Geórgia, a Arménia e o Azerbaijão? Estes países, a sul do Cáucaso, são tão europeus como Israel.
E Chipre, será que é um país europeu?
E a Islândia, será que é europeia?
E será que, mais uma vez, estamos diante de uma campanha de ostracização e deslegitimização de Israel?