REITERO: SÓCRATES E O PS SÃO O INIMIGO NÚMERO 1

Leio no “Portugal dos Pequeninos” uma interpretação muito certeira de recentes palavras televisivas de MANUEL MARIA CARRILHO, alguém que muito tem ajudado a desmontar e ridicularizar o Sócrates do deslumbramento vazio na “tecnologia” (tecnochoque, choque, choque) e na apaixonada “obra pública”, do Magalhães ao Joaquim, ou, porque não?, dos jaquinzinhos à couve-flor:

É preciso um socialista – Manuel Maria Carrilho – para, numa frase singular proferida na tvi, resumir a falácia de Sócrates. Há escassas semanas atrás, o referido Sócrates afirmou que entre ele e o FMI estavam 10 milhões de portugueses. Agora, entre estes 10 milhões de portugueses, o FMI, a CE e o BCE encontram-se 78 mil milhões de euros – os juros elevarão a quantia para cerca de cento e tal mil milhões – indispensáveis para o país poder sobreviver a Sócrates e à sua privada alucinação. Dito de outra forma, Sócrates é um obstáculo caríssimo, enquistado entre 10 milhões de portugueses e o seu futuro, que vai passear pelo país nos próximos dias como se fosse um vulgar inimputável. Não é. Convém remover o obstáculo sem a menor contemplação.

 

Não corcondando eu, de modo nenhum, com a indispensabilidade deste “resgate”, faço notar de uma parte deste excerto uma coisa tipicamente socrateira: o homem dizia que entre ele e o FMI estavam 10 milhões de portugueses. Mas acontece que, agora, sem vergonha, entre ele e os 10 milhões de portugueses apareceram 80 000 milhões de Euros – o que para Portugal é muito mau (o “resgate”, que é humilhação e capitulação – também socrateira!), mas para Sórates é muito bom!! O que não admira o que lemos hoje no Jornal de Negócios, vindo do FT e dos que emprestam $$ – mesmos estes, o grupo com que Sócrates negoceia, que ele serve e de que faz parte de corpo e alma inteira, mesmos estes acham a personagem inaceitável:

Colunista do “Financial Times” acusa o primeiro-ministro português de se “preocupar apenas com o seu quintalinho” e de ter mentido ao país e diz que Portugal geriu a crise de forma “assustadora”. Para Wolfgang Munchau, a comunicação de Sócrates ao país, na semana passada, foi apenas um “alerta trágico-cómico” da crise na Europa. (…)

Continua o colunista alemão, do FT citado no JNegócios:

“Com o país à beira da extinção financeira, foi à televisão nacional orgulhar-se de ter garantido um acordo melhor do que a Grécia e a Irlanda. Além disso, garantiu que o entendimento não seria muito doloroso. Quando os detalhes foram conhecidos, poucos dias depois, percebeu-se que nada disso era verdade. O pacote contém cortes de custos severos, congela os salários da função pública e as pensões, aumenta os impostos e prevê uma recessão profunda nos próximos dois anos”.

Esta última parte da citação é o melhor naco desta prosa, como é bem de ver!!

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