VII CONVENÇÃO DO BE (IV) – Das palavras aos actos

Se o BE tem expressado o seu repúdio à troika do FMI e esclareceu que era contra a intervenção militar da NATO na Líbia (não obstante ter votado parte do processo político que o decidiu), porque não participa nas manifestações que são convocadas para o efeito? O argumento que mais ouço dos seus aderentes prende-se com o facto destas manifestações serem convocadas pela CDU, mas no marco em que qualquer das Moções que disputa a convenção deste fim-de-semana defende a unidade das esquerdas, não seria a luta de rua um palco privilegiado para começar a forjar alguns entendimentos? Porque sobram manifestos em que se insiste em incluir militantes e dirigentes do PS e os intelectuais do BE e da CDU ainda não têm um documento com um programa mínimo de combate ao arco que governa o país há 35 anos?

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16 respostas a VII CONVENÇÃO DO BE (IV) – Das palavras aos actos

  1. Rui Gonçalves diz:

    Renato, manifestações convocadas por partidos ou coligações partidárias são sempre limitadas aos apoiantes daquele partido ou coligação, da mesma forma que não vou às dos outros, não espero que eles venham às do meu. O que não entendo é porque não essa manifestação não é (também) organizada por uma entidade mais abrangente, por ex a Inter, e que possa incluir todos os que se opõem à intervenção antidemocrática.

    • Rocha diz:

      Não se entende? Não se entende porque umas organizações tomam iniciativa e outras cruzam os braços? Ai a si não lhe convidaram em particular, nem ao seu partido?

      Há de se arranjar sempre alguma justificação… Deixe se de complexos! Se concorda com o protesto participe nele! Eu também participo no MayDay e em outros protestos que sei perfeitamente que não são dinamizados pelo meu partido. E mais, se concorda com o protesto no mínimo devia exigir que o seu partido fizesse o mesmo.

      Fica a saber que a CGTP tem umas manifestações (Porto e Lisboa) marcadas para 19 de Maio contra o FMI.

      • Rui Gonçalves diz:

        Rocha,

        O May Day é um movimento de cidadania não é um partido, logo não vejo nenhum problema em que seja participado por pessoas de diferentes filiações. Eu já participei.
        Veja o que redigi mais abaixo. A questão aqui não é mera semântica, mas de fazer a diferença. Pessoalmente não tenho problema nenhum em participar numa manif organizada por outro partido desde que o meu assuma que, no mesmo dia, hora e local, convoca também uma. Desta forma nenhuma organização perde identidade (os partidos também existem para se disputarem entre si) e dá-se dimensão ao protesto.

    • Renato Teixeira diz:

      Está tudo muito bem, ou quer dizer, está tudo mal. Mas ainda assim, a fazer fé no que diz o Rui, para que perdem tempo em convocar o PCP para reuniões?

      Pensava que as organizações quando convocam protestos querem que outras participem e vêem isso com bons olhos. Pelo menos, eu fico contente quando convenço os outros que determinada acção é justa e importante. Fico a saber que pelo BE já reina o lema que tanto criticavam do antes sozinho que mal acompanhado. Largue o sectarismo, homem. Vai ver que tudo correrá melhor.

      Já manifestos com a tropa do PS pode ser, não é?

  2. Sim sim. Estamos todos a ver a cdu feliz com o be a juntar-se às suas manifs.
    É o país das maravilhas da união das esquerdas. Aliás, porque há gente que sai de partidos de esquerda se acredita numa plena, total e sempre em ameno convívio das esquerdas? Tanto faz o partido, se o raciocínio é este.

    • Renato Teixeira diz:

      Devo dizer que fui e não fui mal recebido. Bem pelo contrário. Faltaram outras bandeiras mas creio que essa responsabilidade não é de quem organizou o protesto mas de quem preferiu não ir lá juntar a sua.

  3. Rui Gonçalves diz:

    Alías, Renato, o que poderia acontecer ao Bloco, em vez de aderir à manif covocada pela CDU, era, no mesmo dia e à mesma hora, convocar, para o mesmo local, a sua própria manifestação. Estou seguro que a CDU não se iria opor.

  4. Rui F diz:

    O BE continua na sua escalada suicida, numa de estratégia a com visão, como dizia o Miguel Portas antes da moção.

    Segundo a sondagem do DN de hoje, já só são 5%.
    Mas a CDU não capitaliza na proporção (apenas mais 1%) a fuga de BE’s.

    Quem são os loucos que continuam a achar que PC+BE soma?

    • Renato Teixeira diz:

      Não tão loucos como os que acham que vão conseguir ir a algum lado sozinhos.

    • Rocha diz:

      Já os que preferem que BE se junte ao PS como foi feito com o Alegre (candidato do Sócrates, do FMI e da Troika) não são nada loucos, querem é tacho!

      E que bem que estão a correr as sondagens pós-alegristas. Muitos votantes estão a pensar assim, ora bem entre a cópia e o original prefiro o original – BE e PS, ambos apoiaram o Alegre, mas o Alegre apoia o PS que é mais responsável com o FMI – toca a votar no alegrista mais grande, o Sócrates. Quem lucra com o taticismo xico-esperto, saloio e social-democrata é o PS, mas os reformistas não percebem nem querem perceber.

      Pois claro, apoiar o Alegre não dá votos mas dá tacho.

      • Rui F diz:

        Sondagens à boca da urna no dia das presidenciais davam o BE com 10% e assim se mantiveram até ao dia da moção

        • Renato Teixeira diz:

          Claro. O problema não foi apoiar o candidato do PS, foi criticar o seu governo. Estamos no bom caminho para continuar a não perceber nada do eleitorado do BE caro Rui F.

    • Antónimo diz:

      Você, como sempre, aliás, continua com o seu grave problema com a interpretação dos números. Como previsível pelo discurso, lá acabou por se bandear da esquerda para outro lado qualquer. No outro dia duvidava do fluxo de votos entre partidos à esquerda sugerido, salvo erro, pelo Renato ou pelo Tiago Mota Saraiva.

      Tem nos números que aqui cita a prova de que eles tinham razão, como se se lhe disse na altura e você recusou. Mas, perante a evidência de que o BE vota para o PS e outras bandas, espanta-se, por estar erradamente convencido (e por a ter defendido nestas caixas de comentários durante muito tempo) que a luta se faz na comunicação hermética entre CDU e BE. A subida de qualquer dos movimentos à custa do outro não leva a lado nenhum.

  5. JMJ diz:

    Renato, aproveitava para corrigir, logo na primeira linha:

    onde se diz:
    “Se o BE tem expressado o seu repúdio à troika do FMI e esclareceu que era contra a intervenção militar da NATO na Líbia (…)”

    Devia constar:
    “Se o BE tem expressado o seu repúdio à troika do FMI em Portugal, mesmo se apoiou e votou a favor da intervenção desta na Grécia, e esclareceu que era contra a intervenção militar da NATO na Líbia (…)”

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