VII CONVENÇÃO DO BE (III): Reforçar os movimentos sociais? Com que organização? Com que formas de luta? Com que política?

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11 respostas a VII CONVENÇÃO DO BE (III): Reforçar os movimentos sociais? Com que organização? Com que formas de luta? Com que política?

  1. Youri Paiva diz:

    No caso do Mayday parece-me que têm poucas duvidas. Sabem fazer tudo.

    • Renato Teixeira diz:

      Li o teu desabafo e o da Diana, que devem ter uma leitura melhor do esvaziamento do MayDay. De fora desse movimento, que sempre me pareceu demasiado longe em Portugal do projecto que o baptiza, estava desde cedo exposto à real-politik do aparato profissional. É no entanto dos erros que se aprende a fazer melhor. Pelo menos deveria ser assim. Vimos também o resultado no movimento contra a NATO e na sua intervenção na PAGAN, de resto alvo de críticas no interior do partido. Veremos o resultado da sua política no processo da Geração à Rasca, e esperemos que boa parte do activismo activo (passe a redundância) do BE não se resigne ao que lhe oferece o aparato e a tacticismos pouco favoráveis ao desenvolvimento dos diferentes movimentos de base que vão aparecendo.

      • Youri Paiva diz:

        Sim, eu nem analisei nada. Só queria era que se pensasse nisso. Acho um bocado estranho o que continua a vir para fora é que foi tudo vitorioso: 1000 pessoas.

        Eu estive na organização do Mayday em 2009 (não até ao fim) e não me surpreende particularmente o seu esvaziamento, têm perdido apoios de fora – de grupos organizados, como o GAIA, por exemplo; e de várias pessoas sem cartão.

        Não sei bem o que pode ser diferente, e espero que dentro das estruturas (na convenção, nas reuniões de balanço, nos sindicatos, etc) façam a sua reflexão. Mas continuar assim, sem resposta, parece-me perigoso.

  2. Rocha diz:

    Pois eu acho que as dúvidas são pertinentes, especialmente em relação à geração à rasca, que é também resultado e mérito do trabalho dos movimentos de precários anteriores, mas que adquiriu uma importância estratégica que seria trágico desperdiçar.

    Se o dia 12 de Março tiver marcado apenas Portugal no dia 12 de Março e se isso não for o começo de uma luta mais poderosa dos precários muito mal estaremos.

  3. Rocha diz:

    Epá lembrei-me, o PCP de Lisboa continua a insistir nas manifs contra o FMI. E faz o PCP muito bem.

    5 Maio – 18h00 – Acção de Protesto “FMI fora de aqui!”
    http://www.dorl.pcp.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=4457&Itemid=62

  4. Diana Dionísio diz:

    O Mayday em Portugal foi desde o primeiro ano levado avante por militantes do Bloco de Esquerda, não nos iludamos.
    Nos primeiros anos ainda pessoas de outros círculos tentaram participar, o que, a meu ver, só seria bom: alargaria a coisa, poria mais gente nas ruas, mais ideias diferentes e com maneiras diferentes de fazer as coisas, não afastaria as pessoas que se eriçam assim que se fala de partidos (e que só saem para o 12 de Março, porque o que mais se repetia é que era apartidário)…
    Mas as pessoas do Bloco que fazem o Mayday não querem cá muitas confusões – para quê ter pessoas com ideias completamente diferentes das nossas, que querem fazer acções de rua diferentes, que querem fazer a divulgação de maneiras a que não estamos habituados, que nos vão obrigar a ter discussões intermináveis nas assembleias, etc? Nós já sabemos como fazer tudo e garantimos o número suficiente de pessoas para levar as 300 pancartas que pintámos. E assim não há chatices.
    As pessoas que organizam o Mayday têm medo de que as coisas lhes saiam das mãos e que algum acontecimento causado por alguém de fora da organização lhes dê má imagem. E porquê? Porque depois de fazerem o Mayday querem reclamar essa obra como sua (como se prova com este vídeo feito pelo Esquerda.net). – Parece-me que isso é uma diferença em relação ao que acontece com os outros Maydays dos vídeos que o Renato postou.
    Por isso, entretanto, já conseguiram afastar quem pensava de outras formas e vinha de outros meios – o que, como sabe qualquer pessoa que faça coisas nalguma organização, não é difícil.
    Agora estão sozinhos, quer dizer, só com pessoas do Bloco, só com pessoas da organização do Mayday. De fora, quase ninguém.
    Eu vi o Mayday a chegar ao Martim Moniz e não eram “mais de 1000” como se diz no blog do PI. Eram para aí 300. Se calhar foram-se perdendo pelo caminho, do Camões até lá, não sei.
    Pode-se achar que o mundo está mau e as pessoas andam despolitizadas e só enchem coisas vagas tipo 12 de Março. Mas a verdade é que a manif da Greve Geral de 24 de Novembro que partiu do Largo Camões, por exemplo, era para aí o quádruplo do Mayday deste ano. E aí quem saiu à rua sabia muito bem o que lá estava a fazer. Acho eu.
    Quanto às pessoas do Mayday irem reflectir sobre isso e mudar alguma coisa na forma como fazem as coisas… eu pelo menos não vou esperar mais por isso.

    • Renato Teixeira diz:

      Fica muito pouco por dizer. Como dizes, o caminho é mais o que aconteceu na manif da greve geral, e, mesmo correndo riscos, no dia 12 de Março. Os militantes do BE fazem falta mas é bom que não se cheguem a si próprios. Seria, seguramente, muito menos do que aquilo que precisamos.

  5. Alves diz:

    Na verdade, com as eleições legislativas mesmo aí à porta, se os resultados do BE forem tão maus como se anunciam nas sondagens, a maioria dos funcionários do May Day estão agora de facto em situação bastante precária.

  6. closer diz:

    Não conheço a organização do Mayday, mas a tradição de actividade dos militantes do BE nas diversas organizações unitárias é muito diferente daquela que é aqui apresentada. Desde associações de estudantes, a comissões de trabalhadores, listas para sindicatos, ou movimentos pela despenalização do aborto, os exemplos práticos desmentem-vos. O BE não pretende controlar os movimentos sociais e muito menos, esvaziá-los, o que aliás seria estúpido do ponto de vista da eficácia política. Costumam ser outros que têm essa tradição, essa teoria e essa prática. Mas sobre esses só oiço o silêncio. Porque será? Coexistência pacífica no blogue? Têm medo do papão?

    • Renato Teixeira diz:

      Eficácia política, no caso do BE, mede-se em número de deputados. Nos diferentes trabalhos que cita haverá este ou aquele funcionário bem intencionado, por certo, mas não isso não basta para como diz a Diana ficar com medo de tudo e de todos, e especialmente de perder o poder de definir o caminho de determinado movimento. O desaparecimento nas mobilizações contra a Líbia e contra o FMI, as trocas e baldrocas no movimento contra a guerra, o medo do medo no MayDay ou nos Sindicatos, tem dado ao BE mais erros políticos do que qualquer outra força à esquerda. Eu sei que lhe custa acreditar mas por aqui a malta diz mesmo o que pensa sobre todos os assuntos. Devia desacostumar-se.

    • Diana Dionísio diz:

      closer, que o PCP faz isso há muitos anos eu também sei. E também serei a primeira a criticá-lo.
      Se calhar houve uma altura em que eu não esperava isso do BE, que lá tem pessoas que muito costumavam dizer mal dessas formas de fazer as coisas. Mas…

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