Retiro tudo o que já disse sobre a banalidade do Pedro Correia. Agora que o Rafael o ganhou para a revolução, é a mim que cabe a auto-crítica.

Esta posta, afinal, é de uma gritante injustiça. Pedro Correia, ao contrário do que eu imaginava, também desconfia quando todos pensam o mesmo. Interpelado pelo Rafael, que com uma paciência de jó lá foi ao delito responder pela sua opinião (de resto uma das mais assertivas de todas as que foram escritas sobre o assunto), acabou por ganhar um camarada para a extrema-esquerda!?! Ora vejam:

Diz o Pedro Correia, coberto de razão, que na hora do mata-mata é atirar ou morrer, sendo que há organizações, exércitos e democráticas quadrilhas militares com quem não devemos estar para brincadeiras: “Tratando-se de quem se tratava, era de supor que não se entregaria sem luta”. Afirma como quem insufla uma conquista ou uma briga de escola.  “O que fazer?”, responde como Lenine manda.  “Deixar tal figura mais dez anos à solta, bafejada pelas evidentes cumplicidades com as forças armadas paquistanesas?” interroga-se. “Deixá-la matar mais uns milhares” questiona com a bravura do profeta armado. “Ser cúmplice de novos crimes por inacção?” exorta com a pragmática de um anarquista mais intempestivo.
Arrebatado, continuo a leitura no seu momento de exortação estalinista: “Há limites para a tolerância perante esse crime hediondo que é o terrorismo: até por motivos ideológicos, esperaria de vocês um repúdio total e sem ambiguidades deste crime, tenha o pretexto político que tiver”.

Como é bom de ler, pelo menos do que me diz respeito, saúdo cada vírgula do que é dito, mas receio que a têmpera do Pedro Correia o leve a ter um desvio oportunista rumo ao terrorismo islâmico e passe de seguida à acção instigando tutti quanti a perseguir na lista dos piores terroristas do planeta, fazendo justiça pelas próprias mãos. Já o estou a ver às portas de Israel, braço dado com a resistência palestiniana, de anti-aérea em braços a combater ombro-a-ombro com Kadhafi contra a invasão imperialista da Líbia, braço-a-braço com as FARC a libertar a Colombia ou simplesmente a convencer o Jacinto a ir “partir umas montras” à sede dos tories. Pelo que disse, a Cabul, a Bagdad e a Gaza vai de certeza acabar com outros tantos crimes hediondos.

Mas Pedro Correia, qual jovem esquerdista de sangue na guelra, não se fica por aqui e desata a denunciar os cúmplices da ordem mundial e dos interesses norte-americanos: “Não por acaso, o Conselho de Segurança da ONU – órgão máximo da jurisdição política internacional – elogiou por unanimidade a operação norte-americana”,  atira contra a Sociedade das Nações. Nem a esquerda escapa e muito menos o revisionismo do PCP “Octávio Teixeira, emitiu ontem na SIC: «Congratulo-me com esse facto [morte de Bin Laden]. Bin Laden foi o inspirador dos atentados mais mortíferos contra populações indefesas”, ou sequer poupa a social democracia: “do BE João Semedo na RTP: «Ter desaparecido um símbolo [do terrorismo] é seguramente um passo no enfraquecimento dos meios e das organizações que se dedicam ao terrorismo.” Infâmia grita a plateia do delito e eu opino com ela.

Terá sido o Pedro Correia a assassinar Sarkozy e a enviar o seu corpo ao mar? A que agência de informação faço chegar esta imagem para novo êxtase obscurantista? É preciso guião ou têm quem escreva? Roubado ao FB de Sainte Quenelle

Espero que a notícia que acabou de chegar sobre o assassinato do Sarkozy não tenha tido nada a ver com esta captação do Rafael. Ele deveria saber que com o seu nível de persuasão deveria começar por ter dado a ler ao Pedro Correia o ensaio que o iria prevenir do esquerdismo precoce e de outras maleitas infantis.

Está vista a dimensão do retrocesso a que estamos a assistir. O simples questionamento de um “facto mediático” tem a ameaçar o seu pescoço o cutelo do pensamento único. Entender que um determinado Estado pode conduzir o mundo para a guerra infinita e para o assassinato selectivo, arbitrário e fora da lei, e não merece por isso o mínimo de questionamento, é na cabeça do Pedro Correia apenas compreensível pelos que sejam defensores do projecto e dos actos que Bin Laden terá cometido. O problema da ausência do julgamento que os EUA não quis é precisamente o facto de terem homenageado Bin Laden com a eterna absolvição e com a tão democrática presunção de inocência.

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4 respostas a Retiro tudo o que já disse sobre a banalidade do Pedro Correia. Agora que o Rafael o ganhou para a revolução, é a mim que cabe a auto-crítica.

  1. MetroidSamus diz:

    Os teus remoques sobre o “leninismo” e “estalinismo” são susceptíveis de desagradar alguns frequentadores deste blogue.

    • Renato Teixeira diz:

      Não se preocupe. No que lhe diz respeito basta saber que vai agradar ao Pedro Correira. Por estas bandas, fica claro pelo que ele escreve, não há ninguém mais leninista, trotskista, estalinista ou até anarquista, que ele. Ainda se vai ouvir falar muito deste homem. Aposto nisso.

  2. xatoo diz:

    de Bush a Obama, balanço de uma década:
    Israel desde o ano 2000 matou 1300 crianças palestinianas
    http://www.librered.net/?p=6958&utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed:+librered+%28LibreRed+Not%C3%ADcias%29

    • Renato Teixeira diz:

      Não diga isso à frente do Pedro Correia. Olhe que o homem nem sequer vai deixar passar o próximo Ramadão.

      Terrorismo de Estado, no caso, terrorismo de Enclave, preocupa pouco os cowboys do império.

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