Robert Fisk explica a morte de Bin Laden, em exclusivo para o i e para o 5dias: “O assassinato de Bin Laden representa o fracasso da estratégia dos EUA e dos seus aliados”

“A vida do Bin Laden já era irrelevante quando falámos este Verão. Os EUA deveriam ter optado pela captura”, disparou Robert Fisk, em entrevista telefónica, na manhã em que o mundo acordou com a notícia do seu assassinato. Quando em Julho do ano passado o entrevistei para o i, o histórico correspondente do “Independent” já vaticinava a morte do projecto político da Al-Qaeda e dizia que, independentemente do que viesse a acontecer a Bin Laden, ele já tinha conseguido os seus objectivos: “Ele é um líder simbólico da Al-Qaeda, não cumpre qualquer papel na organização.”

Para Robert Fisk o que se está a passar no Afeganistão é um levantamento popular contra as tropas da coligação internacional liderada pelos EUA sem qualquer relação com o saudita. Fisk, o último ocidental a entrevistar aquele que foi o principal inimigo dos EUA na última década, não tem dúvidas de que o assassinato de Ossama Bin Laden “é um enorme fracasso da autoproclamada guerra contra o terrorismo” e que “os EUA deveriam ter optado pela captura”.

Como reagiu ao assassinato de Bin Laden?
Com indiferença. O seu significado político já era praticamente nulo e a sua ligação aos grupos que se reivindicam da Al-Qaeda é nulo. Não mantinha qualquer relação com o Magrebe, o Norte de África ou mesmo o Médio Oriente.

O que lhe parece que o assassinato do Bin Laden pode representar dez anos depois do início de uma guerra que foi justificada com a sua captura?
Em primeiro lugar importa lembrar que o objectivo dos EUA sempre foi a sua captura, a única maneira de garantir que seria julgado em território americano. Ao optarem pelo assassinato, os EUA repetem o desfecho da sua intervenção no Iraque, países cuja realidade são a resposta mais cabal à sua pergunta.

Como assim?
O que se está a passar em qualquer destes países, em especial no Afeganistão, não tem nada a ver com o Bin Laden ou com a Al-Qaeda. Trata-se de um levantamento popular contra as tropas ocidentais no território, resultado directo do fracasso da estratégia para todo o Médio Oriente. O acordar do Médio Oriente para a democracia secular derrota simultaneamente o projecto do Ocidente e dos defensores dos califados islâmicos. Foi isso que matou o Bin Laden, a Al-Qaeda, mas também a política do Bush e do Obama para o Afeganistão. A guerra que os EUA e os seus aliados enfrentam é insurreccional e nada tem a ver com a auto-proclamada guerra contra o terrorismo.

Mas ouvindo as declarações de Bush e de Obama, tal como a generalidade dos líderes mundiais, este assassinato é entendido como o coroar da estratégia que considera ter fracassado.
Naturalmente, eles continuam a não querer admitir. Acabei de ouvir agora o Benjamin Netanyahu afirmar que esta operação “é uma vitória retumbante da justiça” e eu gostaria de lhe perguntar o que seria um fracasso. Já deveriam ter aprendido com o passado e abandonado o triunfalismo. A propaganda de Obama vai fazer deste fracasso uma vitória, como fez com os levantamentos em curso em vários países do Médio Oriente, mas isso não muda a realidade. Os serviços secretos norte-americanos não foram capazes de prevenir os acontecimentos do 11 de Setembro e agora não foram capazes de capturar e julgar aquele que foi o seu responsável. Só seria um sucesso se fossem capazes de o levar à justiça.

O seu assassinato terá efeitos no aumento ou na diminuição do dito terrorismo islâmico?
Acho que nas próximas semanas até pode vir a aumentar, especialmente com bombistas suicidas no Afeganistão e no Paquistão, onde a situação é mais complicada para as tropas ocidentais. Acredito que acções como a que aconteceu esta semana em Marraquexe podem repetir-se, e que até haja quem as venha reivindicar em nome da Al-Qaeda. Agora o sucesso da luta pela democracia secular iniciado pela população da Tunísia e do Egipto é a chave para que essa via venha a perder terreno e base de apoio que a alimente.

Qual a memória que guarda das horas que passou a entrevistá-lo?
Várias, claro. Foram entrevistas importantes e vividas com grande intensidade. Por agora recordo as últimas palavras que ele me dirigiu: “Rezo a Deus para um dia vencer os EUA” e a forma cordial como me tratou, talvez acreditando que seria capaz de me recrutar.

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48 Responses to Robert Fisk explica a morte de Bin Laden, em exclusivo para o i e para o 5dias: “O assassinato de Bin Laden representa o fracasso da estratégia dos EUA e dos seus aliados”

  1. Raquel Varela diz:

    Bom jornalismo. Juntando ao post do Rafael Fortes, o 5 Dias começa a ser indispensável para saber o que se pensa mas sobretudo o que se passa.
    Saudações
    Raquel

    • Renato Teixeira diz:

      😉

      • 20ver diz:

        Tenho muitas duvidas sobre este acontecimento ???
        1. Porque matar um homem desarmado?
        2. Porque não publicar as fotos ?
        3. Porque o desaparecimento do corpo de imediato, jogado no mar?

        Penso que:
        1. O julgamento em terreno americano seria uma prova de força e maturidade politica.
        2. Os nazistas foram julgados e condenados publicamente para exemplo das gerações futuras.
        3. Os crimes de Osama foram tão graves que justificavam tambem um julgamento público, para mostrar ao mundo e as gerações futuras, todas as suas atrocidades.

        Aguardo pelos proximos acontecimentos, esperando que não haja um agravamento das atividades terroristas.

  2. maradona diz:

    eh pá, está bem, não será uma vitória, mas também não é um fracasso. é uma cena mais ou menos, como a falha da vidigueira ou a serra da adiça. pelo menos uma mensagem que lhes interessa passou eficientemente: quem faz mal aos eua é perseguido até ser morto, mesmo dez anos depois, quando já não interessa a ninguém e se está escondido num país amigo que lhes é hostil. a demonstração de capacidade para uma persistencia simbólica que vai muito para além do que é razoável e inteligente (algo que a europa nunca seria capaz) serve – como demonstro no corpo teórico das minhas obras completas – , num certo sentido específico, os intresses e propósitos imperialistas dos eua (que, olhando para as alternativas, de um modo geral alternativas não me desagradam). neste sentido, há uma pergunta obvia que não me parece ter sido feita (pelo excerto aqui colocado, não li a cena do jornal i, eu sou leio jornais estrangeiros): até que ponto é que a actual “irrelevancia do projecto político” da alqaeda não foi obra da resposta que os eua lhe deu a partir do 11 de setembro?

    PS: vocês não acham um bocado de mau gosto falarem bem de vocês próprios? quer dizer: esta tipa, a raquel fortes, que pertence ao 5 dias, a dizer que o 5 dias será essencial a não sei o quê?! por deus, vi programas do luis pereira de sousa em que se faziam auto-elogios menos bacocos.

    • Renato Teixeira diz:

      Também há benfiquistas a dizer que este ano não perderam tudo, ou que ganharam mais ou menos. Até belenenses, imagine. Perceba, a mensagem que passa, de que mesmo ao fim de dez anos a cabeça rola, é pouco eficaz se antes disso passar a mensagem que estes já sem caçadas sabem fazer.

      Quanto ao ter sido a estratégia bushista a matar tornar irrelevante o terrorismo tenha dó. Não teve ele outro pai. As apostas em figuras e regimes como o de Mubarak ao Rei de Marrocos, passando pela Jordânia, Iemene, Bahreih e, pasme-se, do Kadhafi, tem sido sempre um fiasco.

      • Renato Teixeira diz:

        PS: Quanto ao auto-elogio é a “nossa” falta dos seus mimos. Vá, ide lá para a sua causa fazer propaganda nossa que aquilo anda uma chatice.

      • maradona diz:

        eu não disse tornar irrelevante o terrorismo, disse a alqaeda, a espelhar rigorosamente o que o fisk disse (“O seu significado político já era praticamente nulo e a sua ligação aos grupos que se reivindicam da Al-Qaeda é nulo.”). o terrorismo estará eternamente de boa saúde, não nos devemos preocupar com esse aspecto. o máximo que se poderá fazer será evitar a sua importação para o interior das fronteiras do ocidente, nomeadamente exportando a guerra para a sua origem, e nisso os eua não podem ser, pelo menos por enquanto, acusados de não ter tio algum sucesso: a alqaeda, enquanto projecto de combater a américa e a europa na américa e na europa, não prosperou. e seria tão fácil faze-lo.

  3. maradona diz:

    foda-se, sou mais chato que o miguel serras pereira! vai de retro!

  4. Miriamni diz:

    “O seu significado político já era praticamente NULO e a sua ligação aos grupos que se reivindicam da Al-Qaeda é nulo. Não mantinha qualquer relação com o Magrebe, o Norte de África ou mesmo o Médio Oriente.”

    “NULO.” Que perspicácia política!! Renatito, do Maghreb, onde a AQMI exerce o seu reinado de terror (do Mali à Argélia etc), à Indonésia, onde a Jemaat Islamyia continua a fazer das suas, a importância política do Bin Laden era IMENSA. O sr que fundou o GSPC Argelino (que depois dá origem à AQMI) JUROU FIDELIDADE a Bin Laden. Todos os líderes das sucursais da AQ fizeram o mesmo.

    • Renato Teixeira diz:

      Miriamni, apaguei as duas frases em que se dedica ao insulto, e aprovei o resto por me parecer haver algum esforço para o debate. Bin Laden, vivo ou morto, já não tinha nenhuma importância orgânica em qualquer organização. O Fisk não coloca em causa a sua importância simbólica, mas sim a sua capacidade e relevância política. De outra maneira, explique lá porque é que na sequência da sua captura os EUA e seus fiéis seguidores não bateram em retirada? Porque não está cumprida a missão?

  5. José diz:

    A análise dos posts e dos comentários aqui no 5dias sobre a morte do Bin Laden daria uma tese de mestrado em mais do que uma área de conhecimento.

  6. Miriamni diz:

    Eu não tenho por hábito esforçar-me para debater com pessoas que apoiam terroristas mas respondo-lhe desta vez:

    Desde quando é que é “simbólico” não é políticamente relevante?

    A relevância política de BLaden era e é imensa. Era relevante porque todos os líderes das sucursais AQ (no maghreb, no Iemen, na Peninsula Arábica, na Indonésia etc etc) eram seus subditos. Como pode dizer-se que ele não cunpria qualquer papel na organização AQ quando é sabido (dito pelos próprios lideres das filiais em comunicados) que era ele que aprovava a associação destes grupos à AQ???? Era ele que fomentava e autorizava a pertença à organização terrorista AQ. A “importância orgânica” de BL não era meramente simbólica. Se assim fosse, não teria necessidade do (s) “correio”(s) que lhe visitavam assiduamente. Além disso, todas as mensagens políticas da AQ e suas sucursais emanavam do próprio BL e de Zawahiri. Poderia continuar a ilustrar a importância estratégica e política de BL mas acho que já basta.

    A captura do dito em Abbotabad demonstra o que muitos suspeitavam: que ele era protegido e apoiado pelo ISI ou por alguns dos seus membros. O apoio do ISE à AQ era e é um aspecto fundamental (talvez o mais importante) da “orgânica.” Foi assim desde a fundação da AQ. A captura de BL confirmou as suspeitas de muitos especialistas que repetidamente acusaram o Paquistão de cumplicidade ou envolvimento nas actividades da AQ. O apoio do ISI à AQ era e é um dos aspectos orgânicos mais importantes. Quer que eu continue??? Ele não cumpria qualquer papel na organização mas vivia a 100 metros dos serviços secretos que sempre lhe apoiaram!?!!??? Já percebeu porque é que Vos insultei??? (fisk e renato) É preciso muita …hmmm…miopia… para não se perceber isto!

    A saída dos EUA/Aliados do Afeganistão já foi anunciada. Será iniciada em Julho de 2012 (- 5000 soldados) mas já há muitos que defendem uma saída antecipada e uma alteração fundamental da estratégia militar dos EUA. (o que seria salutar)

    A missão não acaba enquanto aquela região for uma incubadora de ameaças (globais) de segurança (Mumbai, etc).

    O que os srs pretendem é fácil de discernir: minimizar a importância política, militar e estratégica do feito histórico dos SEALS. Ainda falta apanhar ou eleminar muitos dos seus idolos. O Zawahiri será o próximo.

    O Fisk diz que BL era politicamente irrelevante mas não explica porquê. Fica-se pela asserção. Ora, a mera asserção é o modo de “argumentação” que caracteriza os imbecis. É na explicação das razões que podemos decidir se uma interpretação é válida ou não. O Sr Fisk apenas afirma. Não explica. Eu expliquei. Percebe as diferenças?

    Já chega para si, por hoje.

    • Renato Teixeira diz:

      Tenha cuidado que com tanto pavor ao terrorismo devia equacionar o seu apoio à política dos EUA.

      Não há nenhuma incongruência. Bin Laden, a ter sido o responsável pelo 11 de Setembro, podia ter morrido dentro de qualquer um dos aviões. Estava criada a marca Al-Qaeda, com enormes responsabilidades dos EUA na criação da besta.

      O resto é conversa para boi dormir. Sinceramente. Vão retirar do Afeganistão como desmantelaram Guantánamo? Tenha paciência que para si já chegam as trompas do regime que se repetem há dois dias sem respostas nem provas concretas para dar crédito ao disparate em que se está a tornar este golpe publicitário da recandidatura do Obama.

    • Leo diz:

      “A saída dos EUA/Aliados do Afeganistão já foi anunciada. Será iniciada em Julho de 2012 (- 5000 soldados) mas já há muitos que defendem uma saída antecipada e uma alteração fundamental da estratégia militar dos EUA.”

      A Administração Bush disse claramente a todo o mundo que a “war on terror” nunca terminaria e a Administração Obama não alterou essa mensagem.

      Ocupações e guerras eternas significam um fluxo de rendimentos eternos para o Complexo Militar Industrial e para o Complexo dos Media, cortesia dos contribuintes norte-americanos.

    • miriam diz:

      por isso é q os eua,safaram o luis posada carilles,n’é,dona?São os nossos queridos terroristas.Já agora o q pensa do apoio aos alqaeda da Libia?….Desde q seja para aliviar as clausulas leoninass por parte da Libia do kadaffi às majors,vale tudo!

  7. xatoo diz:

    o conhecimento é transversal a todas as disciplinas; quem pensa que se deve especializar apenas numa qualquer anda a estudar para ignorante. Deve ser por isso que o José se formou em Teologia e se preocupa tanto em morder quem passa

  8. xatoo diz:

    uau
    1. temos aqui uma agente de serviço que destaca o atentado de Mumbai e ameaça apanhar ou “eleminar” muçulmanos ” o Zawahiri será o próximo” diz a criatura.
    É obviamente (Miriam) é um agente invertido: a secreta do Paquistão sempre colaborou com a CIA e a criatura diz que é com a “al-Qaeda”.
    2. O Fisk não merece crédito algum (leia-se aquele tijolo da “Guerra pela Civilização” na senda do Lewis e do Huntington e fica-se logo a perceber quem é quem), o Fisk é apenas um intermediário entre o actor simbólico “bin-Laden” e os que lhe encomendaram as reportagens “descomprometidas e isentas”
    3. Por sua vez o atentado em Mumbai partiu do trabalho de sapa da comunidade judaica e foram os grupos especiais de Israel que foram lá “salvar a situação”. No final desta acção espectacular (na transição para a afirmação politica de Bush p/ Obama 2008) prenderam um único desgraçado que acusaram de culpado e de ser paquistanês, quando nas fotos publicadas na época uma pulseira étnica denunciava claramente que o homem era um indiano dissidente de esquerda que faz parte de um partido que luta contra o sub-capitalismo indiano

    • José diz:

      Os comentários deste post estão cada vez melhores na escala do humor:”Por sua vez o atentado em Mumbai partiu do trabalho de sapa da comunidade judaica e foram os grupos especiais de Israel que foram lá “salvar a situação”.”
      Já cá faltava a Mossad para justificar todos os atentados dos últimos anos. Agora até em Bombaim.
      Este xatoo é impagável na sua paranóia anti-semita.

      • Renato Teixeira diz:

        Pelo menos, no meio de tanto riso, já percebeu que os EUA agiram como um selvagens medievais. Pergunto-me as razões que justificaram tal assassinato, com evidentes condições de detenção e posterior interrogatório e julgamento. Nuremberga não foi perfeito, mas já não seria mau.

  9. Miramni diz:

    Ó ó, que menino engraçado:

    Há pouco o simbólico não tinha importância.
    Agora o Renato fala da “MARCA” AQ.

    Provas??? Tenha paciência, meu caro. Tudo isto tem uma sequência. 🙂

    Xatoo,
    O conhecimento que é transversal a TODAS as disciplinas tem um nome conhecido por todos: CHARLATANISMO. Além disso, acreditar que se pode saber de tudo um pouco é a mais antiga crença dos megalómanos. Imagino que toque Mozart de manhã, leia Baudelaira à tarde e dedique-se ao estudo da metafisica aplicada a partir das 00:00hrs.

  10. Miramni diz:

    A CIA apoiou a AQ de BL. Não a criou. São coisas distintas. Já havia sido criada quando foi apoiada. Aprendam a ser honestos. Dignifiquem o estudo da história. Leiam Ahmed Rashid.

    • miriam diz:

      Poi não!E a familia Bin Laden nunca teve nada a ver com a de Bush,e o Pai Natal aparece em dezembro e os eua não são os piores terroristas no mundo

  11. José diz:

    Renato, na televisão, mas também na imprensa escrita, ainda há demasiada espuma a cobrir os factos, bem sei.
    As reacções que por aqui tenho lido, vão da consternação à incredulidade, passando pelo despeito, pela raiva, e mais alguns estados de alma não agradáveis.
    Já nem falo nos “lunáticos” adoradores dos deuses das teorias da conspiração, como o enternecedores xatoo e Diogo, porque esses devem ser levados em linha de consideração pelo que efectivamente são.
    Agora, outros há que, mesmo não concordando com muito do que defendem, nem por isso deixo de respeitar as suas posições, estruturadas num sistema de valores com que divirjo mas que respeito. E é desses que falo, pela surpresa que provocam com os seus posts e comentários.
    São bem melhores do que isso.
    E, já agora, a minha opinião: o Osama, para além do guerreiro, do milionário, do crente, do terrorista, e tutti quanti figuras em que ele se desdobrava, conforme dava jeito ao analista, foi sempre O símbolo do renascimento do Islão, enquanto força política e cultural diversa do Ocidente e confrontacional a este.
    Mártir, dá muito mais jeito aos radicais do que detido, julgado e exibido na sua humilhação.
    Morto, dá muito mais jeito aos norte-americanos, que deixam de temer as esperadas vagas de tomadas de reféns para trocar com o bin Laden.
    A morte violenta de alguém, seja de quem for, é sempre uma lástima, e a do bin Laden não é excepção para mim. Não acredito na pena de morte, mesmo para terrorismo.
    Não celebrei a morte do bin Laden e tenho pena que não tenha sido apanhado vivo, nem que mais não fosse, para que pudesse ser estudado melhor todo um período crítico do nosso século.

  12. Justiniano diz:

    Caro Renato, gostei mais da anterior entrevista!! A esta falta-lhe qualquer coisa que desagrade ao entrevistador, mesmo que pareça agradar, ou qualquer coisa que desagrade ao entrevistado!! É a minha opinião, que já sabes é também sempre muito parcial!! Um bom trabalho para ti!

    • Renato Teixeira diz:

      Em abono da verdade esta não foi uma entrevista, mas uma curta conversa telefónica em que se tenta saber a opinião do Fisk sobre um dado assunto. Não me parece que se justifique o habitual tom mais desafiador das entrevistas de fundo, como julgo ter sido o caso aquela que gostou.

  13. José diz:

    Bolas! Como é que o xatoo adivinhou que eu era padre!?

  14. José diz:

    Tenho muitas dúvidas de que o bin Laden tivesse actualmente um papel importante na organização da Al Qaeda, seja ela qual for, como diz Miriamn.
    No entanto, a relevância da captura e morte do símbolo não deve ser minimizada, também pelas mensagens que transmite.
    Quem julga que o terrorismo islâmico deixa de existir, orfão do seu símbolo máximo, está, julgo, muito enganado e infelizmente.
    Ainda vamos continuar a não vooar com shampoo na bagagem de mão e a mostrar as meias no aeroporto durante muito tempo.

  15. Miramni diz:

    José

    It takes one to know one.

    Todos os comunistas são padres.

  16. José diz:

    lolol
    Agora Miramni “adivinhou” que eu sou comunista! Está bem para se juntar ao xatoo e ao Diogo!…

  17. Miramni diz:

    Querem que Vos explique porquê?

    [Não, obrigado. Pode largar o fel noutro lado. Aqui, daquela maneira, não. RT]

  18. Miramni diz:

    Xatoo,

    Eu disse que Zawahiri será o próximo. Faz sentido. Do Number 1 para o Number 2 e assim consecutivamente. LOL
    Não disse que os EUA pretendem eliminar Muçulmanos.

    Tudo isto foi uma conspiração Judaica, Xatoo. É evidente.

    • Leo diz:

      “Eu disse que Zawahiri será o próximo. Faz sentido. (…) Não disse que os EUA pretendem eliminar Muçulmanos.”

      Esta “morte” conseguiu coisas maravilhosas para Obama & friends:

      1.dá uma boa ajuda para as suas perspectivas eleitorais;

      2.Bradley Manning, a economia, tortura e Guantanamo sai tudo da paisagem política: quem liga a isso quando Obama é o homem e os USA são o número 1?;

      3. dá mais força ao combate a ataques terrorista no próprio território norte-americano e a acabar com aquelas “leis esquisitas” de uma vez por todas;

      4.e é lucrativa, muito lucrativa. Até pode dar pretexto aos USA para atacarem o Paquistão. Quando dizem que o assassinato de OBL não tem a intenção de acabar qualquer guerra é porque têm a intenção de escalá-las. Mesmo a tortura está a ter uma outra ressurreição. O que é bom para esta Administração porque está em força no negócio da tortura. E não mostra isso como são fabulosos os drones e os ataques “cirúrgicos” dos USA? Yes, eles precisam de mais e não de menos drones e ataques. Uma grande vitória para esta Administração e uma grande derrota para o Estado de direito e para a justiça em todo o lado.

      É escandaloso o nível de crueldade em que esta Administração norte-americana se engaja. E é de estarrecer que toda a comunicação social Ocidental mame tudo o que esta Administração debita.

  19. mesquita alves diz:

    Ora bem.
    Até haver provas claras em contrário, há 3 possíveis realidades.
    O Bin foi, de facto, morto ontem.
    O Bin já estáva morto há algum tempo, mas sem qualquer filme de acção.Daí a cena patrocinada pela WB.
    O Bin foi capturado vivo, mas como a ” pressão” que o espera, é maior do que a que Jesus tem para o jogo de 5ª feira, foi melhor “matá-lo na conservatória” mas não de facto.

  20. José diz:

    Se o Vos majestático de Mariamni é para mim, força, explique lá tudo o que tem para explicar, que nada lhe fique na garganta!

  21. Leo diz:

    Obviamente os USA não vão sair voluntariamente do Afeganistão.

    O seu objectivo de assegurar a rota dos pipelines ainda não foi alcançado.

    Mais ainda, a guerra continua bastante lucrativa para o Complexo Militar Industrial, para o Complexo dos Media e para os traficantes de droga da CIA.

    A guerra nunca teve a ver com OBL, mesmo apesar dele fazerem o pretexto original.

    Ler os títulos dos media norte-americanos de hoje dá pistas. Estão agora a culpar o Paquistão por ter dado guarida a OBL e nada espanta que isto venha a ser um pretexto para expandir oficialmente a guerra ao Paquistão.

    O Paquistão é a chave para cercar e secar a China dos recursos naturais que obtém do Irão via a super-auto-estrada que construiu e pagou.

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  23. Armando Cerqueira diz:

    Não apoio nem nunca apoiei acções contra civis ou bens de civis.
    Esclarecido este ponto ponho-vos a questão, que me parece nuclear, que, julgo, ninguém nestes comentários se pôs: por que é que a A.Q. (ou Bin Laden) passou a ‘hostilizar’ os Norte-Americanos e os Europeus, a nossa cultura, os ‘nossos interesses’, a ‘nossa presença’ nos países muçulmanos, ou simplesmente a nossa existência nos nossos países?
    Outra questão, esta já aludida: por que é que tropas tão qualificadas, tão ‘as melhores do mundo’ em vez de capturarem, mesmo ferido, Bin Laden transportando-o para julgamento no TPI, optaram por, ou foram mandadas, matá-lo com um tiro na cabeça?
    Ou se trata de uma bestialidade, ao nível dos terroristas, ou os ‘SEAL’ não são tão óptimos, ou a élite governamental USA cometeu um erro enorme.
    ‘Olho por olho’ não é justiça legítima e, portanto, não legitima quem a pratica. Ou havia o risco de Bin Laden desvendar factos inconvenientes? Não se percebe.
    Por outro lado, as autoridades USA levaram a cabo aquela operação num território estrangeiro com autorização das autoridades desse país? É que em termos de direito internacional, de legitimação da operação, de prestígio e de aceitação do poder/da pesença USA isto é fundamental.
    São questões de bom-senso, metodológicas até, de imparcialidade.

    • Leo diz:

      Precisaram de um comando de elite para assassinar um homem desarmado?!!! Se ele não estava armado, porque é que não o capturaram vivo, então? Quer então isto dizer que Obama decidiu pura e simplesmente executá-lo sem qualquer processo, a sangue-frio! Mais um assassinato por conta do Nobel da paz.

  24. José diz:

    “Precisaram de um comando de elite para assassinar um homem desarmado?!!!”
    Alguém disse que ele estava desarmado?
    O que corre, até agora e verdadeira ou não, é que ele respondeu a tiro.

  25. José diz:

    Pois, é verdade.
    E não faz grande sentido. Mesmo armado, seria sempre possível desarmá-lo e levá-lo vivo, a não ser que se suicidasse.
    Agora desarmado… não o queriam vivo…

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