Martim Moniz

Martim Moniz, 1 de Maio de 2011
Está cá o FMI
e ali o Sarcozy
estão cá os bolsos vazios
as vidas por dois fios
mais do que nunca.
Mas o 1º de Maio
– ainda à rua saio –
tem as cassetes de sempre
os microfones que abafam
as palavras que estafam.
Gentes com mais de cinquenta
umas horas e quarenta
à espera no Martim Moniz.
Pôr os novos na rua
ainda há quem tente
mas este ano o Mayday
é o mais pequeno de sempre.
A pôr em falso as teorias
de que o 12 de Março traria alegrias
para o 25 de Abril e o 1 de Maio
e para a luta de todos os dias.
Vem a chuva a dispersar
e começa-se a andar
não oiço a raiva
como seria de esperar.
Lá ao fundo na Alameda
para além do discurso
para o surdo
nem há banda a tocar
só o hino nacional.
Mas há amigos, é o que vale.
E cantamos outros caminhos.

Martim Moniz, 3 de Maio de 2011
No Martim Moniz
partem o nariz
a pretos em becos
sem ninguém ver.
Não é dentro da esquadra
é ao lado numa entrada
do Centro de Dia do Socorro,
onde as escadas se descem devagar
onde os mais velhos querem descansar.
E eu, que vejo, que faço?
Queixo-me à polícia? Ou passo?
Os polícias que nem milícias
escondidos que nem bandidos
podem dar palmadas
e gritar por nada
a quem nada tem
para revistar.
O preto no beco
levanta as mãos
mas eu não fiz nada
eu não fiz nada
eu não fiz nada.
A chorar.
A polícia de doenças psicológicas
põe em prática as macabras fantasias
usando o mais fraco sem defesa.
A polícia tem muita grandeza.

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3 respostas a Martim Moniz

  1. jose diz:

    Uuuiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii…boa malha!!!

  2. Rocha diz:

    Belo poema e com rima (já não se lêem muitos assim). Também gostei muito daquele humorado texto do seu avô. Parece que o jeito para a escrita se mantém na família.

  3. Leo diz:

    “Pôr os novos na rua
    ainda há quem tente
    mas este ano o Mayday
    é o mais pequeno de sempre.”

    Mas que foi bastante colorido foi. Os chapéus de chuva encarnados até serviram para alguma coisa este ano.

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