Venceu a barbárie

Hoje, no dia em que se anuncia a morte de Osama Bin Laden, venceu a barbárie. Por todo o mundo, exultam os gritos de vingança pela morte de um homem. Os governos mundiais e democráticos -assim se gostam de apelidar- batem palmas a uma Black Op ao velho estilo da CIA de Reagan na América Latina. O corpo (convenientemente lançado ao mar, com a esfarrapada desculpa do respeito pela religião) nem sequer à familia foi entregue. A mansão luxuosa (a acreditar na propaganda oficial) é apregoada aos 7 ventos, talvez para mostrar uma suposta opulência do martir criado.

Sem ter perdido muito tempo com os relatos (tenho sérias duvidas quanto à sua veracidade) afiguram-me algumas questões:

1) Foi morto?

2) A comparação com o ADN da irmã morta foi feito por fonte independente? Foi dada autorização para essa comparação? Com que critério e fundamento legal  foi recolhido e preservado ADN da irmã de Bin Laden? Quem autorizou?

3) Se foi morto, como foi? Um tiro na cabeça? De longe ou de perto? Foi uma execução? Uma bomba que estilhaçou o quarto onde estava? Foi torturado?

4) Se está morto, porque não foi capturado vivo? Poderia fornecer informação importante à luta anti-terrorista, não?

5) Porque foi Bin Laden atirado ao mar? Porque não enterrado? O “respeito” pela sua religião com que foi presenteado Bin Laden é norma aplicável em solo norte-americano a cidadãos que professem o islamismo?

Mas mais que tudo isto, perguntas de circunstância que muitos se fazem e poucos publicam, é na aldeia global transformada em circo romano contemporâneo com o Imperador a anunciar a morte do inimigo e a plateia a grunhir urros de viva à morte de um homem que se percebe a profunda quebra de valores e de sentido que vivemos.

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