Dedicada à comissão para a igualdade de género da CGTP Inter Sindical…

a minha participação no desfile de ontem.

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23 respostas a Dedicada à comissão para a igualdade de género da CGTP Inter Sindical…

  1. João Pais diz:

    O FMI agradece andar a contribuir para distrair as atenções e atacar o movimento sindical. É, de facto, o que mais precisamos nesta altura!

    • Não, João, as prostitutas do Intendente agradecem à CGTP andar a dividir os trabalhadores e a dizer-lhes a elas, que estiveram ontem no desfile do 1º de Maio a gritar contra o FMI, que não são trabalhadoras e não cabem ali.
      Obrigado CGTP amiga!

      • RML diz:

        Mas a CGTP é uma central sindical… Nos sindicatos não cabem os proprietários, comerciantes, camponeses, etc. Ou estamos a falar efectivamente de lenocínio?

        Eu cá não acho mal que estejam contra o FMI, que o FMI vai atacar muitos pequenos burgueses. Mas que o dia do trabalhador seja para trabalhadores, pois…

  2. O movimento sindical que comece por não manifestar inacreditável falta de solidariedade com os mais fracos dos fracos entre os trabalhadores: os e as trabalhadores/as do sexo, que prestam trabalho informal, não reconhecido e sem direitos. Aliás, a CGTP que continue com este tipo de conservadorismo moral e a dizer a parte dos trabalhadores que não são trabalhadores, que sem dúvida o FMI lhe agradecerá também. E já agora: bela tese essa de que perante a grave ingerência do FMI que nos afecta a tod@s, mas não a tod@s por igual, as causas das minorias (que levam com as medidas anti-sociais com muito maior violência que outros grupos sociais) são para esquecer. Olhe que o FMI também lhe agradece por isso, não duvide.

    • Rocha diz:

      O Sérgio está enganado, não ajuda os trabalhadores/as do sexo reivindicar legitimar a prostituição. E aquilo que reivindica de melhores condições de trabalho, prevenção de DST é possível fazer continuando a ser essa actividade a ser ilegal – é uma ilusão achar que seriam melhores se actividade fosse legal.

      E há uma coisa importante em que o João Pais tem razão, quando as prostitutas de facto o fazem “voluntariamente” (eu tenho as maiores reservas a admitir isto em 95% ou + das situações), estão a fazer uma actividade de pequeno comércio do seu corpo, logo não há uma relação de trabalho assalariada (sem patrão/patroa). Nas outras situações (a esmagadora maioria) em que trabalhadores/as do sexo são forçados/as pela miséria, marginalidade, violência, engano, etc a prostituirem-se não se trata de trabalho assalariado, mas de algo totalmente inaceitável: escravatura.

      Acho que a sua solidariedade com as pessoas que vivem nesta situação está mal dirigida, devia-se preocupar mais com as muitas prostitutas que querem sair dessa vida e a miséria da sociedade da exploração capitalista não deixa, com o seu desemprego, precariedade e baixos salários.

      Não vale a pena, sobretudo neste caso diria, lutar pela côdea, o que é preciso é o pão inteiro.

      • rocha, vou explicar-lhe outra vez devagarinho: a prostituição NÃO é ilegal em Portugal. É LEGAL. O que é ilegal é o lenocínio (o chulo ou a rede mafiosa que trafica pessoas para fins de exploração sexual – escravatura, como lhe chamou, e muito bem – mas por isso mesmo importa distinguir as situações). Se a prostituição fosse ilegal, NÃO seria possível fazer prevenção de DST’s de forma séria, como lhe explica qualquer activista da luta contra o VIH-sida. Um dos motivos que dificultou ao longo dos anos 90 a prevenção específica juntos das pessoas homossexuais foi a clandestinidade em que estas pessoas viviam a sua sexualidade, e o mesmo aconteceria se esta actividade voltasse a ser exercida clandestinamente. Não sou EU que estou a reivindicar, são as trabalhadoras do sexo do Intendente, e saberão melhor do que nós o que é melhor para si mesmas. Mas reafirmo – não estou nesta causa por solidariedade, mas porque enquanto ex-prostituto também sei o que teria sido melhor para mim quando tive de optar por ali. Pessoalmente, mais vale prostituir-me na rua que num call center do belmiro. Mas felizmente hoje (enquanto não for despedido, pelo menos) tenho uma alternativa laboral, embora com salário de miséria. O argumento que condiciona a solidariedade com as trabalhadoras do sexo à sua vontade de deixarem a actividade é um argumento moral inaceitável à esquerda, e digno das teses que há 10 anos advogavam que os toxicodependentes só deviam ter apoio em termos de redução de riscos e danos se quisessem deixar a droga. Sabemos bem o resultado dramático que essa política serviu, e as vidas que com ela se perderam. Portanto, querem dignidade, deixem a actividade? Você é que está enganado – a dignidade humana é algo intrínseco às pessoas, não somos nós que a reconhecemos ou outorgamos. Infelizmente, somos nós que muitas vezes, como aqui, a negamos. Neste caso em função do querer ou não, poder-se ou não deixar uma actividade que se considera imoral. Imoral é a exploração do trabalho, e não é mais imoral no caso do trabalho sexual do que no caso de qualquer outra actividade profissional. O seu pão inteiro implicava esperar pelo socialismo para sequer abordar este assunto – nessa não caio, a melhoria das vidas conquista-se agora no dia-a-dia.
        Eu já fui prostituto, por necessidade económica, portanto o meu próprio caso desmente aquilo que afirma sobre quem faz esta actividade voluntariamente. O facto de estar coagido pela situação económica não fez da minha escolha menos escolha – eu podia ter escolhido ir assaltar velhinhas, só que isso seria imoral.

      • e “legitimar” a prostituição? Mas o que tem ela de ilegítimo quando é uma escolha?

        • Rocha diz:

          Não sou especialista em direito, mas o que você está a chamar de legal é o buraco na lei, o laissez faire, o não estar previsto na lei e o facto de não haver criminalização prostituição (algo que estou de acordo obviamente). Mas não é explicitamente legal, actividade reconhecida pela lei, regulada pela lei.

          Agora é você que está a confundir o que é ser legalizado, previsto na lei, do que é ser criminalizado.

          A sua argumentação parece-me confusa. Fiquei sem perceber o que propõe em relação aos trabalhadores/as do sexo que têm patrão/patroa (para si é condenável ou é legalizável). Já que parece estar a dar mais importância à minoria dos/das que fazem essa actividade de forma independente – esses e essas que além de pagar impostos e ter mais visibilidade comercial não estou a ver o que teriam a ganhar com uma eventual legalização.

          • José diz:

            Sérgio, este Rocha, por vezes, parece querer demonstrar que é da família dos Calhaus.
            ” Mas não é explicitamente legal, actividade reconhecida pela lei, regulada pela lei.”
            Este é dos que acha que nada existe se não for regulado pelo Estado. Não é previsto em lei? Então é ilegal!

            “Agora é você que está a confundir o que é ser legalizado, previsto na lei, do que é ser criminalizado.”
            Rocha: ilegal é o que viola a lei, não o que não está previsto na lei.

          • Sejamos claros:

            “Código Penal

            LIVRO II – Parte especial

            TÍTULO I – Dos crimes contra as pessoas

            CAPÍTULO V – Dos crimes contra a liberdade e autodeterminação sexual

            SECÇÃO I – Crimes contra a liberdade sexual

            ———-

            Artigo 169.º – Lenocínio

            1 – Quem, profissionalmente ou com intenção lucrativa, fomentar, favorecer ou facilitar o exercício por outra pessoa de prostituição é punido com pena de prisão de seis meses a cinco anos.
            2 – Se o agente cometer o crime previsto no número anterior:

            a) Por meio de violência ou ameaça grave;
            b) Através de ardil ou manobra fraudulenta;
            c) Com abuso de autoridade resultante de uma relação familiar, de tutela ou curatela, ou de dependência hierárquica, económica ou de trabalho; ou
            d) Aproveitando-se de incapacidade psíquica ou de situação de especial vulnerabilidade da vítima;

            é punido com pena de prisão de um a oito anos.”

            Isto é o que está regulado. A lei portuguesa pode ser “indecisa”, porque não proíbe nem regulamenta a actividade em si, mas o Código Penal de 1982 revogou o Decreto-Lei que proibia a actividade. Há um conceito tão feliz quanto vago chamado espírito da lei, que impede que o jurídico seja matemático, para bem de tod@s. E o espírito desta Lei foi acabar com a proibição.
            A oferta de serviços sexuais já tem gde visibilidade comercial, e há que distinguir entre a publicidade da indústria do sexo e a publicidade de trabalhadores/as do sexo individuais que publicitam porque não se encontram na rua. É outro tipo de visibilidade e debate que aqui se exige, a que combate o estigma e a diminuição de direitos – parte deles laborais – que recaem sobre milhares de pessoas – esmagadoramente mulheres, mas tb homens ou transexuais – que de formas extremamente diversa se relacionam com a oferta de serviços sexuais – permito-me insistir no termo serviços, eu sei que é um termo liberal, mas entremos por um momento na lógica deles. Parte destes milhares de trabalhadores/as são as pessoas que oferecem serviços sexuais (interação sexual directa ou virtual) de forma pontual, acidental ou permanente, seja por conta própria seja via da chamada indústria do sexo (pornografia impressa, audiovisual, internet, serviços telefónicos de valor acrescentado, you name it…). Outra parte destas pessoas são profissionais de actividades profissionais reconhecidas mas clandestinizados na sua relação com a indústria do sexo, ex. operador/a de câmara de um filme porno, o/a realizador/a, o fotógrafo/a da revista Gina que todos os putos liam quando eu tinha 12 anos (eu era mais gay). Nestes casos em que há um patrão, penso que devia haver regulação, não restritiva, mas que garantisse as contribuições do sector para a segurança social e o cumprimento das leis laborais. O estigma facilita a imposição da informalidade do vínculo contratual, tal como facilita a impunidade das situações criminosas de prostituição forçada.
            Quanto às pessoas que recorrem à prostituição de forma pontual, acidental, ou permanente (podendo no futuro continuar/voltar a exercer a actividade, ou não). A diversidade de situações é gigantesca. Só nesse sentido a campanha da Coordenadora de Luta Contra a Sida pode receber uma crítica menor – a prostituta de esquina é um lugar comum que é a realidade de apenas parte da prostituição e da oferta organizada ou unipessoal, directa ou indirecta de… sexo… no entanto seria uma crítica pouco justa para com uma campanha que aborda uma realidade sobre a qual nunca se fez uma campanha. Não estamos a defender um modelo de legalização – Já é legal. Nem sequer defendemos necessariamente uma visão profissionalizante. O que queremos regulamentar é o acesso a direitos tidos como universais, como o direito à reforma, e o combate ao estigma social que recai sobre estas pessoas. Que, no entanto, não são vítimas (embora alvo de formas de violência particulares). Quem vitimiza as pessoas de forma que as infantiliza é quem lhes retira voz própria, julga saber melhor do que elas quais são as suas necessidades básicas que não estão a ser atendidas, logo, não entende aquelas pessoas como pessoas inteiras.

  3. João Pais diz:

    Eu não estou contras as prostitutas do Intendente, mas sim contra si! O que faz ao vir para a “praça pública” discutir as políticas da CGTP é que está errado e em vez de ajudar à luta, ajuda à divisão! Não gosta das políticas/posições da CGTP? Vá discuti-las no seu sindicato (se é que é sindicalizado de todo…)! Não fica contente com a decisão tomada, vá almoçar com a UGT, que lá é que estão de certeza os que podem travar o que aí vem!
    Ah, e já agora, dispenso bem a aura de “paladino das minorias”… pode convencer muita gente, mas a mim nem por isso, porque quem ataca o movimento sindical dá força a todos os que o atacam também… mas afinal de contas, foi sempre esse o papel do lumpen e da pequena-burguesia, porque estou eu para aqui a gastar o meu latim!… De caminho, junte-se aos seus amigos da JS e da JSD que eles também são peritos em defesas de minorias e ataques ao movimento sindical… ficam bem juntinhos!

    • A JS e a JSD peritos em defesa das minorias? LOL
      Felizmente, isso continua a ser um apanágio da esquerda. A CGTP que não ataque sectores do mundo laboral e seus direitos publicamente, e verá que eu fico caladinho. Quanto a si, João, não falo mais consigo, porque não está a debater honestamente. Junte-se aos seus amigos de moralidade-do-século-passado, não me tente é convencer que com estas posições não é o próprio movimento sindical que se prejudica a si mesmo.
      Você não é contra as prostitutas do Intendente? Elas estavam lá comigo ontem, eu limitei-me a acompanhá-las. São os seus direitos – nomeadamente à prevenção face ao VIH, que a CGTP se deu ao trabalho de atacar publicamente na véspera do 1º de Maio. Quem critica o movimento sindical ou qualquer outro pelos motivos certos, só pode ajudá-lo a evoluir e a reforçar-se. Calar a crítica, isso sim é enfraquecer o movimento sindical. Mas eu já percebi a sua noção de democracia e também o seu particular entendimento de unidade das lutas…

    • e mais uma precisãozita: não sou nenhum paladino das minorias, eu não estava ali por solidariedade, estava ali enquanto ex-prostituto.

    • José diz:

      “O que faz ao vir para a “praça pública” discutir as políticas da CGTP é que está errado e em vez de ajudar à luta, ajuda à divisão! Não gosta das políticas/posições da CGTP? Vá discuti-las no seu sindicato (se é que é sindicalizado de todo…)!”

      Extraordinário!
      Julgava que já não havia deste tipo de controleiros, no séc. XXI, a censurarem o comportamento individual de militantes e sindicalistas!
      Se o “chefe” diz algo, o militante – mesmo não concordando – deve publicamente apoiar e de cara alegre, ou então é divisionista e é corrido para a UGT!…

  4. João Pais diz:

    Sim, não fale mais comigo, mas vá ver as posições da JS e da JSD sobre esta matéria e enfie a violinha no saco… Continuo por saber, se é sindicalizado de todo, mas começa-me a cheirar que não…

    • conheço essas posições melhor que você. e eu toco piano, não violinha. Deixe-me responder-lhe na mesma moeda: eu acho que você é que não é sindicalizado… ridículo… a seguir vai fazer o quê, pedir-me que poste o cartão do sindicato? Ou que prove que nasci em Portugal? Vá passear (ao Intendente).

  5. João Pais diz:

    Lá nos vemos então. No caminho aproveite para ler a “Luta de classes em França de Karl Marx!”, vai ver que lhe diz alguma coisa.

  6. diz que diz:

    CULPA + CGTP = ♥

  7. Vítor Hugo diz:

    Sérgio tens todo o meu apoio.

    Vítor Hugo

  8. Miguel Lopes diz:

    Qualquer dia a CGTP começa a trair os trabalhadores, e aparecem imediatamente os apparatchiks: “Camaradas, toca a fechar a matraca para não estragar a uni(ci)dade!!!”
    Aquele texto que ali está da CGTP é uma análise tosca, burguesa e patriarcal. Ponto final parágrafo!!!

  9. Bem, dito assim tenho de concordar, com as seguintes precisões: Tosca e desconhecedora, reflectindo involuntariamente a moral burguesa do amor e a sua correspondente hiprocrisia sexual e respectiva visão monolítica e patriarcal da família. O poder agradece. Tod@s perdemos.

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