Contra a mercantilização do sexo

Ao contrário do Sérgio, da Joana Manuel e se calhar a maioria das pessoas deste blogue, eu não acho a prostituição uma profissão como as outras. Estou de acordo que devem ser feitas campanhas de prevenção da Sida dirigidas para a prostituição, concordo que devam ser defendidas as prostitutas das redes criminosas de tráfico de seres humanos, etc… Mas não estou disposto a aceitar a prostituição com uma profissão normal. Para mim, esta classificação de “normalidade” não pretende tirar o estigma às mulheres e aos homens que sobrevivem a fazê-la, mas desculpar uma sociedade que aceita que se venda o sexo por dinheiro.
Todos os nossos discursos são feitos a partir de uma leitura ideológica e de uma moral, a minha é que o sexo e os afectos não devem ser mercantilizados. Não acredito numa emancipação de homens e mulheres que seja feita a partir do reconhecimento da exploração do sexo.
É verdade que somos obrigados a vender a força de trabalho, mas há conquistas civilizacionais que fizeram-nos progredir desde a escravatura e impedir determinadas práticas no trabalho.
Há limites morais ao trabalho, nem tudo se prende com a alegada liberdade de escolha, uma sociedade democrática não aceita o trabalho infantil, mesmo que isso significasse melhorar as condições de vida das crianças que o praticam, nem defende que os pobres vendam livremente os seus órgãos para ganhar dinheiro.
Normalmente, há quem argumente com o direito de as pessoas disporem livremente do seu corpo. Não reconheço uma escolha livre a quem não tem emprego e por isso é forçado a prostituir-se.
A mim não me apetece que num qualquer centro de emprego, alguém vá, depois da lei devidamente alterada, perder o direito ao subsídio de desemprego porque recusa trabalhar num bordel. Como em muitos países acontece quando não se aceita uma oferta de emprego qualquer.
Sou de uma esquerda que tem como moral a luta contra a exploração das pessoas e contra a exploração sexual. Não acompanho algumas correntes modernas, que a pretexto de defenderem a prostituta fazem na prática a legitimação da clientela da prostituição e contribuem para a sua generalização.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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