A versão moderna do povo em armas

Três estruturas de apoio ao funcionamento das portagens na Via do Infante (A22), no Algarve, foram incendiadas na madrugada do 25 de Abril. Boliqueime, Loulé e Olhão foram as localidades visadas e a acção terá decorrido entre as 3h e as 6h, tudo indica que foi concertada e ocorreu em simultâneo. O caso está a ser investigado pela Polícia Judiciária que até ao momento não apresentou nenhuma pista palpável sobre o grupo que levou a cabo esta operação. Assim, a intenção do governo de instalar portagens na A22 tem a justa resposta por parte dos habitantes que ao contrário de qualquer abaixo-assinado, petição ou vigília parecem ter descoberto a maneira de travar, no terreno, a aplicação deste imposto. Com o preço da gasolina acima de 1,50€ não é de espantar que este tipo de reacções comece a fazer escola também nos postos de abastecimento, nas grandes superfícies ou mesmo nos locais de consumo que a crise, o PEC, o governo e o FMI querem tirar à maioria das pessoas.

A expressão do desespero, da revolta e da resistência ainda só agora começou.

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19 respostas a A versão moderna do povo em armas

  1. xatoo diz:

    pois aqui é que está o perigo, a resistência ser conotada com banditismo e haver argumentos para se criminalizar qualquer acto de contestação como sendo nocivo do “interesse nacional”, logo ilegal… como se ilegal não fosse de facto mudar a legislação opressiva

    • Renato Teixeira diz:

      Acho que o problema não chegou a ser esse. Esta notícia foi estranhamente marginalizada da agenda. Apesar dos métodos saírem do tradicional manifesto, abaixo-assinado ou vigília, tão queridos à generalidade dos tugas, esta iniciativa parece ter sido perfeita do ponto de vista técnico (a judite está às aranhas) e colheu o aplauso da generalidade da população. Cada vez mais todos percebem que a aparência violenta do acto se justifica pelo travão que imprime à violência das portagens.

    • Miguel Lopes diz:

      Ó xatoo, mas isso acabaria por acontecer com o agravamento das contradições. A única coisa que se faz com estas acções é acelerar o processo, e na minha opinião com muito melhores possibilidades de sucesso para impedir a instalação dos pórticos.

  2. Ho Chi Mihn diz:

    A resistência é sempre um acto de banditismo aos olhos da Autoridade: também chamavam de bandidos e terroristas aos libertadores de África: da Argélia a Angola. Não há que ter medo.

  3. Duvido que a Esquerda simpatize com a população quando esta começar a resistir aos muitos impostos que pesam sobre o país – não só contra trabalhadores, mas também contra empresários e proprietários – queimando repartições de Finanças.

    Lutar contra o imposto era a melhor maneira de enfraquecer o Sistema. Mas isso a Esquerda não vai defender, porque o seu querido socialismo necessita de extorsão para se sustentar. Há tantos parasitas por aí a pedirem mama!

    Quanto ao caso da Via do Infante, é legítimo resistir à cobrança de portagens como estes Remechidos dos tempos modernos fizeram. Não porque as portagens em si sejam imorais, mas porque estas portagens em particular o são. De facto, a auto-estrada foi construída a expropriar – ou seja, a roubar – milhares de proprietários de terrenos. Para que justiça fosse feita, estes proprietários deviam ter o direito de recuperar o que é seu, o que na prática significa que se deviam tornar donos da auto-estrada, “expropriando” o Estado ou as concessionárias que ele lá quer pôr. E a partir daí tinham todo o direito de cobrar pelo acesso à sua propriedade, ao contrário das concessionárias, que cobram pelo acesso à propriedade dos outros (direito que adquiriram, essencialmente, por terem conexões junto do Poder…).

    Uma solução justa para as auto-estradas não passa por uma privatização manhosa que as entregue a magnatas próximos do Poder, nem pela manutenção do status quo actual (sem portagens). Nenhuma destas “soluções” respeita o direito de propriedade dos legítimos proprietários das vias em questão.

    • A.Silva diz:

      Como gosto de ouvir estas frases: “… respeita o direito de propriedade dos legítimos proprietários…”
      Ora vão à bardamerda mais os “legÍtimos proprietários”, ou mais própriamente; LEGÍTIMOS LADRÕES!

      • Renato Teixeira diz:

        Tenha lá paciência ò capitalista Bandeira. Vai ter que responder ao silva com outros modos. Troca de mimos está bem. Deixe lá as jugulices deixe lá para o maradona.

    • Gentleman diz:

      Foram expropriados e compensados financeiramente por isso, certo?

  4. maradona diz:

    Demos por iniciadas as hostilidades! Quem ganhar merece ganhar. Eu, como sempre, cá estarei para obedercer aos vencedores.

    PS: conheço pessoalmente quase todos os policias do sotavento algarvio; acho que o povo não terá hipóteses contra eles, mas veremos, mas veremos.

  5. Não me parece que seja esse o caminho. Prefiro o boicote. Dará, pelo menos a médio prazo, muito mais resultado.

    • Renato Teixeira diz:

      Tudo dá resultado. Tudo vale a pena. Se for para meter areia na engrenagem não temos grande necessidade de escolher entre duas formas de luta que dão resultado. Ainda assim cuidado com o boicote… a maioria habitua-se e os resistentes acabarão com multa atrás de multa até acabarem por desistir.

  6. xatoo diz:

    estamos fodidos que o maradona conhece os policias todos do sotavento… malta: há que atacar pelo barlavento

  7. Gentleman diz:

    Certa Esquerda quer obra pública (muita) para usufruto gratuito de todos. De onde vem o dinheiro para tão generosa distribuição ninguém sabe. Talvez nem os próprios realmente saibam.

  8. João Sebastião diz:

    Portagens na A22 significa: mais tráfego e acidentes na N125. Logo: mais gastos em combustível, mais horas de trabalho e de lazer perdidas, custos acrescidos para as empresas da região e infelizmente também significará mais mortos, mais gente incapacitada, mais custos com o INEM, mais camas de hospital ocupadas, mais cirurgias, mais fisioterapias, mais faltas ao emprego, mais pessoas que deixam de trabalhar e que têm de receber subsidio para sobreviver… fosga-se será que ninguém têm uma perspectiva mais ampla do que é a economia? Que alternativas existem no Algarve à Via do Infante? Cobrem o IRC devido aos Bancos e sejam implacáveis com quem enriquece rápida e ilegitimamente.
    Portugal é um caso de policia, de incúria e mau uso dos dinheiros públicos!

  9. Pingback: Portagens na A22 declaradas ilegais | cinco dias

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