Constatações polémicas – 3: Aniversário de pai incógnito

 

É hoje o 37º aniversário da vitória dos movimentos de libertação nacional de Angola, Moçambique e Guiné-Bissau, nas suas guerras contra o regime colonial português.

Isto porque, é bem sabido, o objectivo de uma guerrilha não é vencer militarmente no terreno, mas levar o opositor a não ter vontade e/ou condições para continuar a combater.

As independências vieram depois, por vezes com enormes sobressaltos até lá. Mas a sua estrondosa vitória deu-se na madrugada de 24 para 25 de Abril de 1974.

Uma vitória de pais incógnitos. Por lá, porque deve ter havido quem achasse que o objectivo estratégico da sua luta armada não seria suficientemente heroico, quando vertido no discurso público. Por cá, porque reaparecem ciclicamente umas alminhas carunchosas a clamar que as guerras não estavam militarmente perdidas, como se isso fosse o relevante em guerras como aquelas.

Entretanto, combatentes dos movimentos de libertação, obrigado pela vossa contribuição para a nossa própria libertação.

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8 Responses to Constatações polémicas – 3: Aniversário de pai incógnito

  1. “Entretanto, combatentes dos movimentos de libertação, obrigado pela vossa contribuição para a nossa própria libertação.”

    Sim, obrigado pelo processo de descolonização. Obrigado pela guerra civil. Obrigado pelos presos políticos portugueses. Obrigado pela corrupção que alastra nos ditos países. Obrigado pela submissão ideológica à URSS, que já não existe – felizmente. Obrigado pelos massacres todos com que presentearam muitas populações.

    Obrigado.

    • paulogranjo diz:

      Por toda a porcaria (incluindo crimes) que fizeram e fazem, obviamente que não agradeço.
      Aliás, com as limitações e cuidado que se exigem de um investigador estrangeiro, até tenho escrito bastante mais acerca disso do que vejo à minha volta.
      Agora que as lutas de libertação nas colónias foram um factor essencial para o apodrecimento do regime, para a eclosão do 25 de Abril e para a consequente libertação do povo português, não me parece que restem dúvidas. E isso agradeço. Tal como muitas vezes ouvi ex-guerrilheiros e normalíssimos cidadãos africanos agradecerem aos oposicionistas portugueses. Também eles com razão.

      • Não tenho dúvida do que escreve, e concordo, inclusive, que a guerra do Ultramar, mais ainda que o processo de indefinição do que a guerra em si (dado que Caetano permanece 2, 3 anos sem dar começo a um debate sério sobre a situação, nem sequer avançando com a ideia dos Estados Unidos de Portugal) acarretou para o acelerar do fim do regime (cuja revolução, é importante referir, é militar e não social, tem origem na incapacidade de gestão militar do governo de Caetano), mas daí a elogiar os movimentos de libertação, cuja história os reconhece como fantoches ideológicos da URSS, que não só os “empurrou para a guerra”, como os formou, doutrinou – e aqui entra o PCP -, vai um caminho enorme.

        Méritos independentistas à parte, que da minha parte merecem a máxima compaixão e apoio se forem de facto originais e não como aqueles que inicialmente definiram, por exemplo, o MPLA, que dá inicio à luta armada com um massacre sem precedentes, a solução política encontrada foi uma vergonha:

        1) não serviu minimamente as províncias, que rapidamente entraram num processo de implosão ideológica e militar, e só assim poderia ser a partir do momento em que se afastou determinados partidos africanos da mesa de negociações;

        2) não soube assegurar os direitos dos colonos que lá habitavam, num momento de puro desvario político e ideológico;

    • A.Silva diz:

      Oh insrrecto, como te compreendo, claro que era mais fixe estarmos ainda a matar-nos uns aos outros na defesa do império, como te compreendo quando falas na “corrupção que alastra nos ditos paises”, coisa tão estranha por cá!

      • Não deturpe as minhas palavras. A partir de que frase é que depreende que eu me oponho à descolonização? Só me oponho, como qualquer cidadão português com dois dedos de testa, aos moldes que o definiram, que foram vergonhosos e desprovidos de senso e planeamento prévio.

        Historicamente, porque é só esta a vertente que confere a qualquer debate um mínimo de sentido, Portugal, militarmente, não se encontrava obrigado a fazer absolutamente nada, pelo menos não nos tempos imediatamente posteriores ao 25 de Abril, porque a condição militar da pátria era de vantagem sobre a guerrilha.

        Reparem: o meu problema principal é com o processo de descolonização, mais ainda com o facto de a sua ineficácia ter sido motivada por questões ideológicas.

  2. DD diz:

    Este post é uma aberração..

  3. Tiago Resende diz:

    Obrigado pelo milhão de portugueses que perderam tudo. Obrigado pelos milhares de portugueses mortos ou estropiados por vós. Obrigado por terem obrigado milhares a atravessar o deserto quase morrendo no processo. Obrigado pelos milhares de desaparecidos. Obrigado pelos milhares de orffãos. Obrigado pelas guerras civis em Angola, Moçambique e Guiné. Obrigado pela fome, doença e matança nesses países. Obrigado… Por tudo! Sinceramente que posta mais delirante!

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