conferência de imprensa de apresentação do movimento 12 de março – m12m. 20 de abril de 2011. avenida da liberdade. fazer de cada cidadãx um políticx.

Fazer de cada cidadãx um políticx
“Quando dizemos que é um resultado importante o viver em democracia, dizemos também que é um resultado mínimo, porque a partir daí começa a crescer o que verdadeiramente falta, que é a capacidade de intervenção do cidadão em todas as circunstâncias da vida pública.
Ou seja, fazer de cada cidadão um político.
A liberdade de imprensa, a liberdade de organização política é o mínimo que podemos ter, porque a partir daí começa a riqueza espiritual e cívica do cidadão autêntico.”
José Saramago

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14 respostas a conferência de imprensa de apresentação do movimento 12 de março – m12m. 20 de abril de 2011. avenida da liberdade. fazer de cada cidadãx um políticx.

  1. Cidadão não deveria ficar com dois xx? Assim: cidadxx.

  2. miguel serras pereira diz:

    É, provavelmente, a passagem mais aristotélica e politicamente mais fecunda de José Saramago. Remete a explicita a definição que Aristóteles propõe do cidadão como aquele que governa e exerce o poder ao mesmo tempo que é governado. Mas, como se sabe, em Aristóteles, a cidadania era uma arte reservada a uma fracção minoritária da população da pólis. Ao passo que, em Saramago e para nós, é de universalizar a cidadania que se trata, tornando-a, através da destruição das hierarquias de classe, condição e exercício quotidianos dos membros – mulheres e homens – adultos de uma sociedade.
    O caminho até lá não está escrito à partida nem há teoria que baste aplicar para o termos traçado. Teremos de ser nós a fazê-lo. Ao andar.

    msp

  3. miguel serras pereira diz:

    Bom, há pouco esqueci-me de acrescentar que, no plano político imediato, o M12M levanta uma questão fundamental:

    “(…) o M12M quer promover a necessidade de um debate sobre a importância de um referendo nacional acerca do pagamento da dívida soberana e questionar activamente “a eficácia, inevitabilidade, legitimidade e democraticidade” da intervenção do Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Fundo Europeu de Estabilização Financeira. “Acreditamos que o direito à informação é essencial para podermos avaliar a sua premência”, defendem”.
    (cf. http://www.esquerda.net/artigo/movimento-12-de-março-quer-referendo-sobre-o-pagamento-da-d%C3%ADvida-soberana )

    Saudações democráticas

    msp

    • raquelbrancofreire diz:

      miguel,
      era o post que eu ia fazer mal tivesse 1 minuto. já está.
      gracias.

      • miguel serras pereira diz:

        De nada, Raquel. Mas faz o post na mesma – que, na caixa de comentários, vê-se pouco. E força, vamos lá.

        Abraço

        msp

  4. raquel freire diz:

    youri,
    eu escrevo assim, mas é possível, quando inventas a língua corres sempre riscos.
    vou pedir opinião a uma linguista queer.
    gracias.

    • Daniela diz:

      linguista queer?! Adoro a capacidade empreendedora das pessoas. Ah, e a criatividade!

      • Rita Delille diz:

        ler este “inventar a lingua” é, das duas uma, ou enternecedor ou enervante tendo em conta que o inventar da lingua, colocando um x ou dois no final de uma palavra é apenas um delírio de grandeza. “linguista queer” também é fantástico, realmente de ficar de queixo caído. vale tudo!

        “O provincianismo consiste em pertencer a uma civilização sem tomar parte do desenvolvimento superior dela – em segui-la pois mimeticamente com uma insubordinação inconsciente e feliz. ” F. Pessoa

        • raquel freire diz:

          olá rita,
          dos delírios de grandeza, nada sei, como inconsciente que sou. de inventar sim, é mesmo o que me dá mais alegria, seja inventar a língua portuguesa escrita, seja inventar um filme, seja inventar novas formas de vivermos todxs com mais liberdade e mais respeito.
          quanto ao valer tudo, o que quer que lhe responda?
          olhe, estudasse! vá ler a CRP que está a ser aqui publicada e vai ver que a liberdade de expressão, essa, ainda não nos conseguiram roubar.

  5. Rita Delille diz:

    quanto ao valer tudo, o que quer que lhe responda?
    olhe, estudasse!

    ESTÁ MUITO BEM ‘arrespondido’. nem preciso eu de acrescentar mais nada.

  6. Rita Delille diz:

    e, desculpa, raquel, agora mm a sério e na minha opinião, não estás mesmo a “inventar a lingua portuguesa”. vê lá isso. bjs

  7. Rita Delille diz:

    obviamente que defendo e compreendo a liberdade de expressão, como também defendo, por essa mesma razão, o direito de expressão de uma resposta. Francamente a Raquel, que não conheço, disse duas (talvez mais) coisas que achei um bocado estranhas e só por isso me expressei. Acho o inventar da lingua, mais do que um exercício de prazer individual, uma necessidade mas, como já disse, colocar um x na palavra além de básico é, na minha opinião, absolutamente preconceituoso. É a minha opinião. Quanto à expressão “olhe, estudasse!”, acho mesmo um bocado pobre e resultante da nitida falta de vontade de uma troca saudável de opiniões. Tudo muito à superfície Raquel, tudo muito à superfície para quem se quer uma criadora da palavra escrita e de outras coisas mais. De resto, quero dizer que acho essas intenções bonitas e espero mesmo que não leve a mal aquilo que digo, espero que não ache demasiado agressivo, mas a palavra escrita ainda não foi re-inventada para ser doce quando discorda, ou eu é que não a consigo usar assim.
    Bjs

  8. raquel freire diz:

    rita,
    na tua opinião, acrescentar um x é “absolutamente preconceituoso”.
    eu faço-o por acreditar que a discriminação de género é preconceituosa e perpetua as injustiças sociais, assim como o plural masculino que usamos todxs é preconceituoso e traduz uma hierarquia em que o género masculino é o dominante e o feminino o submisso, que traduz o poder que temos, o bio-poder (branco, rico, heteronormativo). e como não acredito no binarismo de género, uso o “x”. não sou a única, não o inventei, faz-se na filosofia, na sociologia e no activismo pelo mundo fora. mas e se fosse?
    acredito que com novas ideias criamos também novas formas de as exprimir, e que isso sim, é valer tudo e faz parte da liberdade de expressão que é um direito, e só por isso respondi, olhe, estudasse.
    não queria ser agressiva. se fui injusta, posso apenas dizer-te que terei mais atenção daqui prá frente.
    conheço as limitações da palavra escrita, sobretudo nestas condições, onde a profundidade exige um tempo para responder que eu não tenho neste momento da minha vida. nem por isso sinta a minha participação superficial, sinto que tem uma função contaminante e que pode mesmo ser muito criativa.
    espero que possamos continuar a trocar umas ideias sobre este e outros assuntos.

  9. Rita Delille diz:

    “não queria ser agressiva. se fui injusta, posso apenas dizer-te que terei mais atenção daqui prá frente.” – pelo contrário, quem foi agressiva fui eu, acho.

    também espero que possamos sempre trocar ideias. continuo a achar o x estranho e preconceituoso no sentido em que não é nem será usado fora de uma esfera demasiado apertada. acho que precisamos cada vez mais de uma linguagem comum que nos aproxime. obviamente que a discussão em torno do x pode ser interessante e levantar questões pertinentes mas eu, apesar de concordar que, em muitos casos, a diferença de género deve ser eliminada tendo em vista a igualdade de direitos, deveres, oportunidades: a liberdade, também acredito que existirão por enquanto diferenças a outros níveis que se tornam estranhas quando esbatidas de forma tão forçada. a ideia é que não me revejo no x e, embora seja absolutamente a favor da liberdade de quem se reveja nele o poder usar, não acredito que tenha um impacto na mudança – é apenas um exercício de (est)ética que não serve propriamente o bem comum e que faz uso de algo que é de todos: a lingua (portuguesa, neste caso).
    Será um instrumento da luta e dos ideais que sei que defendes, ok. Uma forma de expressão artística, ok. Para mim é válido por estas duas razões.

    bjs

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