O plafonamento das reformas

Concordo com a proposta de Pedro Passos Coelho relativamente ao plafonamento das reformas pagas pelo Estado. Algumas dessas reformas são verdadeiramente pornográficas, sobretudo quando comparamos com os descontos que estiveram na base do cálculo dessas reformas.
Concordo, mas com uma nuance: os descontos para a Segurança Social manter-se-iam inalterados. Ou seja, as pessoas continuariam a descontar o mesmo, mas a sua reforma não seria obrigatoriamente o reflexo dos descontos feitos.
Por duas razões: por uma questão de sustentabilidade da Segurança Social, que não se compadece com uma diminuição drástica das contribuições; e por uma questão de justiça social – quem ganhou muito dinheiro durante a vida activa pode muito bem abdicar de uma parte da reforma a que teria direito em favor daqueles que, por uma razão ou por outra, têm pensões de miséria.
Assim caminharíamos para um equilíbrio entre as reformas mais altas e as mais baixas e, no fundo, para uma sociedade mais justa.
No fundo, não seria nada de muito inovador: o plafonamento de determinados subsídios, como o do Desemprego, já existe, independentemente de quanto a pessoa contribuiu enquanto trabalhou.
Como é óbvio, refiro-me às reformas realmente escandalosas e não àquelas que um trabalhador normal justamente recebe no final de uma vida de trabalho.
Como é óbvio também, todos sabemos quais são as verdadeiras intenções de Passos Coelho ao lançar esta proposta…

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13 respostas a O plafonamento das reformas

  1. José diz:

    E quais são?

  2. José diz:

    Em Espanha a taxa de desconto dos trabalhadores é de 4,70%, muito inferior à portuguesa, sendo o limite máximo sobre o qual se desconta de €3230,10. http://www.seg-social.es/Internet_1/Trabajadores/CotizacionRecaudaci10777/Basesytiposdecotiza36537/index.htm

  3. POKE diz:

    clap, clap, clap.

    E esse valor de majoração devia estar indexado ao ordenado minimo. Estilo: x vezes o ordenado mínimo.

  4. Leo diz:

    As reformas devem sempre basear-se na carreira contributiva. É isto o importante: a carreira contributiva!

  5. Rui Costa diz:

    Visto o tema das reformas estar na ordem do dia (e parece-me que estará nos próximos tempos), deixo aqui o meu esboço de proposta para a reforma da Segurança Social.

    http://costarochosa.blogspot.com/2011/01/um-regime-de-pensoes-simplex.html

    Baseia-se num modelo algo irrealista, mas que pode servir como base para futuras discussões.

  6. Justiniano diz:

    Um imposto, portanto!!

  7. Raquel diz:

    As empresas necessitam de conhecer melhor o seu negócio e tornar-se mais eficientes e eficazes quer ao racionalizar processos quer a melhorar a produtividade dos seus recursos humanos. Mais informações em http://www.bi4all.pt.

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