O FMI ainda não é governo

Daniel, se eu não quero pedir dinheiro ao banco, porque raio é que tenho de ir negociar as condições do empréstimo? Que instituição da República é o FMI para convocar uma reunião com PCP, BE e Verdes?

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83 respostas a O FMI ainda não é governo

  1. Renato Teixeira diz:

    Era para sugerir a OIT para a mesa das negociações.

  2. Daniel Nicola diz:

    Certo é que a generalidade das pessoas não compreendeu esta opção, basta constatar na rua, na Web, nos media. Os cidadãos de Esquerda desesperam por atitudes mais propositivas e não tanto de fuga em frente. Acho que foi uma oportunidade perdida de concertarem posições (PCP, BE, Verdes) e, na cara da besta, olhos nos olhos, dizer NÃO. Não queremos esta política porque o nosso caminho é este. Era certamente mais compreensível para os eleitores. Sinceramente, acho que foi um tiro no pé. A ver vamos.

    • Tiago Mota Saraiva diz:

      Daniel Nicola, não sei de que cidadãos de Esquerda falas. Integrando-me nesse qualificativo, sinto-me muito bem em não ver estes três partidos a tirar fotografias com o FMI.
      É aos eleitores que esses partidos têm de mostrar o seu projecto e programa político, não é à mesa com os vampiros.

      • Daniel Nicola diz:

        Ok Tiago. E como te sentes com a fotografia do Carvalho da Silva?

        Eu também tenho defendido aqui e ali a “falta de comparência”, Só acho que o alcance da atitude do BE, PCP e Verdes não foi compreendido pela generalidade. Só isso, e tenho tido feedback disso mesmo.

        As pessoas e votantes à esquerda não são todas militantes, daí ser necessário um maior esforço de esclarecimento por parte da esquerda (até como defesa para os ataques posteriores dos media mainstream alinhados), e isso não aconteceu. Foi quase um não, porque não, porque não tivemos responsabilidade. Mas as pessoas querem é ouvir acerca do futuro. De saídas concretas.

        Aliás, as direcções de ambos já devem ter disso dado conta. O PCP vai lançar 3ª feira uma campanha nacional sobre as alternativas ao FMI e o BE vai propor uma medida por dia, penso.

        Por mim, era concertarem posições (não podemos limitar o frentismo a uma reunião de uma hora) e ir lá nem que fosse mandá-los pró caralho!

      • Bolota diz:

        Tambem eu Tiago.
        Até que enfim que alguem diz NÃO

    • JMJ diz:

      suponho que o Daniel, se um dia um ladrão lhe entrar casa a dentro, vai procurar negociar com o meliante, uma plataforma de entendimento, um compromisso, uma concordata entre ambas as partes em que uma se compromete a roubar e a outra a dizer que não gosta de ser roubada.

      A esta trupe de ladrões internacionais (internacional ladrones, em americano), deve-se apenas desprezo e manguitos. Eu também não negoceio com quem me quer roubar o futuro!

      • Daniel Nicola diz:

        Com o nosso beneplácito ou não, o certo é que nos endividámos até ao limite do razoável. Não é propriamente um caso de roubo, mas de extorsão. E nós assentimos. Durante décadas! Pedimos aquilo que jamais podíamos pagar. Nós ou os nossos sucessivos (des)governos. Sem empresas públicas lucrativas, sobram os salários e as reformas para pagar a factura.

        A probabilidade de um governo alternativo de esquerda no curto-médio prazo é quase nula. Ou seja, sem um modelo radicalmente diferente de economia, e sem uma vontade genuína de mudança por parte da maioria da população, como pretende fazer, se fomos nós que nos colocámos a jeito?

        PCP e BE defendem a renegociação com os credores. E agora? também querem dormir com o inimigo??

        • Leo diz:

          Quem se endividou escandalosamente foi a banca, é dela a maior parte da dívida. E fê-lo tão somente para ganhar facilmente e ganhou muito dinheiro. Os desgraçados que se foram obrigados a endividar-se a comprar casa, fizeram-no por absoluta necessidade e por pura racionalidade. Ninguém ignora que a partir dos anos 90 saia mais barato comprar do que alugar, aliás nem havia casas para alugar. E as que havia saiam mais caras que as prestações da compra.

          E o que chamam “ajuda” não passa de garantias para a banca. A maior parte da massa nem cá entra. Mas todos vamos pagar com cortes salariais, aumentos de impostos e cortes nas prestações sociais. E principalmente com perda de direitos laborais, dos que ainda restam.

          Só o PR tem o direito de convocar os partidos e compete ao governo dialogar com a oposição. Quem se julgam eles (FMI, UE, BCE) para convocarem partidos? Bem fez o Jerónimo ao denunciar: “Ligaram de manhã para dizer que à tarde estariam na sede do PCP: reconhecemos este tom mandante”.

          Pois é, conhecemos o tom mandante e não o aceitamos.

  3. por acaso (e olha que é raro) concordo com a posição do daniel oliveira nesta.

    • Renato Teixeira diz:

      E que juro pediriam à mesa do FMI?

      • … e que tal exigir que o Banco Central empreste o dinheiro directamente, com o juro a que emprestam aos bancos? e que tal ir lá só para os mandar ir catar coquinhos, dizendo-lhes na cara que há quem não aceite isto? e que tal provar por A+B que há alternativas viáveis, e que a austeridade é recessiva? ou confrontá-los com o que aconteceu na grécia e na irlanda?

        … sinceramente, não aceitar falar com eles não os faz desaparecer. portanto é enfiar a cabecita na areia, o que não nos serve de grande coisa.

        • Tiago Mota Saraiva diz:

          camarigueira, é ao FMI que devemos exigir coisas do BCE? Há, para a esquerda, alguma solução que passe pelo FMI?
          Não falar com eles não os faz desaparecer. O que os faz desaparecer é gritar-lhes da rua que se vão embora.

          • qualquer terreno de luta é válido. ir lá esfregar-lhes no nariz o que eles andam há que anos a fazer (sanguessugas de um raio, destruidores de economias de uma figa, sacripantas da pior espécie) só mostrava que há oposição. antes cair na batalha que chegar atrasado à guerra, quanto a mim. mal, não fazia.

          • Tiago Mota Saraiva diz:

            E não nos sentarmos à mesa com os putativos invasores, não é política? Estamos a faltar a quê? Há alguma coisa que possamos negociar? O que interessa dizer tem de ser dito nas ruas, e não à mesa. Só podia concordar contigo se fosse para levar metralhadores. Mas aí duvido que o Daniel concordasse!

        • Renato Teixeira diz:

          Gui já te perguntaste porque será que queria a Troika do FMI reunir com o PCP e com o BE? A legitimação não será o seu maior problema?

          • José Lima diz:

            O argumento da legitimação não é válido pois para o efeito PCP e BE foram consultados. Houve vontade do FMI, e não houve destes últimos que saem sempre a perder. Com isto não quero dizer que a intervenção do FMI esteja no seu global legitimada de todo, se é que me faço entender.

        • miguel serras pereira diz:

          Toda a razão, Gui.
          Por este andar, os membros de uma comissão de trabalhadores, antes de a empresa avançar para a greve, não poderiam nem deveriam falar com os patrões – porque estariam a legitimá-los e a transmitir a ideia de que a existência de patrões é uma coisa boa…
          Quanto ao episódio da reunião, já escrevi ontem, e não precisei de ler o post subsequente do Daniel Oliveira para o sustentar:
          “Os islandeses recusaram as condições que o FMI queria impor-lhes, mas fizeram-no comunicando-lhe as suas posições e obrigando-o a recuar. Do mesmo modo, seria possível transformar a reunião recusada em ocasião de apresentação e posterior divulgação pública de uma plataforma de rejeição das condições da oligarquia e do actual modo de funcionamento da UE. Esta via, menos espectacular, não seria necessariamente menos radical”.

          Na mesma ordem de ideias, o LAM escreveu, comentando um post do Zé Neves:
          “Estas reuniões, até porque solicitadas pela troyca (lindo nome) nunca poriam em causa que o aval das negociações tem de ser dado pelo poder oficial (governo PS). Aceito também que a extensão destas reuniões para além dos poderes “oficiosos” de PSD e CDS, ao BE e PCP, é meramente para compor o ramalhete, uma vez que ficava mal na fotografia antes do “veredito popular” privilegiar publicamente os partidos da direita. Se há taticismo é aí. Pelo contrário, para o BE e PCP seria da maior relevância política não só conhecerem por via directa o que vem dentro daquelas pastas, e o divulgarem ao people da esquerda, como também de viva voz lhes apresentarem a contestação a essas medidas. Nesta altura, sentarem-se à mesma mesa com os senhores do FMI/FEEF/UE devia ter sido encarado como uma batalha política como qualquer outra, que se sobrepõe a um “radicalismo” (isso sim, tático) estéril”.
          (Cf. http://viasfacto.blogspot.com/2011/04/nao-falar-em-nome-da-vida-real-das.html?showComment=1303217330881#c5470584736029736713 )

          msp

          • Tiago Mota Saraiva diz:

            msp, o exemplo de patrões e trabalhadores não se aplica. A menos que considere que o FMI já é governo.

          • Justiniano diz:

            Caro MSP, de facto a questão foi muito bem colocada pelo caro Tiago (com clareza). Parecem-me duas escalas diferentes de diferentes músicas, em cantos diferentes do entendimento!
            Não se verificando o pressuposto, necessidade do empréstimo, porque haverão aqueles de discutir o empréstimo!!?? Deveria, talvez, como aditamento, o caro Tiago esclarecer que, simultaneamente, abandonaria o Euro e a UE, para, necessariamente, na próxima colheita emitir a moeda da fungibilidade do trigo, a preços das suas condições!! Evidente que se não deveria enganar e emiti-la antes da colheita, o que ocorre muitas vezes!! Para o caro Oliveira, francamente, não sei!!

          • Grumbler diz:

            Miguel, já que pega no exemplo dos patrões e dos trabalhadores, um outro exemplo. Será preciso reunir com o PNR para dizer que se é contra xenófobos racistas?

          • João Lopes diz:

            Você não percebe, ou não quer perceber, ou então é mesmo burrinho, que os patrões a bem ou mal são a entidade patronal. O FMI não é Governo, não tem legitimidade no nosso país ponto final.

            Quero ver o dia em que lhe assaltarem a casa e se puser a negociar com os ladrões, apenas pelo facto de que eles existem e estão aí.

        • Rafael Fortes diz:

          gui

          aceitar reunir com o fmi é considerá-los interlocutores válidos e não o são, nem poderão ser…

          • Leo diz:

            Obviamente. O interlocutor é o governo e só o governo.

          • mas o que custava, rafael, ir lá dizer-lhes que não se aceita que um governo demissionário ‘convoque’ o FMI, que vamos a eleições não tarda e que queremos uma eleição-feito referendo, entre economia de esquerda ou de direita? ou ir lá propor medidas concretas, alternativas? caiam-nos os parentes à lama? as pessoas não percebiam e liam ‘capitulacionismo’ nessa tomada de posição? não acho. acho que podia ser claro.

          • Renato Teixeira diz:

            Custava menos ir à manif e eles ouviriam melhor o recado.

  4. António Figueira diz:

    Este post do Arrastão é exemplar.
    Aquilo que parece ser um simples problema de boas maneiras, disfarça mal a questão política de fundo, que é da natureza da relação a estabelecer entre a esquerda e, no caso, o FMI: se a abordagem “construtiva” sugerida no post, se o caminho da luta de massas. Não sei se o termo continua a ser usado, mas a dita abordagem “construtiva” chamava-se antigamente capitulacionismo.

    • … luta de massas: quantas pessoas estiveram na manif anti-FMI? (eu estou no porto, senão tinha lá estado, note-se)

      o geral da população sabe que há alternativas? ou, pelo contrário, o controlo dos media pela visão neoliberal implica que a grande maioria ache que isto tudo ‘tem de ser’? … não é, concerteza, uma questão de boas maneiras…

      • Renato Teixeira diz:

        Fantástico, primeiro não se vai porque a coisa é sectária, depois cobra-se número a quem foi.

        • camarada, eu teria ido se estivesse em lisboa – embora tenha achado que, um, o cartaz era de fugir, e, dois, era contraproducente, nesta altura, pôr um carimbo partidário na coisa – ou era uma plataforma PCP+BE+MRPP+whoever, juntando os partidos que estão contra isto, ou iria obviamente correr mal (dentro da minha teoria que as pessoas desconfiam de partidos).

          … mas se preferes defender a ‘luta de massas’ como única via de oposição ao FMI e não queres analisar o facto de não teres as massas contigo, tá bem.

      • António Figueira diz:

        A luta de massas não se resume a uma manif. anti-FMI: dos utentes de serviços do Estado aos moradores dos bairros sociais, dos funcionários públicos aos assalariados do privado, todas as muitas lutas parcelares que resultam, de uma forma ou outra, desta política de sobre-exploração, engrossam a luta de massas; acções de natureza explicitamente política são apenas uma parte dela, normalmente o seu corolário, porque se parte do concreto para o abstracto e não o contrário (e por isso estranho seria que as amplas massas tivessem estado ontem no Terreiro do Paço) – preciso mesmo de estar a dizer-te isto?

        • … como se eu fosse muito burra, se faz favor: não são esses utentes de serviços do Estado, moradores dos bairros sociais, funcionários públicos e assalariados do privado… que elegem a alternância da nossa desgraça? qual é a ideologia dominante, não é a da direita? como é que combatemos isso se não formos à luta em todos os campos (aproveitando para passar a mensagem de que HÁ alternativas reais)? quem sabe faz a hora. vai e confronta.

          • Renato Teixeira diz:

            “Quem sabe faz a hora e vai ao que acontecer. !?!?!?”

            Olha que a música não é assim e o Vandré não merece ser citado em defesa do negócio com o FMI.

          • Nuno Ramos de Almeida diz:

            Gui, isso é um pressuposto da nossa comunicação 🙂 . Acho que as duas soluções são defensáveis. Pode-se ir fazer uma peicheirada com o FMI/CE/BCE ou pode-se recusar reunir com eles, justificando que foram as políticas dos bons alunos da CE que nos levaram até aqui. E recusar esta lógica de submissão ao directório europeu. Os rapazes deixam-nos na falência, com as suas políticas, e depois emprestam-nos dinheiro para irmos pagando o que lhes devemos, ficando a dever ainda mais.
            O que me parece verdadeiramente imbecil é estar a discutir a ida ou não à reunião, em vez das políticas que o FMI, servidos pelo PS/PSD/CDS, nos vão impor. O problema está nestas políticas, não está no PCP e no BE.

          • António Figueira diz:

            Umas vezes elegem a alternância da nossa desgraça, outras vezes mudam o mundo (and all that is solid melts into air). Há que perceber como e porquê, e trabalhar para que isso aconteça: Dá trabalho? Dá. Leva tempo? Leva. Há alternativa? Não.

          • JMJ diz:

            Mas a “luta em todos os campos” deve ou não priveligiar os contactos pessoais, olhos nos olhos, com as massas, seja nos locais de trabalho, nos espaços associativos e outros?

            Assim sendo, não é mais facil de explicar a posição de quem está contra o FMI, rejeitando-o, negando-lhe a legitimadade, desprezando a sua posição de mandante?

            Quanto à manif de ontem, ela foi apenas um momento da luta. Essa luta continuou hoje, com uma grande jornada de contactos na rua da CDU, onde se apontam os culpados desta situação, e continuará nos próximos dia 24 e 25 de Abril e 1 de Maio, e por aí fora.

            Para mim, o FMI não existe! Não tem legitimidade para o papel que quer impôr! Serve apenas os interesses dos seus discipulos, que são os culpados desta situação!

    • Leo diz:

      É isso, capitulação e submissão.

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  6. JMJ diz:

    Já ontem estive para usar esta citação:

    “eu quero que se foda o FMI, eu quero lá saber do FMI, eu quero que o FMI se foda, eu quero lá saber que o FMI me foda a mim, (…), pronto, bardamerda o FMI, o FMI é só um pretexto vosso seus cabrões, o FMI não existe, o FMI nunca aterrou na Portela coisa nenhuma, o FMI é uma finta vossa para virem para aqui com esse paleio, rua, desandem daqui para fora, a culpa é vossa, a culpa é vossa”

    JMB, in FMI.

    • … mas em vez de ficar a chorar pela mãezinha, (piadinha que não invalida o facto de eu adorar esse texto do zé mário, escrito, concerteza, num jorro bem regado a drogas potente qualquer) eu apostava em elegermos um governo de esquerda, antes que eu tenha MESMO de emigrar. relembro que eu e os que estão à minha volta estão desempregados, descrentes na política (e, com os governos que temos tido, não admira nada) e confusos. há imensa poeira no ar.

      a única hipótese de ganharmos as eleições é pôr a votar os que não votam. quanto às estratégias para lá chegar: não é recusando o confronto político com os carrascos das políticas-FMI que elas desaparecem. este tipo de atitude só nos faz sermos vistos como ‘oposição’ e não como capazes de gerir a shit-uation. porque permite à direita que nos menorize, é dar-lhes lenha para nos queimar. e só agrada à meia dúzia (já contando com o renato) de convertidos à causa. e esses não chegam, com muita pena minha…

      • Renato Teixeira diz:

        Desculpa lá Gui, mas com tanta conversa ainda não ficou claro o que tinha de tão importante o BE para não ajudar a que a manifestação contra o FMI tivesse outra envergadura?

      • JMJ diz:

        A Gui e tantos outros. Estamos todos nesta situação.
        Confusos, desorientados, traídos e descrentes é o que mais há por aí nestes tempos. Há muita poeira no ar, pois há.

        A unica hipotese de ganharmos é fazendo votar quem não vota, concordo plenamente, mas é também fazer ver a quem sempre votou noutros partidos e agora se sente traído que não são todos iguais. Que há partidos que se recusam dar legitimidade a estes senhores que mais não são que o Exterminador Implacável do Capital. “O FMI não existe!”, como diz JMB. O FMI não aterrou na Portela, coisa nenhuma! O FMI já cá está há muito tempo e a troika já está em funções há quase 40 anos!

        Urge falar com as pessoas! Urge ir ao encontro delas! O PCP arrancou com a campanha “1.000.000 de contactos por uma politica patriótica e de esquerda”; hoje foi a jornada da CDU, nas ruas, nos locais de trabalho.

        Aí faremos a nossa luta. Na oposição a estas politicas. Contra estes senhores que não são nada, senão robots controlados à distancia desde Berlim e Bruxelas.

      • Leo diz:

        “a única hipótese de ganharmos as eleições é pôr a votar os que não votam” e nós próprios votarmos com inteligência.

  7. mesquita alves diz:

    Boa tarde,
    Os se recusam a apresentar propostas, a quem eventualmente nos vai emprestar $, são os que estarão na primeira linha, de uma gradiosa manif, se o $, devido por salário/reforma, faltar aos funcinários públicos, trabalhadores da CP, Refer, Metro e congéneres.
    Lembro que não temos capacidade para emitir moeda. Até agora, tal como o Passos não apresentou nenhuma ideia, vocês não têm nenhuma solução.
    Será que o António Figueira tem um truque na manga, para a resolução do problema?
    Duvido.

  8. miguel serras pereira diz:

    TMS,
    não creio que a CGTP considere que o FMI é já o governo da região portuguesa e, no entanto, acaba de reunir com ele, sem capitular perante as suas exigências. E propondo uma alternativa (esta parece-me insuficiente, é certo, mas não quero pronunciar-me sem informação mais consistente sobre o assunto: não se trata, em todo o caso, de uma capitulação nem de uma desistência da “luta de massas”).

    msp

    • Tiago Mota Saraiva diz:

      msp, posso achar que a CGTP não é um partido, certo?

      • miguel serras pereira diz:

        Sim, Tiago, pode e deve. A CGTP não é um partido – mas a questão é outra: se estar na reunião é ou não o mesmo que reconhecer a legitimidade da posição ou vontade do FMI. E, para esse efeito, tanto “legitima” ou “capitula” um partido como um sindicato, etc., etc.

        Se acho um erro táctico clamoroso recusar a reunião, acho um erro bem mais grave, “estratégico”, fazer disso uma questão de princípio.

        msp

  9. Rui F diz:

    O PCP está presente na pessoa da CGTP.

    Quem fica efectivamente de fora é o BE.
    Os Verdes? Os do Sporting?

    • Rocha diz:

      Falou o acólito do Daniel Oliveira e dos ex-Politica XXI – os baratos.
      E não tendo nada para dizer recorre ao insulto.

  10. … quanto ao meu argumento que isto era lenha para nos queimarmos e que os direitosos iam aproveitar: http://aeiou.expresso.pt/pcp-e-be-infantis-e-nacionalistas=f644446

    • Tiago Mota Saraiva diz:

      gui, citares o Henrique Raposo para demonstrares que tens razão é o mesmo que eu citar o Pacheco Pereira para dizer que o 5dias é o único blogue de esquerda.

      • LOLOL só estava a ilustrar que lhes estamos a dar argumentos, sem necessidade. suponho que o homem seja um anormal.

        • JMJ diz:

          Mas a Gui não percebe que, fosse qual fosse a posição assumida, a “inteligência mediática” iria sempre “spinar” a coisa no sentido de fragilizar a posição do PCP?

          tenho-a como mais inteligente que isso.

          Com esta tomada de posição o PCP limitou-se a valorizar a luta de massas e a rua como forma de demonstração do protesto contra as politicas de PS, PSD e CDS/PP e “pai-que–é-da-policia-e-que-vem-aí-dar-te-porrada” que é o FMI.

          Para os outros fica o trabalho de defenderem os interesses dos seus senhores. Para o PCP a tarefa de mobilizar, esclarecer e reivindicar, junto com os trabalhadores e populações contra estes “paus-mandados” do Capital.

    • Carlos Vidal diz:

      Esta ou este gui qualquer coisa não era uma cega defensora do “alegrismo” de tão boa memória? Dessa magnífica “convergência” à “esquerda”?? Sim?? Se sim, o que é que quer?? Dialogar?? Desde quando é que dialogar é obrigatório ou sequer interessante?? Porque será que temos de responder a toda a gente??

      • Tiago Mota Saraiva diz:

        Carlos, porque sou amigo da gui e tenho um enorme respeito pelo que ela defende e pensa. Apesar de achar que não está no partido certo tendo em conta o que defende ou apesar de achar que votou no candidato a presidente errado.

        • Carlos Vidal diz:

          Entendo, Tiago. Mas, de certo modo, eu estava a falar em termos genéricos. Ou melhor, também ou sobretudo em termos genéricos.

          (Gosto daquele filósofo francês – não interessa quem – que, quando terminava uma palestra e lhe punham objecções na plateia, dava sempre razão a quem de tal modo intervinha, e pedia a questão seguinte. E assim sucessivamente, até estar terminada a sessão.)

      • Rui F diz:

        lol

        Boa memória é citar quem há pouco tempo defendia “democracias” estranhas.
        Interessante mesmo é não contestar o que não dá jeito ser constestado.

    • Nuno Ramos de Almeida diz:

      gui, citaste o Henrique Raposo como argumento? Acho que vou estar um mês a rir-me, cada vez que te leia no Facebook. 🙂

  11. Leo diz:

    (…) “O PCP afirmou e demonstrou que havia e há alternativa a esta rendição sob o comando dos banqueiros portugueses aos especuladores e espoliadores.

    O PCP em relação à questão do financiamento da economia defendeu e defende a renegociação (reestruturação) da dívida externa portuguesa.

    E diz defende, porque apesar do processo de capitulação já se ter iniciado, ainda se estava a tempo de se apresentar em Bruxelas a renegociação.

    Depois, porque se não for agora será em 2013 ou 2014, quando entrar em vigor o novo Fundo de Estabilização, ou um pouco mais à frente pois esta dívida com as taxas de juro que foram aceites é um processo de pura agiotagem que deixa o país a sangrar em vida!
    Mas nessa altura já sem força e sem trunfos para impor seja o que for.

    A altura era agora porque:

    primeiro, os bancos alemães, franceses e outros estão bastante expostos à dívida pública portuguesa;

    segundo, porque a Sr.ª Merkell até 2013, ano das eleições legislativas não pode deixar que o euro se desvalorize, ou seja objecto de um ataque em forma por parte do dólar e da libra;

    terceiro, porque Portugal estava em condições de com firmeza colocar a questão no Conselho da Europeu: – «ou resolvem o problema da dívida portuguesa ou seremos obrigados a apresentar a renegociação da dívida. E todos sabem que se o fizermos o Euro será objecto de um forte golpe de descredibilidade e de ataque especulativo por parte, designadamente do dólar».

    Repetimos e sublinhamos: havia e há alternativas a este roubo. Só era necessário um governo com um mínimo de coragem e dignidade nacional que defendesse o interesse de Portugal.

    A renegociação devia exigir o alargamento do prazo de pagamento e a diminuição das taxas de juro. Taxas de juro que são ilegítimas e um saque aos recursos do povo português.

    Não há nenhuma razão técnica ou ética para que Portugal pague de juros mais do que paga a Alemanha pelos seus financiamentos.

    Porquê? Porque a taxa de juro é o preço do dinheiro mais o risco. E como Portugal está no quadro do euro, o risco é igual pois se não pagasse a União Europeia teria de cobrir a situação. É assim até 2013.

    Por isso os juros que cobraram são juros especulativos e agiotas cobrados pelos mega Bancos Europeus com apoio e a conivência dos respectivos governos.

    Isto é hoje muito claro, como é muito claro, como há muito afirmámos que se estava a resolver o problema da dívida privada, à custa da dívida pública.

    Até o presidente do FMI, o Sr. Strauss Kan o afirmou na semana passada em Madrid: «o problema de Portugal não é a dívida pública, mas sim a dívida privada». E, com o maior descaramento até já se afirmou publicamente que uma boa parte do financiamento é para a banca, isto é para os banqueiros. (…)”

    http://www.pcp.pt/interven%C3%A7%C3%A3o-de-encerramento-do-encontro-nacional-do-pcp-sobre-elei%C3%A7%C3%B5es-legislativas-jer%C3%B3nimo-de-sous

    • José diz:

      “segundo, porque a Sr.ª Merkell até 2013, ano das eleições legislativas não pode deixar que o euro se desvalorize, ou seja objecto de um ataque em forma por parte do dólar e da libra;”

      Quem dera à Merkel – e a nós… – que o € se desvalorizasse face ao dólar…

      • Leo diz:

        A nós dava jeito que o Euro se desvalorize, mas à Merkel não dava jeitinho nenhum. Ela tem umas eleições para ganhar e os interesses alemães jogam num Euro forte na disputa da hegemonia do dólar sobre o mercado mundial.

  12. =) you take yourselves way too seriously. é uma piada, não? queres melhor exemplo de quão é fácil sermos criticados e vistos como ‘irresponsáveis’, pelo discurso do sistema (e temos todas as formas de os dar, a eles, como ‘inviáveis’, enquanto teoria económica e projecto político)? é dar o ouro ao bandido…

    • Nuno Ramos de Almeida diz:

      gui, o henrique raposo nunca é tomado a sério. acho que nem a progenitora dele o faz. Só tu, minha pequena madre teresa de cedofeita.

      • paranhos, puto, paranhos.

        • Nuno Ramos de Almeida diz:

          Isso não é no mesmo bairro?

          • Rocha diz:

            Não percebo esta gente do Bloco: o FMI são os vampiros mas vamos lá negociar, a NATO deve ser dissolvida mas espera aí a ver se derrubam o Kadhafi.

            Parece que andam a brincar com esta merda.

            A ditadura dos mercados e a ditadura da guerra não são negociáveis mas sim derrubáveis.

            Ainda não perceberam que isto é um combate até à morte? Ou eles nos matam ou nós os matamos a eles.

            É óbvio que só a luta de massas derrotará o FMI. A Argentina, Bolívia, Venezuela e restante América Latina não vos ensinaram nada?

          • Rafael Fortes diz:

            moiro…

    • Renato Teixeira diz:

      Responsabilidade, Responsabilidade, Responsabilidade, Responsabilidade!
      E boa educação.

      Gui, leste o manifesto? Sabes o que queriam os responsáveis da Junta de Convergência Nacional lá ir propor. As coisas têm causa e efeito. Não meteram os pés na manifestação contra os bombardeamentos na Líbia nem apareceram para correr com o FMI porque objectivamente a linha política para cada um desses assuntos não passa por aí. O resto é conversa para boi dormir.

    • miguel serras pereira diz:

      Nem mais, Gui. Quem entende que fazer outra política e desfazer esta, criando relações sociais de poder alternativas, só é possível através da acção dos muitos, do desenvolvimento das capacidades políticas (empowerment) dos cidadãos comuns, é a estes que tem de se dirigir, é com eles que tem de falar. O Carvalho da Silva – seja o que for que se ache das suas propostas concretas de resposta à ofensiva oligárquica – parece compreendê-lo melhor do que outros que tinham obrigação de…
      Concordo, no essencial, com o que dizes. Força e continua.
      Abraço

      msp

  13. José Manuel Faria diz:

    A Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses anda a brincar com esta merda do FMI & afins. Qualquer dia apelidam a CGTP de estar ao serviço do capital.

  14. Leo diz:

    “O FMI ainda não é governo” nem será!

    Importa agora é desmascarar o trio da desgraça que advoga as suas acções: PS, PSD e CDS.

  15. Tiago Mota Saraiva diz:

    Perdi-me na discussão…

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