O costumeiro (e repetitivo) Baudrillard de pacotilha bem tenta embrulhar docilmente o seu incontido socratismo, mas não, não, nós não compramos (ou, de que é que JSócrates é o nome?)

(Sr. João Lopes. “très-petit”, “très-petit”. Quem?)

(Sr. J Sócrates)

É penoso ler e frequentar um dos lugares mais acéfalos e fúteis, superficiais e vazios, o próprio socratismo embrulhado com má publicidade, um lugar que dá pelo nome e se autodenomina blogue (blogue?) “Sound & Vision”, onde pontifica aquele que eu nunca tive dúvidas de que mais não é que um tosco Jean Baudrillard requentado e de pacotilha, quer nos temas quer na prosa enfática apenas para esconder o impossível de camuflar ou confundir(-nos): um socratismo (ou melhor, uma admiração alicerçada na pessoa JSócrates, uma coisa tão fulanizada que não pode ser escamoteada de modo algum), um socratismo acobardado porque envolto numa pseudociência da “comunicação” e da “paisagem mediática” contemporânea, “criticando” a sua saturação de exposição glogal (do “mapa” que substitui o “território”, nos termos do Baudrillard genuíno, único) e verdadeiro; não deixa de ser curioso que tanto escândalo crítico a mover o personagem J Lopes, o escriba da coisa (e há lá outro de que não me lembro o nome), e este nunca tenha referido Guy Debord e a “Sociedade do Espectáculo”, o texto por excelência de análise da expropriação capitalista da linguagem comum,  sobretudo aquele momento debordiano e certeiro como afiado punhal que nos diz que o espectáculo não é a mera profusão das imagens, mas a sua tipologia (que supostamente interessaria a J Lopes, mas não, nada disso, Debord é radical de mais para tão soft prosador), a sua tipologia que se impõe como intermediária das relações entre as pessoas, como diz Debord, uma Weltanschauung tornada efectiva, um novo objecto muito além da “antiga” (e pior) alienação.

Não há lá Debord, como nenhum outro profundo pensador do tema, porque aquilo, aquele Sound & Vision”, é um lugar de futilidades e de fatinhos de bom corte, sem pensamento nem ideias, aquilo é apenas uma passadeira de escoamento de futilidades (mas quando, por exemplo, se atrevem a passar à crítica de música clássica, esse é o momento de humor do blogue!! Imperdível). Agora vem o “crítico de comunicação” J Lopes dizer-nos isto, pasme-se o primarismo e o carácter acéfalo da afirmação (a ver se pega):

a fulanização dos confrontos políticos, em Portugal, entrou numa vertigem aparentemente sem recuo. Como? Precisamente através das formas de representação mediática de José Sócrates, talvez perversamente favorecidas pelo próprio, porventura fragilizando o seu efeito específico junto dos eleitores. Na prática, de acordo com a ideologia de “telejornal” que parece presidir à maioria dos diálogos políticos, “pró-Sócrates” ou “anti-Sócrates” é a única forma inteligente de distinguir os portugueses.

Ora, é preciso intervir aqui, e eu quero sublinhar que isto é não só indigente, unineuronal como falso!!!

Porque não há ninguém minimamente inteligente que aceite o primarismo desta dicotomia “lopesiana”: o que há, sim, é um combate sem quartel à estupidez, esteja ela onde estiver (mesmo num blogue socrateiro), e sobretudo àquilo que Sócrates REPRESENTA.

(Napoléon-le-très-petit)

É evidente que eu estou aqui, de certo modo, a decalcar um inteligente raciocínio de Alain Badiou, no seu livro “De Quoi Sarkozy est-il le Nom?”. Não há combate a uma figura tão pobre, vazia e que nenhum assunto, comentário ou palavra suscita como JSócrates, expoente da pobreza extrema a todos os níveis (político, cultural, intelectual, etc.), o que há e tem de haver sem quebras é um combate ÀQUILO QUE JSÓCRATES REPRESENTA!

Diz-nos Badiou algures no seu texto que nota em toda a gente uma grande incerteza, estado de nojo, mesmo depressão e que – importante! – Sarkozy, ele próprio isoladamente, não suscitaria nada disso, nada: a razão desses estados de espírito é “a coisa imunda de que Sarkozy é o fiel servidor”. Ora, é isso que temos de aplicar a Portugal e a este tempo infeliz que nos cabe viver. O nojo sentido não é a JSócrates, personagem sem densidade nem conteúdo que ultrapasse o zero (zero a partir do qual há um assunto, mas abaixo dele nada há), sem nível intelectual ou político, quer falemos na teoria ou na prática, o que nos move é aquilo de JSócrates é o Nome, e como ele é o Nome. E é tudo.

Desengane-se o nosso Baudrillard de pacotilha: o problema é aquilo que JSócrates representa e como o representa (e como o representa, de facto!). Quanto ao representante daquilo que representa, poderia e deveria desaparecer já no próximo segundo, que cá estaríamos nós para combater aquilo que ele representa e serve: o novo riquismo pimba e ultra-rasca, o capitalismo predador, a mentira como arma primariamente detectável.

Sr. J Lopes, vá pregar para outra cidade.

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22 Responses to O costumeiro (e repetitivo) Baudrillard de pacotilha bem tenta embrulhar docilmente o seu incontido socratismo, mas não, não, nós não compramos (ou, de que é que JSócrates é o nome?)

  1. Justiniano says:

    Caríssimo Vidal,
    O Zé é a mais elementar representação do deslumbramento, da ignorancia presumida, do logro e da dissimulação!! De muito mais!! É simbolo dos ignorantes soçobrados que confundem teimosia e orgulho com virtude e coerencia!!
    Permita-me repetir aqui o Carrilho, num texto que subscrevo, já de Setembro de 2010, e já nessa altura era tarde para todos nós, que me parece estrutura uma resposta semelhante!!
    «O deslumbramento é sempre a outra face de uma ofuscação, de um dogma, de uma cegueira. O deslumbrado olha, mas é incapaz de ver. Quando hoje analisamos a crise que temos vivido nos últimos anos, percebe-se que não foi por falta de saber que não se viu o que lá vinha, mas por excesso de deslumbramento: porque o deslumbramento desvaloriza a prudência, inutiliza o conhecimento e dilui o saber. E esta crise foi, em grande medida, a consequência de um duplo deslumbramento: com a nova finança e a sua delirante criatividade, com as novas tecnologias e as suas mirabolantes promessas, que se impuseram com uma tóxica cumplicidade. Foi este duplo deslumbramento que cegou e manietou tanta gente. E é ainda ele que, hoje, leva muitos a pensar que será com a retoma dos factores que provocaram a crise que se sairá dela. Isso acontece porque o deslumbramento, ao desprezar o passado e ao ignorar o futuro, vive e faz viver num presente completamente virtual. Num presente que é feito de activismo sem estratégia, colado a um imperativo de modernidade que se apresenta como um acelerador de tudo, mas que, na realidade, ninguém vislumbra ao que conduz. Ser moderno tornou-se simplesmente nisto, em ser deslumbrado!…»
    Manuel Maria Carrilho, DN

    Esta gente não nos dá descanso caro Vidal!!! Não desistem!! Insistem!! (e são tantos, ainda)

    • Carlos Vidal says:

      Parece-me que inclusivamente podem ir aos 30%.
      A coisa é gravíssima, pois eu acho que até serão mais.
      (E depois há os que disfarçam, disfarçam: vide este JLopes.)

  2. José Magalhães says:

    o baudrillard é um exemplo acabado do “pós-moderno”. Os pós-modernos são uns saudosistas do restelo disfarçados de adiantados mentais. o discurso pós-moderno define-se pela fórmula “nas sociedades primitivas e arcaicas, havia ordem estabilidade, justiça divina, e éramos uns felizes inconscientes com os nossos deuses ilusórios, hoje em dia com a modernidade, veio a desordem, a injustiça, a consciência infeliz e as nossas ilusões divinas”. neste saco cabe o baudrillard, o lipovestky, o baumann, o lyotard e o resto da cambada de intelectuais melancólicos. o meu preferido é o zygmunt baumann, sem dúvida. o baudrillard gosto, mas só da parte em que ele faz a ligação da pulsão de morte freudiana com a dinâmica capitalista. na parte em que ele é mais conhecido, a cena do simulacro e das simulações, realmente a sociedade do espectáculo do debord dá 5-0

    • Carlos Vidal says:

      Dá 5 ou 10 a zero a quase tudo.
      E a forma como o Baudrillard tenta disso escapar (como até do Marx, dos seus espectros e fetichismos); esse desespero baudrillaresco é sintomático de como ele tentou seguir o Debord (julgando que ninguém o perceberia).
      E agora imagine: e o que dizer de um Baudrillard de 10ª divisão??
      Duro, não?

      • Justiniano says:

        Sem dúvida, meus caros, 10-0 e sem correr muito!! E neste caso é apenas mais um personagem a tentar trilhar um caminho lateral de persistencia do espectáculo, mas naturalmente inglório pois por tão pobre espectáculo não haverá, certamente, espectadores que o desejem encontrar!! Verdadeiramente, o personagem não compreendeu a natureza do espectáculo ou dos méritos necessários para participar na necessária actualização do mesmo!!

  3. Renato Teixeira says:

    Pela prosa, arrisca-se a ser o próximo representante de Portugal no FMI.

    • Carlos Vidal says:

      Exactamente, Renato.
      Porque é uma prosa, simultaneamente, arrogante e balofa, justiceira e vazia, pateta e previsível.
      E, enquanto vazia e previsível, aspira a não “desperdiçar” nada. Acha-se económica.
      Em suma, uma coisa sem pensamento nenhum, logo compatível com os ditames da economia vigente. A que acrescenta a vontade de censura: trata-se de um tipo, o dito “crítico”, que considera tudo o que tenha espírito inquieto como “perigoso”, “devasso”, etc.
      De novo, um moralismo que o FMI gostaria muito de conhecer.

  4. Pascoal says:

    João Lopes, J Sócrates, Jean Baudrillard, Guy Debord, Sarkozy, Badiou.
    Já ouviste falar da Bimbi?

  5. Niet says:

    Sim, sim, e, com a ” ruse de l´histoire “, oh. prof. C. Vidal,talvez tentar… abandonar a certeza e
    mergulhar na ficção- na Teoria – como diz Baudrillard? Ou prefere continuar a cultivar o ” snobismo da diferença “- que o J.Baudrillard bem denuncia na Cultura Europeia? Continua a correr- como eu já o relatei- à frente das antinomias e aporias de Hegel… Niet

    • Carlos Vidal says:

      Está a referir-se ao grande crítico Lopes?
      O homem de Hegel conhece o nome.
      De resto, é uma mistura Godard / Spielberg a ver se a gente embarca: o primeiro (juntamente com o Debord e o Straub) é o melhor de todos os cineastas; o segundo, teve dias, dias melhores que outros.
      (Como todos nós, aliás. Abc. CV)

      • Niet says:

        Gosto de tentar sempre responder ao interlocutor, como sabe. CV. Fiquei muito contente por ler- no M. Rubel- que Marx releu a ” Ciência da Lógica “, de Hegel, em livros dados por M. Bakounine… Bem- e devido ao adiantado da hora- uma pequena citação do Braudillard, que tem umas coisas profundas também sobre o ” complot ” da Arte… ” A estratégia fatal é muitas vezes compreendida como a evolução catastrófica interna ao sistema. Na minha ideia, isso acontece precisamente ao contrário. Trata-se de tentar encontrar uma forma de Jogo e de Destino que se oponha justamente a essa evolução implacável do Sistema. Porque esta não é, de modo nenhum, fatal mas banal. A estratégia fatal consiste na reinvenção de um pensamento, que faça explodir não a verdade do sistema mas a sua lógica. Contra a estratégia do Mal, a estratégia do Pior “. Salut! Niet

  6. xatoo says:

    na teoria da complexidade cria-se números em computador por si só a partir da “acção” de outros números – na vida real o equivalente será um espectáculo multiplicador de “lopes”, “pascoais” e “maradonas”. Verdade se diga, em abono da observação real, o Carlos Vidal foi o único que ainda não me censurou neste blogue

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