Sim, muito me comovi ontem perante a gigantesca maré de bandeiras nacionais no comício do PS em Matosinhos, sobretudo quando uma ribombante onda sonora marcou a entrada do chefe (ao ponto de ter feito estalar o teleponto) – o que me fez lembrar os gloriosos comícios em que participei ainda não nascido, onde eu gritava “Salazar, Salazar, Salazar!”

Não esquecerei:

essa maré genuinamente portuguesa e de portugalidade (nem uma bandeira partidária se levantou, nem uma existia naquele recinto, nada mas nada mesmo a ver com o Partido Socialista, tudo mas tudo a ver com a nação, que não se discute nunca, nunca), essa flamejante maré, eu nunca vira em parte alguma no após-25 de Abril. Aliás, essa gigantesca maré nacional ontem em Matosinhos (ver foto em cima) mostrou como a ideia de partido e o próprio 25 de Abril (que já não se comemora este ano, felizmente) foi uma fraude e uma traição aos valores de Matosinhos, que ficará para a história como o lugar de uma salutar e urgente regeneração de valores.

Valores saudáveis e limpos de admiração por quem trabalha e nos dá tudo, défices, dívida soberana avassaladora e 150 000 postos de trabalho por semana, como o chanceler Adolf Hitler, esse grande aguarelista (hoje tão desvalorizado como pintor, o que é pena, mas os irmãos Chapman souberam ir buscar as aguarelas do mestre para nelas intervirem!), esse grande aguarelista que, em poucos anos, não interessa muito como, fez baixar o desemprego na Alemanha, de 1933 a 1939, de 6 000 000 almas para apenas 300 000!!!

Acordem portugueses, 5 de Junho vamos todos votar na mãozinha! Ela guia-nos, e guiar-nos-á para sempre (desde 1975 que nos esmurra, mas é para nosso bem).

Voltemos ao chanceler do Reich, a nação em primeiro lugar! Ele comprometeu-se e executou um gigantesco programa de obras públicas, hoje o nosso primeiro também tudo fará para as levar em diante, pois nenhum de nós desacredita no fulgor de Coelho/Engil, e outros. Aumentou o crédito, como os nossos queridos banqueiros, que lucram, lucram, para nosso bem e robustez da nação; o chanceler criou programas de apoio ao emprego (Sócrates criou centenas de milhares, disse-o e fê-lo, pois que razões temos para não acreditar em tal evidência – não se lembram dos cartazes de campanha?); o chanceler intimidou o sector privado sobre o que devia ou não ser produzido (esqueceram-se do “choque tecnológico”?, e do Magalhães?); instituiu na Alemanha o planeamento familiar como o nosso primeiro-ministro o “cheque-bebé”: já se esqueceram, ó foliões? Sócrates defendeu sempre keynesianemente o sistema de saúde público (dezenas de serviços de urgência foram encerrados ou diminuídos nas suas “valências”, mas não foi isso para melhorar a performance do SNS, perguntem ao poeta Manuel Alegre, pois a esse ninguém há de calar!); sim, como na Alemanha, tudo isso gerou défices, mas, que raio, “há vida para além do défice”, há FMI e FEEF, e o défice não se pode sobrepor à justiça do Estado Social, muito bem, obrigado PS!

Ora, que mais dizer? Quer o famoso chanceler, o sr. engenheiro Sócrates e o mago das Finanças de Coimbra, estavam irmanados nos valores da nação e da história, sempre (ver vídeo em baixo, de 2008!!!!). Diz-se que o Portugal de Salazar promoveu a segurança e a ordem – e os tasers da era deste Ministro da Justiça, já se esqueceram, e esqueceram-se dos blindados para a Cimeira da NATO? O Portugal de Salazar dotou o país de infraestruturas, como Sócrates de tecnologia no ensino, computadores e Inglês desde a nascença: já se esqueceram dos resultados de Maria de Lurdes Rodrigues e da sua Reforma da Educação? Ingratos. Por fim, o Portugal de Salazar defendia e valorizava a História, mas o que é isso comparado com esta entrada de Sócrates num palco das “Novas Fronteiras” em 2008, ao som de uma onda musical espectacular e……. e……. da primeira estrofe de “Os Lusíadas”.

Para já, vejam, uma pérola a não perder:

As armas e os barões assinalados
Que da Ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca de antes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino que tanto sublimaram;

E a seguir, a seguir………………. Entra Sócrates em palco!!!!!!!!!!!

Este homem, este homem… Este homem… Estamos salvos, aleluia, porra:

 

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21 respostas a Sim, muito me comovi ontem perante a gigantesca maré de bandeiras nacionais no comício do PS em Matosinhos, sobretudo quando uma ribombante onda sonora marcou a entrada do chefe (ao ponto de ter feito estalar o teleponto) – o que me fez lembrar os gloriosos comícios em que participei ainda não nascido, onde eu gritava “Salazar, Salazar, Salazar!”

  1. Leitor Costumeiro diz:

    Puta que pariu este país!!
    portugal com letra muito, muito pequenina…
    PS!PS!PS!
    Hein Reich!!Hein Füher!!

  2. Camarro diz:

    Num dos intermináveis directos do fim-de-semana assisti a um vídeo que celebrava Almeida Santos com a Internacional como música de fundo… depois, passou para os Queen: “friends will be friends”. Inacreditável… Como diz, Carlos Vidal, há que dinamitar a coisa…

  3. Carlos Vidal diz:

    O vídeo em baixo, o vídeo, vejam o vídeo, pelos deuses!

  4. a anarca diz:

    Consegui ultrapassar o amuo e vi o vídeo.
    É urgente acabar de vez com este palhaço .

  5. Renato Teixeira diz:

    Surreal!

  6. maria diz:

    Definitivamente, a criatura e “acólitos” perderam a noção do ridículo!…

  7. Apenas cheguei de olhos abertos até “à abertura”, depois fui bombar.
    Lembra um grande arquitecto-pintor e político austríaco, e também o grande Kim. O homem virou ferreiro, tal é a mania das galvanizações kitsh. Já não há paciência…

    • Carlos Vidal diz:

      A questão é a seguinte – acerca desta ligação: Camões / Descobrimentos / JSócrates:
      É esta, pois: se isto não fosse literalmente (peço perdão) de mijar a rir, era tudo muito grave. Mas apenas nos leva ao WC.
      A mim levou-me ao WC.

      De qualquer modo, onde andávamos nós com a cabeça que não vimos esta pérola?
      Onde anda Hollywood?
      O Baudrillard, mesmo morto, acordou? Já comentou?
      Que fazer?

      • O povo, como lhe não tivesse podido saldar todo o reconhecimento que lhe devia, ordenou que fosse enterrado a expensas do público e cada cidadão contribuiu para isso com a quarta parte de um ás ( moeda de cobre). As amigas jugulentas e outras mais, em homenagem à sua memória, combinaram usar luto durante um ano.

        • Carlos Vidal diz:

          Enterrado e bem enterrado, o dito cujo e o capitalismo dele.
          O Luto das mulheres citadas seria bem vindo.
          E que Deus te ouça.
          (Para eu hoje dormir descansado.)

          • Eles já estão no meio de nós, com verdade te digo, pelo que não dormirás.
            O povo respeita o poder dos chefes, quando não é demasiado oprimido, nem goza de excessiva liberdade, com efeito, ele atrairá, cedo ou tarde, a vingança celeste.

          • Carlos Vidal diz:

            Gosto muito de profecias, e dessas muito mais.
            Sim, eu sei. Eles chegaram hoje.
            Para ficar.

  8. Justiniano diz:

    Sem dúvida o maior espetáculo do mundo!! Teve tudo, tudinho!! Luz e cor!! Ritmo, drama, alegria, malabaristas, acrobatas e palhaços! Um encanto! Até tiveram o cuidado de por a manesa a berrar já depois da hora de deitar as crianças!!

  9. Justiniano diz:

    Caríssimo Vidal, vi ontem aquela entrevista da Sra do Portugalatório ao Pai daquele circo!! Aguentei-me, aos costumes! Mas quando o Patriarca se lançou, com tesão de corno, à Europa desta e daquela, do ultimato, do abandono, que aí vinha o cataclismo e a desintegração, não pude deixar de recordar o mesmo personagem a arremeter, em vergastadas de ancião, contra os desgraçados dos Polacos e dos Checos que andavam a atrasar quando era para pegar ou largar!! Tudo isto em Lisboa!! Pobre Lisboa! Esta gente não tem espelhos! Pior, só mesmo um tal Ramalho que só se pode ouvir tagarelar depois de 2 litros de vinho de Estremoz no papo!!
    Só nos faltava, caríssimo Vidal, vir agora o dos atoalhados discursar à Nação! Valha-nos que se tem escusado!
    Acrescento, para que não restem dúvidas, que há gente (mesmo muita gente) que diz em voz grave que não deveriamos pagar o devido e que, por direito divino, nos haveriam de entregar mais do mesmo. Uma colossal imoralidade! É absolutamente imoral a recusa, a remição ou o perdão de qualquer tostão a esta gente!! Sem misericórdia alguma!! E os juros, já há muito que deviam rondar os 20%, para cima! Nós haviamos de receber em farelo para não estragar dinheiro!! E para saber isto nem é necessário ir ao centro comercial ou ao circo, basta ligar a TV!!

    • Carlos Vidal diz:

      Ontem, pelos vistos foi dia de Feira do Relógio, da verdadeira Feira do Relógio:
      À mesma hora, Passos, o Pai da Pátria (safa!), e Louçã, em três lugares diferentes.
      Louçã tecnicamente irrepreensível (não forçosamente entusiasmante), Passos a estupidificar-se, mas menos que o chefe regenerador de Matosinhos (este é inultrapassável, aleluia, porra), e o Pai da Pátria a dormir, sempre a dormir, desde há décadas. Como é que foi possível termos tido um “Pai” que dorme tanto (teria dormido na concepção?): a ler Marx (confessou-o), a fazer contas, a olhar um quadro, aquilo é sono, sono, sono.
      Foi Feira, portanto, o meu caro comprou alguma coisa?

      Conhece certamente aquela Tese 6 de La Société du Spectacle:
      “O espectáculo, compreendido da sua totalidade, é ao mesmo tempo o resultado e o projecto do modo de produção existente. Ele não é um suplemento ao mundo real, a sua decoração readicionada. É o coração da irrealidade da sociedade real. Sob todas as suas formas particulares, informação ou propaganda, publicidade ou consumo directo de divertimentos [e que divertimentos, ontem, meu caro Justiniano!], o espectáculo constitui o modelo presente da vida socialmente dominante. Ele é a afirmação omnipresente da escolha já feita na produção, e o seu corolário o consumo”.

      Onde foi dia de escolha e consumo. O que é que o meu amigo comprou na Feira do Relógio, ontem reforçada e à mesma hora? Confesso, eu comprei o técnico.
      Coisas da vida.
      O tipo que dorme já não vai lá nem com baixos saldos.
      A Feira continua, o que é bom para a actividade comercial e para o país.
      Estamos salvos.

      • Justiniano diz:

        Caríssimo Vidal, bem sabe daquela minha velha pulsão conservadora! Lá tive de ficar com o Patriarca! Mas se nem o desgraçado do Debord se livrou de integrar o espectáculo, mesmo morto!! E, assim morto é que o celebraram, tão quedo e sossegado!! E estava cheio de razão quando, parece-me, emendou que o objecto do espectáculo não se restringia aos modelos de vida socialmente dominantes pois integrava já os possíveis, eventuais e impossíveis, que nem os pigmeus do congo escapam!!
        Foi, concordo, sem dúvida, uma noite em cheio!!

        • Carlos Vidal diz:

          E os próximos dias e noites ainda vão ser melhores:
          assistir ao comportamento do socratelho-mor, dos socratelhos (daquele gajo que teve sorte em Felgueiras, como do chefe que tem tido sorte ou tem dado sorte na Cova da Beira, como do outro que agora está em Moçambique a fazer aquilo que sabe), vê-los à beira de uma derrota (por exemplo, passarem para o 3º lugar eleitoral, depois do PSD e da soma PCP-BE, e não falo em coligações) vai ser delicioso e imprevisível.
          E é essa imprevisibilidade que vai ser o sal dos próximos tempos.

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