Fernando Nobre, campeão de cidadania, candidata-se pelo PSD

Lembram-se de Helena Roseta? A que havia sido do PSD, que aderiu depois ao PS e que, entretanto, se tornou na campeã de cidadania e se candidatou como independente à Câmara Municipal de Lisboa, em 2005, obtendo 10 por cento dos votos? Sim, a que depois se juntou ao PS, novamente, para ser vereadora de António Costa.

Lembram-se de Manuel Alegre? Aquele poeta que é desde sempre do PS mas que, em 2006, foi o campeão de cidadania e apostou na já velha estratégia de apagar o passado e tentar desvincular-se do seu partido de sempre. Nesse ano, obteve 20,74 por cento e até se falou num novo partido. Mas não passou, como sempre, de um embuste. Manuel Alegre voltou a candidatar-se às eleições presidenciais e, desta vez, pelo PS e Bloco de Esquerda.

Lembram-se de Fernando Nobre? O fundador da AMI que, para além de já ter apoiado o BE, PS e PSD, e de ter simpatias monárquicas, chegou ao 25º lugar no concurso televisivo Grandes Portugueses, ganho por António Oliveira Salazar. O médico lançou uma campanha baseada na cidadania e num discurso anti-partidos para alcançar a presidência da República. Foi o campeão da cidadania deste ano ao alcançar 14 por cento dos votos. E quem duvide é porque nunca viu uma criança roubar uma côdea de pão a uma galinha. Agora, candidata-se pelas listas do PSD à Assembleia da República.

Com alguma probabilidade, nos próximos anos, voltarão novos candidatos a campeões de cidadania para iludir aqueles que acham que cidadãos independentes, sem o apoio do poder económico e político, podem obter os mesmos resultados eleitorais de Helena Roseta, Manuel Alegre e Fernando Nobre.

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9 respostas a Fernando Nobre, campeão de cidadania, candidata-se pelo PSD

  1. xatoo diz:

    este Fernando Nobre nunca enganou aqui a malta do bairro: é cliente do Eleven, está tudo dito

  2. João diz:

    Espero que o Bruno também se lembre dos candidatos presidenciais apoiados pelo PCP, Eanes e Soares. Ou dos dirigentes do PCP Zita Seabra e Pina Moura. Isto para não alongar a lista, só para dizer que os erros de análise não são privilégio de ninguém. Resta saber é o que se aprende – ou não – com eles.

    • Bruno Carvalho diz:

      João, isto não se trata de saber que partidos apoiaram Fernando Nobre, Helena Roseta ou Manuel Alegre. Trata-se de saber porque tenta esta gente usar o truque da “cidadania independente dos partidos” para enganar os votantes. Infelizmente, a sua argumentação não tem a ver com o que está aqui em discussão, apesar de não gostar de nenhum dos nomes que referiu.

  3. João diz:

    Isto trata-se de logro político, tanto se me dá que seja dentro ou fora dos partidos. É para mim mais grave, por exemplo, que a Zita Seabra tenha saído da comissão política do PCP para deputada do PSD, do que o Nobre seja candidato do PSD, até porque já tinha no seu percurso político incursões no PSD, nomeadamente apoios a Durão Barroso e Capucho.

    • Bruno Carvalho diz:

      Parece que o João não percebe, ou não quer perceber, que aqui o que se discute é a utilização de uma táctica que usa a chamada cidadania apartidária como meio para lançar gente que é tudo menos apartidária e, principalmente, tudo menos desligada do poder político e económico.

  4. João diz:

    http://www.radioocidente.pt/noticia.asp?idEdicao=158&id=17908&idSeccao=1489&Action=noticia

    O presidente da Junta de Freguesia da Cruz Quebrada-Dafundo, em Oeiras, disse hoje à agência Lusa que deixou a militância do PS e admitiu a criação de um movimento independente a ir a votos nas próximas eleições autárquicas.

    “Na quarta-feira enviei uma carta para o Largo do Rato [sede do PS] para devolver o meu cartão de militante. Estou desagradado com a vida política do país e desacreditado quanto à classe política em Portugal. Além disso não há articulação entre as políticas socialistas e as políticas da freguesia”, justificou Freitas do Amaral.

    Criticando a falta de políticas “de esquerda” e que “defendam os interesses dos que realmente necessitam”, o autarca sublinhou que “para haver mais democracia tem de se envolver mais a sociedade civil na participação democrática”.

    Considerando-se, agora, “um independente”, o presidente da Junta admitiu a criação de um movimento independente para ir a votos nas próximas eleições autárquicas de 2013.

    “Têm surgido contactos originários da candidatura [presidencial] de Fernando Nobre, nomeadamente de Joaquim Rocha Afonso e de Catalina Pestana [ambos vivem em Oeiras]”, avançou Paulo Freitas do Amaral.

    “Eu creio que mobilizar as pessoas para os problemas que são seus vizinhos, que estão à sua porta, aumenta a participação cívica das pessoas. Oeiras pode ser um bom tubo de ensaio para se fazer uma mudança do regional para o nacional”, considerou.

    Contactada pela Lusa, Catalina Pestana, antiga provedora da Casa Pia, disse que este “é um projeto ainda muito embrionário”.

    “Conheço vários elementos da freguesia e têm uma atitude cívica que me fascina completamente. O presidente trabalha 12 horas por dia, tem sangue na guelra, tem projetos como levar os miúdos à escola… Se me continuarem a estimular vou fazer tudo para os ajudar”, disse.

    A antiga provedora da Casa Pia admitiu “apoiar este movimento cívico nas próximas autárquicas se Paulo Freitas do Amaral se dispuser a liderá-lo”, recusando definir já a posição que ocuparia dentro do movimento.

    “O que importa são as ações que vamos tomar, não as posições dentro do grupo”, considerou, afirmando “estar cansada” do “modelo partidário da Europa”, por “estar tão degradado que quase todos quando saem do poder vão para a prisão”.

    A Junta de Freguesia da Cruz Quebrada-Dafundo é a única das dez autarquias do concelho de Oeiras que não é liderada pelo movimento independente Isaltino, Oeiras Mais À Frente (IOMAF), que preside o município.

    12 Mar 2011, 16:59h

  5. João diz:

    O homem já apoiou o PSD (Durão e Capucho), o PS (Costa), e o BE (Portas). Qual o espanto agora? E, goste-se ou não, é da cidadania independentes dos partidos, o que não significa ser anti-partidos, como tem sido acusado. Só ainda não percebi se ele usa os partidos ou é usado por eles; agora os eleitores que se queixam deixem de ser totós…

  6. Carlos Vidal diz:

    Pedro, o problema está enunciado no último parágrafo do teu post.
    É que a praga é interminável.

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