Mouseland

Uma fábula política do democrata canadiano Tommy Douglas (1904-1986), governador da província de Saskatchewan.

Com legendas em espanhol aqui

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8 respostas a Mouseland

  1. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Muito bom.

  2. Sassmine diz:

    maravilha. 🙂

  3. Rocha diz:

    Este discurso existe em texto em algum sítio, porque se existe eu adorava traduzir.

    • Pedro Penilo diz:

      Vale a pena traduzi-lo. Tem a força de um discurso histórico realmente usado numa campanha política.

      • Rocha diz:

        Ratugal (Mouseland)

        Tommy Douglas (1904 -1986) foi um dos mais conhecidos social-democratas do Canada.

        Esta é a história de uma terra chamada Ratugal. Ratugal era uma terra onde todos os pequenos ratos viviam e brincavam, nasciam e morriam. E eles viviam basicamente da mesma maneira que vocês e eu vivemos.

        Eles até tinham um parlamento. E a cada quatro anos tinham uma eleição. Costumavam andar até às urnas de voto para votarem. Alguns deles até podiam ter boleia até às urnas. E puderam ir de boleia pelos próximos quatro anos também. Tal como eu e vocês. E a cada vez no dia da eleição, todos os pequenos ratos costumavam ir às urnas e costumavam eleger um governo. Um governo composto de grandes, gordos, gatos pretos.

        Agora, vocês podem pensar que é estranho que os ratos elegessem um governo composto por gatos, mas basta que olhem para a história de Portugal dos últimos 90 anos e talvez possam ver que eles não eram mais estúpidos do que nós somos.

        Mas eu não estou a falar nada contra os gatos. Eles eram boa gente. Eles conduziam o seu governo com dignidade. Eles aprovavam boas leis – isto é, leis que eram boas para gatos. Mas as leis que eram boas para os gatos não eram muito boas para os ratos. Uma das leis dizia que os buracos dos ratos teriam de ter tamanho suficiente para que um gato pudesse meter lá a pata. Outra dizia que os ratos só podiam viajar a determinadas velocidades – para que um gato pudesse tomar o seu pequeno-almoço sem muito esforço.

        Todas as leis, eram boas leis. Para os gatos. Mas vejam, elas eram difíceis para os ratos. E a vida estava a ficar mais e mais difícil. E quando os ratos não podiam aguentar mais com aquilo, eles decidiram que algo tinha que ser feito. Então eles foram em massa às urnas. Eles votaram e tiraram os gatos pretos do poder. Eles puseram lá os gatos brancos.

        Ora os gatos brancos tinham montado uma formidável campanha. Eles disseram: “tudo o que Ratugal precisa é de mais visão”. Eles disseram: “o problema de Ratugal deve-se àqueles buracos de ratos redondos. Se nos elegerem vamos criar buracos de ratos quadrados”. E assim fizeram. E os buracos de ratos quadrados tinham o dobro do espaço que os buracos de ratos redondos e assim o gato podia meter lá ambas as patas. E a vida estava mais dura do que nunca. E quando os ratos não podiam aguentar mais com aquilo eles votaram contra os gatos brancos e puseram os gatos pretos de novo no poder. Depois voltaram-se de novo para os gatos brancos. Depois para os gatos pretos. Depois eles até tentaram votar em gatos meio brancos, meio pretos. E a isso eles chamaram uma coligação. Eles até tiveram um governo composto de gatos com pintas: esses eram gatos que tentavam chiar como ratos mas comiam como gatos.

        Vocês compreenderão amigos, que o problema não era com a cor do gato. O problema era que eles eram gatos. E porque eles eram gatos, eles naturalmente olhavam pelos interesses dos gatos em vez dos ratos.

        Até que apareceu um pequeno rato com uma ideia. Meus amigos, atenção ao pequeno tipo com uma ideia. E ele disse para os outros ratos, “vejam rapazes, porque continuamos a eleger um governo feito de gatos? Porque não elegemos um governo feito de ratos?” “Oh”, disseram eles, “é um comunista. Prendam-no!”

        Assim eles puseram-no na cadeia.
        Mas eu quero vos lembrar: podem prender um rato ou uma pessoa mas não podem prender uma ideia.

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