FMI GO HOME

A luta de classes é assim: PEC I, PEC II, PEC III, Greve geral, greves parciais, manifestação Geração à Rasca, manifestação da CGTP, greves transportes, PEC IV não passa, Governo cai. A burguesia foi aprovando PECs até onde teve base social para ir avançando. Teve que recuar quando a radicalização da situação social o impôs. Lançou mãos das duas últimas cartadas – chamar eleições para canalizar o descontentamento social para mais um processo eleitoral, trazer o FMI para aplicar as medidas que não conseguiu aplicar sozinha.

O não entendimento de facto do BE e do PCP num acordo pré-eleitoral é uma batalha perdida para já. E a conversa de circunstância – futuros entendimentos e outras politicamente bem correctas – não nos alivia a alma quando está aqui o FMI.

Aqui neste link e neste as dezenas de organizações e pessoas no mundo contra o pagamento das dívidas externas.

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

33 respostas a FMI GO HOME

  1. psd da boa-fé diz:

    O charme de um Passos Coelho aprumado e bem cheiroso resolve rapidamente a luta de classes. Se não funcionar, volta outro gajo do tipo-Sócrates-Barroso-Guterres, sempre bem falante mas esquizofrenicamente inimigo da ‘res publica’, e a luta fica resolvida para os próximos 10 anos. Não há luta que resista ao perfume e à decência da responsabilidade que emana da Realpolitik. É triste mas é verdade e a prova está nas sondagens recentes que dão uma inquestionável base de apoio democrático à política bem falante, decente e séria. Cavaco forever!

  2. Leo diz:

    “O não entendimento de facto do BE e do PCP num acordo pré-eleitoral” ???

    É uma evidência que todos vão como foram nas últimas: uns sozinhos outros em coligações. Sozinhos vão PS, PSD, CDS e BE, em coligação Democrática Unitária vai o PCP.

    • psd da boa-fé diz:

      A cdu e a cccp são o futuro, o sol que todas andamos à procura para iluminar o caminho. Primeiro, eliminam os focos de crítica radical ao existente. Depois, perseguem a dissidência até à morte. Finalmente, transformam-se em bandos de papagaios que irradiam e difundem a palavra sagrada pelas caixas de comentários dos blogs.

      • Leo diz:

        A CDU é a Coligação Democrática Unitária onde participa o PCP, Verdes, Intervenção Democrática e muitos independentes e será provavelmente a única coligação a disputar as eleições. Todos os outros irão sozinhos. É uma evidência.

    • LAM diz:

      Desculpe, para sermos rigorosos, para fantasma, fantasma e meio: O PCP vai com os Verdes e a ID, e o BE vai com a UDP, o PSR, a FER, a Carmelinda Pereira e o João Teixeira Lopes, o Daniel Oliveira e o Gil Garcia.

  3. xatoo diz:

    A miséria pode suscitar motins, mas não origina revoluções. Como concluiu Gramsci: “pode-se excluir que, de per si, as crises econômicas imediatas produzam acontecimentos fundamentais; elas criam somente um terreno mais favorável à difusão de certos modos de pensar, de apresentar e de resolver questões que envolvem todo o desenvolvimento ulterior da vida do Estado”
    Depois do autêntico golpe-de-estado da Banca, que a miséria vai alastrar não há grandes dúvidas – e o PS retrocede, faz um Congresso e anuncia desde já o regresso de Ferro Rodrigues ao Parlamento e as declarações de Manuel Alegre que “não se pode pensar numa alternativa de esquerda que não inclua o PS” – e aí temos a “oposição da burguesia de esquerda” ao governo Passos/FMI a funcionar. É um circulo de giz eterno onde enfiam o povo, os filhos da puta
    “hádem” haver sempre mil parolos que enfiam este garruço por mais uma década? que fará Louçã na próxima conjuntura? vai almejar por uma coligação à esquerda com o P”S” descontaminado e purificado do soccratismo, claro está

    • Raquel Varela diz:

      O BE chega a esta caminhada cheio de pedras: apoio ao FMI da Grécia, apoio ao candidato do PS e mais recentemente apoio à intervenção militar da Líbia desde que apoiada pela Liga Árabe e a ONU.

  4. Dédé diz:

    psd da boa-fé (whatever that means), olhe que as sondagens recentes não provam isso:
    ELEIÇÕES: ESTÁ TUDO EM ABERTO O que dizem que as sondagens dizem, e o que realmente dizem as sondagens.

    Raquel, sem ofensa e não querendo que isto de algum modo contribua para o necessário entendimento à esquerda em que acho todos temos de nos empenhar, há-de convir que estas aproximações não se fazem à la minuta. Bom seria que este encontro tivesse tido lugar, por exemplo, aquando da aprovação do PEC 2010, ou da Greve Geral, mas como se lembra ainda há 3 meses os dirigentes do BE andavam em comícios com os dirigentes do partido principal responsável pela actual situação.

    • Dédé diz:

      Correcção:
      “contribua para pôr em causa o necessário entendimento.

    • Raquel Varela diz:

      Sim, era no primeiro PEC que precisávamos de uma coligação e de uma greve geral. O que mostra que não estamos mal só porque a direita faz bem o seu papel mas porque a esquerda faz muito mal o seu.

      • Leo diz:

        A mania de culpar as vítimas para branquear os perpetradores tem um longo historial e ainda mais autores. A Raquel é apenas mais uma dessa longa lista. Quem tem governado desde há 35 anos têm sido PS, PSD e CDS. São os responsáveis pela desgraça. E quem desde há 35 anos tem criticado e apresentado alternativa tem sido o PCP.

  5. Gentleman diz:

    Quando uma empresa farmacêutica desenvolve um novo fármaco não começa por coloca-lo à venda para a população em geral experimentar e depois poder tirar conclusões sobre a sua eficácia. Não, primeiro faz experiências controladas em pequenos grupos de voluntários e se, após vários anos, os resultados forem positivos é que disponibiliza o fármaco para a população em geral. Porque é que, então, os socialistas utópicos insistem tanto na revolução e na imediata substituição do capitalismo por modelo politico-económico de acordo com as suas doutrinas quando as experiências realizadas até agora de aplicação das doutrinas socialistas levantam sérias dúvidas que a sociedade resultante seja melhor que a capitalista??

    Querem um conselho? Os socialistas utópicos portugueses (e não só) podem construir agora alternativas à economia capitalista e/ou ao regime laboral que criticam usando algo que Portugal contempla na sua Lei: as cooperativas. Não quero afirmar que as cooperativas actualmente existem são socialistas — realmente não são, a maioria funcionam tal e qual como empresas capitalistas — mas o modelo legal é compatível com os princípios socialistas. Agora, o que eu coloco à reflexão é:

    – Porque é que há tão poucas cooperativas de teor socialista? Porque é que os anti-capitalistas, em vez de se dedicarem ao bota-abaixismo, às greves e a outras actividades estéreis e destrutivas, não tomam uma atitude construtiva e prática e fazem o cooperativismo e o comunitarismo prosperar?

    – Depois de se dedicarem ao cooperativismo e comunitarismo durante alguns anos, então sim poderão fazer um balanço e concluir se é uma via que proporciona melhor bem estar e qualidade de vida aos seus trabalhadores/habitantes que o modo de vida capitalista.

    Até isso acontecer, até apresentarem casos de sucesso, apostar numa revolução socialista é mais arriscado do que levar todas as nossas poupanças para o casino do Estoril e aposta-las numa noite… O povo pode não saber muito acerca do método científico de experimentação, mas tem o mínimo de bom senso para não hipotecar todo um modo de vida em troco de algo bastante improvável.

    • Leo diz:

      Resumindo e concluindo há só três partidos vocacionados para governar e a classe operária que amouche. Esta triste mentalidade já vem desde o início do século XIX. Safaram-se na República, mas agora pia mais fino. E vão ter a disputar o poder em todos os níveis o Partido da classe operária e de todos os trabalhadores, É bom que se habitue,

      • Gentleman diz:

        Parece que precisa de reler o meu texto…
        O “Partido da classe operária” não liberta essa classe da exploração. Quando muito pode melhorar um bocadinho o seu nível de vida (embora cada vez menos). Mas não livra os trabalhadores da “exploração” porque o capitalismo está para durar.
        O que eu proponho é de uma alternativa que os anti-capitalistas podem por em prática agora. Agora!

        • Raquel Varela diz:

          Gentleman,
          Esta crise mostra-se a pertinência da velha política reforma ou revolução porque de facto ela não se resolve no terreno da economia mas da política e todas as medidas de contornar o FMI no quadro do capitalismo, mesmo as mais duras, chocam com a evidência de que o que está em causa é uma questão de poder e não de regular mais ou menos a economia.

    • Dédé diz:

      Tem o caro Gentleman toda a razão, foi assim precisamente que se fez o 25 de Abril.

      • Gentleman diz:

        Não me parece que estivesse na cabeça da maioria dos participantes no 25 de Abril substituir o regime salazarista por um sistema politico-económico que não tivesse dado provas de funcionar no passado…. A não ser os participantes marxistas. Mas a vontade desses não prevaleceu, felizmente.

    • miguel diz:

      Querem um conselho? Os socialistas utópicos portugueses (e não só) podem construir agora alternativas à economia capitalista e/ou ao regime laboral que criticam usando algo que Portugal contempla na sua Lei: as cooperativas.

      Tudo quanto consegue propor como caminho para os “socialistas utópicos portugueses (e não só)” é uma espécie de falanstérios adaptados ao século XXI e ao capitalismo monopolista. A proposta é tão utópica quanto imbecil: “brinquem lá ao comunismo mas dentro das regras do capitalismo e, sobretudo, nunca!, mas nunca mesmo!, toquem no poder do Estado.”

      • Gentleman diz:

        Eu compreendo que é mais confortável berrar, fazer umas manifestações e umas greves enquanto no resto do tempo se usufrui da Fnac, Ikea, Continente, telemóveis e outras vantagens do capitalismo… Eu sei que é talvez pedir muito de alguém que tem uma Fé profunda, mas abandona a cartilha e pensa por ti próprio por um breve instante.. A actividade do PCP e CGTP oscila entre o irrelevante e o vantajoso para a Direita. A sua patética acção só tem fortalecido o capitalismo e feito com que o famoso “fim da exploração capitalista” esteja cada vez mais distante. Caso ainda não te tenhas apercebido, o capitalismo está aí para durar. Sobretudo quando experiências socialistas do passado resultaram em algumas das tragédias mais colossais da História da humanidade e poucos estão dispostos a tentar uma vez mais só para ver se “desta vez funciona”. Ninguém vai nessa conversa.
        Mas se, ao invés, os socialistas utópicos se dedicassem ao comunitarismo e ao cooperativismo poderiam começar já a construir uma alternativa à economia capitalista que, segundo eles, tanto mal causa aos trabalhadores. A doutrina socialista deixava de ser apenas uma remota esperança nos “amanhãs que cantam” mas algo real, palpável e usufruível agora.

        • miguel diz:

          Se de facto está empenhado em revelar o caminho das pedras aos “socialistas utópicos” avance. Não se acanhe. Prove aos “socialistas utópicos” que estão errados e que a solução é o regresso às experiências do século XIX. Avance com esse empreendimento comuno-capitalista e se a fórmula for um êxito registe a patente! Vai fazer um dinheirão. 🙂

          • Gentleman diz:

            Ó meu amigo, eu estou bem integrado no sistema capitalista. Sei que é o melhor sistema e vai continuar a prevalecer. Sei também que o sindicalismo e o socialismo utópico continuará inexoravelmente a definhar tal como tem vindo a definhar nos últimos 30 anos.

        • miguel diz:

          Como vê, sou um gajo cheio de “Fé” nas suas tretas.

  6. ze manel diz:

    sejamos claros. concorrência eleitoral distinta não significa competitividade.
    sejamos claros. Podem vir todas as equações que quiserem : é util para a esquerda que o BE convoque todos os votos que conseguir; é util para a esquerda que a CDU convoque todos os votos que conseguir.
    sejamos claros.O combate e a luta por uma política de esquerdanão se resumem nem esgotam ao plano eleitoral.
    sejamos claros. Esta convergência é util para o país, é desta convergência que virá a alternativa para o país.
    sejamos claros. Não há alternativa política de esquerda que abdique da presença do PCP, do BE, dos Verdes e de inúmeros cidadãos independentes !
    sejamos claros. A realidade derrotou todos os que julgaram que seria possível trilhar esse caminho sem esta convergência.

  7. Ate’ agora nao vi nenhuma resposta de jeito ao repto lancado pelo Gentleman…

    Porque sera’….
    Eu não quero ir trabalhar nem num Совхоз nem num Колхоз…

    LOL

    grouchomarx

  8. Vanessa diz:

    Leo será que repetir até á exaustão essa patranha, alguem a vai levar a sério.

    O MRPP tem ido a votos, sabe-se que existe e o que vale.

    O POUS idem

    Os Verdes existem porque o PCP assim o decidiu, ninguem sabe o que valem eleitoralmente, porque nunca foram a votos autonomamente.

    A CDU é na pratica o Partido Comunista Português e só.

    • Leo diz:

      Aceite a realidade tal como ela é, Vanessa. A Coligação Democrática Unitária é constituída pelo PEC, PEV, ID e engloba muitos independentes. É uma evidência que é sensato reconhecer.

    • Leo diz:

      Aceite a realidade tal como ela é, Vanessa. A Coligação Democrática Unitária é constituída pelo PCP, PEV, ID e engloba muitos independentes. É uma evidência que é sensato reconhecer.

      • Raquel Varela diz:

        Caro Leo,
        Um Partido que faz uma coligação com organizações dependentes de si financeiramente, com os mesmos militantes e com a mesma política não encontrou um par com quem negociar um programa mínimo comum, construiu um heterónimo.

        • Leo diz:

          Quando nem se respeita a inteligência do interlocutor e se censura o interlocutor não admira que se insista no disparate e se recuse a evidência. Diga o que disser, a Coligação Democrática Unitária é formada por dois partidos e uma associação política autónomos e independentes e engloba dezenas de milhares de cidadãos independentes. E dizer o contrário é pura tolice.

  9. Leo diz:

    Da Revolução de Outubro até nossos dias constante é a tendência de a ideologia dominante demonizar tudo aquilo que tem alguma relação com a história do comunismo.

    E quando não demonizam, ridicularizam e desvalorizam. Percebo que o LAM goste de deturpações mas eu não gosto.

Os comentários estão fechados.