Contas de Hondt

Nas eleições de 2009, BE e CDU conquistaram, respectivamente, 16 e 15 assentos parlamentares, num total de 31. Imaginem que, em 2009, BE e CDU tinham feito listas conjuntas e conquistavam, em cada círculo, a soma exacta dos votos obtidos pelas duas listas, sem alterações para os restantes partidos. Quantos deputados teria eleito essa lista conjunta?
A resposta é 39, 8 deputados a mais em relação ao que realmente sucedeu em 2009. 4 seriam roubados ao PS (em Viana, Viseu, Setúbal e Beja),  3 ao PSD (em Aveiro, Coimbra e Faro) e 1 ao CDS-PP (no Porto).

Pedro Magalhães no Margens de Erro (avisado pela Mariana Canotilho).

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21 Responses to Contas de Hondt

  1. AA diz:

    E se o PS caísse tanto como o Fiana Fáil irlandês? Se passasse para uns 24%, tendo BE-PCP 26%?

  2. Camarro diz:

    É sempre bom saber, pela mão dos especialistas, que temos razão 🙂
    Errei no “roubo” no círculo eleitoral do Porto…

    Camarro says:
    29 de Março de 2011 at 16:43
    Nuno,

    Pode ajudar ao debate e vale o que vale…
    Não sei se alguém já o fez, mas estive a fazer contas, baseando-me nos resultados das eleições legislativas de 2009, aplicando o método de Hondt, somando a votação do BE e da CDU. Temos o seguinte:

    Círculo Eleitoral de Setúbal: de 6 passaria para 7 deputados e tornar-se-ia a principal força política do distrito. Menos 1 deputado para o PS.
    Beja: de 1 passaria para 2 deputados e tornar-se-ia a principal força política do distrito. Menos 1 deputado para o PS.
    Viseu: eleição de 1 deputado (seria o último a entrar e menos 1 deputado para o PS);
    Faro: de 1 passaria para 2 deputados. Menos 1 deputado para o PSD.
    Lisboa: sem alterações (10 deputados CDU + BE)
    Braga: sem alterações (2 deputados)
    Aveiro: de 1 passaria para 2 deputados. Menos 1 deputado para o PSD.
    Porto: de 5 passaria para 6 deputados. Menos 1 deputado para o PS.
    Coimbra: de 1 passaria para 2 deputados. Menos 1 deputado para o PSD.
    Leiria: sem alterações (1 deputado mas a cerca de 1300 votos da eleição do 2º).
    Santarém: sem alterações, 2 deputados.
    Viana do Castelo: eleição de 1 deputado (último a entrar mas menos 1 para o PS).
    Castelo Branco: sem eleger deputados, mas a cerca de 1000 votos da eleição;
    Évora: sem alterações (1 deputado).
    Portalegre: sem eleger deputados, mas a cerca de 150 votos da eleição.
    Madeira: sem eleger deputados, mas a cerca de 1000 votos da eleição.

    TOTAL: de 31 passaria para 39 deputados e “roubaria” 5 ao PS e 3 ao PSD, precisamente o centrão que nos desgoverna há demasiado tempo. Tirem as vossas conclusões!

  3. Vai uma aposta pequenina ?
    Demasiadas vaidades / rivalidades /rancôres.
    Não vai acontecer.

    🙁

  4. Daniel Nicola diz:

    bonito, bonito, para quem fala de aprofundar a democracia com os esquecidos (estarão?) círculos uninominais, era colocar na agenda a criação de um círculo nacional de correcção que minorasse a falta de proporcionalidade entre os resultados eleitorais e posterior representação parlamentar.
    relativamente à aritmética, não podemos ainda subestimar os votos ditos “úteis” no PS em distritos onde PCP e BE não elegem deputados e que não são poucos.
    a esquerda unida só teria a ganhar. e mesmo que ficássemos pelos 20%, tal constituiria sem dúvida uma alavanca para lutas futuras porque bons resultados são sempre mais mobilizadores.
    quanto aos ódios e sectarismos, talvez até fosse esta a melhor maneira de os expurgar!

  5. eduardo costa diz:

    Pois, Tiago Mota Saraiva, se, se , se…
    se cá nevasse fazia-se cá ski !
    Para além de tudo o mais que
    seria pertinente considerar e de eu não ter nada
    nadinha das conjecturas matemáticas que alguns fazem
    sobre as reacções dos dois eleitorados, o que me impressionou
    nesta história foi o seguinte: quase ninguém ter percebido
    que exigências práticas e políticas coloca uma eleição
    antecipada.
    É que ninguém tenha entrevisto que, quando
    começou a falar de coligações eleitorais entre o PCP e o BE,
    àquela hora já as direcções dos dois partidos tinham tomado
    dezenas de decisões integradas na sua forma habitual de
    concorrência a eleições (sim, para quem não saiba,
    os materiais de propaganda tem prazos de entrega
    às empresas,etc. , etc, etc, etc).

    • antónimo diz:

      Qual é a dificuldade em perceber que uma coligação pós-eleitoral é diferente de uma pré-eleitoral?

  6. LM r diz:

    É claro que não vai acontecer. E, mesmo acontecendo, lá seguiria (8 a mais ou 8 a menos) o comboio do poder entregue aos de sempre.

  7. Miguel Lopes diz:

    Peça-se a Pedro Magalhães que some os votos do PCTP/MRPP e do POUS e refaça a simulação para se perceber com maior exactidão a dimensão das coisas:

    PS – 2.077.695 votos
    PSD – 1.654.777 votos
    PCP+BE+PCTP/MRPP+POUS – 1.062.160 votos
    CDS/PP – 592.997 votos

    Cumprimentos

    • António Figueira diz:

      PCTP/MRPP?

      • Miguel Lopes diz:

        Teve 52 784 votos, não me parece despiciendo. Votação superior à diferença entre BE e PP, e que deu mais 5 deputados ao PP.

        http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Portugal/Interior.aspx?content_id=1822638

      • LAM diz:

        Sim, porque não? representam, se não erro muito, cerca 1% de votos no todo nacional, ou prefere acordos eleitorais com partidos fantasma para justificar uma “coligação eleitoral”?

        • António Figueira diz:

          LAM, o MRPP/PCTP não representa 1% dos votos e, mesmo que representasse, isso não altera a questão de fundo e que é política (extrapolando o seu argumento ad absurdum, melhor mesmo seria fazer coligações com o PS ou o PSD, que têm ainda mais “por centos”). Dê-se ao trabalho de estudar a geografia eleitoral do MRPP/PCTP e julgo que poderá concluir sem grande dificuldade que boa parte desses votos vêm ao engano, de eleitorado idoso, mais que provavelmente equivocados pelo símbolo desse pequeno partido. Por outro lado, julgo que a participação do MRPP no processo revolucionário português e no período democrático que ele abriu foi objectivamente reaccionária e não vejo que sentido faça adicionar essa formação política duvidosa ao campo das forças democráticas e populares. Se V. não tem memória, eu tenho.

          • LAM diz:

            António Figueira,
            Apesar da crítica que faz ao comportamento anterior do MRPP, que eu concordo, creio que o tempo se encarregou de separar o muito joio de algum trigo que restou e que, generalizando e actualmente, corroboram as críticas à direita comuns a outras forças de esquerda. Assim como me parece algo especulativo apontar o engano de população idosa como justificação para os votos nesse partido que, aliás, se têm mantido mais ou menos estáveis ao longo de vários processos eleitorais. Acresce na defesa que faço da ampliação da base de apoio dessa possível frente eleitoral (ou chame-se como se chamar), as mais recentes posições políticas de Garcia Pereira.

            p.s. peço desculpa pelo meu anterior comentário que saiu num tom que não era de todo a minha intenção.

  8. closer diz:

    Para mim o que é mais importante, nem sequer é uma aliança pré-eleitoral (infelizmente não pode haver uma pós-eleitoral, porque não vão para o governo. O importante é que falem, que, se possível, assentem numa plataforma comum de actuação para fazer frente às gravíssimas condições que os trabalhadores enfrentam.

    Isto poderia assumir a forma de um compromisso público sob a forma de um manifesto contendo pontos de vista comuns e a promessa de um mais activa e coordenada cooperação parlamentar e fora dela. Há muito mais gente que aqui se poderia rever e que não pertence a nenhum destes dois partidos. Nem sequer estou a pensar na chamada ala esquerda do PS ( cada vez mais uma ficção) mas em organizações e partidos extra-parlamentares, em colectivos de esquerda agrupados em jornais ou em sites na Internet e pessoas do mundo sindical e das organizações sociais de intervenção de diversa índole.

    Acho que o tempo não é propício a guerras e divisões. Só pelo receio que este movimento começa a provocar nos poderes instalados, vale a pena tentar…

  9. xatoo diz:

    contas e mais continhas aos papelinhos nas caixas
    mas juntar PCP e BE requer mais que isso, é impossivel juntar azeite com óleo aguado sem o produto final perder qualidades. Não há nada de esquerda no programa do Bloco de Esquerda, há apenas retórica e a intenção de reformar o capitalismo mantendo incólume o carácter ideológico do aparelho de Estado. A função do BE é esta, esconder os seus propósitos com fins eleitorais, como diz o bombástico Daniel Oliveira “precisamos de dizer à Máfia que não pagamos a dívida”, como se fossemos “nós” como um todo que decidimos quem paga o quê, quando e de que modo. são frases que ajudam o aparelho governativo sem quaiquer consequências práticas. Mas a malta gosta de bocas; porém os sujeitos de esquerda que se querem libertar pela acção devem aspirar a um corte revolucionário que passe as decisões para a maioria do povo
    Se o PCP alinhasse ingenuamente nisto (reformismo já eles têm que chegue em casa) seria o primeiro passo para uma pulverização que faria desaparecer de vez a hipótese comunista (como em Itália). Mas o “eurocomunismo” bloquiano já vem 4 décadas atrasado, é coisa mais para usar em “passos perdidos”

  10. Diogo diz:

    Esta coligação seria a única coisa que me levaria a votar.

  11. Boa noite

    Julgo que este meu comentário sobreo pedido de ajuda externa é concludente.

    http://naopuxestaodepressaesseautoclismo.blogspot.com/2011/04/pedir-ajuda-externa.html

    Melhores cumprimentos do

    Prof. Cocó

  12. Abilio Rosa diz:

    Espero que o glorioso PCP não faça nenhum negócio ruinoso com essa rapaziada alegre e tresloucada do BE.
    Olhem para o que fizeram ao Manuel Alegre e até ao PS, quando meia dúzia de dias antes andavam em alegre cavaqueira de braço dado!
    É como diz o ditado: «um olho no burro, outro no cigano!».

  13. Miguel Neves diz:

    Com «amigos» como este quem precisa de inimigos?

    «O Bloco de Esquerda e o PCP

    opiniao | 6 Abril, 2011 – 00:25 | Por João Teixeira Lopes

    Faz todo o sentido aprofundar uma acção unitária. Sem hipocrisia, porque isso significaria esconder diferenças reais, mas também sem sectarismos.

    Primeiro facto: todos conhecemos as diferenças substanciais que existem entre o Bloco e o PCP. Desde logo, uma diferente concepção das liberdades públicas que se reflecte no seguidismo do PCP face a regimes ditatoriais como a China e a Coreia do Norte. Por outro lado, uma distinta articulação com o espaço público: o Bloco quer ser um partido-movimento-social e o PCP reproduz a estratégia leninista da vertical cadeia de transmissão, bem patente na forma como se relacionam com os sindicatos. Além do mais, as visões de funcionamento “interno” são bem diferenciadas: o Bloco reconhece tendências e estimula a diversidade de posições e opiniões, enquanto que o PCP mantém o centralismo democrático. Finalmente, o PCP olha a Europa com desconfiança e viés nacionalista, ao mesmo tempo que o Bloco a encara como possibilidade de internacionalizar as lutas.

    Segundo facto: Bloco e PCP convergem nas tomadas de posição no Parlamento e no espaço público, nas votações (em mais de 4/5 dos casos) e nas plataformas reivindicativas, nomeadamente na CGTP.

    Deste modo, faz todo o sentido aprofundar uma acção unitária. Sem hipocrisia, porque isso significaria esconder diferenças reais, mas também sem sectarismos, porque isso levaria a um enfraquecimento do combate anti-capitalista, particularmente numa conjuntura de forte ofensiva reaccionária, como a que estamos a viver.

    Assim, uma coligação pré-eleitoral seria um absurdo, porque estes dois partidos têm mais votos separados. Mas novas e cada vez mais arrojadas modalidades de convergência pós-eleitorais são não apenas desejáveis mas, acima de tudo, necessárias.
    Sobre o autor
    João Teixeira Lopes
    Dirigente do Bloco de Esquerda, sociólogo, professor universitário»

    http://www.esquerda.net/opiniao/o-bloco-de-esquerda-e-o-pcp

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