Os pontos essenciais do que quer o PCP

1. Como se apresentará o PCP às próximas eleições legislativas antecipadas?

No quadro da CDU.

2. Quem são, para o PCP, os responsáveis e as causas da presente crise política, económica e social?

As políticas de desastre do PS, do PSD e do CDS, o rumo de integração capitalista europeia e a crise do capitalismo mundial.

3. Quais são os eixos principais de uma política alternativa de ruptura, que imprimirão um novo rumo ao país e nos afastarão do desastre?

A política alternativa terá como eixos e objectivos centrais: o desenvolvimento económico, a elevação das condições de vida dos trabalhadores e do povo, a defesa e promoção do interesses público e dos direitos dos cidadãos e a recuperação e afirmação da soberania.

No imediato, a política alternativa que o PCP corporiza, deve travar o saque dos recursos nacionais em consequência do crescente endividamento externo, travar a espiral especulativa que o promove e, com isso, travar a chantagem que pende com a ameaça de entrada (directa ou indirecta) do FMI.

Para isso, a política alternativa procurará a convergência de posições com outros países que são vítimas de uma ofensiva comum. Exigirá condições de financiamento que não constituam o estrangulamento da economia nacional, nem agravamento das condições de vida do nosso povo. Promoverá a diversificação de fontes de financiamento e de relações económicas mutuamente vantajosas.

4. Que protagonistas desta política alternativa poderão constituir base para o governo da alternativa?

O governo da política alternativa será constituído com base nas forças, sectores políticos e personalidades que se identificam com uma política patriótica e de esquerda*, e com o apoio das organizações e movimentos de massas dos sectores sociais anti-monopolistas.

A viabilidade desse governo e o apoio político e institucional está nas mãos do povo português. Com o seu voto a 5 de Junho.

 

* Para evitar desconversas e temas já muito batidos, imploro aos queixosos do costume que deixem de vez a cassete em casa e tenham em conta o significado que o adjectivo “patriótico” tem, sempre teve, para o PCP, lembrando-se estes queixosos de uma palavra que normalmente empregam, quando estão a falar de outros países (a Islândia, por exemplo) ou comunidades: soberania (ou auto-determinação, se preferirem)

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42 respostas a Os pontos essenciais do que quer o PCP

  1. Luís diz:

    Muito engraçado, de ponta a ponta. Os negritos, então, são de ir às lágrimas!

    Bem-hajas!

    • Pedro Penilo diz:

      Ainda bem que gostou. Mas não nos tratamos por tu, certo? Muito menos para escrever idiotices.

    • Pedro Penilo diz:

      Luís: desta vez o seu comentário não será publicado, pois insiste em tratar-me por tu, passou ao insulto e, o que é mais grave, não tem nada de novo para acrescentar ao que já disse. Não se trata de boa educação. Isto aqui não é o Facebook. Faço muita questão de que aqueles que nos lêem saibam que não temos nada a ver um com o outro. Se aceitar estas regras, será bem-vindo.

  2. Há o pequeno detalhe de não ser possível um governo de esquerda, quando os dois partidos de esquerda concorrem separadamente e não têm assim hipótese de disputar a maioria. Que seria muito difícil de obter em coligação mas certamente mais possível, se não agora num futuro próximo que urge construir. Trata-se portanto de uma proclamação simétrica à de Francisco Louça. E é pena. O que estas posições do PCP e BE dizem ao povo português é que o próximo governo será com toda a certeza a continuação das actuais políticas. Por falta de comparência.

    • Pedro Penilo diz:

      Quem cria maiorias é o voto popular. Registo então que pensa que o povo daria uma maioria parlamentar, neste momento, a uma coligação do PCP com o BE.

      • Não registe, porque eu não o escrevi: “muito difícil de obter em coligação mas certamente mais possível, se não agora num futuro próximo que urge construir”.
        Acresce que não penso que a solução seja uma coligação PCP/BE tout court, mas antes um movimento à esquerda do PS que ganhe uma força própria, sustentada num programa comum, que o povo de esquerda tome como exequível e não proclamatório. Não se trata de somar mas de multiplicar. O que obriga a diálogo e cedências mútuas que seriam difíceis mas a única porta alternativa. Ou acredita noutra?

        • antónimo diz:

          Diz haver “o pequeno detalhe de não ser possível um governo de esquerda, quando os dois partidos de esquerda concorrem separadamente e não têm assim hipótese de disputar a maioria.”

          Ora o que a constituição diz é que o PR com base nos resultados das eleições para a AR pede a alguém para formar Governho. Se dois partidos, não previamente coligados, disserem estar dispostos a formar Governo Juntos e tiverem ao menos uma maioria relativa, o PR não tem outro remédio a não ser considerá-los.

        • Pedro Penilo diz:

          João Delgado,

          concordamos então neste ponto: há um futuro próximo que urge construir. “Construir” parece-me a palavra-chave. Como o PCP tem defendido, não com base na distribuição de cadeiras, mas na base de políticas concretas de ruptura com o caminho até agora seguido.

          Aqui, as forças que desejam a alternativa têm de deixar muito claro os seus propósitos. Não chega o entendimento chamar-se “de esquerda”. É preciso que o seja de facto.

          “Nacionalização do BPN/SLN”. “Manuel Alegre”. “PEC grego”. “Intervenção na Líbia”. “União Europeia”. “Mal menor”. Eis algumas questões recentes que me deixam muito legítimas apreensões quanto ao alcance e direcção de tais “cedências”.

          • Augusto diz:

            O PCP e o Bloco de Esquerda, são partidos diferentes, e claro com posições divergentes .

            E o debate sério sobre essas divergências não deve ser ignorado.

            Eu tambem não entendo as alianças que a nivel autarquico o PCP faz com o PSD e o CDS .

            Eu tambem não entendo a defesa de regimes como os que vigoram na China ou em Cuba.

            Ou a ” simpatia” com o regime do Irão ou com o Chavez da Venezuela.

            Mas neste momento e perante a grave crise que Portugal está a atravessar, e tendo em conta que em muitos aspectos, as politicas do PCP e do BE para ultrapassar a crise, são coincidentes.

            A existência de uma Frente Popular, com este ou outro nome. que fosse capaz de apresentar um Programa Comum de Governo, que fosse capaz de agregar outros sectores da esquerda sem sectarismo, teria neste momento um forte impacto eleitoral, por que se constituiria como uma alternativa clara ás politicas de direita e do FMI.

            Só que dois meses para construir essa alterrnativa é muito pouco.

      • AA diz:

        À maioria nunca chegaria, mas uma simulação algo conservadora (assumindo os votos das últimas eleições) que foi feita numa caixa de comentários num post mais antigo, dava um aumento de 9 deputados a uma coligação pré-eleitoral PCP+BE. O que conta é a dinâmica que sairia dessa união. Repare que não é uma aliança tipo PCF ou PCI, com o partido socialista do poder… é uma aliança de esquerda radical e hoje portugal é o país da Europa que pode registar uma maior taxa de votos num programa verdadeiramente progressista e quem sabe que repercussões isso pode ter a nível de consciência de classe em muito jovem despolitizado.

      • Sérgio Pinto diz:

        Não que o João Delgado precise de defesa, mas há distorções tão flagrantes que se torna impossível não dizer nada.
        Como é que se passa da frase escrita pelo João Delgado (Que seria muito difícil de obter em coligação mas certamente mais possível, se não agora num futuro próximo que urge construir.) para a sua versão adulterada (Registo então que pensa que o povo daria uma maioria parlamentar, neste momento, a uma coligação do PCP com o BE) é algo de verdadeiramente extraordinário. Mas certamente que o caríssimo Pedro Penilo será capaz de explicar tamanha ‘liberdade interpretativa’, não é verdade?

        • Sérgio Pinto diz:

          P.S. Quando escrevi o comentário anterior ainda só estavam visíveis os primeiros quatro comentários.

        • Pedro Penilo diz:

          João Delgado e Sérgio Pinto:

          reconheço a “liberdade interpretativa”. A frase era, no entanto, escrita de tal forma que não excluía a possibilidade de que uma coligação pré-eleitoral obtivesse já uma maioria. Dizia apenas que seria “difícil”.

          Os posteriores esclarecimentos de João Delgado clarificaram a questão.

          Sobretudo acrescentaram algo que antes lá não estava: a afirmação de que não seria uma coligação PCP/BE tout court. Se lerem ou ouvirem a nota do Comité Central, encontrarão esses contornos na descrição da base de apoio de um governo patriótico e de esquerda.

          Mas trata-se de uma base de apoio social, política e institucional complexa, não de uma mera coligação pré-eleitoral, como, com muita simplicidade, tem sido dito e escrito.

  3. Dédé diz:

    De facto “está nas mãos do povo” mas, convém não esquecer, que o dito povo só pode escolher entre as alternativas que lhe apresentam.
    E a “política patriótica e de esquerda”, como se viu em Janeiro, não conseguiu mobilizar mais do que 3,1 % dos eleitores (7,1% dos votos válidos).
    Mas como se disse então “é o povo que temos”. Claro que se o povo se continuar a portar mal há sempre “A Solução”

    Após a insurreição de 17 de Junho
    O secretário do Sindicato dos Escritores
    Mandou distribuir panfletos na Avenida Stalin
    Declarando que o povo
    Se tornara indigno da confiança do governo
    E só à custa de trabalho intenso
    A poderia recuperar. Não seria
    Mais simples então que o governo
    Dissolvesse o povo e
    Elegesse outro?

    Bertold Brecht

  4. LAM diz:

    Não conheço mais do que o link do post abaixo de T.M.Saraiva, pelo que nada me leva a supor uma rejeição por parte de F. Louçã de uma fórmula que permita uma plataforma eleitoral comum. Se bem percebi, isso irá ser proposto na próxima convenção do BE. Pelo que, e até ver, as posições dos 2 partidos não são as mesmas nem, a propósito disto, o saco do sectarismo serve para meter os 2 partidos.

    • As listas são apresentadas antes da Convenção do Bloco. Se mais não fosse…

        • Não há qualquer plataforma eleitoral a discutir na convenção do BE, porque as listas já terão sido entregues. Apenas isso.

        • A Moção A pode discutir o que quiser na Convenção. A realidade mostrará quais serão os candidatos a deputados no dia 25 de Abril ou antes, e com isso, toda a retórica pouco valerá, pois os programas não se tornarão exequíveis sem determinados protagonistas. Assim sendo, creio que não existirá politicamente nada de novo relativamente ao passado: a união entre o trio: apsr, audp e manifesto com 4 ou 5 deputados “independentes”, como hoje.

          • LAM diz:

            JMF, desculpe qualquer disparate porque estou por fora, mas se F. Louçã não descarta essa possibilidade, se a FER fez também saber da sua vontade relativamente a isso e se o próprio JMF, ao que li subscritor de uma outra moção, também apoia essa ideia (ou seja, 3 listas, ou elementos de 3 listas candidatas), o que impede de ser avançada essa hipótese?

  5. Tiago Resende diz:

    Mas quem é que leva o PC a sério? Não têm uma única proposta concreta, viável e feita com os pés assentes na Terra! Está na altura de acordarem

    • Camarro diz:

      E o Tiago? Já acordou? É que eu ando a tentar, praticamente desde que me conhecço, acordar do pesadelo que tem sido a governação do PS/PSD/CDS nestes mais de 30 anos e, de facto, ainda não consegui… Talvez o Tiago me possa ajudar.

    • Miguel Cunha diz:

      Já o PS, o PSD e o CDS têm montes de propostas concretas, viáveis e feitas com os pés assentes na Terra. Graças a elas quase não existe desemprego, as nossas pescas, agricultura, industria e sistema produtivo em geral, recomenda-se. Graças a elas os trabalhadores têm bons salários, os reformados pensões dignas e não existe trabalho precário, etc. São mesmos propostas para levar a sério e que têm feito de Portugal um país de referência no contexto europeu. Ainda bem que me ajudou a acordar!

    • Dédé diz:

      Pelo menos não têm os pés em cima do cachaço do pessoal, o que é uma vantagem do caraças em relação aos “partidos do costume”.

    • Tiago Resende diz:

      Ainda bem que vocês os dois escreveram coisas que eu não escrevi nem quis de forma alguma dizer. Mas pronto maltinha o PC é que sabe. Com a sua economia planeada e tachos para a malta da CGTP!

      • JP diz:

        Ó Tiago, então mas escreva lá o que “quer escrever” ou diga o que “quer dizer”. Só para a malta perceber o que lhe vai na cabeça.

        E quanto a não conhecer propostas você já conhece os sites na net dos dois partidos? E já lá foi ver alguma coisa ou está à espera que lhe vão bater à porta para o esclarecer?

        Olhe que a net não serve só para ver gajas…

        • Tiago Resende diz:

          Engole o sapinho: já consultei os sites dos dois partidos. E deixa-me que te diga, têm propostas tão realistas como o cruzamento entre um unicórnio e o Adamastor.

  6. ricardosantos diz:

    não se esqueçam que mais de oitenta por cento do be e uma boa parte do pcp alimentam-se à mesa do orçamento

  7. Camarro diz:

    Construir em dois meses o que não feito, pelo menos, em 10 anos (desde a constituição do BE) seria uma tarefa bastante complicada. Registo que, apesar de não haver essa predisposição para um entendimento pré-eleitoral (solução que eu apoiaria) os dois partidos estão com um discurso muito mais aberto e menos agressivo entre si, o que já será positivo. Das duas uma: ou trata-se apenas de uma questão táctica (eu não sou tão sectário como tu e tal…), ou então podemos estar a assitir ao início de uma futura solução de governo de e para o povo. Quero acreditar nesta segunda opção…

    Entretanto, não nos esqueçamos que o dia 5 de Junho é apenas um marco, sem dúvida importante, das lutas que se avizinham. A mais que provável constituição de um bloco político onde caibam PSD, CDS e mesmo PS, que continue a levar a cabo as políticas de direita que nos desgovernam há mais de trinta anos vão continuar a penalizar os mesmos de sempre! Nesse sentido, é importante que se crie um movimento abrangente, à esquerda do PS, onde PCP, PEV, BE, sectores da esquerda extra-parlamentar e CGTP sejam as alavancas para uma política efectiva de ruptura e de esquerda, que seja capaz de mobilizar largos sectores da sociedade portuguesa que têm andado arredados da luta política, social e eleitoral.

    • AA diz:

      a aliança de esquerda unida apresentou um programa mínimo (4 páginas, 10 pontos) e foi a eleições assim. uma reunião com discussão aberta ao público é suficiente para criar um programa mínimo. a aliança de esquerda unida teve a adesão de um grupo chamado people before profit que nem funciona como partido, bem como um grupo de trabalhadores precários. é preciso é vontade.

      • Rocha diz:

        Por momentos pensei que estava a falar da Esquerda Unida espanhola… Ufa! Que alívio…

        É que a Esquerda Unida espanhola não me merece confiança nenhuma com o seu reformismo amarelo, amarelíssimo e as suas traições costumeiras à classe trabalhadora. Claro que a United Left Aliance irlandesa é outra história.

        Mas esse simplismo vamos ali com um papel e uma caneta e já vimos com uma aliança de esquerda também me parece sem sentido nenhum.

        Você estás a ignorar a questão da escala, os partidos da ULA são micro-partidos comparados com o BE e muito mais ainda com o PCP. Um encontro aberto ao público é muitíssimo insuficiente, é preciso uma consulta às bases dos dois partidos e um processo de diálogo que se encontre nas lutas sociais e não cozer uma aliança cupulista da noite para o dia.

  8. LAM diz:

    Colocar actualmente as hipóteses de qualquer tipo de unidade numa perspectiva de governo, quando o quadro objectivo nos mostra que tão cedo (do ponto de vista parlamentar, note-se), isso é pouco menos do que inatingível, é conversa para boi dormir e cagar antecipadamente em qualquer proposta de acção comum que possa, desde já e através dos meios disponíveis, reverter a situação. É, para além do fraseado “coerente”, dos “princípios” e de mais meia dúzia de lugares comuns proclamados a preceito mas sem qualquer significado práctico como a história recente tem comprovado, uma demissão de dar e assumir uma resposta comum à actual situação política. É o medo do “contágio” político, é o medo da perda futura daquela percentagenzinha com que muitos desses dirigentes partidários levam a vidinha, e com eles algumas centenas de quadros e amanuenses, é o medo de arriscar sair por uma vez da trincheira em que se enclausuraram e com eles os anseios da esquerda política neste país. É o medo do povo de que também eles sofrem.

    • AA diz:

      Mas esse não pode ser o problema. O PCP e o BE ganham deputados se se juntarem! Ninguém perde o lugar que tem no parlamento…

      • LAM diz:

        Completamente de acordo, AA. Já houve até num outro post alguém que fez essa contabilidade que, embora um pouco por alto, indicava isso mesmo que diz. Mas é o risco, meu caro, o medo que essa permeabilidade recíproca entre os militantes ou habituais votantes se possa vir a refletir mais tarde noutras eleições e lá se vai a percentagenzinha do costume. A bem dizer aquilo a que muitas vezes chamamos sectarismo não é mais do que o instinto de sobrevivência de que padecem algumas espécies…(e, note-se, abstraindo deste caso concreto que ainda não se sabe o que poderá dar, a coisa é recíproca).

        • “JMF, desculpe qualquer disparate porque estou por fora, mas se F. Louçã não descarta essa possibilidade, se a FER fez também saber da sua vontade relativamente a isso e se o próprio JMF, ao que li subscritor de uma outra moção, também apoia essa ideia (ou seja, 3 listas, ou elementos de 3 listas candidatas), o que impede de ser avançada essa hipótese?”

          – O quis dizer foi que na altura da defesa dessa ideia na Convenção, os protagonistas já estarão definidos, ora, uma nova orientação política deveria ser acompanhada também de alteração de alguns executores.

          • LAM diz:

            Ok, percebi. Dessa parte do enredo já não me pronuncio.

          • LAM diz:

            Apesar de que, penso eu, tudo dependerá do que se tratar, que tipo de proposta neste âmbito será (serão?) apresentadas, que tipo de “nova orientação política” estamos a falar. Isto porque não penso que, por exemplo, a elaboração de um programa mínimo para enfrentar o momento presente comum com outros partidos, careça obrigatoriamente da mudança de protagonistas. (Mas isso quem lá está é que sabe…).

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