Fukushima nunca mais!

Ora, a idéia de dominação da natureza é em si mesma uma profecia que não se pode cumprir na própria medida em que dominar é fazer com que alguém ou qualquer outro ser faça não aquilo que quer ou que seja, mas aquilo que outrem quer que faça. Assim, sejam os povos, etnias, classes, gêneros ou a natureza na medida em que são dominados implica que estejam sendo submetidos não ao que são, mas aquilo que querem que sejam. No mundo contemporâneo em que a ciência e seu subproduto a tecnologia são instrumentos da busca do aumento da produtividade tendo em vista a acumulação de capital, se produz um deslocamento da “promessa iluminista” de que a razão deveria substituir a religião em nome da emancipação humana. Essa “promessa” foi partilhada também por uma corrente hegemônica no seio do pensamento de esquerda que ignorou uma das mais importantes contribuições de Marx para a análise histórica, qual seja, de que não se pode dissociar nenhum fenômeno do seu contexto, em suma, da totalidade das relações sociais (e de poder). Assim como disse que “o direito não tem história” posto que são os homens (e mulheres) na conformação de suas relações sociais e de poder que o conformam, o mesmo se dá com o mundo técnico-científico. Marx nos deu uma bela demonstração dessa tese com sua crítica à Malthus e sua “lei geral da população” onde a produção de alimentos aumentaria numa progressão aritmética e o crescimento da população numa progressão geométrica. Assim como não há lei de população que escape às formações sociais que as engendram não há lei histórica do desenvolvimento das forças produtivas fora das relações sociais e de poder.

Este parágrafo do geógrafo brasileiro Carlos Walter Porto Gonçalves é um bom momento da geografia pública que defendo, uma ciência crítica que intervem no espaço público. Essa ciência que surge no espaço público afirmando a necessidade de mudanças no mundo que vivemos. Neste caso é o problema real em torno do nuclear. Vamos pensar nisso?
Assim começo a minha aventura colectiva por aqui.
Divirtam-se e manifestem-se!

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3 respostas a Fukushima nunca mais!

  1. xatoo diz:

    e a chave portuguesa para esta ameaça chama-se… Patrick Monteiro de Barros

  2. Akilo ainda não akabou.
    Parece que um dos reactores da central (creio que são cinco ou seis) está em meltown, com um dos núcleos exposto.
    Tomem lá plutónio.
    🙁
    Se os nips não conseguirem controlar a «coisa» (eles têm 500 plus terramotos por ano, bruta falha tectónica perto…) o ‘death toll’ (número de mortes) vai subir, agora ou a prazo, cancro demora uns aninhos a manifestar-se e matar.

    🙁 🙁 🙁

  3. De um dos meus amigos americanos:
    The federal government has set aside nearly $2 billion in stimulus funds to clean up Washington state’s decommissioned Hanford nuclear site, once the center of the country’s Cold War plutonium production.

    The facility sprawls across approximately 600 square miles of south-central Washington, an area roughly half the size of Rhode Island. It was built in the 1940s as part of the “Manhattan Project” to develop the first atomic weapon during World War II.

    Decades of improper radioactive waste disposal earned Hanford the notorious distinction of being one of the most contaminated nuclear sites in the Western Hemisphere.

    🙁

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