Está na Hora de Mandar o Sapato

Quando caiu a Lehman Brothers os sonhadores do capitalismo regulado vieram a público defender que a culpa desta nova crise cíclica (termo marxista que claro nunca foi usado) estava nos gestores corruptos e na especulação, a «economia de casino». Pedimos agora, que nos expliquem, como se tivéssemos 5 anos, porque é que estes especuladores não querem comprar a divida portuguesa a 9% e compram a dos EUA a menos de 1%.

Estamos numa encruzilhada. A manif do dia 12 fez o que a greve geral (porque sem um plano de radicalização de lutas seguintes) não conseguiu, dar o último empurrão a um governo à beira do precipício. As taxas de juro subiram porque para repor a taxa de acumulação é preciso cortar no capital variável (diminuir salários e aumento o desemprego) ou cobrar mais impostos. Faz-se assim o pagamento da dívida pública, ou seja, transferência de recursos do sector público para o privado.

E assim se demonstra 1) que o casino se ergue por cima do chão da fábrica e que a crise expressou-se na alta fiança mas dá-se na economia real; 2) que a luta de classes é a saída – ou pagam eles ou pagamos nós.

Vamos continuar a falar de «produção nacional» (PCP) mais cortes aqui e menos ali (BE) tudo para baixar o deficit e pagar a dívida ou vamos deixar de pagar a divida e nacionalizar a banca e o sistema financeiro?

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42 respostas a Está na Hora de Mandar o Sapato

  1. maria povo diz:

    … e a Islândia, pá???!!! que o Povo escolheu a viragem à esquerda e já saiu da bancarrota!!!
    …e a Grécia, pá?? que o fmi escolheu e o Povo está ainda mais à Rasca!!!
    …e Portugal, pá????????

    • Leo diz:

      Francamente, confundir Irlanda com Islândia é de palmatória…

    • Raquel Varela diz:

      Sim, queria dizer a Islândia, claro. A Irlanda está a pagá-la, por isso tem lá o FMI.

      • Leo diz:

        Ao menos sabe o que diferencia a Islândia da Irlanda, Portugal e Grécia?

        • Raquel Varela diz:

          Na Islândia os homens crescem mas ficam com cara de bébés, na Irlanda têm muita sardas e celebram o dia de São Patrick, na Grécia têm uns bigodes fartos e em Portugal usam pseudónimos de animais feroses. Mais, só com o Freud.

  2. JMJ diz:

    e ir para a rua, pá?

    Dia 1 de Abril, 14h30, em Lisboa – manifestação da Juventude Trabalhadora!

    http://www.cgtp.pt//index.php?option=com_content&task=blogcategory&id=170&Itemid=272

  3. maria povo diz:

    … também podiamos ir depositando uns sapatos, bem velhos e moíodos, no Largo do Rato, na sede do psd, no Largo do Caldas, e quiça à porta da GALP, EDP, etc.

    tenho por aqui alguns que posso disponibilizar…

  4. Rocha diz:

    Correcto é preciso deixar de pagar a dívida e isso não invalida que precisemos de mais produção nacional (que é sinónimo de desenvolvimento local e endógeno, auto-suficiência e sem isso não dá para romper com os imperialismos da Merkel e da UE).

    O PCP e o BE precisam de romper com todos os mercados, credores, FMIs e UEs (e com o próprio Euro) afirmando a alternativa de ruptura e não pagando as dívidas ilegítimas dos bancos. E de resto os dois partidos já propõem nacionalizações nomeadamente da banca e da energia e acabar com o regabofe agiota dos bancos.

    • Raquel Varela diz:

      Caro Rocha,
      Se temos acordo no não pagamento da dívida, isso é o essencial. Pagando-a vai sair dos nossos bolsos, sob a forma de desemprego, cortes de salários ou aumento de impostos.
      Saudações
      Raquel

  5. LM r diz:

    Podemos sempre vender rins. Outra proposta eminentemente viável.

  6. Leo diz:

    “A manif do dia 12 fez o que a greve geral (porque sem um plano de radicalização de lutas seguintes) não conseguiu, dar o último empurrão a um governo à beira do precipício.” ???

    E eu a pensar que o Engenheiro Sócrates tinha apresentado voluntariamente a sua demissão… parece que não, segundo a Raquel.

    Pelo sim pelo não aconselho alguma modéstia à Raquel. Presunção e água benta cada um toma o que quer.

  7. JMJ diz:

    “A manif do dia 12 fez o que a greve geral (porque sem um plano de radicalização de lutas seguintes) não conseguiu, dar o último empurrão a um governo à beira do precipício.”

    Então o objectivo de dia 12 era só a queda do governo? Parabéns, então.

    E em que é que isso se vai traduzir na melhoria das nossas condições de vida?

    Não venham para a rua, não, que o capital trata de ti!

    • Raquel Varela diz:

      Não, a manifestação do dia 12 mostrou que se pode inverter o ciclo de levar, levar sem ripostar. Assustou a burguesia, que foi obrigada a chamar eleições e deixar cair o PEC IV. Gostariam de ter levado Sócrates até ao fim, não foi possível, mais um acto eleitoral e a burguesia ganha tempo canalizando para o Parlamento lutas decisivas que só se ganham nas ruas.
      Cump
      Raquel

      • Leo diz:

        “Assustou a burguesia, que foi obrigada a chamar eleições e deixar cair o PEC IV” ???

        Ao menos acompanhe o que a burguesia confessa, Raquel. Mas pode-me explicar porque é que a sua burguesia mediática foi tão zelosa na promoção dessa manifestação?

      • JMJ diz:

        E então?
        parou por aí?

        Dia 1 de Abril? Vai à manif ou não?

        Volto a perguntar:
        Se queremos mudar politicas e não apenas mudar politicos, não é importante, mesmo fundamental, continuar na rua a exigir a verdadeira mudança?

        Dia 1 de Abril vais para a rua connosco?
        Vais protestar contra a politica da mentira?

        • subcarvalho diz:

          E o JMJ vai à manif fazer o quê?…gritar e saltar?
          É preciso bem mais do que isso. É preciso colocar o poder na rua.
          Cá pelo Porto não se parou. Fez-se uma Assembleia Popular logo a seguir a dia 12 e está já marcada a 2ª para sábado, 2 de Abril.
          Ir para a rua com os gritos de sempre, levar o farnel e voltar depois a casa, já não chega!

          • JMJ diz:

            Concordo.

            Mas não ir para a rua, seja em que capacidade for, é que não serve para nada.

            É importantissimo, neste momento, que a luta continue na rua para que se perceba claramente que não nos contentamos com a queda de socrates e que queremos mais, queremos a queda deste regime de “democratura”

          • Raquel Varela diz:

            Caros
            Eu vou à manif dia 1. Vou porque sou a favor da unidade da esquerda, vou aliás a todas as manifs, incluindo as que o PCP chama para evitar a unidade de todos os trabalhadores (num dia da CGTP, no outro da Juventude Trabalhadora, num dia greve na CP, no outro no Metro…). Vou às que o PC chama e faz de serviço de ordem com a polícia e ainda vou às que o PC chama e faz desaparecer as pessoas em 5 minutos, ali nos Restauradores, para que não oiçam outra coisa que não seja «Unidade Sindical», «A Luta Continua». Vou às que o PC chama por «outras políticas», sem questionar o Governo para assim não romper a possibilidade da sempre tão desejada frente popular. Vemo-nos no Sábado!

          • JMJ diz:

            Centremo-nos no positivo e vou esquecer o resto.

            Vemo-nos dia 1!

  8. Vanessa diz:

    Vendam os submarinos como sugere o Almeida Santos, sempre são MIL MILHÔES e já dá para algumas despesas.

    Mesmo que o Paulo Portas esperneie, e o Socrates e tambem o Passos Coelho inventem mil desculpas esfarrapadas para não o fazerem.

  9. Raquel Varela, temos um piqueno prolemex aki.

    Ninguém pensa, ninguém tem uma única ideia nova, parece o Maio de 68 onde um gajú/ah se revoltava com “palavrório” dos anos 30, porque não havia maix nada à face da terra para usar.

    O que eu diria (e não me-lo peçam a mim, sou só um intelectual “relativo”, a minha ‘especialidade’ era outra…):
    Arranjem umas ideias novas, fazíveis/exequíveis, depois «o resto» a ‘gente’ encarrega-se disso.

    🙂

    • Raquel Varela diz:

      JCA,
      Explique-me, em linguagem económica do ano 2011, como é que se paga a dívida sem ser com o rendimento trabalho, como é que se suspende o pagamento da dívida sem nacionalizar a banca.
      O F e a C continuam sem adivinhar quem é
      Saudações!
      Raquel

  10. Apareça neste 5º Império alguém iluminado Y explique: Não atirem o Sapato! Este não tem de ser atirado! Batam com o Sapato na Própria cabeça! Assim acertam Y por certo não falham o alvo.

  11. Justiniano diz:

    Caríssima Raquel Varela, pertinente, sem dúvida!! E suficientemente claro, com premencia e utilidade no verbo (faltou aí a adopção de uma moeda própria e consequentemente o abandono do euro, mas depreende-se)!!
    Mas, caríssima Raquel, falta uma referencia ao facto de o problema, por ora, haver de ser colocado na manutenção de déficits e não no rompimento da obrigação!! É indiferente deixar de pagar a dívida se não puder continuar a contrair dívida, isto porque, não esqueçamos, a dívida nasce da “economia real”, dos deficits na produção e traduz-se, a final, em trigo!!
    Quanto ao mais, se realmente estiver a pensar em não cumprir com o pagamento da dívida bem pode nacionalizar o sistema financeiro e mais umas botas, ou sapatos!!

    • Raquel Varela diz:

      Caro Justinianao,
      Concordo, claro. A meta dos 3% de défice é justamente a outra face da dívida.
      Cump
      Raquel

  12. Céptico mas convicto diz:

    Acho que é errado dizer que a Greve Geral não contribuiu para o Requiem deste governo, nem que o 12 de Março teria sido tão decisivo sem este.

    E sobre o 12 de Março, apesar da aversão ao Sócrates, qual o objectivo que unia aquela gente toda? Nenhum, cada grupo estava a fazer a sua “revolução” e parte da malta que eu vi lá tinha mais perfil para o “Tea Party” do que para uma frente de massas contra a precariedade laboral e a carestia de vida.

    Minimizar a CGTP como a Raquel faz ou é de alguém que nunca esteve envolvido no movimento sindical ou alguém que lhe tem algum rancor. O movimento laboral tem um carácter unitário, reúne as mais variadas sensibilidades políticas e agrega-as para lutar por melhores salários, contra os abusos laborais do patrão e os ataques feitos aos direitos dos trabalhadores pelos governos burgueses.

    Diz que é preciso começar a fazer mais do que manifestar-se? Também acho isso e acredite que as pessoas que vão protestar dia 1 levam à prática isso, ao serem activistas no local de trabalho, na colectividade e no município. Mas compreendo o que diz, é preciso radicalizar a luta.

    Diga-me então algo, acha que hoje se pode aventurar numa intentona revolucionária e ter sucesso? E se falhasse? A organização (porque é sempre preciso uma organização para este tipo de processos sociais) não ia pagar demasiado alto o preço dos seus acto falhados?

    • Raquel Varela diz:

      Creio que a greve geral contribuiu e não disse o contrário. Foi talvez a maior greve geral de sempre. E por isso é que não se percebe que no dia a seguir não tenha havido nenhum plano de lutas nem a exigência da queda do Governo.
      Idem para as manifestações da CGTP, que são a força do movimento operário organizado, uma força imensa.

  13. Raquel, Cid, Técnico, assim eles já lá vão…

    🙂

  14. E nem pense nisso de «nacionalizar» a banca…
    Haja um indício disso e ao alcance de um botão todo o $$$ vai parar às Bermudas ou às ilhas Caimão, ou à Suíça.
    Aí o que a menina «nacionaliza» são edifícios e um montão de trabalhadores, money is far far away gone…
    :/

    • fuser diz:

      isso é o que você pensa.

      Não, porque o dinheiro pode ir à distância de um clique. Mas os banqueiros não se transmutam. Ponham-nos atrás das grades e vai ver que o dinheiro aparece.

  15. João Lopes diz:

    Mais do que a de 12 de Março, com objectivos pouco claros, o peso e a tónica deveriam estar na manifestação de 19 de Março, convocada pela CGTP, com objectivos claríssimos e uma carga ideológica muito maior. Não se explica que a autora minimize desta forma uma manifestação que, além do que referia anteriormente, teve inclusivamente mais 50% de pessoas comparando com a primeira.

  16. Marta diz:

    Porque carga de água é que anda a censurar o Leo, Raquel?

  17. Nuno diz:

    Esta Raquel Varela é uma autentica Passionara!

    • João Pais diz:

      Esta Raquel Varela deve achar que o 25 de Abril se fez num dia em que o pessoal simplesmente se lembrou de sair à rua e acabar com a ditadura!
      Quem enche a boca com a “unidade da esquerda” para depois vir culpar o PCP por não fazer a sua vida igual aos momentos do Maio de 68 que tanto sonha viver não merece senão o agradecimento do sistema.
      Quem parte a unidade dos trabalhadores é quem os divide em precários e não-precários, caindo no joguinho dos patrões e do Governo! Lutas sectoriais sempre houve e essas são a garantia que as lutas gerais continuam, só não sabe quem é um mero “teórico do protesto social” ou acordou agora. Ficaria bem lá no debate do Chapito como oradora também…

      • Rocha diz:

        Ó João critica a Raquel por ser sectária, tanto quanto quiseres, mas essa dos precários e não-precários NÃO aceito!

        E sabes porquê? Sou precário e sou do PCP. Estou farto do paternalismo dos não-precários e de como a luta tem de estar subordinada sempre e em qualquer caso aos trabalhadores sindicalizados com a sua vida estável e contrato permanente.

        Estiveste lá no dia 12? Não tiraste as mesmas lições que o camarada Jerónimo que apoiou inequivocamente a manifestação?

        Não camarada isso eu não aceito, não confundas a Raquel e o seu sectarismo, com a luta sem tréguas dos precários. Somos todos trabalhadores, somos todos explorados é verdade mas até ao dia que acabarem com esta puta desta injustiça, nós precários estamos aqui para gritar a pulmões cheios, os nossos problemas específicos e se for preciso para partir esta merda toda!

        Pensas na divisão dos trabalhadores por o pessoal sair à rua em nome da juventude precária? Pensa duas vezes, olha que podes encontrar muitos precários comunistas que não estão para engolir essa merda dessa ladainha.

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  19. hap diz:

    Não havendo produção suficiente como é que vivemos cá dentro sem ser comprando o que os outros produzem? E sem guito (precisamente por ausência de produção) como é que lhes pagamos? Vendem fiado? Quem é que vende fiado a quem não paga o que deve?

    Nacionalizam-se que bancos? Todos ou só os nacionais? E estes, os nacionais, nacionalizam-se completamente ou só a parte que é capital nacional? E paga-se alguma coisa aos detentores do capital ou, simplesmente, toma-se posse e pronto? E se os bancos, afinal, tiverem os cofres vazios como, cada vez mais, parece que têm?

  20. fuser dois dos meus «irmões» trabalham (bom enfim, são altos ‘quadros… um deles é administrador) num banco privado muito importante que não nomearei.
    A gente fala-se de quando em vex.
    Por vezes trazem amigos e colegas e a conversa até enjôa pr’a quem não seja do «circuito».

    Axa porventura que eu não sei do que estou a falar, ??

    Ponha quem quiser debaixo de grades. Okies.
    O ‘money’ fica onde está, i.e. p’ra onde foi transferido.

    Tão ingénuo que fax pena, vc.

    🙁

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