Petição para uma alternativa de esquerda

Não acredito muito nestas coisas, mas tentar não custa. Pode ler o texto da petição e a listagem dos subscritores aqui:

Eleições à porta, PS e direita ensaiam os habituais jogos palacianos, na tentativa de fazer crer que algo vai mudar quando, é sabido, deste rotativismo resulta que tudo fica na mesma.

No país, os trabalhadores e os desempregados, os precários jovens e menos jovens, os reformados e os pensionistas, têm saído à rua, contestando com firmeza as políticas de austeridade para os que menos têm, enquanto os detentores da riqueza continuam a merecer todas as benesses dos poderes nacionais, com a cobertura das grandes potências europeias e do capital internacional.

À esquerda, a oposição parlamentar apresenta diagnósticos e políticas alternativas que revelam assinalável convergência, não obstante naturais diferenças nalgumas soluções concretas.Prova disso mesmo, é a votação de ambos os partidos nas medidas alternativas ao PEC 4. Mas esta convergência, que é também acompanhada pelo movimento sindical de classe e muitos sectores sociais, não tem suscitado qualquer alternativa de governo às políticas de quase quatro décadas, que nos conduziram ao que dizem ser um beco sem saída, a não ser que cedamos ao FMI.

Conscientes de que os caminhos não são fáceis, até porque tem faltado vontade de os trilhar, os cidadãos e cidadãs de esquerda abaixo-assinados apelam:

– ao Bloco de Esquerda e ao Partido Comunista Português, para que se encontrem, com o objectivo único de debater alternativas de governo, à Esquerda, que mobilizem o povo português para uma ruptura com as políticas neo-liberais;

– a que nessa procura de alternativas sejam interlocutores a CGTP e as organizações representativas dos trabalhadores, os partidos da esquerda extra-parlamentar e os movimentos sociais progressistas;

– a que todos juntos (partidos, movimentos e cidadãos de esquerda) consigamos ultrapassar divergências, em nome de uma mudança de rumo do país, que responda aos anseios não concretizados da Revolução de Abril.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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32 respostas a Petição para uma alternativa de esquerda

  1. Nuno, como citou um dos subscritores:
    «O pessimista queixa-se do vento, o optimista espera que ele mude e o realista ajusta as velas»…

    Nunca me imaginei a lançar uma Petição Pública para tentar encontrar uma alternativa de Esquerda para este País, nem teria, há uns anos, pensado que isto pudesse ser usado como vela….mas também, sinceramente, acho que nunca pensei que chegássemos onde chegámos. Por isso, olha, damos o nosso nome, damos o nosso empenho, mais ou menos desencantado e mais ou menos “ateio” nesta e em tantas outras lutas…mas´estamos cá.

    Obrigado ao Cinco Dias por divulgar mais esta “velazita”.

    • idi na huy diz:

      Isso, diz ele agora…

    • The Studio diz:

      Jerónimo de Sousa não disse isso. O que ele disse foi “O PCP e o BE convergem em muitos pontos mas não são a mesma coisa. Uma coligação pré-eleitoral não resolve o problema de fundo”, o que é bastante diferente. Ele não recusou nada, apenas diz que essa coligação não resolveria o problema de fundo.

  2. idi na huy diz:

    Apoiado!!!!Eu vou nessa.Já é altura da esquerda mostrar a sua raça 🙂

  3. xatoo diz:

    frontalmente contra, nas presentes circunstâncias tem de se inverter o paradigma, votare para depois
    em vez de coligar, o BE tem é de se evaporar
    temos demasiada puta viciada em cadeira de são bento
    e em santinhos só o da porta aberta pode milagrar
    o parlamento é reaccionário, não passa de excremento

  4. AA diz:

    “Divergências económicas e em matéria de União Europeia” apesar de defenderem a nacionalização dos grupos económicos estratégicos e de estarem no mesmo grupo de esquerda europeia. Caramba, trata-se de um PROGRAMA MÍNIMO de convergência, é assim tão difícil?

  5. jpt diz:

    Assinei e apoio, desde que seja para fazer algo novo e diferente. Mais do mesmo, com discursos sobre o proletariado, operários e camponeses, não obrigado. Já não estamos no sec. XIX. E já agora, convinha que abandonassem esses preconceitos de classe. O Outdoors básicos e populistas a bater “nos ricos” já enjoam… Desde que não roubem, não explorem e paguem impostos, n tenho problemas com “os ricos”…

    • idi na huy diz:

      Desculpe-me,mas isto aqui não é pragmatismo do PS.Basta saber quem é que está a ganhar com estas coisas da divida que eu não fiz.E quem está a ganharé a CLASSE Capitalista,não os trabalhadores CLASSE.Isto já foi descoberto no séc XIX.Eu sei q é dificil imaginar a matéria como conjuntos de átomos…He´racllito,2000 AC…..Da-se!!!!Santa Ignorâcia e sem vergonha!!!!

    • AA diz:

      caro jpt: será que você faz ideia que 70% ou 80% da riqueza que é criada nos países ditos desenvolvidos fica nas mãos de cerca de 1% das famílias? Famílias essas que vivem da usura, e os seus tesouros vão crescendo por causa disso, e os juros no ano a seguir rendem ainda mais porque o bolo cresce… acha que isso não é exploração, nem tem problemas com isso? (já pensou que os salários perdem valor real de ano para ano e que isso está ligado com a acumulação da riqueza por parte dos mais ricos?) É ou não uma questão de classe? Chamemos as coisas pelos nomes: são a Burguesia, e continua tão pouco numerosa como o era no século XIX.

      • Conceição pereira diz:

        “Eles papam tudo!… Eles papam tudo!… e não deixam nada!…” Varas e Barões levam os milhões e o Povo cai aos trambolhões!…

    • jpt diz:

      Faço ideia e não me importo, mas sou contra qualquer tipo de exploração, como disse. Mas repito, estou-me marimbando para quão ricos são os outros, desde que paguem salários justos e paguem impostos, etc.
      Mas o meu ponto não era esse. Era estampar num cartaz o ressentimento social, isto sem qualquer mensagem política. Isto afasta as pessoas moderadas, e é tão ridículo como uma tia de cascais a reclamar contra ” o povo”. Os complexos de classe são ridículos, sejam em que direção forem. Abram os olhos, e deixem-se de radicalismos: a sociedade que mais se aproximou da sociedade sem classes, mantendo ao mesmo tempo altos níveis de bem-estar, foi a social-democracia. O que é preciso é uma social-democracia radical, sem a contaminação dos neo-liberalismos dos partidos Socialistas e social-democratas da Europa. Foi isso que eu esperei durante este tempo todo do BE, em vão. Uma desilusão, esta esquerda toda.

    • jpt diz:

      ” 70% ou 80% da riqueza que é criada nos países ditos desenvolvidos fica nas mãos de cerca de 1% das famílias”

      Não tinha lido bem esta sua frase. Não acha que está a exagerar? O que escreveu é economicamente impossível, em portugal. Basta comparar a massa salarial. mas concordo que este Neo-liberalismo Thatchariano em que vivemos desde os anos 80 não trouxe nada de bom. Repito, é preciso voltar à social-democracia radical…

      • AA diz:

        Veja este post, relativo aos Estados Unidos: http://blogs.discovermagazine.com/cosmicvariance/2011/02/24/eat-the-rich/

        (não reflecte bem os números que eu lhe disse, i.e. 70% da riqueza para 1%, mas não encontro dados melhores. não esquecer também quanto é que os ricos guardam nos offshores!)

        O que me importa a mim que os riquíssimos paguem impostos, se eles ficam com quase tudo o que se produz? É isso que certas pessoas, bem intencionadas – admito! – esquecem. Será que o jpt se pode marimbar para quanto dinheiro têm os mais ricos, como se isso fosse uma variável independente da pobreza que essa desigualdade gera? Será que o jpt se esquece que a riqueza que os países geram não é alvo de uma gestão democrática que sirva as maiorias? Social-democracia radical, my ass.

  6. Filipe Diniz diz:

    Esta ternurenta iniciativa está a ganhar asas. Vão à lista de subscritores, entre o 281 e o 290!

  7. Filipe, aquelas asas cortam-se…pode dar trabalho mas cortam-se.
    Não vale a pena ir por aí, acredite.

    • Filipe Diniz diz:

      Isabel
      Não sei o que quer dizer com o “ir por aí”. Não só chamei ternurenta à iniciativa como digo mais: ela é capaz de empenhar pessoas bem intencionadas, o que creio ser o seu caso. Mas isso não altera o essencial: este tipo de iniciativas ilude e frustra, no momento actual, o enorme – mas infelizmente demasiado difuso – desejo de mudança existente.

      • Nuno Ramos de Almeida diz:

        Infelizmente, o que nos vai frustrar é o resultado do costume. Quando chegarmos aí, fico à espera da análise do costume a pregar que a realidade é que se engana. Uma ternura.

        • Filipe Diniz diz:

          Nuno
          Pelo que tenho visto por estas trocas de palavras recentes, estás a ficar com a cabeça mais quadrada do que aquilo de que eu me lembrava.

      • Sabe, Filipe, há algo para o qual a idade me tornou mesmo muito intolerante: para com a arrogância, a sobranceria, os donos da verdade, os detentores das certezas sobre quais as lutas certas, as que valem a pena ser feitas. O não vale a pena ir por aí, é por aí. Porque não vale mesmo a pena. Já outros tentaram…

        O que valeria a pena e lhe agradeceria, era que me dissesse, neste momento, a pouco mais de dois meses de umas eleições que irão dar, se nada contra isso fizermos, de novo a vitória às políticas que nos trouxeram aqui e que as agravarão, quais são as iniciativas que não iludem nem frustram. Assobiar para o lado não conta..

        • Filipe Diniz diz:

          Isabel, ter uma opinião que não é a sua sobre essa iniciativa não significa necessariamente todas essas coisas. Muito menos significa assobiar para o lado ou não fazer nada. Muitas dezenas de milhares de portugueses fazem outras coisas, que não petições desprovidas de sentido prático, contra esta situação e estas políticas. Só na ultima Greve Geral participaram, se está lembrada, mais de três milhões.
          E se o seu horizonte é tão curto que só tem os próximos dois meses em perspectiva, então está destinada a ter ainda muitos desgostos.

          • Filipe, as minhas palavras nada têm a ver com ter opinião diferente. T~em a ver com o forma como você a expressou. Se fui injusta, as minhas desculpas. Acredite que as palavras são mesmo resultado daquela máxima do gato…:)
            Mantenho o resto todo. Até porque estive na Greve Geral, só não saí no dia 19 porque razões fortes de ordem pessoal me impediram de o fazer, tenho saído as outras vezes todas…faço, pois, parte,dessas dezenas de milhares…não consigo é entender o mal que faz juntar formas de luta à luta…e continuo sem entender quais as formas de luta que valem a pena…e se essas têm sempre resultados. Nos últimos quase quarenta anos, por exemplo, se tiveram sempre resultado, as tais lutas que valem a pena.
            Tiveram?
            Ah e quanto ao comprimento do horizonte: temos eleições daqui a dois meses. Que colocarão a Direita no poder de novo. Este horizonte tem efectivamente dois meses e pouco. Ou não tem?

  8. Rocha diz:

    O mote para esta necessária convergência e debate das forças de esquerda e movimentos sociais deveria ser a recusa de pagar a dívida ilegítima dos bancos, com a recusa a pagar a dívida ditada pelos “mercados”, a União Europeia e o FMI.

  9. n diz:

    claro Filipe Diniz. será que se lê nas entrelinhas que “este tipo de iniciativas ilude e frustra, no momento actual, o enorme – mas infelizmente demasiado difuso – desejo de mudança existente” é o mesmo que dizer que o desejo de mudança está demasiado difuso e a vanguarda revolucionária tem que trabalhar no seu posto de combate a posição de instauração de um modelo pró-URSS, para não dizer algo ainda mais à frente como os blogues de membros do CC cheios de Estalines. merda para vocês. eu enquanto militante comunistas recuso aceitar a ascensão da direita radicae a consequente miséria do povo português

  10. Rui F diz:

    Palpita-me que a somas de BE+PCP seja menor que as partes.
    Digo isto sem um minimo de sectarismo.

    Como dizia hoje o Daniel Oliveira no Expresso: Apresentem um caderno de encargos e assumam responsabilidades pelo sucesso ou pelo fracasso.

    • antónimo diz:

      Caro Rui, Você tem dificuldades com contas

    • Rui, se nos “agarramos” à soma aritmética e não contarmos com a dinâmica social que tal disponibilidade para a soma pudesse criar, talvez.
      Se não tentássemos nela envolver a CGTP, os movimentos sociais, os milhares de cidadãos de esquerda não são do PCP nem do Bloco, talvez…
      Seria assim?

    • Luís Rocha diz:

      A guerra do Rui é outra… a da Líbia por exemplo, com o patrocínio humanitário da NATO. Claro que a esquerda para si não soma, quando você é o primeiro a subtrair-se dela.

      Quanto às responsabilidades do Daniel Oliveira, esse parece que ainda festeja a “grande vitória” alegrista como o caminho certo. Claro, está disposto a tudo para ganhar um gabinete num governo.

      O desafio da esquerda contudo é diferente de quaisquer cálculos eleitorais: trata-se de derrotar as políticas neoliberais, apresentando uma alternativa de esquerda assente e guiada pelas lutas dos movimentos sociais.

  11. Diacho, «subscrevi» essa. Logo no princípio.
    E aindo acredito menos em «petições» que o Nuno.
    Mas também (em tese) já não há PIDE para me ficar com o nome e morada, portanto não deve haver inconveniente.

    • Bem se houver problema eu estou pior que você. Sou a primeira. Na pior das hipóteses encontramo-nos… lá! Mas como o Nuno também subscreveu, teremos companhia 🙂

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