“Nunca me Deixes”, de Mark Romanek

Eis um filme que me deixou bastante dividido: “Never Let Me Go”, de Mark Romanek. Por um lado, a montagem e a envolvência da película são bastante bonitas, com algumas semelhanças estéticas com, por exemplo, o maravilhoso “Expiação”.

Por outro, fico com alguma dúvida sobre o propósito do filme. Na lógica de seres inferiores (“sem alma”) sacrificados em prol das castas elevadas, faz-me lembrar “O Admiravel Mundo Novo” do Huxley, mas parece-me que falta clareza e profundidade à abordagem do filme. Até a forma como explora o amor em seres supostamente “sem alma” (ou talvez não) é um bocadinho superficial.

Interessante, mas fica aquele sabor amargo de que poderia ser bem mais do que isso.

P.S.: Gostava de ler o livro de Kazuo Ishiguro, a partir do qual foi criado o filme. Para perceber de que forma é que o realizador foi ou não fiel à obra literária e porque talvez o livro tenha a densidade que faltou aqui.

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3 respostas a “Nunca me Deixes”, de Mark Romanek

  1. <bBJoão Torgal, esse gajú é a ‘loucura total, rima e é verdade.

    Check it out no «tubos» (é clarinho que tenho o ‘produto”…)

    http://www.youtube.com/watch?v=KDMvN45sjo4

    ou então baixem-no daki, se estiverem interessados e souberem como…

    http://www.megaupload.com/?d=9CCYXV3C

    São os Audioslave a performar “Cochise”, em 2002…

  2. Ainda não tenho/vi/li esse, mas não estou com pressa, tenho um pequeno problema, não gosto muito do Ishiguro como escritor aborrece-me, isto será muito “políticamente incorrecto” de dixer ?
    Enfim….
    😉

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    Aqui fica uma sugestão que passa pelo referido / dito Kazuo, mas felixmente não se ‘esgota’ nele, nem de perto nem de longe.

    Não posso/devo indicar-vos onde isto se arranja de “outros modos”, portanto se quiserem é FNAC, Bertrand, British Institute, Almedina, Lello, Pó dos Livros ou wtf convosco.
    😉
    The Image of the English Gentleman in Twentieth-Century Literature (2007)

    Ashgate, ISBN: 0754661261, edicão 2007, 218 paginecas…

    Studies of the English gentleman have tended to focus mainly on the nineteenth century, encouraging the implicit assumption that this influential literary trope has less resonance for twentieth-century literature and culture.

    Christine Berberich challenges this notion by showing that the English gentleman has proven to be a remarkably adaptable and relevant ideal that continues to influence not only literature but other forms of representation, including the media and advertising industries.

    Focusing on Siegfried Sassoon, Anthony Powell, Evelyn Waugh and Kazuo Ishiguro, whose presentations of the gentlemanly ideal are analysed in their specific cultural, historical, and sociological contexts, Berberich pays particular attention to the role of nostalgia and its relationship to ‘Englishness’.

    Though ‘Englishness’ and by extension the English gentleman continue to be linked to depictions of England as the green and pleasant land of imagined bygone days, Berberich counterbalances this perception by showing that the figure of the English gentleman is the medium through which these authors and many of their contemporaries critique the shifting mores of contemporary society. Twentieth-century depictions of the gentleman thus have much to tell us about rapidly changing conceptions of national, class, and gender identity.

  3. E meu caro acabei de adquirir o referido livro mas, não está altíssimo na minha lista de prioridades.
    Se não está para ir a uma livraria, invente uma maneira de chegar até mim, posso-lhe oferecer a ‘coisa’ em inglishe…

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