Recomendo vivamente estes dois posts do Ricardo Paes Mamede (1 e 2).
Nestas eleições a esquerda portuguesa (PCP e BE) vai continuar entalada numa realidade que a torna credível para protestar , mas sem crédito para governar. Do meu ponto de vista, é pena que PCP e BE não se entendam para concorrer às próximas eleições em coligação. Só uma dinâmica nova poderia criar uma alternativa, em relação, aos senhores Sócrates e Coelho, o parzinho maravilha dos PECs.
Sendo isso muito difícil, acho que deveria ser feito um esforço comum entre pessoas do PCP , do BE, da esquerda do PS e independentes para criar uma base programática comum. Uma espécie de dez pontos do que poderia ser uma política alternativa de esquerda para Portugal. Um programa eleitoral partilhado em copy left que criasse a base de resistência à política neoliberal que se vai agudizar. Uma base que permita articular a luta em Portugal com a constestação na Europa. Sejamos claros, a alternativa à política neoliberal passa necessariamente pela capacidade de construir uma alternativa em Portugal, mas isso não é suficiente, se não se conseguir juntar forças à escala europeia que proponham um outro caminho para a Europa, para além da política de recessão dos PECs.
Adenda: em Fevereiro de 2008, já tinha escrito isto sobre o assunto.




É exactamente isso que defendemos e assinamos aqui
Petição Por uma alternativa de Esquerda
http://www.peticaopublica.com/PeticaoListaSignatarios.aspx?pi=P2011N8105
Conscientes de que os caminhos não são fáceis, até porque tem faltado vontade de os trilhar, os cidadãos e cidadãs de esquerda abaixo-assinados apelam:
- ao Bloco de Esquerda e ao Partido Comunista Português, para que se encontrem, com o objectivo único de debater alternativas de governo, à Esquerda, que mobilizem o povo português para uma ruptura com as políticas neo-liberais;
- a que nessa procura de alternativas sejam interlocutores a CGTP e as organizações representativas dos trabalhadores, os partidos da esquerda extra-parlamentar e os movimentos sociais progressistas;
- a que todos juntos (partidos, movimentos e cidadãos de esquerda) consigamos ultrapassar divergências, em nome de uma mudança de rumo do país, que responda aos anseios não concretizados da Revolução de Abril.
Pois, já conta com a minha assinatura.
A nossas vidas, porque é disso que se trata, não se compadecem com sectarismos bacocos.
Façamos o nosso arco de poder!
Impossível.
O que chamas “esquerda do PS” é uma miragem antiga – não existe.
O trabalho teria de ser demorado.
Primeiro, uma aliança PCP e BE + independentes.
Depois, a coisa teria de chegar ou mesmo ultrapassar os 20%.
A partir daí o “movimento” pode tornar-se sedutor, e crescer – a médio prazo.
Quem no PS tiver alguma coisa a ver com “esquerda” sairia desse partido, e só depois colaboraria com este (desejavelmente) amplo movimento.
A base seria sempre PCP, BE (mas não contes com oliveiras e tavares e quejandos) e independentes (mas cuidado com os autodenominados “renovadores”).
Realismo, precisa-se.
Carlos, apesar de maoista, tu nunca percebeste o que é o fundamental e acessório de um texto. Passando ao pormenor, eu falo de eleitores do PS. Não falo de nenhum dirigente da era Sócrates/Mota-Engil
Sobre este tema eu continuo a insistir que qualquer aliança de esquerda tem nascer, viver e ser ser guiada pela luta social e não pelas eleições.
E como disse o Carlos, e nunca é de mais repetir, a “esquerda do PS” não existe.
E qualquer ex-PS que quisesse juntar-se às forças de esquerda só o poderia fazer de forma credível se rompesse não só com Sócrates, mas também com todo o passado deste partido desde Mário Soares.
O PS que conhecemos desde 74 é tal e qual os PECs, os Bancos falidos e o capitalismo neoliberal, não tem salvação possível.
1% da base eleitoral do PS???
Sabes mesmo qual a percentagem da base eleitoral do PS que consegue ouvir a palavra “comunista”???
Sabes perfeitamente que a fronteira das bases PS e PCP é a fronteira mais estanque do espectro político português. Então, porque insistes?
Enquanto a fronteira PSD e CDS é extremamente porosa e móvel (o cavaquismo esvaziou o CDS, outro ismo poderá também fazê-lo, se necessário), a fronteira entre PS e PCP é inquebrável. Vê historicamente mapas de transferências de votos – zero.
Ou melhor, há percentagens elevadas de elitores CDS que votam pontualmente PSD, por razões óbvias: agrada-lhes o líder, perspectiva-se uma maioria absoluta, voto útil, etc. Depois, muitos ou quase todos, regressam ao CDS.
Entre dirigentes, oportunistas inqualificáveis abandonam o PCP para um lugar ao sol-PS (pinas, magalhães, etc.). Na base, gente portanto que não será compensada com nada de especial, há os que abandonam o PCP (quando o PS agita a chantagem da “direita” ganhadora/medonha) e não voltam mais.
Praticamente, todo o eleitor PS é anti-PCP.
(Quase só a Carmelinda pensa diferente.)
O que mais interessa parece-me ser a união entre BE e PCP. O que tem o CV a dizer sobre isso?
Já estou farto desta conversa reformista das supostas bases eleitorais de cada partido é uma lenga lenga bacoca.
Nenhum partido tem uma base eleitoral. Os votos não pertencem a ninguém senão aos eleitores, que são antes de mais cidadãos de diferentes classes. E é na luta de classes que se vê a base social de cada partido.
Na Irlanda por exemplo, um partido que historicamente sempre rondou os 40% de votos que é o Fianna Fail (totalmente decadente com a chegada do FMI) nas últimas eleições caiu para 17% – o seu número de deputados diminuiu ainda mais caíndo 70%. O Fianna Fail reinava na Irlanda há 60 ou 70 anos.
De um dia para o outro as coisas mudam radicalmente.
Sim, sim, os partidos não têm base eleitoral. Um dia tudo pode mudar radicalmente. É melhor ficarmos sentados na nossa caverna.
Já agora, na Irlanda, o partido decadente foi substituído pelo outro partido decadente. A esquerda só ganhou uns trocos. Bom exemplo a estudar é a Islândia em que uma coligação de esquerda foi para o poder e faz uma política alternativa contra o capitalismo financeiro. Mas esses não ficaram sentadinhos a dizer umas alarvidades, como se o terreno eleitoral não influenciasse a correlação de forças na luta de classes.
“como se o terreno eleitoral não influenciasse a correlação de forças na luta de classes.”
Ora aí está o cálculo errado do costume daqueles que apostam no eleitoralismo e acabam por esquecer a luta que o povo realmente aprecia, que é a do dia a dia. É precisamente o contrário que é verdade: a luta social é que é responsável por alterações nos votos e nunca o contrário. Em democracia representativa/burguesa o povo esquece rapidamente o resultado, quando este não representa nenhuma ruptura com o sistema.
Convém não esquecer que os votos se disputam em meio de campanhas enviesadas e falsificadas pelos media em períodos curtos que tendem a suscitar ilusões e ingenuidades desastrosas para os eleitores e proveitosas para os políticos profissionais da burguesia. Na luta social é precisamente o contrário, disputam-se durante períodos muitos mais longos (durante anos), as massas tendem a ganhar relações de solidariedade e consciência de classe e os partidos de esquerda, de baixo orçamento, tendem a ganhar mais apoio social quanto mais envolvidos tiverem nas lutas mais radicais, as lutas que fazem tremer os cpaitalistas.
Mas impossível porquê?
Mas que raio de determinismo é este que mais parece física ou matemática.
Estou farto deste discurso da impossibilidade, tanto no PC como no Bloco, uns acusando-os de desvios em direcção à social democracia e outros chamando-os de stalinistas.
Mais vale só que mal acompanhado, não é?
Então venha a revolução para 2117 e mesmo assim não sei.
Não tenho muito mais a dizer do que disse à uns meses atrás numa caixa de comentários num post do Nuno Ramos de Almeida.
“A única viabilidade para um projecto alternativo à esquerda terá que passar sempre por um compromisso entre o PC, o Bloco e até com alguns sectores do PS no estabelecimento de um programa mínimo, em que as pessoas possam realmente se rever e percepcionar.”
O Miguel Serras Pereira pegando neste comentário chamou-lhe uma “Plataforma necessária e suficiente”, o Nuno faz agora uma proposta de dez pontos comuns.
Chamem-lhe o que quiserem, mas a responsabilidade de uma perspectiva de esperança, de exequibilidade e de horizonte comum na definição de uma politica à esquerda, pertence a todos e a todas e quero lá saber se o Oliveira ou os Tavares lá estejam, exige-se é um compromisso e ninguém obriga ninguém só está quem quer.
Rais parta o sectarismo.
Com isto me fico.
Caro Pedro Rodrigues,
sim, continuo a pensar que é necessário e cada vez mais urgente a construção de uma “plataforma necessária e suficiente”.
Comentando o post de Fevereiro do Nuno e o seu comentário, eu dizia qualquer coisa que vem a propósito rediscutir:
“…penso que a possibilidade de resistir à ofensiva oligárquica e ao governo exercido sobre nós por decretos pela sua economia política passa pela construção de qualquer coisa como um “programa mínimo”, a que prefiro (mas sem fazer disso cavalo de batalha) chamar “plataforma necessária e suficiente”, tendo por denominador comum a democratização a todos os níveis do exercíco do poder e das relações de forças governantes.
Em segundo lugar, parece-me igualmente claro que essa plataforma terá de reunir enquanto base da maioria dos que actualmente se reconhecem mais ou menos militantemente no PCP, no BE e no PS, bem como um conjunto muito mais amplo de elementos não integrados nesses ou noutros partidos”.
E, na caixa de comentários, adiantava também isto, respondendo a algumas observações do André Carapinha:
“dentro ou fora dos partidos, sindicatos, etc. tradicionais, a construção de alternativas e mais democráticas de exercício do poder e de relação com as instituições passa pela criação desde já de formas alternativas de acção comum e de auto-organização democrática da acção; as forças que se batem pela democratização de que falo só podem fazê-lo democratizando o seu próprio regime de funcionamento (deliberação, decisão, elaboração de propostas, intervenção e iniciativa). O que não significa que possamos fazer tudo de uma vez ou instantaneamente. Mas significa que a transformação no sentido indicado exigiria uma transformação (…) decidida e profunda dos partidos tradicionais, se estes não quiserem continuar a ser obstáculos do ponto de vista das alternativas (…)”.
Cf. http://viasfacto.blogspot.com/2011/01/alternativas.html
A tarefa não é fácil, mas é a alternativa melhor de que dispomos. E, por outro lado, o seu horizonte é muito mais vasto do que as próximas eleições.
Saudações democráticas
msp
É precisamente isso que tem de avançar. Um programa mínimo que não compromete minimamente os partidos envolvidos nessa aliança, que deve ser entendida como temporária. Se correr mal, ninguém sai lesado.
Atenção, o programa mínimo deve ser na minha opinião abertamente anti-capitalista. Oliveiras e quejandos que tratem de desertar para o PS, que de certeza se quererá novamente de esquerda. Eu tenho votado BE, e vejo nesta saída a sobrevivência do movimento enquanto projecto radical. Há demasiado tempo que as rédeas do BE estão tomadas por reformistas inofensivos. É tempo de radicalizar!
E não venham dizer que não há tempo. Um programa mínimo pode ser rabiscado numa reunião, porra. Reunamos ideias, numa primeira fase, nas ruas. Até breve, camaradas.
É uma ilusão considerar que os dois partidos teriam mais força juntos do que separados.
O último resultado dessa convergência de “esquerda”, foi a coligação PS-BE a apoiarem o candidato do PEC ( Manuel Alegre)…
Que eu saiba, o BE não tem menos votos que o PSR, UDP e Política XXI. As coisa ganham dinâmica quando significam algo de mais alargado e que vai no mesmo sentido. A candidatura de Alegre é um péssimo exemplo: tinha no seu seio o partido do PEC e o BE que era contra. Não somava, subtraia.
Pois é mesmo um infeliz exemplo. E infelizmente foi tomado num momento critico para a vida dos trabalhadores, correndo atrás do eleitoralismo populista o be não procurou de certeza a convergência, pode-se mesmo dizer que convergiu.
Erro de casting?
Não me parece. Louçã à tanto tempo (como líder de formações políticas).
A análise aritmética que colocou parece óbvia, mas simplista. Não estamos apenas a falar de transferência directa de votos dessas organizações partidárias para uma outra. Outros factores contribuíram para tal.
Já tivemos diversos momentos políticos em que existiu convergência do PCP e do BE. Mas, existem também, momentos de de distanciamento de opiniões e táctica. Parece-me que enquanto continuar esta linha ideológica ( ou esvaziamento dela) e orientação política no BE o distanciamento aumenta.
errata: no final da 4ª linha (…) convergiu mas, foi com a política de desastre para quem trabalha.
É verdade,NRA.’Alguém’ militante do PCP tem estado a difundir um apelo a uma coligação entre o PCP eBE,pq juntos são de certeza mais do q a soma dos 2 em separado.Eu,também sou por esta solução.
Quanto ao PS que os conheço ,ou são fascistas,ex-pides,sacristãos bufos,gajos que fugiram do PCP pq aquilo não dava tacho,arrivistas,corruptos(há um caso em Sacavém,desabafado à frente de várias pessoas em q o gajo dizia que era preciso ser pragmático:recebia daqui,dali,etc).De Alcochete,um amigo meu que era empresário da construção civil já falecido,dizia-me que desde q o PSucialista tinha ganho,todos os meses tinha mais 3 filhos para sustentar-e,ele, não era comunista!!!!Mas,tinha saudades deles e que esta sucia lhe metia nojo!!
http://www.facebook.com/?ref=home#!/event.php?eid=149870945075226&index=1
não tenho facebook!!! e não quero ter. posso saber de que comício se trata?
Uma “união mole” não mobiliza mais. Os dois partidos têm o seu eleitorado. O BE sem os tais reformistas é meio-BE. Na prática têm sempre convergido no essencial. E sabemos que estão disponíveis para apoiar um governo com uma política de esquerda. Não vale a pena é fantasiar. E primeiro é necessário verdadeiras e claras opções. A opção Manuel Alegre e o processo que a conduziu mostrou todas as suas lições. E o recente apoio à NATO também mostra que há quem queira repetir o caminho da social-democracia outra vez. Para quê, então?
Fazer a política da alternativa, com as forças da alternativa; e não pedir a personagens dúbias para fazer a política da alternativa. Temos todos muita pressa, mas as coisas não caem do céu. Vai demorar. O que é preciso é trabalho, muito trabalho e convencimento.
Ah! E sem a luta é que não vai lá mesmo.
O Eng. Sócrates sai e temos por isso um cenário de eleições antecipadas, que nesta altura coloca sem dúvida pressão acrescida sobre Portugal. Realizar estas eleições antecipadas custará ao país mais de 18 milhões de euros (LINK), incluindo …tempos de antena, despesa com os membros das mesas de voto e os perto de oito milhões de euros de subvenção estatal para as campanhas. Mas tudo isto oportuno, pois a crise económica deverá estar muito longe, de acordo com a visão dos nossos politicos,certamente !!!
Pessoalmente, parece-nos que eleições antecipadas só não serão prejudiciais (ou até positivo), se pudéssemos antever um resultado final de Governo suportada em maioria absoluta! Mas melhor, melhor que todo este cenário seria ter-se conseguido um consenso sem recorrer a eleições, este sim seria o melhor sinal que o país poderia dar aos mercados Internacionais.
Por isso continuo a acreditar que se tivéssemos bons políticos teríamos o problema de Portugal resolvido criando um Governo de salvação nacional que incluísse praticamente todos aqueles partidos que defendem a democracia. Sem um acordo de regime não há solução, quer haja eleições ou não.
Fonte : http://cogitare.forumenfermagem.org/2011/03/eleicoes-antecipadas-gastemos-mais-18-milhoes/
<bNuno, João, Carlos e demais, previsãozinha pessimista: não vai acontecer.
Demasiadas vaidades, orgulhos feridos, ressentimentos histórico/histéricos, poucos galhos, muita ‘macacada’.
E depois há sempre aqueles que vão na cantiga de «quanto pior, melhor (p’ra nós)».
C,
não leu os comentários. Já respondi a essa questão.
Vidal,
Adoro o teu “achometro”. A questão é simples: só uma maioria política e social pode fazer uma política de esquerda. Para isso, é preciso que os pontos de força de um programa de esquerda ganhem a hegemonia na cabeças das pessoas. Nesse campo político e social têm de estar, pelo menos, o PCP , o BE, e muitas das camadas sociais que votam PS.
Pedro,
Não percebo a tua política de poucos mas bons. Parece que raptaram o Pedro que percebia a importância da política da unidade por objectivos comuns, e colocaram no lugar uma espécie de sectário-geral. Basta olhar para o trabalho parlamentar, para perceber que 99,9% das propostas do PCP e do BE coincidem. É preciso fazer um enorme esforço para encontrar grandes divergências de fundo. A candidatura do Alegre foi um erro táctico do BE. Falta de capacidade de quebrar um “namoro” anterior ao apoio mortal do Sócrates. Não é verdade que o BE apoie a Nato. Podes usar essa táctica da pequena mentira, para ganhar votos ao parceiro do lado, mas convém não acreditar nas mentiras que dizes. Até porque o PCP também tem aspectos menos simpáticos, como o silêncio, para ser simpático, com as ditaduras norte-coreana e chinesa. As eleições não são religião. São uma questão prática. Dependem da luta de massas, mas tb a potenciam. O ter como objectivo ter 7% dos votos, como no caso do Francisco Lopes, não serve para nada. O poucos mas puros, nunca serviu para nada.
NRA, não coloquei nenhuma questão para ser respondida.
A candidatura de Francisco Lopes não serviu de nada ?!!! Caramba, isso é o quê? Cegueira política! No cenário que se apresentou de outras candidaturas, a candidatura de Francisco Lopes foi a única que se pautou pela exigência de ruptura e mudança de políticas.
Teria sido, sem dúvida, mais fácil embarcar na teia que se montou entre PS e BE. A tal esquerda que procurou a convergência.
Sabem o que chamo ao apoio do BE ao PS/Alegre?
Oportunismo! Agora, também sei, que existe muita gente séria no be, está na hora de acordar e sacudir a gentalha que se instalou no poder.
Nuno
Já vi que quem tenha opinião diferente da tua não passa de um sectário conivente com as ditaduras norte-coreana e chinesa. Mesmo assim, três pontinhos:
1- Unidade, convergência, coligação eleitoral são coisas diferentes, como tu deverias saber. Misturar uma coisa tão séria como a unidade com um apelo lancinante a uma coligação eleitoral é baralhar. Mais: sabendo que uma tal proposta não tem quaisquer pés para andar, a função desse apelo é aliviar à partida a consciência dos futuros votos em branco e abstenções: “eles não se quiseram entender, desinteressei-me”. O PS, o PSD e o CDS agradecem.
2- O apelo não tem pés para andar por muitas razões, uma das quais é fundamentalmente prática, e qualquer responsável do BE, se tiver confiança contigo, pode dizê-la “off the record”: é que no momento em que o BE estivesse disposto a entender-se eleitoralmente com o PCP acabava-se o carinho mediático que constitui o fundamental do seu relativo sucesso. E o BE pujante das últimas legislativas tornava-se o BE inexistente das últimas autárquicas. Eles sabem, e tu devias saber, que uma coligação CDU/BE, por essa razão concreta, seria muito menos do que a soma BE e CDU. E o BE tem o eleitoralismo na massa do sangue.
3- As próximas eleições são um combate de pesadas consequências travado nas condições mais difíceis pelas forças que existem, não por quaisquer ficções ou fantasias de última hora. Se há questão que é determinante é que as dificuldades e o desespero não apaguem das cabeças da esmagadora maioria quem são os responsáveis, e que políticas conduziram a esta situação. É contra esses o combate da unidade. Não contra outros que, com mais ou menos deficiências, são parte da solução.
Filipe,
1-Não leste o que eu escrevi.
2. Acho divertida essa ideia que nos temos contentar com o que existe e não lutar pelo que achamos que é necessário e justo. Mas se tu vives bem com isso. Força!
Pelos vistos, também não lês o que escrevo. Eu escrevi _ que existem _, não escrevi se estou contente ou deixo de estar. Se tu queres encaminhar o teu descontentamento no formato carmelinda, força. Agora não venhas, depois das eleições, chatear porque não te ligaram, e o que existe não serve, etc. A luta política é feita com o que existe mais com aquilo que queremos que exista. Se só consideras o que existe como um empecilho em relação ao que não existe, então tens um problema, que costuma terminar em azia.
O que é feito do Nuno Ramos de Almeida que não espera dos outros aquilo que ele quer ouvir. Dei-te a minha opinião serenamente e tu respondes com chavões de baixo nível.
O que tu defendes é uma ficção. Certamente agradável do teu ponto de vista, mas sem realismo. O que seria verdadeiramente motivante e mobilizador era que investisses numa luta para galvanizar as forças da alternativa, com as suas melhores capacidades e no melhor da sua identidade. Isso é que potencia a vitória, e não ilusões.
A prática e a evolução do Bloco fez-me entender algumas dificuldades. Não o negues, pois não podes arrogar-te o direito de ter sobre o assunto opiniões que só tu podes ter e outros não. O “apoio” à NATO é uma simplificação, mas entende-a muito bem quem souber que as pessoas que o protagonizaram e apoiaram não são bestas e sabem muito bem o que fazem e sabem muito bem “como é que as coisas acabam”. Fizeram de maneira complexa algo que era cristalino no significado e na consequência. Como rapidamente se verificou. E a ausência do Bloco na manif de ontem apaga qualquer dúvida.
Pode ser que sejam erros. Mas têm sido muitos ultimamente, porra!
O meu estado de pureza não são tema do post, mas o do tua argumentação. Parece que o adjectivo “sectário” está sempre presente também, na tua argumentação. Acho surpreendente que penses que alguém que é filiado no PCP (mas não em qualquer outro, parece-me) e, coisa estranha!, se identifica com a linha do seu partido, já depois de 30 anos de militância, e POR ISSO MESMO, dá provas concretas, de vida, na prática e no convívio, de poder trabalhar e entender-se com gente de todas as áreas políticas, mas sobretudo com gente da outra esquerda, esse é para ti um sectário. Não-sectário é portanto, para ti, alguém que, sendo do PCP, pense como tu.
O mais fantástico é que: tu podes discordar da candidatura de Alegre; mas eu, porque sou do PCP, não. Tu podes discordar do apoio à intervenção na Líbia; eu, PCP, não.
Como poderás constatar, nos já vários posts que escrevi neste blogue, não fiz uma única referência negativa ao Bloco sem deixar de exprimir a minha opinião sobre as opções que se apresentam. Podia tê-lo feito, e reservo-me o direito de o fazer.
Também tenho batido nesse ponto: “perceber que 99,9% das propostas do PCP e do BE coincidem”. Mesmo assim, parece a mais improvável coligação. PS, PSD e CDS formam as mais diversas parelhas consoante a ocasião. Hoje, B. Félix em nítida provocação, refere até a possibilidade de um governo PSD, CDS, PCP.
De resto, subscrevo. É mais aquilo que nos une, do que aquilo que nos separa. Deixemos a “pureza” para os criadores de animais. Em democracia, para transformar o real é necessária uma base eleitoral alargada, e a da esquerda, está fragmentada entre PCP, BE, Brancos e Nulos e aqueles que votam PS enquanto “voto útil”, expressão que detesto, mas compreendo, ou não. O método e os círculos eleitorais prejudicam-nos. A percentagem de votos raramente se traduz no igual número de deputados. Aqui em Viseu, ou mesmo em todo o interior Norte, por exemplo, a possibilidade de eleição de um deputado é quase uma miragem. Mas se atentarmos à soma de votos BE, PCP e hipotéticos “úteis” PS que deixariam de o ser se houvesse de facto a possibilidade real de eleição, vemos que facilmente se elegeriam vários deputados. E mesmo no Alentejo, veja-se Portalegre 2009, um caso flagrante. Ou isso, ou lutar por um círculo de correcção/ajustamento nacional, que se avizinha obviamente impossível porque o caminho é o “uninominalismo”.
Mesa redonda camaradas, mesa redonda! Se nem na maior crise do capitalismo, na maior austeridade, no maior descontentamento popular a esquerda almejar a transformar de facto, então quando?
Este post é de bom senso, como aqueles que ele refere.
Se existe irrealismo, ele não mora aqui, esta antes com os que nos querem convencer que existe uma contradição entre, por um lado, oferecer uma proposta politica credivel tendo em conta as perspectivas eleitorais e, por outro, acompanhar o protesto popular e manter-se fiel à exigência de uma redistribuição efectiva e da salvaguarda dos serviços publicos.
O verdadeiro realismo é compreender que as duas atitudes são igualmente necessarias, e que são complementares. Sem propostas politicas crediveis, o protesto popular é perfeitamente inocuo e perde-se, desnorteado. Sem vigilância popular com rumo, as propostas politicas não têm nada com que se segurar à esquerda e acabam inevitavelmente por cair para o centro, e por passar para o outro lado.
Tivéssemos nos uma esquerda a sério, realista (marxista no verdadeiro sentido do termo), e não seria necessario estar a martelar nesta tecla.
Bom post.
Nuno e já agora sabes o que é isto, estava no correio ?
http://leftcaucus.eu
E já agora, vamos ver se cabe aki, do «Doctor Doom» (aka Nouriel Roubini, prof de qq. coisa numa univ. ali p’ra New York, e conferencista/consultor/conselheiro itinerante…)
Foi o gajú que se fartou de avisar que «a crise» e mais a «bolha imobiária» US ia rebentar…
Critical Issue
Portuguese Prime Minister Resigns, Retains Full Powers Until Friday
Appears in the Briefing: Portugal: Economic Profile, Portugal: Domestic Politics, Europe, Geostrategic and Long Term Issues, Eurozone, Portugal, Domestic Politics and Political
Mar 23, 2011
* Overview: Late Wednesday, March 23, opposition parties withdrew support for the latest austerity measures thus leading the prime minister of the minority government to tender his resignation. The president now has the option to call for fresh national elections (in two months at the earliest) and the institution of an interim caretaker government. Meanwhile, the president has asked to meet with all political parties on Friday and and the current government would retain full power until then. This leaves the government able to represent the country at the EU Summit on March 24/25 when the negotiation of a bail-out package is possible. The latest round of fiscal tightening proposals include new pension taxes and cuts to public health care, and are part of a broader government effort to ensure the budget deficit target of 4.6% on GDP in 2011 is met. As a minority administration, the government has relied on opposition support to pass legislation since its election in 2009.
Other Critical Issues In:Portugal: Domestic Politics
* Currently Reading:Portuguese Prime Minister Resigns, Retains Full Powers Until Friday
Appears in the Briefing:Portugal: Domestic Politics
* RGE View (Mar 23, 2011): The latest austerity measures were part of a last-ditch effort to stave off what many economists (including RGE) view as an inevitable move towards a request for an EU/IMF funded bailout. Officials have been discussing a potential financial package of about €80 billion since January. In contrast to Greece, Portugal’s main vulnerability lies not primarily in a bloated public sector but in large private sector debt levels, large external financing needs and structural growth impediments which require a multi-year structural overhaul. Analysis RGE Feb 28, 2011 Portugal: Bailout Pressure Mounting Analysis Roubini Global Economics Michael Moran Dec 01, 2010 Portugal: Roadkill or Bulwark? Analysis Roubini Global Economics Nov 26, 2010 Debt Dominoes: Is Portugal Next?
The Road Ahead
* Reuters reports that “the president said in a statement that he would hold meetings with all political parties Friday and that the government would retain full powers at least until then. That leaves Socrates’ government in place for the duration of a European summit in Brussels Thursday and Friday.” News Reuters Mar 23, 2011 Portugal PM resigns as parliament rejects austerity
* According to constitutional experts cited in the FT, president Anibal Cavaco Silva has the option to call a general election which however could only be held after two months at the earliest. In this case, the current government would remain in office but only with limited powers which makes the negotiation of a bail-out package difficult. As an alternative, the president could appoint a technical government on a transitional basis with the powers to negotiate a package. News Financial Times Mar 23, 2011 Lisbon defeated in austerity vote
* Polls indicate that the opposition Social Democrats led by Pedro Passos Coelho would garner 48% of the vote while the incumbend Socialist party would receive 29%. In a statement by the opposition leader cited by the FT, Pedro Passos Coelho states that his party remained committed to the same budget targets as the current government agreed to with the EU, but disagreed on how to get there. News Bloomberg Joao Lima Mar 23, 2011 Portuguese Parliament Rejects Government’s Deficit Plan
Background
* On March 10, Portugal’s government comfortably survived a parliamentary vote of confidence after the main opposition PSD abstained. The motion proposed by the small Left Bloc party in opposition to austerity measures included in the 2011 budget, secured the backing of only 32 MPs from the 230-seat parliament. News Reuters Mar 15, 2011 Portugal parliament rejects no-confidence motion
* Portugal’s incumbent President, Anibal Cavaco Silva, was successfully re-elected on January 23, 2011, by gaining the required 50% of votes needed to prevent a further round of voting. Cavaco Silva was the candidate of the center-right main opposition party, the PSD. In a sign of its waning popularity, the candidate of the increasingly unpopular Socialist party government received only 19.8% of the vote. News FT Jan 24, 2011 Portuguese president wins re-election
* On November 3, 2010, Portugal’s parliament approved the 2011 budget proposal. The adoption of the draft was widely expected following the successful conclusion of budget negotiations only a few days earlier after which the largest opposition party, the PSD, agreed to abstain from the vote. The 2011 budget includes tough austerity measures aimed at reducing the budget deficit from an anticipated 7.3% in 2010 to 4.6% of GDP in 2011. Until the final vote on the budget bill will take place on November 26, the parliament will further discuss the details of the draft.
* Following tough negotiations, Portugal’s Socialist government successfully concluded budget talks with the largest opposition party, the Social Democrats, thereby averting an immediate political crisis ahead of the budget vote on November 3, 2010. In order to reach a compromise, the budget now includes less aggressive revenue raising measures. As a result, an additional €500 million in savings will still have to be implemented. While borrowing costs are likely to fall as a result of the agreement, markets are likely to closely watch to see if the government will make any real progress with regard to reducing the budget deficit and implementing long overdue structural reforms.
Public Outcry
* Protests have mounted again in March among the poputlation against further austerity measures in view of a slide back into recession. News Reuters Mar 23, 2011 Portugal PM resigns as parliament rejects austerity
* Social unrest is likely to escalate in the coming months in anticipation of the recently announced additional fiscal austerity measures. The proposed measures which include public sector wage cuts, a VAT hike and reductions in social security payments, will weigh in particular on consumer spending. The two biggest labor organizations, UGT and CGTP, announced their first joint general strike in 22 years which will take place on November 24, 2010. News Bloomberg Oct 14, 2010 Portugal Braces for Its First Joint General Strike in 22 Years
* On September 29, 2010, 50,000 protesters joined a march in Lisbon and 20,000 in Porto. The demonstrations were in coordination with others throughout Europe. “It’s a crucial day for Europe,” John Monks, general secretary of the European Trades Union Confederation told the the Guardian. “This is the start of the fight, not the end. That our voice be heard is our major demand today—against austerity and for jobs and growth. There is a great danger that the workers are going to be paying the price for the reckless speculation that took place in financial markets. You’ve really got to reschedule these debts so that they are not a huge burden on the next few years and cause Europe to plunge down into recession.” News Guardian Ian Traynor and Elena Moya Oct 13, 2010
Impossível.
É uma proposta de difícil concretização, mas, provavelmente a única que colocaria a direita em sentido.
Uma plataforma: BE/PCP/Independentes/base operária e funcionários do PS poderia alcançar entre 22/25% e mais de 50 deputados, era uma “revolução” parlamentar.
Base operária? mas ainda temos industria, à excepção da construção civil?
Os trabalhadores necessitam é de uma Revolução Social e não de uma “revolução” parlamentar burguesa.
São estes os pontos de vista que nos distanciam.
claro que sim. Eu vivo no século 21 e o senhor vive no sec XIX
E já agora Raul não me conhece de lado nenhum parece estranho a sua palermice da sua frase.
A diferença não é séculos, nem se quer vou por aí, tenho duvidas de quem vive no XIX. Talvez seja aquele que pense que é com o parlamentarismo burguês.
A verdadeira diferença entre nós é que eu não quero humanizar, suavizar o capitalismo, eu quero destruí-lo e superá-lo por outro sistema.
Não preciso de recrrer a insultos para discutir ideias: O que é que pretende? a “dentadura” do proletariado: Cá para mim, a democracia continua a ser opior de todos os sistemas, à excepção de todos os outros. Acho que foi por isso que se bateram os capitães de Abril, apesar das convulsões, e é graças a isso que temos uma excelente constitição, pena é que toda a gente pretenda fazer tábula raza dela. Todos diferentes, todos iguais. Num comentário posterior, digo o que penso da luta de classes.. acho que a grande crise que vivemos nos nossos dias é que o poder já não de pende mais da detenção dos meios de produção. Depende do capital e este está entregue à pura especulação, já não tem equivalente em geral em produtos e bens, já nem sequer nas barras de ouro e a grande crise que o capitalismo atravessa vem daí. De resto não sou apologista do capitalismo selvagem ou do liberalismo puro e duro. Mas custa-me ser apologista de sistemas autoritários, que viviam do imperialismo e implodiram com bichas à porta das padarias…
Queria dizer “funcionários públicos” do PS.
E o que é que uma coligação de esquerda anti-capitalista terá de ceder no programa para ser representada também por funcionários públicos do PS?
22% a 25% penso que consegue APENAS o PCP e o BE. Penso que até pode ir mais longe, igualando os votos do PS com alguma facilidade. E mais importante seria o apelo à luta fora da assembleia. (O programa não deve ter rodeios, como de costume. Deve-se exigir por exemplo a nacionalização da banca e especialmente da SLN já!)
O BE cometeu um erro táctico ao apoiar M.Alegre nas últimas eleições presidenciais é certo mas penso que o objectivo primeiro seria o de encostar o PS ás cordas, isto é, ao apoiar Alegre pensariam estar a apoiar o Alegre de á 5 anos atrás e não o politico que facilmente se comprometeu com a linha politica de austeridade do executivo actual. Com esta posição colocaria o PS na eminência de mais um grande desaire eleitoral se decidisse apoiar um candidato que não Alegre. Ao intervalo,se assim quisermos,o BE “ganhava” por 1-0 mas foi então que o dito engenheiro tomou a única decisão certa para a sua e a do PS sobrevivência politica, ao apoiar Alegre e fazer crer ao eleitorado que as politicas do BE se podem equiparar ás do PS, nada mais falso.
Uma possivel coligação PCP-BE-CGTP-movimentos sociais de esquerda não só me parece adequada,como faz todo todo o sentido (99,9% das propostas parlamentares dos dois partidos coincidem como diz e bem NRA),esta é a esquerda alargada que se poderá constituir como verdadeira alternativa á politica de direita que nos governa desde o 25 de Abril. Não é tempo de inúteis lutas de egos, é sim tempo de luta a sério de quem se diz de esquerda e a defende realmente sejamos nós marxistas-leninistas,trotskistas,maoistas,espartaquistas…
A primeira vez que falei desta possibilidade foi numa reunião da CConcelhia do PCP/Barreiro. Apenas eu e outro camarada o defendemos…no meio de +- 40 presentes. Há muito tempo, ainda o BE dava os primeiros passos…
Apesar das recentes posições do BE (presidenciais, moção de censura, Líbia) me terem desiludido, não posso deixar de concordar com esta proposta, apesar da sua concretização ser muito improvável.
Chamava a atenção para o comentário da Isabel Faria no post do Bruno mais abaixo. Está lá tudo! Sempre fui avesso a sectarismos, e sobre esta matéria nem PCP nem BE têm a ficha limpa. Os tempos que atravessamos não estão para isso…
Camarada, acabei po
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Camarada, acabei de te roubar o comentário e publicá-lo no meu Facebook, a dizer que tinha ganho o dia…
Não por fazeres alusão ao meu comentário ali de baixo obviamente.
Por me fazeres acreditar que é possivel sim. Improvável, dificil, complicado, árduo…mas possivel.
Um abraço.
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Ainda resisto ao Facebook
Fiz referência ao teu comentário no post do Bruno porque em poucas palavras exprimiste aquilo que eu sinto. Esperemos que haja mais a pensar como nós. Há que mudar!
Não acho que a concretização desse projecto seja improvável, ou melhor, não aceito que à partida seja abandonado pelo medo de ousar responsabilizar os dirigentes dos partidos e organizações de esquerda. Esses dirigentes têm de ser confrontados com as exigências e expectativas do povo de esquerda, e a optarem entre continuar a defender os seus pequenos quintais com medo do povo, das “más influências” e do trabalho de “sapa”, ou querem alargar a luta e arriscar de facto a mudança que tanto apregoam e que agora podem provar que não temem.
Se nessa onda que se gerar entrarem PSs, PSDs ou o diabo a quatro, pois que venham, são dispensáveis as réguas e esquadros com que os velhos hábitos catalogam as pessoas e os seus anseios.
a histórica clivagem entre os socialistas e os comunistas vem do tempo do PREC, quando os comunistas quiseram tomar de assalto o poder, sem serem plebiscitados, enquanto os socialistas lutaram por uma democracia parlamentar. É claro que já não me identifico com o PS de hoje, demasiado 3ª via para o meu gosto. Mas também não me consigo identificar com os comunistas, já votei no bloco no tempo dos “temas fracturantes”, mas baldei-me quando eles surgiram com aquele programa das últimas eleições. a identificar-me com alguma coisa será com os movimentos de cidadãos da Helena Roseta. Talvez seja mesmo daí, da chamada sociedade civil, que seja possível construir alternativas. veja-se a Islandia.
Mais: acho que a luta de classes pertence à história e à literatura. A que classe social pertencem os quadros dos bancos, das multinacionais, das imobiliárias, etc, que até ganham bem, mas têm horários de trabalho descomunais, vivem á mercê de déspotas vivem sempre com o garrote de serem substituidos senão forem extrenmamente competitivos, alguns cavalgam não sei quantos quilómetros por dia no seu TDI de luxo fornecido pela empresa, mas não têm tempo para educar os filhos convenientemente, arranjam maneira de lhes ocupar o tempo em regime intensivo, para saberem onde estão e, quem sabe, para lhes formatar uma vida igual à deles?
E a classe pertencem os sem abrigo, etc, os chamados grupos de exclusão social?
quando é que deixamos de pensar à luz de paradigmas que já não existem?
“A que classe social pertencem os quadros dos bancos, das multinacionais, das imobiliárias, etc, que até ganham bem, mas têm horários de trabalho descomunais, vivem á mercê de déspotas vivem sempre com o garrote”. Raul não sabe ???!!!!!! Coitadinho destes proletários
)…. Um papagaio a repetir o que ouve na CS não faria melhor. Actualiza-se, estamos no século XXI e a única saída é a intensificação da luta de classes.
Lamento que não entenda o que quiz dizer. fui buscar um extremo, um exagero, para ilustrar um ponto. Esses, como é óbvio, não são proletários. são a classe média. Proletários são os caixas dos supermercados, os dos call centers, os trolhas. Mas não vejo a esquerda pensar neles. Depois, temos os outros senhores, empresários de Hipermercados, que em nada contribuem para o desenvolvimento do país, os senhores dos compadrios, o Boys de todas as cores… – acha que o problema é mesmo de luta de classes ou de modelo de desenvolvimento: Trinta anos de políticas erradas, após uma ditadura serôdia e anquilosante, se quisermos recuar mais podemos ir aos tempos em que França e Inglaterra estavam a fazer as suas revoluções agricolas e industriais e nós importava-mos tudo à pala do ouro do Brazil. o que nós perdemos nos últimos trinta anos foi uma oportunidade impar para modernizar o país, construir uma verdadeira democracia com mais justiça social e, em vez disso andámos a engordar uma cáfila que não sabe fazer nada.
Já agora, de facto não nos conhecemos de lado nenhum. Também mais acrescento que não tenho prazer nenhum em conhecê-lo, uma vez que o teor das suas réplicas é arrogante e pouco educado (para além de pouco iluminado – é tipo “cassete”)
é verdade. Bases no P”S” é coisa que não existe. Conheço um membro fundador, e a queixa é recorrente, nunca tem oportunidade de fazer valer qualquer opinião num partido de advogados e altos funcionários; mas quando se aproximam eleições internas o nosso amigo recebe mais de 300 SMS.s da facção que vai ganhar a dizer: “camarada, contamos contigo, não faltes!” (Presume-se que no PS”D” seja igual, ou pior). Há um grande trabalho a fazer para o eleitorado acabar de votar nestas duas porcarias. Entretanto, sobe o CDS, como os LePens em França (eas tvs já trabalham activamente nisso)
Quanto a eleições externas ao P”S”/pp”D”,, ou muito me engano ou, face aos últimos logros, o BE vai-se evaporar nestas eleições… se o P”S” nunca poderia ser considerado de esquerda… deixa estar que nestes as melhoras (da social democracia) não são muitas…
A dita plataforma não tem de ser pré-eleitoral. Aliás, devem ir separados a voto com a ideia de após eleições formarem os dois um governo em conjunto.
Acredito que isso faria mais gente votar quer num quer noutro.
O PS nesta equação obviamente não interessa. Não há lá quem faça a diferença. A grossa maioria voltará a cair nos braços de sócrates.
http://rupturafer.org/index.php?option=com_content&view=article&id=212:unidade-da-esquerda-contra-alternancia-ps–psd&catid=86:nacional&Itemid=537
AA muitos dos seus «comments» fazem sentido, isto não:
Quote:
…Deve-se exigir por exemplo a nacionalização da banca….
Dois dos meus irmãos são altos quadros num banco aki importante.
Cheira a «nacionalização» ?
Simples.
Vai-se ao computador, entra-se uma user/pass e o money-money todo vai parar às ilhas Caimão ou às Bermudas. Num isntantinho.
Depois “nacionaliza” exactamente o quê, funcionários aos milhares e edifícios ?
Informe-se melhor antes de faxer «propostas» dessas.
O século XIX já foi à dois séculos atrás.
o que alguns defendem por aqui é o quanto pior melhor. nada de coligações, nada de poder relevante na AR. isso não muda nada. o que muda é a luta de massas que depois é que se vai traduzir no reforço parlamentar. é melhor isto ir para pior que depois logo vem para pior. entretanto o povo na miséria é apenas um pormenor.
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