Daniel Oliveira e a Líbia

O meu amigo Daniel Oliveira considera demagógica a afirmação que as potênciais ocidentais bombardeiam a Líbia mais por causa do seu petróleo que por causa da sua ditadura. Segundo ele, há muito que as empresas ocidentais exploram o petróleo deste país.
Verdade? Não totalmente: é óbvio que se o critério da intervenção militar estrangeira fosse estarmos perante uma ditadura que massacra o seu povo, há muito que os aviões estariam a bombardear o Iémen e o Barhein. Também não é totalmente verdadeiro que depois de terem optado por apoiar os revoltosos na guerra civil líbia, as empresas e os países ocidentais ficassem obrigatoriamente com os benefícios do petróleo do país de Kadhafi. Além disso, afastado o ditador e a sua família, a percentagem dessas empresas e sobretudo a sua segurança na exploração dos recursos dos líbios aumentará muito.
O Daniel também esclarece que não é contrário às intervenções militares nos assuntos internos dos países, é só contra aquelas que não têm aprovação do Conselho de Segurança da ONU. Sobre isto, duas coisas: primeira questão, o mandato da ONU previa a criação de uma zona de exclusão aérea e impedir o ataque das tropas de Kadhafi a civis. Não consta que fosse um mandato para apoiar um lado da guerra civil líbia e para arranjar uma força aérea aos revoltosos – Que se saiba nem os tanques nem a cidade natal de Kadhafi voam e ambos foram bombardeados. A segunda questão, é se o direito internacional deve ser casuístico e deixado a esse órgão, em que apenas as grandes potências têm direito de veto, decidir os critérios da sua violação? Já vimos que há dezenas de ditaduras na zona que matam revoltosos impunemente. No Barhein e na Arábia Saudita até com o silêncio cúmplice das potênciais ocidentais. A minha duvida é se abrir esse precedente de intervenções militares externas fará do nosso mundo um lugar mais democrático ou pelo contrário será a legitimação da lei do mais forte. A partir de agora, os EUA e a Nato vão sentir-se livres para decidir quais os ditadores que vão correr e quais que vão proteger. Há muito que sabemos que os países que têm grandes martelos, tendem a ver os problemas como pregos. A violação deste princípio vai favorecer soluções militares para problemas políticos. Não vai custar nada aos EUA e à Nato inventarem incidentes em Cuba ou na Venezuela para justificar intervenções militares.
Duvido muito que a violação do princípio do direito internacional de não ingerência militar nos assuntos internos de países por outros governos nos conduza a um mundo mais democrático e mais seguro; e ainda duvido mais que a democracia seja imposta pelas bombas. Viu-se que isso não aconteceu com o derrube do ditador iraquiano, dificilmente irá acontecer na Líbia.
Acresce, que sendo o conflito na Líbia de base tribal, quando os “democratas” entrarem em Tripoli quem é que vai impedir que façam uma limpeza étnica nas tribos que apoiaram Kadhafi?
Provavelmente, as nossas consciências ficarão descansadas, porque as televisões ocidentais vão poupar-nos a isso, mas, para mim, um assassinato é um assassinato, seja ele em Tripoli ou em Bengasi.
O apoio de algumas pessoas ditas da esquerda às bombas ocidentais não me surpreende, seguem uma tradição intelectual em que homens como Castoriadis acabaram a sua vida intelectual a apoiar a instalação de mísseis nucleares dos EUA na Europa e a pedir a destruição da União Soviética por todos os meios. A esse respeito de completo alinhamento ao imperialismo, leia-se o folheto de má qualidade “Perante a guerra” de Castoriadis. Já me surpreende o alinhamento do Daniel a este tipo de posições suportadas pelos Bernard Henri Levy locais.
Leio estes posts com pena, e temo que o alinhamento do Daniel nas posições mais favoráveis à unidade entre PS e BE que o Rui Tavares simboliza, esteja a cegar-lhe a inteligência.

PS- Não vou discutir a artimanha do Daniel de inventar uma maioria do GUE que estaria favorável à intervenção militar, quando foi , como o Zé Neves demonstrou, foi exactamente o contrario que aconteceu.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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62 respostas a Daniel Oliveira e a Líbia

  1. AA diz:

    “Não vai custar nada aos EUA e à Nato inventarem incidentes em Cuba ou na Venezuela para justificar intervenções militares.”

    A questão nem é o inventar. É o conseguir arranjar armas para alguns grupos e fazê-los convencer uma massa suficientemente grande a manifestar-se e quem sabe arranjar confusão com tiros à mistura (duvido que Chávez mandasse disparar sobre a multidão, mas nunca se sabe). E depois já é guerra civil e viria a ajuda internacional os rebeldes. E pergunto eu que aspirações têm estes rebeldes? Que aspirações concretas têm os rebeldes na Líbia?

    • Nuno Ramos de Almeida diz:

      Bem lembrado, já foi feito um golpe de estado na venezuela apoiado pelos EUA com essa invenção. Depois veio a verificar-se que foi o contrário que sucedeu. Mas durante semanas, a comunicação mundial vendeu essa tese e a legitimidade do golpe de estado contra Chávez.

      • Pisca diz:

        Se procurarem no Youtube há coisas de bradar aos céus.
        Como não conseguiram, foram castigados e duramente, continuaram a ter as suas tv’s a emitir alegremente

      • AA diz:

        Atenção, porque a minha posição tem uma implicação desconfortável, tanto quanto a ergonomia da minha cadeira de capitalista permite. O exército do Mundo, melhor dito, os Bons, não poderiam ajudar os rebeldes com armas ou outro tipo de meios. Seria a pura e simples não-intervenção.

  2. AA diz:

    Perdão, “duvido que Chávez mandasse a polícia disparar em primeiro lugar sobre a multidão”.

  3. José diz:

    “Que aspirações concretas têm os rebeldes na Líbia?”
    Provavelmente as mesmas dos seus vizinhos tunisinos e egípcios, aqui tão celebrados.
    Tal como os anteriores, os líbios querem, em primeiro lugar, verem-se livres do ditador de serviço e do seu regime. Tal como no Egipto e na Tunísia, é esse o cimento da união dos que protestam.
    No resto, e após a queda do Kadahfi, as divergências naturais virão ao de cima.
    Há diferenças entre a Líbia e os seus vizinhos? Claro. A abertura das sociedades tunisinas e egípcias é muito maior do que a Líbia, tendo os media locais e internacionais possibilidades de trabalho infinitamente maiores e de modo mais livre do que na Líbia.
    Tenho muita dificuldade em compreender que o tacticismo chegue ao ponto de vociferar contra qualquer intervenção da ONU, desde que esta seja realizada pelo Ocidente.
    Os líbios que se lixem com F maiúsculo, mas Nato nunca!

    • AA diz:

      Diga-me, que aspirações tinham os que tentaram o golpe de estado na Venezuela? Se os Estados Unidos tivessem colaborado ainda mais – p.ex. tendo distribuído armas aos protestantes – e Chávez tivesse mesmo caído, não é evidente que estavam a apoiar uma minoria? (Afinal de contas, Chávez voltou a ganhar por uma grande margem nas eleições seguintes, livres e sem trafulhices, segundo os observadores.)

  4. Luís Rocha diz:

    Partidos Comunistas contra a agressão imperialista contra o povo líbio:

    Algerian Party For Democracy And Socialism, PADS
    Communist Party of Armenia
    Communist Party of Azerbaijan
    Communist Party of Bangladesh
    Workers’ Party of Bangladesh
    Communist Party of Belarus
    Brazilian Communist Party
    Communist Party of Brazil
    New Communist Party of Britain
    Party of the Bulgarian Communists
    Communist Party of Canada
    Socialist Worker`s Party of Croatia
    Communist Party in Denmark
    Communist Party of Finland
    Hungarian Communist Workers’ Party
    Communist Party of Greece
    Communist Party of India
    Communist Party of India [Marxist]
    Communist Party of Ireland
    Communist Party of Kazakhstan
    Socialist Party of Latvia
    Lebanese Communist Party
    Communist Party of Luxembourg
    Communist Party of Malta
    Communist Party of Mexico
    Popular Socialist Party of Mexico
    New Communist Party of Netherlands
    Communist Party of Norway
    Communist Party of Poland
    Portuguese Communist Party
    Communist Party of Russian Federation
    Communist Workers’ Party of Russia – Revolutionary Party of Communists
    UCP- CPSU
    Communist Party of Soviet Union
    New Communist Party of Yugoslavia
    Party of the Communists of Serbia
    Communist Party of Slovakia
    Communist Party of the Peoples of Spain
    Syrian Communist Party
    Communist Party of Sweden
    Communist Party of Turkey
    Communist Party of Ukraine
    Communist Party of Venezuela

    • José diz:

      Curiosamente não vejo aqui nesta lista o partido comunista líbio.
      Concordará com a intervenção ocidental?
      Ou terá sido extinto e massacrado pelo regime actual?

    • Rui F diz:

      Mas o PC da Espanha ainda existe?

    • Rui F diz:

      ja agora há dois partidos comunistas no Brasil!
      e o PT…o tal que monta barraca no Avante mas o que PCP nunca compreenderá e entende-se porquê: ainda existe o PC da União Sovietica

    • a anarca diz:

      Tanto PC !
      a união sovietica existe ?!
      são só vozes do silêncio

  5. Niet diz:

    NR de Almeida: O Castoriadis fala no prefácio de” Diante da Guerra”, das implicações dos acontecimentos de 1977 na Polónia. Onde sublinhava, acima de tudo, que uma Revolução Social pode começar pela Rússia, em primeiro lugar. E acertou. Castoriadis é o grande simbolo da ultra-esquerda conselhista/autonomista, meu caro. E eu, se bem tem reparado, tenho exprimido as maiores reservas sobre a ” cruzada ” criada pelos USA/UK e a França para punir Kadaphi, intimidando, como quem não quer a coisa, o Irão, a Síria e os taliban de todos os bordos. Trata-se de uma intervenção dantesca, desproporcionada e dissimulando inconfessáveis objectivos de rapina e conquista. Niet

    • Luís Rocha diz:

      Esclareça-me Niet: a restauração do Capitalismo pode ser uma Revolução Social?

      • AA diz:

        Esclareça-me Luís Rocha: o derrube de um regime autoritário (ex: a Coreia do Norte dos nossos dias) pode NÃO ser uma Revolução Social?

        É evidente que houve mão do Ocidente, apoiando a nomenklatura que tratou de se apoderar dos meios de produção, mas é também evidente que a maioria dos russos não queria o comunismo, já que o partido comunista russo passou a ser marginal (mesmo sendo o segundo maior partido…)

      • Niet diz:

        Tem razão,claro. Eu traduzi a frase do Castoriadis…de 1978!
        De qualquer das formas, a Revolução Social na Russia
        não foi avante por causa da inércia do sistema. E dos
        erros clamorosos de Yeltsin. Salut! Niet

        • Luís Rocha diz:

          Esclareço o AA: o derrube do regime da Coreia do Norte sendo substituído pelo capitalismo liberal ou de outra variante NUNCA seria uma Revolução Social e nunca teria o meu apoio. O seu anticomunismo tem perigosas semelhanças com o PNR.

          Niet: não concordo com a análise da causa mas pelo menos estamos de acordo no essencial o Capitalismo não é um passo à frente mas sim para trás.

          • AA diz:

            Derrubar o comunismo realmente existente, formando conselhos de fábrica desafiando o hiper-centralismo soviético (que curioso antagonismo!) foi algo que germinou na Hungria em 56. Simpatizo também com a organização popular que existiu na Catalunha durante a guerra civil, algo que provavelmente significa barbárie para si. Não me considero fascista por achar que teria valido a pena termos assistido ao germinar dessas revoltas populares e não ao seu esmagamento.

          • Luís Rocha diz:

            Barbárie é o Capitalismo em todas as suas formas (não é a Catalunha que você fala). Claro que não posso concordar com chamadas “revoltas” cujo resultado é a restauração do capitalismo. E por uma questão de princípio sou contra todas as invasões militares estrangeiras.

  6. maradona diz:

    a busca por uma política externa coerente, virgem e santa (atacar todos os ditadores opressores; ou deixá-los em paz e fazer negócios por igual com todos; ou apoiar apenas os povos oprimidos; ou etc) é bonita, mas, para além da excelente produção “paz contra a guerra” deste modo colocada em cena, também tem as suas limitações. não ter feito nada no caso do congo/zaire ou do ruanda/burundi/zaire, onde devem ter morrido 3 milhões nos ultimos 20 anos, foi, digamos, um errozito. os militares holandeses não estarem devidamente armados para a guerra aquando de srebrenika (facto estrategicamente esquecido por robert fisk quando lembrou o fracasso da zona de exclusão aeria sobre a bosnia), quer-me parecer que também. são tudo merdas. o anti-imperilismo, sendo uma ideia elegante, não pode sub-alterno de cenas mais básicas e, digamos, de pão para a boca. eu sei que os eua são o pior mal que existe na terra (e com certeza que concordamos que fizeram muito disparate, mas quem não fez?; até cuba tentou imperializar em angola, santo deus!), mas às vezes podem ser colocados a bom uso. também sou a favor dos transgénicos.

  7. Pedro Pousada diz:

    Sim, Cuba e a Venezuela tem razões para se preocuparem pois estamos a assistir a um tipo diferente de Playas girons em que os media corporativos e grupos minoritários mas bem instruidos nas artes da subversão estão conectados e fornecem ao mundo dos desprevenidos e dos ignorantes políticos uma imagem nebulosa da realidade (imagine-se, como tem sucedido com a Sky News, a Al-jazeera, etc em relação a Misurata, Ras Lanuf, e por ai a fora, se um jornal português citasse um qualquer habitante de Braga que informava por via telefonica, sem se identificar e sem fornecer mais detalhes que as forças de segurança estavam a massacrar populares insurrectos, que credibilidade é que tinha este tipo de jornalismo?Como é que isto se tornava um facto credível e servia como elemento de medição sobre o clima político dessa cidade? O diz que diz serve como jornalismo?
    A rebelião líbia é um caso de estudo para as futuras acções de ingerência do imperialismo; o Kosovo já tinha constituído uma experiência inicial mas o UÇK nunca conseguiu conquistar ou apoderar-se de centros urbanos-as forças de segurança jugoslavas foram sempre eficientes no desmantelamento das incursões dos terroristas kosovares.Não tenhamos dúvida, portanto, que na Líbia se aprimoraram iniciativas provocatórias; de explosões sociais nenhum país neste momento está imune, porque é que estas adquiriram um crescendo bélico e miliciano?Porque é que a oposição líbia decidiu pegar em armas, invadir arsenais, ocupar bases se no Bahrein e no Yemen onde a represssão tem sido enorme (assim como a longevidade do despotismo) os opositores evitaram sempre essa via? Porque não organizaram greves como no Egipto onde a praça Tahir teve importantes antecedentes sociais e os movimentos de massas se organizaram e se consolidaram muito antes? Não existem revoluções maggi-deita-se a pastilha e já está. Quem estimulou este aventureirismo e orientou ideologicamente o curso dos acontecimentos sabendo perfeitamente que as forças armadas líbias estão na sua grande maioria afectas ao conceito de unidade nacional e de resistência anti-colonial que o bizarro coronel apenas protagoniza não sendo o seu principal autor e actor. As forças armadas não abandonaram Gadaffi porque o que está em causa é superior ao regime em questão, é a própria soberania do país e eles sabem-no. O que me consola é que a Cuba revolucionária e a Venezuela bolivariana estão a anos-luz desta infeliz Líbia, aliás, deste infeliz mundo árabe cujos lidéres nacionalistas em vez de observarem o exemplo moral e táctico de Fidel, em vez de seguirem os seus conselhos, e ele deu tantos no movimento dos não alinhados!, preferiram criar clientelas corruptas, alimentar sicofantas, criar falsos partido patriotas, manter a sua população afastada do poder e da discussão política, da cultura e das suas riquezas, e finalmente renderem-se ao charme discreto da burguesia. Quantos gerações de jovens, de mulheres, de crianças iraquianas teriam sido poupadas ao sofrimento de uma invasão e ocupação se em vez do sinistro Saddam tivesse na liderança dessa nação um homem com a envergadura de um Lénine, de um Amilcar Cabral, de um Lumunba, de um Ho Chi Min, de um Fidel (ou para alguns como eu, de um Stalin); para quando surgirão revolucionários e anti-imperialistas com essa envergadura no mundo àrabe?

    • Gentleman diz:

      “Quantos gerações de jovens, de mulheres, de crianças iraquianas teriam sido poupadas ao sofrimento de uma invasão e ocupação se em vez do sinistro Saddam tivesse na liderança dessa nação um homem com a envergadura de um Lénine, de um Amilcar Cabral, de um Lumunba, de um Ho Chi Min, de um Fidel (ou para alguns como eu, de um Stalin)”

      Realmente o que mais faltou aos iraquianos foi um Stalin. Quantas vidas um tal estadista teria poupado!…

  8. miguel diz:

    NRA: “Não vai custar nada aos EUA e à Nato inventarem incidentes em Cuba ou na Venezuela para justificar intervenções militares.

    Disse hoje o democrata-mor no Chile:
    Obama amenaza a Cuba con que habrá consecuencias si no realiza “cambios”

    El presidente de Estados Unidos, Barack Obama, arremetió este lunes contra las autoridades cubanas y les advirtió que de no tomar una decisión en lo que consideró “derecho a la libertad” hará todo lo posible “para tratar de quebrantar esa historia”.

    “Los cubanos tienen el mismo derecho a la libertad que todos en este hemisferio, si no lo hacen haré todo lo posible para tratar de quebrantar esta historia (…) las autoridades cubanas tiene que tomar una decisión porque el pueblo de Cuba lo merece ”, precisó Obama durante su Discurso a las Américas en la capital chilena durante su gira por América Latina.

    Señaló que “hemos hecho todo lo posible para que los cubanos visiten a su familia en Cuba y ofrecer más independencia de las autoridades”.

    Asimismo, indicó que la inmigración fortalece a Estados Unidos (EE.UU.) y calificó a la nación norteamericana como “un país de inmigrantes”. […]

  9. viana diz:

    Caro Nuno, nota-se demais que está com dificuldades de raciocínio. Talvez deva descansar um pouco, respirar fundo, e tentar encadear duas ideias que façam sentido antes de escrever mais sobre o assunto em apreço.

    Ora vamos lá ver:

    1. Acha realmente que os países ocidentais resolveram envolver-se no conflito líbio porque estavam descontentes com a percentagem dos lucros da exploração petrolífera que as suas empresas arrecadavam?! Correndo com isso o sério risco de cristalizar no terreno uma situação de instabilidade permanente que impedirá a exploração de seja o que fôr que exista na Líbia? Não lhe parece que seria mais fácil e seguro para esses malvados dos imperialistas negociar com Kadhafi um aumento dos lucros em troca do fechar de olhos aos seus massacres, como tantas vezes fizeram antes?!…

    2. “Que se saiba nem os tanques nem a cidade natal de Kadhafi voam e ambos foram bombardeados.” Que se saiba Kadhafi tem atacado civis principalmente com tanques: que parte de “o mandato da ONU previa (…) impedir o ataque das tropas de Kadhafi a civis” é que então não percebe? Procure saber como é que os esbirros de Kadhafi estão neste momento a tentar entrar na cidade de Az Zintan.

    3. “A minha duvida é se abrir esse precedente de intervenções militares externas fará do nosso mundo um lugar mais democrático ou pelo contrário será a legitimação da lei do mais forte.” Não sei se sabe, pode ter faltado às suas aulas de história, mas se há coisa que vigorou neste planeta desde que o homem se resolveu dedicar à guerra e ao extermínio do seu semelhante foi a lei do mais forte. Desde quando a lei do mais forte precisa de legitimação para se impôr?! Uma lei que precisa de legitimação para se tornar lei?! Mas que confusão vai nessa cabeça… Pelo contrário, esta intervenção militar é um precedente no facto de ter sido a primeira em que EUA e aliados procuraram apoio explícito da ONU para o que estão a fazer. Será doravante mais difícil contornar a ONU quando caso semelhante voltar a ocorrer. E o NRA sabe muito bem que o conselho de segurança da ONU não é propriamente um pau mandado dos EUA e restantes malvados imperialistas.

    4. ” A partir de agora, os EUA e a Nato vão sentir-se livres para decidir quais os ditadores que vão correr e quais que vão proteger.” A partir de agora?!! Quantos ditadores é que os EUA ajudaram a derrubar quando se tornaram um empecilho, e quantos muitos mais decidiram e decidem proteger enquanto lhes são úteis? Só vai começar agora? Ridículo…

    5. “Não vai custar nada aos EUA e à Nato inventarem incidentes em Cuba ou na Venezuela para justificar intervenções militares.” Fidel manda em Cuba há 51 anos e Chávez é presidente da Venezuela há 11 anos. Se quisessem directamente intervir militarmente nesses países s EUA já teriam arranjado desculpas há muito mais tempo. Usa nomes de países que são ícones para a Esquerda na tentativa de ilicitar uma resposta pavloviana dos seus leitores. É no que dá quando faltam argumentos…

    6. O NRA está muito enganado se pensa que a defesa da intervenção de terceiros na Líbia tem a ver com a defesa da instauração dum regime democrático, seja lá o que isso quiser dizer. Não. É algo muito mais básico: simplesmente defender o direito à vida daqueles que seriam brutalmente massacrados se nada fosse feito. Parece-lhe uma questão complicada?…

    7. “Acresce, que sendo o conflito na Líbia de base tribal, quando os “democratas” entrarem em Tripoli quem é que vai impedir que façam uma limpeza étnica nas tribos que apoiaram Kadhafi?” Quem lhe incutiu tanta certeza de que o conflito na Líbia tem base tribal? E, sabe, não é impossível que os rebeldes venham a realizar massacres. Não há anjos numa guerra. No entanto, eu diria que entre a certeza dos massacres que Kadhafi continuaria a cometer, e que continua a cometer, e os potenciais massacres efectuados pelos rebeldes, não há que duvidar: primeiro faz-se o que fôr necessário para parar os massacres em curso, não os que ocorrerão potencialmente no futuro. O NRA está realmente precocupado com o que poderão morrer, enquanto faz por ignorar os que estão a morrer, ou é impressão minha?

    Boa noite e durma bem com a sua consciência em paz.

    • Nuno Ramos de Almeida diz:

      Tenho dificuldade em começar um diálogo com uma pessoa que começa por me insultar. Demonstra pouca capacidade de argumentar se começa por minimizar a pessoa com quem tem divergências de opinião.
      Fico a saber que você acha que o petróleo não tem nada que ver com a intervenção militar. Fica por responder pq raio de razão esta bela intervenção militar está a ser feita no Iémen ou no Barhein? Você acha mesmo que a guerra civil existente que colocava em perigo uma das maiores reservas mundiais de petróleo, não pesou nada na intervenção?
      Acha que o Conselho de Segurança da ONU é um organismo proletário que não está a soldo das grandes potências. Está convencido que esta intervenção vai permitir que a partir de agora os mísseis dos EUA se convertam em flores e por todo o lado vão ser o maior garante da paz.
      Ao contrário da Liga Árabe, da Rússia, da China e a Noruega, o caríssimo acha que o mandato da ONU não foi ultrapassado e que é perfeitamente legítimo bombardear cidades e unidades militares afectas a Kadhafi que não estão a atacar civís, pq se não estão, um dia estarão. Esquece-se que na Líbia existe uma guerra civil e que grande parte das unidades militares passaram para os revoltosos, isso apenas não aconteceu na Força Aérea que é maioritariamente integrada por membros da tribo de Kadhafi. Aquilo que se está a fazer é ganhar a guerra civil pela oposição. A Nato é a força aérea dos revoltosos, e isso não estava na resolução.
      Finalmente, o inteligentíssimo comentador pensa que o Kadafhi se aguentou no poder por obra e graça do espírito santo durante 42 anos. Muitos observadores referem as características tribais da sociedade líbia, apontam a ligação dos opositores de Bengasi à maior tribo da líbia, apoiante da anterior monarquia, mas o Viana, como tem ligação telepática aos revoltosos, garante que é a democracia que ai vem.
      Apesar da superioridade intelectual do Viana que é afirmada pelos seus insultos, eu duvido da bondade e da eficiência da intervenção. Fui contra a invasão do Iraque, apesar de odiar o Saddam. Disse na altura que a sua queda ia custar centenas de milhares de mortos e não ia trazer a democracia. Anos depois, o regime iraquiano reprimiu à bala, as manifs do mês passado, há esquadrões da morte como no tempo de Saddam, e já morreram centenas de milhares de pessoas. Tenho, portanto a consciência tranquila. Não me vendo a pseudo-intervenções humanitárias e não passei a ser, como o excelente Viana, uma Zita Seabra de calças.

      • viana diz:

        “Fica por responder pq raio de razão esta bela intervenção militar está a ser feita no Iémen ou no Barhein?”

        A resposta é longa e complexa. Trata-se antes de mais duma questão de percepção da opinião pública ocidental. Vivemos em regimes cuja legitimidade assenta na pretensa defesa da democracia e dos direitos humanos. Esta mentira só pode ser mantida enquanto a realidade dos factos não a desmentir abertamente. A oligarquia no poder nos países ocidentais sabe que não pode esticar demais a corda, ou corre o risco de deslegitimizar, colocando em perigo, os regimes que a sustentam. É na Líbia que a situação, real e mediática, levanta de modo mais preemente a questão da intervenção humanitária. Para além de que é na Líbia onde é mais fácil e claro o modo de intervenção. Ou o NRA acha que uma zona de exclusão aérea teria algum efeito no que se passa no Iémen ou no Barhein? Mas existem outros factores. Entre os quais o facto de vários países ocidentais terem contas a ajustar com Kadhafi, da Líbia estar mais perto da Europa, de Kadhafi facilmente encarnar a figura do ditador louco.

        “Você acha mesmo que a guerra civil existente que colocava em perigo uma das maiores reservas mundiais de petróleo, não pesou nada na intervenção?”

        Vamos lá repetir, porque parece que este ponto essencial da discussão ainda não passou: o modo mais fácil e imediato para o Ocidente terminar com a guerra civil na Líbia era deixar Kadhafi massacrar quem quisesse. Se não tivesse intervido, hoje **já não haveria guerra civil na Líbia**, como todos os dados no terreno antes indiciavam (ofensiva imparável das forças de Kadhafi sobre Benghazi). E hoje, as empresas ocidentais poderiam retomar calmamente a exploração petrolífera na Líbia, com o apoio reforçado de Kadhafi, agradecido ao Ocidente pela sua passividade. Explique-me, NRA, com base na sua narrativa, porque é que isto não aconteceu. Desculpe-me, mas a sua narrativa não bate certo, é incoerente.

        Quanto à realidade da intervenção, não vou discuti-la porque não é claro o que se passa. Mas não deixo de achar estranho que um jornalista como o NRA resolva dar maior credibilidade aos relatos dos orgãos de comunicação líbios do que aos relatos das dezenas de jornalistas no terreno, de múltiplos orgãos de informação, inlcuindo árabes.

        “mas o Viana, como tem ligação telepática aos revoltosos, garante que é a democracia que ai vem.”

        Mas onde é que eu disse isso? Insisto, o NRA parece mais preocupado com ditaduras que aí possam vir do que com aquela que hoje existe e que massacra o povo que oprime. Primeiro derruba-se a ditadura que existe, depois vê-se.

        A intervenção no Iraque difere da presente intervenção nos propósitos e nos meios. Querer esconder tal é intelectualmente desonesto. Fui contra a invasão do Iraque e continuaria a sê-lo, porque não procurava proteger populações de massacres em curso ou eminentes. Mas apoiei e continuaria a apoiar a criação das zonas de exclusão aéreas que foram feitas no Curdistão e sul do Iraque. Em particular, a do Curdistão permitiu acabar com os massacres de curdos. Hoje teríamos mais umas dezenas de milhares de mortos curdos, caso a lógica do NRA tivesse sido então seguida. A preocupação que algumas pessoas parecem ter com os mortos que poderão ocorrer enquanto ignoram os que estão a acontecer é simplesmente incoerente.

        • Nuno Ramos de Almeida diz:

          Já estamos a fazer progressos, já não me insulta, apenas me apelida de incoerente. Com alguma sorte, no próximo comentário leu o que eu escrevi.
          Vamos simplificar: o que o meu amigo, o sarkozy e os EUA querem é derrubar o governo de kadhafi, a zona de exlusão aérea é um pretexto. Infelizmente, depois desse desenlace militar não é o meu amigo que escolhe o governo, mas talvez os EUA e Sarkozy o façam. Quando me responde, tem o péssimo hábito de esquecer argumentos: eu disse-lhe que no Iémen e no Barhein o exército dispara contra civis, e isso não levou a nenhuma intervenção internacional. Continuo a sustentar que para isso pesam duas coisas: o Kadafhi é um filho da puta, mas não foi sempre o filho da puta do Ocidente, E HÁ PETRÓLEO. O Viana no seu lirismo que prega as bombas como amor, e as intervenções humanitárias como remédios para os bombardeados, sustentam que o pretóleo não consta da ementa. Fico o meu amigo com a sua suposta coerência.
          Sobre a realidade da intervenção, continua a ler mal. Eu digo-lhe que a Liga Árabe, a Rússia, a China e alguns países escandinavos afirmam que a intervenção ultrapassou o mandato da ONU. Em quê que é que isso depende da cobertura jornalística? Muito devagar, você consegue perceber que bombardear a cidade natal do Kadhafi, sendo que ela não é um avião e não está atacar civis, apenas serve para atacar os apoiantes de Kadafhi? E que isso não estava previsto na resolução da ONU. Agora tem razão, eu não como como certa a cobertura da comunicação social, por isso não comi a fossa comum de Timisoara, nem a bondade do golpe de Estado da Venezuela. Estou demasiado habituado a ver coberturas ideologicamente interessadas e coniventes com guerras. Se acreditasse cegamente no império e na imprensa, como você, ainda estava convicto que existiam as armas de destruição maciça no Iraque.

          • Niet diz:

            O NR de Almeida tem toda a razão, ao invés do sr. Viana. Hoje, conforme ja o disse publicamente, até os USA aconselham ” moderação ” nos bombardeamentos ad-hoc contra a Líbia . Ninguém dá já ” nada ” pelo argumentário dos pretensos massacres de Khadaffi, conforme asseguraram os enviados especiais do IL Manifesto, La Stampa e do Corriere, nos últimos dias. Trata-se, sem dúvida nenhuma, de um episódio de ” politica da canhoeira “, de péssimo recorte neo-colonial, e que, ao que se pode entender, foi ” imposto ” pela famigerada dupla, a bout de souffle, Sarkozy/Cameron a um Obama desprevenido e acossado. Já tinhamos ficado estupefactos com os tiques e toques do reformrevolucionário- processo sofisticado de pia e solene ” colaboração de classes “; mas, defender ” cegamente “a lógica da guerra imperialista mais sinistra e perigosa- sim, os efeitos próximo futuros serão terriveis no Médio Oriente e nos países do Golfo- foi coisa que não esperava assistir. Niet

  10. Pedro Pousada diz:

    Olha poupou milhares de vidas norte-americanas e britânicas que não tiveram que morrer nos campos d ebatalha europeus a destruir a máquina de guerra nazi, impediu que agora falassemos alemão como língua oficial e o euro tivesse a efígie do cabo austríaco, impediu que a Grã Bretanha deixasse de existir como um estado independente, salvou a democracia parlamentar que hoje vigora pela europa ou julgas que foi em El-Alamein ou na praias da Normandia que o III Reich foi derrotado?A ignorância bateu à tua porta e ficou por lá, não haja dúvida.

    • José diz:

      Ena! Salvou isso tudo??
      Eu nem sou religioso, mas vou já acender uma velinha ao Santo Stalin!
      Então a da democracia parlamentar é deliciosa…
      Conhecimento muito aprofundado e nada parcial da IIWW!

  11. Leo diz:

    Os USA têm o triste recorde de começarem guerras com base em mentiras e quando à posteriori justificam as suas guerra gritam pelo lobo.

    Sabemos que usaram antes da invasão do Iraque em 2003 como uma das suas fontes, um iraquiano informador Rafid Ahmed Alwan al-Janabi, que admitiu que mentiu.“Teria dito qualquer coisa acerca de Saddam nessa altura. Queria fazer qualquer coisa pelo Iraque.
    Não lamento o que disse. Se me pedissem outra vez teria feito o mesmo.”

    Rafid Ahmed Alwan al-Janabi, tentava obter asilo na Alemanha em 2000. Disse à secreta alemã que Saddam Hussein tinha armas biológicas montadas em camiões. Os alemães não acreditaram nele e quando a secreta norte-americana pediu os seus depoimentos antes de atacarem o Iraque os alemães disseram-lhes que não eram fiáveis. Mas isso não impediu os USA de construir o caso usando os depoimentos de Rafid Ahmed Alwan al-Janabi.
    E na ONU Colin Powell disse” O que vos estamos a dar são factos com base em fontes sólidas”.

    Outra das fontes foi um membro da Al-Qaeda que mentiu sob tortura da CIA acerca dos laços de Saddam com terroristas. Mesmo agora apesar de todas a evidência de mentiras e enganos Collin Powell e Rumsfeld continuam a negar e não admitem que mentiram.

    Não tarda muito conheceremos os Rafid Ahmed Alwan al-Janabi da Líbia. JMuitos dos que propagandeiam as suas mentiras já os conhecemos: SG da ONU, Obama, Sarkozy, Cameron, Miguel Portas, Ana Gomes, DO, Aljazeera, CNN, Fox, Sky, BBC, Público, RTP, SIC.

  12. Vicente de Lisboa diz:

    “Além disso, afastado o ditador e a sua família, a percentagem dessas empresas e sobretudo a sua segurança na exploração dos recursos dos líbios aumentará muito.”

    O nepotismo económico de um ditador como forma de protecção dos recursos naturais de um país. Este Blog quando quer é de ouro.

  13. Pedro Pousada diz:

    Viva Nuno, onde é que foste buscar este rumor tornado facto:”Esquece-se que na Líbia existe uma guerra civil e que grande parte das unidades militares passaram para os revoltosos, isso apenas não aconteceu na Força Aérea que é maioritariamente integrada por membros da tribo de Kadhafi.” Foi à Al-Jazeera, que tem feito uma cobertura isenta (estou a ser irónico) dos acontecimentos na Líbia? Uma reportagem da RT News mostrava os operadores de câmara do canal do Qatar a incentivarem do cimo de uma varanda os manifestantes em Benghazi no momento em que o canal entrava em directo- a fazerem cheerleading-isso é jornalismo? A vigilância de satélite russa já demonstrou que não houve movimentos de aeronaves na Líbia nos dias que são referidos como de intenso bombardeamento sobre alvos civis e onde é que estão as videografias, o material factográfico?Ainda agora ouvi na sky news o porta-voz do governo líbio Mussa Ibrahim a argumentar que a ONU preferiu a guerra e a violência que tem custos milionários do que a enviar um painel de observadores ao terreno para avaliar se de facto houve ou não massacres- ele, apelou ao povo britânico, insistia para que as instituições internacionais, as ONG, os intelectuais britânicos visitassem a Líbia e testemunhassem in loco se tinham sido cometidos ou não crimes de guerra, a jornalista da sky news estava speechless, ficou literalmente à rasca com o inesperado tempo de antena que tinha dado à Líbia para se defender das mentiras que tem sido veiculadas.Está mais do que assente desde pelo menos a guerra do kosovo que o corporate media é uma principais armas do poderio militar da dos EUA e da NATO, porque devemos tomar como credível o seu jornalismo?Mas se como tu dizes “grande parte” das unidades militares estivesse ao lado dos revoltosos acreditas que eles não tinham conquistado Tripoli logo no início da revolta? Esta é uma guerra terrestre e de artilharia e o que se viu após o bombardeamento francês do trajecto Benghazi- Ajdabiya é que o Exército Líbio está do lado do seu governo, ou achas que eram mercenários e sicofantas do Ghadaffi que manobravam aquele material todo?Onde é que está então essa maioria de unidades militares terrestres que se colocou ao lado dos revoltosos? Para que é que eles pediram a intervenção estrangeira?Nesta fase dos acontecimentos estes rebeldes não passam de traidores.

    • Nuno Ramos de Almeida diz:

      Viva Pedro,
      Já percebi que para ti o Kadhafi é um gajo porreiro , com o único defeito de não ter bigodes. Eu fico-me pela posição do PCP no seu primeiro comunicado que condenava a agressão dos manifestantes. Várias unidades do exército e até alguns ministros passaram para os revoltosos. Abraço

    • Leo diz:

      “Ainda agora ouvi na sky news o porta-voz do governo líbio Mussa Ibrahim a argumentar que a ONU preferiu a guerra e a violência que tem custos milionários do que a enviar um painel de observadores ao terreno para avaliar se de facto houve ou não massacres”

      Tem razão, Pedro e esse apelo a monitores, observadores, fact-finding missions tem sido reiteradamente repetido em todas as entrevistas do Ghadafi e do filho, en todas sem excepção.

      Andam há semanas a pedir isso à ONU, a países europeus, norte-americanos, asiáticos, africanos a única resposta que tiveram foi da UA que já mandou uma missão.

      Particularmente ao SG da ONU penso que o bombardeiam todos os dias com pedidos desses e logo que a Resolução foi aprovada aí estavam as autoridades líbias a pedir o envio de observadores para o cessar-fogo. Nenhuma resposta tiveram.

      Basta aliás ler a Resolução 1973 para nos apercebermos que se baseia nos “relatos” dos media exactamente como a anterior. Relatos que nunca sequer os media conseguiram provar ou mostraram qualquer interesse em provar.

      E o cúmulo da falta de contraditório assistiu-se na noite da votação da última Resolução com todas as cadeias de TV globais a darem em directo as intervenções dos proponentes e quando chegou ao primeiro que se absteve – a Índia – a Aljazeera deu uns segundos iniciais para de imediato acabar com o directo depois de o indiano ter lamentado que não tinha sido distribuido ao Conselho nem sequer o relatório do Enviado Especial do SG à Líbia!

      E do brasileiro, chinês ou russo, nada! Em TV ou jornal algum. Rigorosamente nada! Como também nada do indiano.

  14. Leo diz:

    A lição que os USA estão a dar aos governos de qualquer país é: nunca por nunca ser, haja a pressão ou as promessas que houver, nunca desistam dos vossos programas de armas químicas e de armas nucleares. Se o fizerem isso não garante que os USA não vos ataquem, pelo contrário isso torna o ataque muito mais provável.

    Esta lição já tinha sido dada pelos USA em 2003 ao atacar o Iraque, um país que não tinha, desde 1991, nenhum programa de armas químicas e nucleares

    Mais ainda, de acordo com o relatório da CIA de 2004 sobre Armas de Destruição Maciça, Saddam Hussein tinha solicitado melhores relações à Administração Clinton prometendo que seria “o melhor amigo dos USA na região” e que se assegurasse uma relação com os USA descartaria permanentemente qualquer ambição de Armas de Destruição Maciça.

    No caso da Líbia, Ghadafi anunciou em Dezembro de 2003 que renunciava a todas as Armas de Destruição Maciça — a Líbia possuía um programa de armas químicas, mísseis balísticos e armas nucleares — e convidou inspectores internacionais para certificar o cumprimento da promessa. Os USA declararam que “isso demonstra que num mundo de fortes normas de não- proliferação, nunca é tarde demais para tomar a decisão de as cumprir totalmente e que a Líbia seria amplamente premiada.”

    Pela perspectiva de muitos governos europeus e norte-americanos a Líbia está agora a receber o seu prémio na forma de centenas de mísseis Tomahawk e na tentativa (ilegal) de derrubar o regime que acordou desarmar.

    Cada governo no mundo tem opiniões diferentes sobre a melhor estratégia para lidar com quem pretende a supremacia. Estou certo que as estratégias do Irão e da Coreia do Norte saíram fortemente reforçadas após estes bombardeamentos sobre a Líbia. E que quem defende o contrário estão a ser ridicularizadas pela sua ingenuidade embaraçosa.

    Como as agressões ao Iraque e Líbia provam, norte-americanos e europeus opõem-se aos programas de armas químicas e nucleares de outros países porque se esses países os tiverem isso impede que norte-americanos e europeus os ataquem.

  15. Pedro Pousada diz:

    Viva Nuno, engano teu e se queres que te diga o coronel não chega aos calcanhares do zé dos bigodes. Estás a elogiá-lo sem te dares conta…Não ando com um pin do Ghadaffi na lapela mas ainda menos simpatizo com esta rebelião que pretende oferecer ao povo líbio um novo Iraque.Abraços

  16. Luís Rocha diz:

    A palavra aos africanos revolucionários do AAPRP:
    http://www.uruknet.info/?p=m76090&hd=&size=1&l=e
    http://www.aaprp-intl.org/

    The illegal, racist, sexist, capitalist, and terrorist governments of the United States, Germany, Britain, Canada, France, Italy and occupied Palestine (so-called Israel), in conspiracy with and the approval of the United Nations Security Counsel, the Arab League and the G8 countries have diminished Africa’s Personality and Dignity once again, by having imposed a “no-fly zone” on Libya and are bombing and planning to invade, to further entrench neo-colonialism and neo-liberalism in Africa by continuing to arm the mercenary class of African neo-colonial puppets, as they have done repeatedly over the past two millennium. Muammar Quadaffi’s compound in Tripoli was one of the bombing targets, a cold-blooded effort to intimidate or murder him and his family.

    The United States, Germany, Britain, Canada, France, Italy and occupied Palestine (so-called Israel), to paraphrase Dr. Martin Luther King’s April 1967 speech against the US war in Vietnam, are the “greatest purveyors of violence the world has ever seen.” From the “Halls of Montezuma to the Shores of Tripoli,” Europe’s and America’s historical and continuing crimes against Indigenous, African and World Humanity festers with impunity and are repugnant with their arrogant refusal of reparations.

    The All-African Peoples’ Revolutionary Party (GC) declares its uncompromising and un-categorical opposition to any and all United States, (USAfricom, USAID, National Endowment for Democracy, CIA, etc.), British, French, German, Italian, Israeli, or UN interference or military intervention in African (including Libyan), Middle Eastern and Central and South American and Caribbean affairs and territory. The A-APRP (GC) also declares its uncompromising and un-categorical opposition to the following and similar groups:

    Libyan Republic Interim Transitional National Council
    Libyan People’s Army
    Free Libyan Air Force
    Libyan Youth Movement
    Committee for Libyan National Action in Europe
    National Conference for the Libyan Opposition (Libyan Constitutional Union; National Front for the Salvation of Libya; Libyan League for Human Rights and Libyan Tmazight Congress)
    Libya Watanona
    Libya Islamic Group (Muslim Brotherhood)
    Libya Islamic Fighting Group (al-Qaeda)

    (…)

  17. joão viegas diz:

    Caro Nuno Ramos de Almeida,

    Altamente coerente este seu post, e simples também.

    Intervenção militar dentro das fronteiras de um Estado soberano nunca na vida. Apoiada no direito internacional, ainda menos, uma vez que este não passa de uma gigantesca hipocrisia ao serviço das forças do capital e que não merece nem um bocadinho de crédito, sendo mera retorica.

    Portanto é deixar andar e aplicar o modelo batido de deixar chacinar (alias sera mesmo chacinar ? não sabemos com certeza e ainda que o saibamos também não seja por isso, caramba, é so fechar os olhos !), como sempre se praticou na nossa gloriosa historia, menos talvez quando sordidos interesses mandam exigir um quinhão nos lucros da venda de armas e exercer um direito de opção sobre o resultado do saque aos recursos naturais.

    Muito bem, portanto.

    Falta talvez acrescentar que urge lembrar às populações locais que, pese embora alguma impaciência enquanto esperam que os seus regimes lhes sirvam no prato a democracia, os direitos liberdades e garantias et as outras merdas por que anseiam num mimetismo imbecil, o mais prudente é ficarem caladinhos em nome do velho principio, profundamente enraizado no pensamento da esquerda, em virtude do qual “ou estas quietinho, ou levas no focinho”.

    Não tenho duvidas nenhumas que os proximos postes do 5 dias sejam dedicados a esta importante matéria…

    • Nuno Ramos de Almeida diz:

      Apesar de muito simples, você não entendeu. É pena.

      • joão viegas diz:

        Não entendi por uma unica razão : não vislumbro no seu texto em que circunstâncias é que v. admitiria uma intervenção dentro do territorio de um Estado soberano.

        Se começasse por explicar este ponto, talvez fosse mais facil entender as criticas que faz à intervenção…

        Boas…

        • Nuno Ramos de Almeida diz:

          Em pouquíssimas circunstâncias, de preferência pressionando as partes a aceitar uma força de interposição. Teria aceite no Ruanda e Darfour, sustentado por uma resolução clara da ONU, mas como esses países não tinham petróelo, e em vez de 500 líbios eram vários milhões de africanos negros a ser massacrados, nada se fez. Acho, sobretudo que o direito internacional deve ser geral e não casuístico. Servir para a Líbia, a Palestina, o Iémen e Barhein e não para um caso que convenha, principalmente, aos interesses das grandes potências. Presumo que o meu caro Viegas, defenda sempre intervenções estrangeiras independentemente das suas consequências, mesmo que matem mais gente, do que a gente que salvam. Estou em pulgas para o ver defender o bombardeamento de Israel por massacrar e bombardear palestinianos indefesos. A menos que no seu caso, as intervenções estrangeiras devem ser feitas apenas em cenários que interessem ao Ocidente e tenham cobertura informativa prévia. Aqueles que vivem no fim do mundo e não aparecem nas notícias , não interessam.
          Vou-lhe dar alguns exemplos, acho que só foi possível contestar o apartheid com pressão internacional, uma invasão estrangeira não serviria para nada. Da mesma maneira, que não defendo que depois dos golpes de Estado de Pinochet e de Videla, se devesse invadir esses paises. Apoiar as oposições às ditaduras é fundamental, duvido é que passe por invasões militares. Repare, que nestes dois exemplos, morreram muito mais gente do que na Líbia.
          Para além da minha posição de princípio, há ainda uma questão de pormenor, uma resolução que legitima apenas a criação de uma zona de exclusão aérea e impedir massacres de civis não pode ser usada para ganhar a guerra civil e derrubar um governo. Nesse caso, o Conselho de Segurança deveria ter aprovado outra resolução.

          • joão viegas diz:

            La esta você a ser injusto…

            Em primeiro lugar eu sou completamente a favor da intervenção coercitiva da comunidade internacional em TODOS os casos em que existam violações graves e sistematicas do direito internacional humanitario (e ja agora também dos direitos liberdades e garantias, individuais e colectivos), seja onde ocorrerem, portanto mesmo na Palestina no Chile ou na Africa do Sul, desde que autorizadas por orgãos legitimos apos ter-se verificado que estão esgotadas todas as possibilidades realistas de resolução diplomatica ou pacifica do problema.

            En segundo lugar, fui dos primeiros signatarios do documento ONU/AG/2001.54-7 onde se defende a revisão da Carta das Nações Unidas por forma a permitir que as decisões ao abrigo do capitulo VII sejam tomadas por maioria de dois terços dos Estados membros, com a dupla condição de estarem todos devidamente representados por Nunos Ramos de Almeidas e de so se tomar uma decisão apos analise cuidada de um relatorio exaustivo, objectivo e rigoroso sobre as consequências mais infimas da intervenção num prazo de quinze anos a seguir à efectivação das medidas coercitivas. Alias, como você sabe perfeitamente, tenho participado em todas as manifestações destinadas a pressionar a comunidade internacional para a adopção definitiva do sistema descrito.

            Portanto quanto a saber como é que essas coisas deviam ser decididas, estamos conversados.

            Mas a questão da Libia não é bem essa. A questão é mais saber como é que fazemos, uma vez que os representantes actuais dos Estados membros da ONU (escarro para eles) ainda não aprovaram a revisão da carta nos moldes expostos aqui em cima.

            Ora ai é que nos divergimos.

            Porque eu defendo que, enquanto esperamos que o bom senso impere, ja agora podemos utilizar o sistema imperfeito que vigora, ainda que seja incerto, ainda que meta direitos de veto (buaaa) e outras coisas barrocas.

            Eu sei que você vai dizer que, dessa maneira, corremos o risco de criar injustiças. Assim sera, com efeito…

            Mas quando prendem o assaltante José com a mão na botija, sera que devemos solta-lo considerando a potencial injustiça em relação ao assaltante Alfredo, que conseguiu fugir ?

            Não me parece.

            E como sei que você vai esgotar todos os meios pacificos de me explicar porque é que estou errado, antes de me dar um pontapé, vou ter a ousadia de confessar o que eu penso mesmo : penso que ao aceitar que se prenda o assaltante José, julgo estar a contribuir, um pedacito que seja, para que os outros potenciais assaltantes se sintam inseguros neste mundo, incluindo o assaltante Alfredo…

            Mas isso sou eu, que sou um frouxo.

            Boas

          • Nuno Ramos de Almeida diz:

            Muito divertido.

  18. miguel serras pereira diz:

    Nuno,

    dificilmente encontrarás desmontagem mais contundente das “racionalizações” que presidiram à primeira intervenção americana no Iraque do que a que teve, ao tempo, por autor Castoriadis. Podes ler o texto na edição portuguesa de Uma Sociedade à Deriva, editado pela 90graus.
    Poderiamos partir desse texto para perceber melhor as diferenças entre a situação de então e a actual situação de guerra civil na Líbia. Mas adiante.
    Uma vez que nos últimos tempos tenho escrito muito sobre o tema nos posts e caixas de comentários do Vias (incluindo a do post a que te referes do Zé Neves), aqui interessa-me somente deixar uma breve, mas incontornável passagem de um texto de I. Wallerstien, que o esquerda.net publicou há semanas, e para a qual o Pedro Viana nos chama a atenção no Vias. É assim:

    “A questão, portanto, não é uma intervenção militar ocidental ou não. A questão são as consequências para a segunda revolta árabe da tentativa de Khadafi de suprimir toda a oposição da forma mais brutal. A Líbia está abalada por causa das revoltas vitoriosas na Tunísia e no Egipto. E, se há alguma conspiração, é entre Khadafi e o Ocidente para desacelerar, até mesmo anular, a revolta árabe. Se Khadafi for bem-sucedido, estará a enviar uma mensagem a todos os outros déspotas ameaçados da região, dizendo que o caminho a seguir é a dura repressão, em vez de concessões”.

    Que dizes?

    msp

    • Nuno Ramos de Almeida diz:

      Parece-me um argumento inteligente e interessante o de Wallerstein, a minha duvida é se subsistirá revolta árabe, se ela for confundida com intervenção estrangeira das potências ocidentais.

      • miguel serras pereira diz:

        No que as tuas apreensões são fundadas, evidentemente. Mas compete-nos, tendo em conta o que se passa no Iémen, etc., fazer o que estiver ao nosso alcance por que assim não seja.
        Ou seja, retomando o que escrevi há pouco na caixa de comentários deste post do Zé Neves sobre o assunto [http://viasfacto.blogspot.com/2011/03/luta-final.html#comments]:

        “Sendo assim, o que importa agora é
        [1] exigirmos que “o apoio aos insurrectos líbios não exceda o mandato das Nações Unidas e sirva efectivamente para os ajudar a abreviarem os dias da ditadura na Líbia — escapando às perspectivas de entrada no país de forças terrestres de interposição ou (co-)administração “provisória”. Assim, uma vez garantida a no fly zone, a intervenção internacional deve limitar-se a manter a vigilância, abstendo-se de outras acções de combate.
        “[2] O que não obsta a que nós, aqui, devamos continuar a exigir dos governos da UE e da própria UE que apoiem o campo dos insurrectos na guerra civil em curso (meios logísticos, armamento, assistência médica e sanitária, etc.)” [Cf. http://viasfacto.blogspot.com/2011/03/questao-libia-no-contexto-das-revoltas.html%5D.
        [3]Entre outras razões, porque tal me parece o melhor modo de tentarmos contribuir para o reforço da extensão das revoltas em curso no Médio Oriente e para as suas perspectivas de sucesso em termos que evitem a repetição de novas situações como a da Líbia”.

        msp

        • Nuno Ramos de Almeida diz:

          Miguel,
          Desculpa-me o meu cepticismo, mas parece-me que eu e tu temos muito pouca capacidade de determinar o tipo de intervenção militar que vamos assistir. Quem a comanda são os tipos do costume, o mandato da ONU não altera isso, apenas legitima as bombas.

      • Leo diz:

        Acha o Nuno que isto: “Nenhuma disposição da presente Carta autorizará as Nações Unidas a intervir em assuntos que dependam essencialmente da jurisdição interna de qualquer Estado, ou obrigará os membros a submeterem tais assuntos a uma solução, nos termos da presente Carta” (alínea 7 do Artigo 2) se aplica apenas aos Estados-membros que detém bombas nucleares?

        • Nuno Ramos de Almeida diz:

          Leo, eu não lhe respondo. Acho-o uma invenção do imperialismo.

          • Leo diz:

            Que elegância, Nuno. Não responde porque está de acordo com os privilégios do mais forte.

          • Nuno Ramos de Almeida diz:

            Nunca entro em diálogo com malta que entra no fórum TSF. Você é uma caricatura de um funcionário do PCP. Como todos exageros é prejudicial à causa que garante defender. Para não me irritar, prefiro pensar que você não existe. Devo ser eu que bebi alguma coisa estragada. Desampare-me a loja, sff.

        • joão viegas diz:

          O amigo Leo tem um exemplar incompleto da carta das nações unidas, esquece-se sistematicamente de citar a alinea 7 do artigo 2, até ao fim :

          “…este princípio, porém, não prejudicará a aplicação das medidas coercitivas constantes do capítulo VII.”

          • Leo diz:

            E o que tem o resto a ver com o princípio? Quantas resoluções conhece aplicadas a países detentores de armas nucleares ao abrigo do Artigo 2 da Carta da ONU e da alínea 7 em particular: “Nenhuma disposição da presente Carta autorizará as Nações Unidas a intervir em assuntos que dependam essencialmente da jurisdição interna de qualquer Estado, ou obrigará os membros a submeterem tais assuntos a uma solução, nos termos da presente Carta”. E que me lembre todos eles já tiveram conflitos internos, certo? Alguns até resolvidos a tiros de canhão contra o seu próprio Parlamento. Ou está esquecido?

  19. Niet diz:

    Protesto contra esta despudorada manipulação/promoção ridicula e vesga de tentar
    explicar um problema politico-estratégico intercontinental com o uso de uma só
    citação. O pior é o que se seguirá, o ridiculo será enorme, quando se oficializar o comando
    das operações pela NATO. Niet

    • miguel serras pereira diz:

      Niet,
      eu percebo que, cultivando-as tu tão abundantes, te choque o uso de uma citação isolada e que isso te faça perder de vista o alcance do juízo político que ela exprime. Quanto às tuas apreensões justificadas com a manipulação imperialista, etc., não tenho – infelizmente – grande coisa a acrescentar ao que já disse.
      Por fim, cuidado com a língua acerada que a exaltação te leva a adoptar, pode cortar-te o céu da boca, pá.

      msp

      • Niet diz:

        MS. Pereira: Agradeço muito a tua atenção,pázinho!
        Como sabes, sempre-de há muito- secundei
        os posts do Miguel Madeira sobre
        Actualidade Internacional, mais ou menos
        guerrilheira… Foi pena, por certo por
        afazares profissionais, que ele se tenha
        postado mais ao largo. Ele- como eu-
        iamos ler as fontes todas…E havia
        emulação franca e sincera. E com muitas
        e palpitantes citações! Bom vento! Niet

  20. Leo diz:

    “Nunca entro em diálogo com malta que entra no fórum TSF. Você é uma caricatura de um funcionário do PCP. ” ????????

    Será que anda por aí um vírus qualquer a atacar? É que de repente aparece uma série de gente atacada por uma qualquer burrite aguda.

    Francamente já tenho visto desculpas bem mais inteligentes. Esta é abaixo de cão!

  21. Diogo Vasconcelos diz:

    Sobre os Danieis Oliveiras e Migueis Portas desta vida: só quem nunca esteve com Kadafi é q pode estar contra mais um massacre da NATO na Líbia. Tudo o resto cheira a merda. As vantagens da coluna vertebral. E os trabalhadores (de todos os países) não vão esquecer na hora de apertar o gatilho.

  22. R. Costa diz:

    Grandes democracias ocidentais, que para a comunicação social, uns mesmo que armados são civis e os outros não são são gente talvez seja vermes para que se possam bombardear à vontade para que os ditos civis os possam assassinar grandes valores humanos estes aqui no ocidente, não sabia que os gulosos do pelo petróleo davam valor aos direitos humanos e a vida.
    Como é que há gente que tem estômago para defender estes vampiros dos povos.

  23. R. Costa diz:

    Grandes democracias ocidentais, que para a comunicação social, uns mesmo que armados são civis e os outros não são gente, talvez sejam vermes para que se possam bombardear à vontade para que os ditos civis os possam assassinar, grandes valores humanos estes aqui no ocidente têm, não sabia que os gulosos do petróleo davam valor aos direitos humanos e à vida.
    Como é que há gente que ainda tem estômago para defender estes vampiros dos povos.
    VIVA O DESEMPREGO, ABAIXO OS SALÁRIOS AQUI NA EUROPA FIM ÀS PENSÕES
    VIVA OS POBRES CADA VEZ MAIS POBRES E OS RICOS QUE SEJAM MAIS, POIS COITADINHOS ELES AINDA TÊM POUCO DINHEIRO

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