Fofana e Karamba escrevem no Expresso

Miguel Sousa Tavares, com a certeza que garantiu nas semanas anteriores que a manif de dia 12 de Março não ia ter gente, afiança agora que ela teve gente, mas não teve significado. Nesse sentido, são também as peças que o Expresso publica na mesma edição. Segundo o cronista e os textos de jornalistas desse semanário, a demonstração da geração à rasca não tinha sentido: todo o mundo estaria lá com intuitos diferentes e até contraditórios. Logo, este acto esgotar-se-ia aí, sem implicações nem consequências.
Fina análise, era como se eu dissesse que o facto do Expresso vender 84 mil exemplares por semana não significa nada: alguns compram-no para o ler, outros para levar o saco de plástico e os brindes e ainda alguns, como eu, com a vaga esperança de um dia encontrar uma notícia, para além das do Wikileaks, e como isso não sucede, aproveitam o formato berliner do jornal para forrar o caixote do gato. A verdade é que independentemente das minhas especulações, ainda há pessoas que compram o Expresso.
Os factos já são difíceis, sem entrarmos nesta espécie de jornalismo que pretende ir para além deles, e especular sobre as supostas motivações das pessoas. Aquilo que se pode dizer da manif de 12 de Março é que saiu muita gente à rua, expressando um grande descontentamento com a situação do país. Qualquer análise não pode escamoetar que a manifestação era uma condenação explicita ( no seu manifesto, na sua propaganda e nos cartazes levados pelas pessoas) às políticas que levaram à precariedade laboral; e que o facto de lá estarem 20 skins e 10 clientes do BPP não pode esconder estarmos perante um enorme protesto contra o governo.
Como é natural esta explosão de descontentamento está sujeita a uma disputa política, mas isso não significa que não tenha sido expressa uma enorme vontade de mudar.

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TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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7 respostas a Fofana e Karamba escrevem no Expresso

  1. Ou de como se o pessoal de esquerda tivesse menos gatos o Expresso não cantaria tão de galo.

  2. donatien diz:

    Sempre me recusei a comprar esse pasquim: De um gajo que era deputado da União Nacional ? Depois membro do grupo bieldeberg,era só o que faltava,

  3. Pisca diz:

    As gatas cá de casa rebelaram-se há muito tempo, jornais nem pensar, areia daquela dos sacos, sendo que remédio é “ver” online e é um pau

  4. Aldeolas diz:

    Seguimos com atenção o vosso interessante blog.

  5. RedBloc diz:

    Que teve significado, lá isso teve. É inegável.
    O problema está em decifrar esse tal significado.
    Aí radicará o problema, ainda para mais se nos recusarmos a seguir a via mais fácil, do estilo descontentamentos e afins…

  6. a anarca diz:

    Ainda há 84 mil pessoas a comprarem o expresso ?! acho admirável !

  7. Um exercício interessante é comparar a mesma notícia em vários jornais, não necessitam comprar, vão a uma biblioteca que tenha vários e vão encontrar coisas interessantissimas! Comparem a relevância que alguns dão a uma notícia que tem honrras de 1.ª Página e as areas que são ignoradas noutros. Comparando as mesmas notícias, especialmente na area política percebe-se claramente as tendências e a influência de quem trata a informação. Um caso prático são aquelas notícias fornecidas pela Lusa que depois os jornais obtém e colocam onde acham melhor, mas dão sempre um “toque pessoal”.

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