ANEDÓTICO: Bloco de Esquerda dá o dito por não dito e oculta nome de um dos seus deputados. Um novo Zé?

O BE anunciou hoje que “foi contra zona de exclusão aérea” quando ontem votou a resolução do Parlamento Europeu (PE) na generalidade porque queria “o condicionamento da hipótese desejada pela maioria do Parlamento, sujeitando-a a um mandato do Conselho de Segurança.” A resolução, que foi saudada pela NATO e que precipitou a declaração de guerra da ONU, mereceu esse voto dos três deputados do BE porque, segundo dois deles, queriam “dificultar a instrumentalização do Parlamento em favor de uma operação de contornos mais do que imprecisos e decidida à margem das Nações Unidas”. Sem nenhuma referência a este facto e esquecendo que um deles defendeu precisamente o que a ONU decretou ontem, o BE acusa tudo e todos sem tirar nenhuma conclusão. O Miguel Portas, a Marisa Matias e o Rui  Tavares gritam aos sete ventos que tudo o que fizeram foi na intenção de travar uma guerra que acabaram por acelerar. Alinharam os três com a generalidade da resolução com que o PE deu luz verde à operação da NATO e da ONU e agora dizem estar contra boa parte daquilo que ajudaram a abrir caminho. No barulho, o nome do Rui Tavares desapareceu da declaração do Bloco de Esquerda sobre a declaração de guerra da ONU. Estaremos perante um novo Zé ou vão repartir, solidária e fraternalmente, a responsabilidade?

“Resolução autoriza “todas as medidas necessárias” para proteger a população civil contra as forças de Khadafi. Cinco países – incluindo China e Rússia, membros permanentes do Conselho – abstiveram-se. Bloco já se manifestou contra medida. (…) Recorde-se que no Parlamento Europeu os deputados Miguel Portas e Marisa Matias votaram contra a zona de exclusão aérea. Miguel Portas explicou que a esquerda é “contra qualquer intervenção militar, incluindo a medida que lhe pode abrir as portas: a zona de exclusão aérea”. E deixou um alerta: “Nós temos a experiência, sabemos como começam as medidas militares e sabemos que elas nunca acabam quando começam”.”
Esquerda.net, hoje.
“Num voto à parte sobre um parágrafo da mesma resolução tivemos de decidir sobre a zona de exclusão aérea. Era o PE favorável ou não? O PE impôs condições para uma zona de exclusão aérea: só com mandato da ONU, envolvimento da Liga Árabe e da União Africana. Eu votei a favor dessa emenda.”
Rui Tavares, ontem.
“Em face da concreta relação de forças na mesa de negociação, ou a esquerda se desinteressava do assunto – e o resultado mais do que provável seria um parágrafo imposto pelas forças mais à direita, neste caso com apoio dos verdes – ou procurava segurar e melhorar a versão proposta pelos socialistas. Foi com pleno sentido das responsabilidades que o Miguel Portas optou pelo segundo caminho. (…) O bloco não tem, nunca teve, uma posição de princípio contra intervenções de natureza militar sob mandato da ONU.
Miguel Portas e Marisa Matias, anteontem.
“Solicita à UE e à comunidade internacional que tomem todas as medidas possíveis para isolar completamente Kadhafi e o seu regime a nível nacional e internacional”
Miguel Portas, Marisa Matias e Rui Tavares, trás-anteontem.

Este artigo foi publicado em cinco dias and tagged , , , , , . Bookmark the permalink.

15 respostas a ANEDÓTICO: Bloco de Esquerda dá o dito por não dito e oculta nome de um dos seus deputados. Um novo Zé?

  1. marilu diz:

    A Occidental Petroleum e a Exxon já faz 6 meses cancelaram a autorização para exploração de poços e,dizem as más línguas pq já sabiam avant-garde e,claro,o BE tal como a tralha trotskista juntamente com os falcões (ler-os ladrões mundiais!) alinharam no pretexto para as privatizações do petróleo.
    A propósito foram fusilados 225 pró Gadafi em Bengazi e ninguém fala em massacres,nem pq os estrangeiros fugiram da Cirinaica.Gosto muito da bandeira dos ‘revoltosos’,a bandeira do rei Idris.Belos tempos aqueles 4 médicos para a população toda(?) em 1960-um êxito,tal como o Uganda,Ruanda,Iémen.

    Já agora alguém se lembra do bombardeamento de Gaza durante muitos dias com bombas de fósforo e munições de uranio empobrecido?Não me consta q os trotskistas tenham grunhido algo.Dos democratas nem sombras…nem bloqueio nem nada.2 pesos,2 medidas?-nem pensar!

  2. marilu diz:

    Aliás, as ‘manifestações’ são similares às do Egipto/Tunisia nestes,o pessoal veio para a rua pobre,vilipendiado e chupado por elementos da internacional sucialista, na Líbia com os melhores índices de desenvolvimento do continente africano e de muitos paises europeus(!!!!) vieram com armas na mão!
    Situações ‘semelhantes’ como podemos ver.Já agora o Mubarack 70 000 milhões de $,o Ben Ali xx 000 milhões de $-já agora,podem dizer o q o Kaddafi temn em França?-o melhor será perguntar ao sarkosy..

  3. marilu diz:

    Não entendo os palhaços dos chineses,nem dos russos-estes últimos dizem que é MENTIRA o bombardeamento de multidões com aviões e a entrada de mercenários africanos.Africanos?mas,os líios são africanos.Onde chega a batotice,misturada com o mais despurado racismo dos media de (des)informação.NUNCA MAIS COMPRO JORNAIS!!!!!Os jornalistas são escribas,chulos e the master’s voices.Comigo,vão trabalhar para as obras.CHULOS E MILITANTES DA BARBÁRIE!!!!!

  4. xatoo diz:

    com ONU ou sem ONU, e o povo líbio pá?
    e a maneira como o povo libio decidiu livremente organizar-se localmente pá?
    agora a ONU (como correia de transmissão dos interesses norte americanos) já tem legitimidade para se pronunciar sobre isso?

  5. V. KALIMATANOS diz:

    Continuas a aplicar a pomada histórica para a pele “Povos de todo o mundo uni-vos que anda aqui o lagarto peçonhento do costume!” Ou então a banha da cobra: “Marx não andou a queimar as pestanas para nada!” E as mulheres no Lavadouro Municipal dos partiditos de esquerda da nossa lezíria nunca mais se calam. Já nem precisamos de dar mais à manivela. Piada ver malta que não dá uma nêspera pelos valores da Democratura andar a coleccionar assinaturas que rogam aos corações dos responsáveis pela NATO da nossa terra. Eu que não percebo nada disto e que oiço e leio de todos com muita calma e cheio de gozo, acho que ainda vou a tempo de proclamar que nunca houve revolução na Líbia este ano. O que houve, e ainda anda a deitar fumo com muito sangue inocente à mistura, foram os efeitos duns dólares a baterem nos narizes dum quantos agitadores, que por sua vez conseguiram convencer uns quantos “patsies” , ou otários.

    De modo que estes surpreendentes levantamentos “populares” nas arábias precisam duma boa análise laboratorial para separarmos os fosfatos das sílicas e dos hidrocarbonetos. É pelo menos tempo de começar a considerar que a coisa de tiros na Líbia tinha como objectivo acabar com os negócios e influências da China e da Rússia, os maus gajos a abater, não o “maluco” do Gadafi. Aparentemente só o Berlusconi se apercebeu disso. Mas como o homem anda com putas e é muito reaccionário, ninguém ligou.

    De notar que a bordoada que os “revolucionários” líbios começaram a dar nos trabalhadores chineses (alguns trinta mil) logo no princípio da marselhada passou completamente ao lado dos analistas deste blogue. Agora estamos na MERDA como é da tradição com os jactos da ONU-USA. plc – paradoxalmente com a ajuda dos dois paises berços do comunismo proletário e camponês, que foram dos primeiros a aprovar sanções ao Gadafi. Nunca aprendem estas superpotências. Também pode ser alguma esperteza deles, nunca se sabe porque que a intriga de enganar as massas não tem dono, mas sinceramente não a consigo manjar. Revolução ou desestabilização? Que pergunta tão parva.

  6. Miguel Lopes diz:

    Como já tiveste réplica e tréplica, pelo menos da minha parte, acerca disto. Vou repetir os factos aqui, desmontando novamente (uuffff) o teu texto:

    “O BE anunciou hoje que “foi contra zona de exclusão aérea” quando ontem votou a resolução do Parlamento Europeu (PE) na generalidade porque queria “o condicionamento da hipótese desejada pela maioria do Parlamento, sujeitando-a a um mandato do Conselho de Segurança.” ”

    Não há qualquer contradição. Condicionar uma hipótese não significa votá-la. Foi o que aconteceu. A Marisa e o Portas condicionaram a zona de exclusão aérea sem a votar.

    “A resolução, que foi saudada pela NATO e que precipitou a declaração de guerra da ONU, mereceu esse voto dos três deputados do BE porque, segundo dois deles, queriam “dificultar a instrumentalização do Parlamento em favor de uma operação de contornos mais do que imprecisos e decidida à margem das Nações Unidas” ”

    Voltas a tentar passar, sub-repticiamente. a ideia de que todos os deputados do BE votaram parágrafos que abrem portas a uma intervenção militar. É mentira. Repetes esta ideia ao longo do texto, pelo que não vale a pena replicar mais.

    “No barulho, o nome do Rui Tavares desapareceu da declaração do Bloco de Esquerda sobre a declaração de guerra da ONU.”

    Aqui estou de acordo contigo. Como disse, o voto do Rui Tavares é um problema que o BE vai ter que resolver. Esconder o Rui Tavares, por enquanto, é apenas cobardia.

    “Em face da concreta relação de forças na mesa de negociação, ou a esquerda se desinteressava do assunto – e o resultado mais do que provável seria um parágrafo imposto pelas forças mais à direita, neste caso com apoio dos verdes – ou procurava segurar e melhorar a versão proposta pelos socialistas. Foi com pleno sentido das responsabilidades que o Miguel Portas optou pelo segundo caminho. (…) O bloco não tem, nunca teve, uma posição de princípio contra intervenções de natureza militar sob mandato da ONU.“
    Miguel Portas e Marisa Matias, anteontem.

    O que é que queres inferir desta citação?
    Como já expliquei em cima, não há qualquer problema em condicionar o parágrafo nas negociações e depois votar contra ele, porque assim consegues que a direita vote um parágrafo mais condicionado. O Miguel Portas fez muito bem em entrar nas negociações. Foi consequente.

    ” “Solicita à UE e à comunidade internacional que tomem todas as medidas possíveis para isolar completamente Kadhafi e o seu regime a nível nacional e internacional”
    Miguel Portas, Marisa Matias e Rui Tavares, trás-anteontem.”

    Não explicas o que estás a citar. É o parágrafo 9 da resolução.
    Como já te disse, lê com atenção: “todas as medidas possíveis para isolar“. Para isolar, Renato, para isolar.

    • Leo diz:

      A Marisa Matias, o Miguel Portas e Rui Tavares votaram os três a Resolução do PE. Mais ainda essa Resolução foi da autoria de Ana Gomes e do Miguel Portas. Tudo isto é um facto histórico e verificável e em nada adianta a sua teimosia de negar o que está mais do que comprovado.

      Deste triste acto não há volta a dar-lhe. Eles votaram a Resolução que ajudou a abrir caminho para a anunciada agressão contra a Líbia. Mais vale assumirem as consequências dum acto voluntário e consciente do que tentarem agora esconder a mão que atirou a pedra.

    • Renato Teixeira diz:

      1- O BE elegeu três deputados e como no caso do Sá Fernandes e enquanto não lhe retirar confiança política responde também pelos seus actos. Os bons e evidentemente, os maus.

      2- A lógica aplicada à votação na moção não se defende nem que escrevas um compêndio. Não há, evidentemente, um texto político que diga intervenção e o seu contrário. Se há, como dizes ser o caso, então isso é outra razão para não ter nada a ver com ela.

      3- Quem não reconhece a NATO nem quer intervenção na Líbia não a vota ou vota contra. Em caso algum alinha na sua sublimação.

  7. Portela Menos 1 diz:

    RT tem um inimigo de estimação e tem mais posts a malhar no BE do que na direita, PS incluído.

    • Renato Teixeira diz:

      Se pensar que só critico o BE quando este vira à direita, concluirá, naturalmente, que não é ele o meu inimigo de estimação.

      • Portela Menos 1 diz:

        ainda ontem Sócrates disse na AR que o BE é muleta da direita; ié, Renato Teixeira está bem acompanhado.

  8. Miguel Lopes diz:

    “A Marisa Matias, o Miguel Portas e Rui Tavares votaram os três a Resolução do PE.”

    Dois deles sem o parágrafo 10, que era o único que abria portas à escalada. Não tente lançar a confusão novamente.

    “Mais ainda essa Resolução foi da autoria de Ana Gomes e do Miguel Portas.”

    Exacto. Sem a presença do Miguel Portas, a resolução seria ainda mais permissiva para as forças que querem intervir. Portanto, ele fez muito bem em entrar e negociar, em vez de ignorar o que se estava a passar.

    “Deste triste acto não há volta a dar-lhe. Eles votaram a Resolução que ajudou a abrir caminho para a anunciada agressão contra a Líbia.”

    Mentira. Só o Rui Tavares votou o parágrafo que abre portas a isso.

    O Leo continua a deturpar factos para tentar queimar o BE.

    • Leo diz:

      Como se o BE precisasse de alguém que o queira queimar. Quem queimou o BE neste caso concreto foram os seus próprios deputados. Os três. Sem apelo nem agravo. O mal está feito e não têm como reverter essa péssima decisão.

    • Renato Teixeira diz:

      1- O BE elegeu três deputados e como no caso do Sá Fernandes e enquanto não lhe retirar confiança política responde também pelos seus actos. Os bons e evidentemente, os maus.

      2- A lógica aplicada à votação na moção não se defende nem que escrevas um compêndio. Não há, evidentemente, um texto político que diga intervenção e o seu contrário. Se há, como dizes ser o caso, então isso é outra razão para não ter nada a ver com ela.

      3- Quem não reconhece a NATO nem quer intervenção na Líbia não a vota ou vota contra. Em caso algum alinha na sua sublimação.

  9. Pingback: NO FLY ZONE “HUMANITÁRIA”: Maus jornalistas fazem más notícias, maus deputados fazem más guerras. Com este senhor estamos conversados e a palavra está do lado do Bloco de Esquerda. Em que é que ficamos? | cinco dias

Os comentários estão fechados.