Conselho de Segurança da ONU aprova agressão à Líbia – com o patrocínio do BE

O Conselho de Segurança da ONU acaba de aprovar a agressão à Líbia. A favor votaram os Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Bósnia, Colômbia, Gabão, Líbano, África do Sul e, em clara contradição com a Constituição, Portugal. Abstiveram-se a Rússia, China, Alemanha, Brasil e Índia. A NATO acaba de dizer que a zona de exclusão aérea peca por tardia e os Estados Unidos afirmam que talvez seja necessário mais do que isso.

Agora, os mesmos que apoiaram Kadhafi durante anos, os mesmos que o armaram e lhe deram apoio político e económico, vão avançar para a guerra. O objectivo será, naturalmente, dar força a quem volte a defender os interesses do imperialismo. Pelo meio, dependendo da intensidade da agressão, ficará o povo líbio sob a chuva de bombas. Só lhe resta resistir heroicamente como fez contra o colonialismo italiano e na vitória pôr o futuro da Líbia nas mãos dos seus habitantes, sem Kadhafi e sem o imperialismo.

Para a História, também ficam todos aqueles que abriram directa ou indirectamente o caminho aos anseios imperialistas dos Estados Unidos e União Europeia. Rui Tavares está, certamente, satisfeito. O Bloco de Esquerda também. Porque a agressão é patrocinada pelas Nações Unidas.

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44 respostas a Conselho de Segurança da ONU aprova agressão à Líbia – com o patrocínio do BE

  1. miguel serras pereira diz:

    Bruno Carvalho,
    os factos a que se refere são noticiados nos seguintes termos pelo Publico.es, jornal insuspeito de simpatias pró-imperialistas:

    “El líder libio, Muamar el Gadafi, ha comparado hoy en un audio difundido por la televisión estatal libia la entrada de Franco en Madrid durante la guerra civil española con la que él pretende llevar a cabo esta noche en Bengasi. “Vosotros sois la quinta columna en la ciudad”, ha dicho dirigiéndose a los habitantes de Bengasi, que considera sus hipotéticos partidarios, y ha señalado que se apoyará en ellos en este día “en el que liberarán la ciudad”.
    En su discurso, Gadafi también ha amenazado con “grandes bombardeos” en Bengasi si los rebeldes no se rinden antes de esta madrugada. “Estás son las últimas horas de esta tragedia, llegaremos esta noche y no tendremos compasión”, ha advertido. (http://www.publico.es/internacional/366648/gadafi-compara-su-entrada-en-bengasi-con-la-de-franco-en-madrid)

    E ainda:

    “Una explosión de júbilo recorrió ayer la Plaza de la Justicia de Bengasi cuando miles de sublevados contra el poder tiránico de Muamar Gadafi supieron que el Consejo de Seguridad de Naciones Unidas había aprobado por fin la zona de exclusión aérea sobre Libia. Una medida dirigida a evitar los bombardeos, que quizás impida el baño de sangre con el que el déspota amenazó ayer a los rebeldes.
    Con diez votos a favor, cinco abstenciones (entre ellas las de Rusia, China, Alemania e India) y ningún voto en contra, el órgano ejecutivo de la ONU sancionó el inicio de las operaciones militares en Libia. Unas operaciónes que, según fuentes diplomáticas francesas citadas por Reuters, podrían empezar en “unas horas”.
    Según el texto, Naciones Unidas podría tomar “todas las medidas necesarias”, en otras palabras intervenir militarmante, para “defender a la población civil” de los ataques de Gadafi. La resolución descarta crear una fuerza de ocupación pero habla de un llamamiento a un alto el fuego inmediato, como solicitó Rusia, y de un endurecimiento de las sanciones impuestas al régimen de Gadafi a finales de febrero. En concreto, cita la congelación de las cuentas del petróleo libio y del banco central del país”. (http://www.publico.es/internacional/366696/la-onu-aprueba-la-zona-de-exclusion-aerea-en-libia)

    Dito isto – e a menos que conteste a autenticidade dos factos descritos -, não acha a sua síntese um tanto unilateral?

    msp

    • Bruno Carvalho diz:

      O Publico.es é um jornal com fortes ligações ao PSOE. Calculo, pois, que, para si, o PSOE seja insuspeito de ter ligações com o imperialismo…Mas falando de coisas mais sérias, eu, ao contrário de si, sou a favor de que o povo líbio decida o seu futuro sem ingerências externas. O senhor prefere que o povo líbio se ajoelhe perante os mesmos que apoiaram durante anos militarmente, politicamente e economicamente Kadhafi. Ou seja, o senhor não quer uma mudança. O que o senhor quer é que o povo líbio passe de uma situação em que estava sob um regime que se alinhou com o imperialismo para uma situação em que esteja sob um regime igualmente alinhado com o imperialismo. Depois, lá hão-de pôr um Karzai ou outro fantoche qualquer para o deliciar. Daqui a uns anos, perceberá que foi um erro apoiar a agressão e, então, fará tudo para justificar a sua posição vergonhosa.

      • joaovalenteaguiar diz:

        Em termos do papel descartável de Kadhafi para o imperialismo, do bombardeamento, do oportunismo de certa “esquerda” anti-comunista, e da tentativa de substituição de um líder amiguinho de Washington e Bruxelas, temos uma nova versão do Iraque. Quem achar que os bombardeamentos que irão ocorrer serão benéficos que daqui a uns tempos perguntem às populações líbias. Será o povo líbio o vitimado por esta nova agressão imperialista e não o Kadhafi que é simplesmente um peão. Que, para os EUA, será substituído por um novo. Parar esta agressão criminosa dos EUA, da UE e com o apoio da “esquerda” bem-comportada é um imperativo. Como é igualmente um imperativo desmascarar essa pretensa “esquerda” mais ou menos bloqueira que só trai os interesses dos povos em troca da sua integração completa no sistema.

      • miguel serras pereira diz:

        Bruno Carvalho,

        você acha que não teria sido de saudar uma ingerência externa que tivesse impedido a entrada em Madrid das tropas franquistas, no final da Guerra Civil, em 1939 – essa entrada “triunfal” com que Kadhafi agora ameaça os líbios?
        Porque é que Kadhafi é a Líbia e os insurrectos, que solicitam o apoio e excluem a ocupação do país, não são a Líbia?
        Finalmente, a sua caracterização do Público.es é um pouco sumária, porque o jornal está longe de ser uma correia de transmissão da direcção do PSOE. E, sobretudo, nada do que V. diz é um desmentido das notícias que eu cito. Como nada do que diz refuta uma só das razões que apresentei.

        msp

        • Bruno Carvalho diz:

          Miguel, o ridículo faz destas coisas. Mas cabe na cabeça de alguém comparar a Espanha de 1939 com a Líbia de 2011? Eu apoio as intervenções militares quando elas não põem em causa a soberania nacional de um povo. Pedir aos mesmos que apoiaram Kadhafi para o vir derrubar é o que me faz condenar a acção militar e designa-la de agressão. Esta acção não serve os interesses do povo líbio, serve os interesses do imperialismo.

          • miguel serras pereira diz:

            Bruno, porque é que o regime de Kadhafi representa a soberania nacional líbia, mas o campo dos revoltosos já não? Se quiser pôr as coisas nesses termos, digamos que a soberania é disputada por dois poderes de facto: a ditadura e aqueles que se lhe opõem. Estes últimos solicitam apoio internacional – porque é que não têm legitimidade para o fazer? Acha que isso os converte em agentes do imperialismo?
            Agora, trata-se de lutar para impedir que o mandato das Nações Unidas seja aproveitado pelas oligarquias, que a intervenção se faça de acordo com os delegados dos revoltosos, que não leve à ocupação do país e… que a queda de Kadhafi se registe o mais rapidamente possível, porque isso não só poupará vidas humanas, como diminuirá as ameaças de vermos reduzidas as capacidades políticas e decisórias da resistência a pretexto do auxílio que lhe vai ser prestado.

            msp

        • JMJ diz:

          Péssimo exemplo, tiro nos pés, MSP, porque o que houve, na altura da guerra civil espanhola foi a intervenção estrangeira, em apoio a Franco, através dos seus aliados: Italia, Alemanha e Portugal.

          (não foi a força aérea de Franco que bombardeou Guernika, nem o governo espanhol republicano)

          • miguel serras pereira diz:

            JMJ
            V. ão leu bem o que eu escrevi. Claro que houve intervenção estrangeira em Espanha. Claro também que a dos nazis e fascistas ao campo nacionalista foi um factor decisivo do triunfo de Franco. E depois?
            De resto, foi Kadhafi quem se comparou a Franco horas antes da decisão das Nações Unidas, o que só reforça a legitimidade do pedido de auxílio internacional e assistência das Nações Unidas por parte da resistência líbia. Ou não teria sido legítimo, aos seus olhos, que o campo republicano aceitasse, em Espanha, apoios estrangeiros – como aconteceu, de resto, e foi solicitado em várias ocasiões – que lhe permitissem resistir a Franco?

            msp

        • Pedro Penilo diz:

          Está tudo bastante claro: O Miguel Serras Pereira confia e deseja a NATO e não lhe interessa para nada o caudal de desastres que têm sido as intervenções militares “humanitárias”. O Miguel Serras Pereira acredita em ingerências “humanitárias” conduzidas pelos Estados Unidos. O Miguel Serras Pereira alinha na lógica de Kadhafi e equipara as brigadas internacionais ao imperialismo bem-intencionado dos Estados Unidos e da União Europeia. O Miguel Serras Pereira acredita que a força militar que lançou a bomba atómica sobre o Japão e destruiu o Iraque, virá agora ajudar os líbios.

          Há quem não tenha essa boa-vontade. Portanto, não há artigos de jornal que resolvam. Quem viu os jornais a difundir a mentira das armas de destruição massiva, e acreditou nessa mentira, vai continuar a engoli-la com gosto.

          • miguel serras pereira diz:

            Pedro Penilo, você acha que a repressão da ditadura na Líbia é uma mentira difundida pelos jornais?
            Quanto ao resto, remeto-o para os comentários que deixei acima e para os posts que nos últimos dias tenho escrito no Vias de Facto sobre o assunto.

            msp

          • Justiniano diz:

            Caro Penilo, essa da bomba antónia foi assim uma entrada a pés juntos!!

  2. Daniel Nicola diz:

    Ou:
    Conselho de Segurança da ONU aprova zona de exclusão aérea na Líbia – com a indignação do PCP

    • Bruno Carvalho diz:

      Não falo em nome do PCP mas sem dúvida que terá a indignação de todos aqueles que são contra as guerras imperialistas. O Daniel pode, por muito que queira, puxar pelo palavreado humanitário para justificar esta guerra. Aliás, foi com esse palavreado que Hitler invadiu a Checoslováquia para defender as minorias. Nesse mesmo ano, foi proposto para Prémio Nobel da Paz por uma escritora judia. Hoje, não é preciso: Obama já é Nobel da Paz.

      • Daniel Nicola diz:

        O Bruno diz em cima que não “cabe na cabeça de alguém comparar a Espanha de 1939 com a Líbia de 2011” mas já acha comparável a invasão da Checoslováquia pelos nazis no mesmo ano, partilhando talvez da complacência de Grã-Bretanha e França à época. Entretanto, o pai dos povos fez um acordo com o eixo do mal.
        A mim já me parecem demasiadas semelhanças até.

        • Bruno Carvalho diz:

          Simplesmente expliquei que a lenga-lenga das intervenções humanitárias já deram o que tinham a dar e serviram para o que serviram.

        • Bruno Carvalho diz:

          E o pai dos povos fez um acordo com o eixo do mal de não-agressão face ao famoso pacto de Munique. Vá à Wikipedia, lá explica o que foi.

          • Daniel Nicola diz:

            Pois deve explicar. E aproveita para ler também sobre a invasão soviética que ainda há pouco apelidaste carinhosamente de “entrar e sair do Afeganistão a pedido do governo democrático daquele país”.
            Eu percebo perfeitamente os vossos argumentos de não-ingerência e a oportunidade de desferir o golpe fatal num BE que ainda se tenta levantar do tropeção da moção (que apoiei) e que hoje fez fraca figura (até prova em contrário) na AR. Repudio é a forma como o fazem. Afinal, o que distingue Kadhafi de Ben ali ou Mubarak, para além do facto de ser o único a usar a aviação (nem é preciso ir à wiki 🙂 para todos percebermos que é hoje condição sine-quo para ganhar uma guerra, sobretudo contra civis…) para combater a insurreição popular?
            O extremar de posições leva ao ridículo de quase se venerar e defender o livro verde (não o digo de ti, mas de alguns “comentaristas”) só pq a ONU decidiu intervir num raro caso de união perante a barbárie. Critica-se por intervir e por não intervir em outros casos em que se deixaram à morte milhões de pessoas apenas pela inacção.
            A Líbia decretou cessar-fogo, que não vai cumprir mas enfim, e duvido que a ONU ataque no caso de mais nenhum caça levantar voo para bombardear a população. E se não houver caças no ar, duvido que haja ataque, até mesmo às anti-aéreas.
            Se houver, aí sim já haverá razão para todas as dúvidas sobre a intervenção.
            Mas nem é isso que para mim está em discussão. É só e puramente, a constante luta quase fraticida da esquerda. A constante autofagia (na qual me incluo porque tb contribuo infelizmente para a festa 🙂 ) . E isso e mesmo, quando hoje existem das maiores oportunidades para a transformação do real, seja pela crise, seja pelo espertar de alguns segmentos da sociedade.
            No fundo, um gastar de forças contra a virgula, quando até se podia mudar o texto.
            abr
            sem qq ressentimento!

          • Daniel Nicola diz:

            despertar!

  3. Leo diz:

    A ONU dá sinal verde para imperialismo agredir a Lìbia

    A ONU autoriza os estados membros a “tomar todas as medidas necessárias (…) para proteger civis e áreas civis populadas sob ameaça de um ataque na Líbia, incluindo Bengasi”, diz parte do texto aprovado, pretexto para evitar a derrocada total das forças pró-imperialistas que agem abertamente na Líbia há quase um mês.

    As “medidas”, que podem incluir o uso de força militar contra as forças de Ghadafi, podem resultar de acção “nacional ou através de organizações e acordos regionais”, e devem ser tomadas em cooperação com o secretário geral das Nações Unidas.

    O governo da Líbia após o anúncio na ONU, alertou que acções militares externas podem resultar em danos a alvos civis e militares no Mediterrâneo, como parte de um contra-ataque de suas forças.

    “Qualquer acção militar externa contra a Líbia deixará todo o tráfego áereo e marítimo no Mar do Mediterrâneo exposto e [instalações] civis e militares se tornarão alvos do contra-ataque da Líbia”, disse o comunicado transmitido pela TV estatal e distribuído pela agência oficial de notícias Jana.

  4. af diz:

    Muamar el Gadafi é a Líbia? E Saddam Hussein era o Iraque? Não estão a confundir a árvore com a floresta?

    • Leo diz:

      A coligação anti-Ghadafi vai bombardear os seus blindados, veículos militares e soldados? Se sim, Ghadafi não ficará parado. Será obrigado a reagir. Será então uma guerra declarada.

      Depois do Iraque a população árabe vai ficar silenciosa perante os massacres dos seus irmãos libaneses pelos invasores do Iraque? Mubarake et Ben Ali já não estão lá para os conter.

      Quando as primeiras imagens de cadáveres de mulheres e crianças líbias, vítimas dos bombardeamentos da coligação aparecerem nas televisões, a opinião pública árabe mudará. E a portuguesa também. E cá estaremos para lembrar do papel do CDS, PSD, PS e BE.

      • miguel serras pereira diz:

        Leo,
        “guerra declarada” é o que existe já na Líbia.
        Por outro lado, seria a derrota dos revoltosos que teria efeitos desmobilizadores na vaga de reivindicações de liberdade e direitos que começou a sacudir a região, depois dos episódios tunisino e egípcio.
        Por fim, já que cita os avisos de Kadhafi e do seu governo, que, pelos vistos, aos seus olhos são os representantes legítimos da soberania líbia, em detrimento do Conselho Nacional e da resistência, porque não cita a tomada de posição da Liga Árabe?
        “A luz verde das Nações Unidas à zona de exclusão aérea, que em teoria implica a destruição das defesas aéreas da Líbia, tem insistentemente sido pedida pela Liga Árabe assim como por vários países europeus, em resposta a um apelo do Conselho Nacional Líbio, a “cara política” da rebelião aos 42 anos de regime autoritário de Khadafi, que foi criado há um par de semanas em Bengasi, uma das primeiras cidades “libertadas” e bastião do movimento rebelde na Líbia Oriental” (http://www.publico.pt/Mundo/eua-querem-mais-do-que-zona-de-exclusao-aerea_1485300)

        msp

        • Leo diz:

          O que existe na Líbia é um conflito interno que internamente deve ser resolvido. Um grave conflito, mas interno.

          E sim, a Líbia tem um governo e as suas instituições foram atacadas por grupos armados. Obviamente que compete ao governo do país a reposição da ordem pública.

          Ou acha que se os manifestantes de Wisconsin pegarem em armas e começarem a matar, a ONU iria impor uma zona de exclusão aérea sobre os USA?

          Uma vez que um grupo pegue em armas contra o seu governo essas pessoas deixam de ser “manifestantes” e passam a ser combatentes, terroristas, anarquistas, seja o que for que lhe quiser chamar.

          Porque carga de água é que uns países (e o Conselho de Segurança da ONU) apoiam revoltas armadas e violentas nuns países e não os consentem noutros?

          Isto não é modo de actuar. Isto viola as leis internacionais, a começar pela Carta da ONU. Em qualquer Estado de direito se alguém se arroga o direito de pegar em armas e começar a atacar as instituições obviamente que esse Estado riposta e repõe a ordem!

          E goste ou não goste, a Líbia é um Estado de direito. Os seus governantes têm o direito de não ceder a vândalos desordeiros que semearam o terror durante um mês.

          Exactamente como os USA terão o direito de não ceder a grupos armados que tentarem semear o terror dentro das suas fronteiras.

          Ou nós. Também o nosso governo tem o direito de não ceder a grupos violentos. As regras são universais.

  5. José diz:

    Bruno, percebido.
    Nato: nunca!
    Kadahfi: sempre!
    Líbios: que se lixem!

    • Bruno Carvalho diz:

      Você deve ser analfabeto funcional.

      • José diz:

        Sim, Bruno, sou analfabeto funcional. Satisfeito?
        E, ainda assim, tenho razão.
        Insultar os outros não é sinal de força nos argumentos…

        • Bruno Carvalho diz:

          Insultar é fingir não perceber o que escrevi, José.

          • José diz:

            O mandato limita a intervenção militar, excluindo forças terrestres.
            Pretende proteger civis.
            A resolução dos problemas mantém-se nas mãos de líbios.
            Ainda assim, clama contra o imperialismo!
            Os líbios que se lixem, mas Nato nunca!
            Bem sei que não gosta de falar noutros conflitos anteriores, mas decerto que não teria essa posição quando se falava de solidariedade internacionalista!…
            Mudam-se os tempos, mudam-se as coerências…

  6. Helena Borges diz:

    1. http://esquerda.net/artigo/conselho-de-seguran%C3%A7a-da-onu-aprova-zona-de-exclus%C3%A3o-a%C3%A9rea-na-l%C3%ADbia

    2. hipocrisia (s. f. do grego hupokrisía, -as, desempenho de um papel): fingimento de bondade de ideias ou de opiniões apreciáveis; devoção fingida

  7. Lá vem fruta podre…
    Será que assisteremos outra vez ao triste filme e a infame propaganda de ver outro dictador a cair do palanque….com uma corda no pescoço ” Para bem da população Libia ” ?
    Triste…Incrivel o poder da C.Social actualmente que distorce a realidade com frases como ” Guerra Justa ” ao invés de Campanha militar , ” Campanhas Humanitarias ” ao invés de invasões e ” danos colaterais ” como bombardeamento de civis
    …e o Publico aplaude e acredita que…ah, se é assim, está bem.
    Com outras palavras, não lhes soaria tão bem!

    Nuno

  8. A ver se nos entendemos, de uma vez por todas , e cagando p’ra essa do «imperialismo» com que vcs enchem a pôrra da boca, à falta de croquetes ou lá o que seja….

    01. O tenente Ghadaafi (que se fex a ele próprio coronel ‘de aviário’ ) depois de derrubar o rei Idris, é um estúpido f.d.p. de um ditador, há mais anos no phoder que o Salazar.
    02. É à árabe: o que ele quer é inaugurar-se a ele próprio como uma dinastia, i.e., substituir a monarquia que derrubou pela ‘monarraquia’ dele.
    03. O que ele dix não interessa a ponta de um chavelho: o homem dix o que lhe convém a cada momento, tanto sustenta terroristas como depois os liquida se lhe convier, é um hipócrita do pior.
    04. O que ele fax é apropriar-se para ele próprio e p’rá familória e os do círculo íntimo das fortunas que lhe advêm das receitas do pitrolim, e distribuir umas migalhas pelos «súbditos«, mais quando precisa de uns tipinhos a gritar ou a morrer por ele.
    05. Quem apoiar aki o tenente é digno de ir p’ra lá levar um tiro nos … nisso. Mas claro é só «gargantuel» anti-‘imperialista’ (kéké essa merda hoydia, já agora ?)
    Temo só de pensar se os apoiantes locais do dito tomassem o phoder aki.
    Teria que pegar nos meus amigos e exterminar-vos a todos, mulheres criancinhas, primos vizinhos, todos. Else seria pior p’ra todos os outros nós, e nunca se deixa p’ra trás idiotas que depois possam vir querer vingar-se.
    06. Quando souberem explorar petróleo, digam-me como se faz. Estou interessado…
    Entretanto, enquanto vão aprendendo, engulam a língua e a conversa sobre o «imperialismo», s.f.f.

    🙁

  9. maradona diz:

    não percebo nada de “povos”, muito menos imagino o que seja o povo libio, mas vamos imaginar que o bruno carvalho, os trabalhadores e demais verdadeiros conhecedores e defensores do povo líbio assumiam o controlo das nações imperialistas e teriam, a partir de agora, a hipótese de refazer a política internacional: como é que se ajudava os gajos e gajas libias a livrar-se de kadhafi? (não vale afirmar que nunca o teriam apoiado no primeiro lugar). a minha ideia nas guerras civis é que é sempre melhor haver um vencedor o quanto antes; a vitória do MPLA nos anos noventa foi melhor que o prolongamento da guerra civil até hoje. estão mal? pois com certeza, mas não será melhor que o prolongamento indefinido da guerra? forçar a vitória de um dos lados, de preferencia a menos má, não será quase sempre o melhor serviço a um determinado “povo” que esteja em risco de mergulhar numa luta sem fim? por falar nisso: cuba (união soviética), não tentou a vitória decisiva em angola? às vezes fico com a sensação que vocês odeiam mais o imperialismo do que gostam dos povos e essas pessoas assim. de resto, se kadhafi está a dar tanta luta será precisamente porque historicamente sempre foi o menos “apoiado” pelos imperialismos capitalistas: treinou-se durante anos a resistir-lhes, e isto agora é apenas mais do mesmo. se eu fosse as nações unidas, em vez da no fly zone (que não servirá para quase nada), autorizava era que um exército árabe qualquer – até podia ser escolhido pelo 5 dias – fosse lá ajudar o pessoal libio a despachar a familia khadafi. muito obrigado por este bocadinho.

  10. Carlos Carapeto diz:

    O Miguel Serras Pereira e as suas parábolas toscas. Preocupa-o assim tanto a situação na Líbia. E não diz o que pensa sobre o Bahrein, Arábia Saudita & Cia. Ora então imagine o que seria se os manifestantes em qualquer desses países assaltassem quartéis e se apoderassem de armas tal como sucedeu na Líbia?

    Por esse facto não resisto em comparar o MSP àqueles “animais” muito astutos que pretendem despistar o percurso para o esconderijo , mas o rabo acaba sempre por denuncia-los. Tem sido esta a subtileza que faz uso contra o capitalismo, aponta-lhe ao rosto, só que acerta sempre em quem lhe opõe.

    Por esse motivo não posso esquecer a resposta que me deu sobre as traduções de Yakovlev e Zizek.

    Dizia-me o meu Amigo na altura que nem sempre lhe agrada tudo quanto traduz. É um meio que tem para se alimentar. É o seu trabalho. Foi isto que me respondeu.
    Mas que raio de trabalho tem , que só lhe propõem traduzir obras de cariz ultra reaccionária , género Alexander Yakovlev? Ninguém lhe propôs ainda traduzir Alexandr Zioniev, Paul Marie de la Gorce, Ludo Martens, Domenico Losurdo e outros da mesma linhagem? É preciso ter azar.

    Sabe que muitos Judeus serviram os Nazis, apenas para salvar a vida? Também era um meio para sobreviver.

    Mais; como a discussão nessa ocasião ficou incompleta sobre Zizek, ainda volto à carga.

    Já li e reli Zizek, tirei muitos apontamentos do livro Violência, fico sempre com a mesma impressão. Um dos objectivos (senão o principal) é desacreditar o socialismo num todo e a URSS em particular . Não vou cair no extremo em dizer que a obra não é interessante no seu conjunto quando denuncia as falhas da sociedade (sociedades para ele) contemporânea. No entanto quando faz referencias ao capitalismo empapa-se em pormenores e contradições sem apontar objectiva e claramente as verdadeiras causas dos problemas. Que as causas residem no próprio sistema capitalista todos sabemos, no entanto ele não as denuncia abertamente, pelo contrário suaviza-as, cito por exemplo o Iraque e o Furacão Katrina, entre muitos outros.

    Pelo contrário é extremamente duro no uso das palavras quando se refere ao comunismo e à União Soviética. Isso tem propósitos. (nem a Jugoslávia lhe escapa).

    Zizek em “Violência”, fez-me lembrar um livro que li há muitos anos do insuspeito Bertrand Russel “Realidade e Ficção” (voltei a reler há pouco). São páginas e páginas a denunciar os crimes de Estaline da opressão e falta de liberdade na União Soviética e países comunistas.

    Mas quanto a Hitler diz simplesmente isto. Hitler todos sabemos quem foi , não é necessário falar mais dele.

    E ainda chamam a isto escrever com imparcialidade? Zizek por grande intelectual que seja, tratasse acima de tudo de um anti-comunista primário.

    Cumprimentos.

    • miguel serras pereira diz:

      Uma eventual vitória de Kadhafi na guerra civil seria o pior que poderia acontecer para os movimentos de contestação que se esboçam no Barhein, Marrocos, Irão, etc. Esperemos que a queda de Kadhafi, como a dos tiranos da Tunísia e do Egipto, anime os manifestantes e as revoltas contra os Saudi, contribua para derrotar a política de Israel na região, faça rolar por terra a coroa do rei de Marrocos, etc., etc.
      Quanto às traduções, repito: a imensa maioria das que fiz não foram escolhidas por mim. Traduzi, apesar de tudo, autores que não são propriamente reaccionários: de La Boétie, Diderot, Bourdieu, Bauman, Loïc Wacquant, Löwy, Orwell, Castoriadis, Hannah Arendt, Edward Saïd e muitos outros ainda… Quando tenho a sorte de o poder fazer são esses autores e outros que escolho traduzir.
      OK?

      msp

      • Leo diz:

        Compete aos do Bahrain, Omã, Arábia Saudita, Iémen e todos os outros resolverem os seus próprios problemas.

        E é uma tolice culpar os líbios pelos insucessos alheios.

  11. JP diz:

    Bruno, já se deu ao trabalho de ver qual a posição tomada pela ala mais à direita do Partido Republicano?! É que é igual á sua!
    http://www.realclearpolitics.com/video/2011/03/10/rep_ron_paul_against_a_no-fly_zone_in_libya.html

  12. Pedro Pousada diz:

    Quero ver daqui a uns meses o que dirão aqueles que na esquerda anti-comunista defendem esta vergonhosa acção de ingerência. Quando se criar um vazio de poder, que não será certamente preenchido pela oposição desorganizada e heterogênea a Ghadaffi, e os salafitas que pululam pelo Magrebe se dirigirem em massa para a Líbia; quando começarem os atentados terroristas em espaços públicos, o urbicídio que ainda vigora nas cidades iraquianas assim como o sectarismo e o tribalismo ( e não faltam factores de divisão tribal na Líbia); quando esses grupos ou mesmo outros inventados pela CIA, pelo MI-6, pela GIP saudita e pelos franceses da DGSE iniciarem o assassinato sistemático de membros da intelectualidade, como fizeram e fazem no Iraque na mais vasta operação de desmodernização de um Estado desde a destruição da URSS; quando a aviação ocidental começar a usar armas proibidas para destruir os nacionalistas líbios que erguerão armas contra a presença estrangeira (seja ela Árabe ou Europeia), como fizeram em Fallujah, Najaf, Bassorah, e tantas povoações desconhecidas do famoso “triangulo sunita”; quero ver então que palavras inflamadas, que pronunciamentos sobre os direitos humanos nos oferecerão estes idiotas úteis do Imperialismo. Um agradecimento especial à China que mais uma vez nos desiludiu. Recordo o que dizia Robespierre, os missionários armados não exportam revoluções. Esta intervenção não libertará apenas escravizará.

    • Leo diz:

      “Um agradecimento especial à China que mais uma vez nos desiludiu.” ???

      Mas queria que a China fosse mais papista que o papa? Nem reparou que os dois países africanos e o país árabe membros do Conselho de segurança votaram a favor? Exactamente como Portugal?

      A China, Brasil, Rússia, Índia e Alemanha abstiveram-se. E não vão de modo algum participar na intervenção militar.

  13. André Gonzaga diz:

    “na vitória pôr o futuro da Líbia nas mãos dos seus habitantes, sem Kadhafi e sem o imperialismo.”

    Oxalá.

  14. Carlos Carapeto diz:

    Com poucas palavras diz-se tudo.

    Primeiro; o que se pretende na Líbia e em todo o Médio Oriente é sufocar o nacionalismo Árabe que está a despontar de novo. E o petróleo? E Israel?

    Segundo; a esquerda burguezoide , está para a luta dos povos como os matadouros clandestinos estão para a saúde publica. São uma séria ameaça.

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