Lock-out, essa cena sexy

Tal como em 2008 (aqui, aqui, aqui e aqui), um lock-out de patrões da camionagem é, nos media, uma greve de camionistas.

E é provável que, tal como em 2008, o resultado seja o mesmo.

Afinal, se (para cobrir as asneiras governativas que se fizeram) se rouba quem trabalha, os reformados e os despedidos, mas se poupam os privilégios fiscais dos bancos e especuladores financeiros, porquê mudar de receita?

Assim como assim, o que se passou há uns dias atrás foi irrelevante; o pessoal há de amouxar. E, aqui entre a gente, quem governa não governa a vida de pessoas.
Governa outras coisas bem mais abstractas – assim a modos que o país, a pátria, ou o Terreiro do Paço, a zona de São Bento, ou quanto mais não seja o Largo do Rato.

Que a coisa seja uma greve de camionistas, então.

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5 respostas a Lock-out, essa cena sexy

  1. Alex diz:

    Sr. Paulo granjo
    Este acordo entre o governo e as grandes empresas de camionagem, vai levar à falência de centenas de pequenas empresas do sector, como aconteceu em 2008. Pessoas ligadas ao partido do governo, colocaram-se como porta-vozes para dividir os camionistas sendo as suas empresas as principais beneficiadas. Hoje depois das autoridades deterem um dos organizadores que não estava no circulo do governo mas sim a lutar pela sua sobrevivência e de outros na mesma situação, entraram em acção os mesmos que dividiram os camionistas no passado. Tudo foi encenado para o acordo ser celebrado aquando da entrevista do 1º ministro.

  2. CausasPerdidas diz:

    Bem escrito.
    Os ignorantes da comunicação social não sabem distinguir uma greve de um lock-out. Em nenhuma altura o pessoal dos microfones questionou os “grevistas” se pagariam aos seus trabalhadores a paralisação que os obrigaram a fazer, nem sequer os habituais “apontamentos de reportagem” sobre os malefícios da “greve”, nada sobre o terror que semearam sobre os assalariados que conduziam viaturas de propriedade alheia, (isso é coisa que fica para os piquetes de greve das greves), quase nenhuma possibilidade de expressão aos representantes dos sindicatos dos trabalhadores do sector.
    Se bem me lembro, as reivindicações dos grevistas eram o “gasóleo profissional” (ainda me lembro como satisfazia bem os motores de muitos BMW e Mercedes de fim-de-semana), as portagens (aqui, sim, podia-se transigir em relação ao transporte de mercadorias – mas, depois, como é que as concessionárias apresentavam os lucros que apresentam?) e, como não podia deixar de ser, a tal estória da “legislação do trabalho” (um dos patrões do protesto queixava-se do excesso de direitos quando ao tempo de descanso obrigatório – como se ninguém visse as condições em que alguns dos desgraçados dos seus “colaboradores” conduzem os veículos!).
    Feito o acordo com o governo, estou curioso em saber quem vai pagar parte da factura. Até aposto!

    A culpa de um país estar refém destes interesses está no paradigma do transporte rodoviário que o cavaquismo inaugurou, do destroçar da rede de caminhos-de-ferro nacional e também do facto, menos observado pelos especialistas, dos locais de produção de artigos alimentares estarem cada vez mais longe dos consumidores acompanhando o recuo dos campos em redor das cidades e a ruína do pequeno campesinato.

    Para além disto: patrões de camionagem em “greve” fazem-me comichão na memória (sem pretender comparar o reformista Allende à amiba social-liberal que nos governa).

  3. V. KALIMATANOS diz:

    Mais uma posta ultrapassada a uma velocidade vertiginosa por dois camiões. Continue assim, Granjo, e vamos todos vê-lo na apanha da azeitona (na Suiça).

    • paulogranjo diz:

      Ultrapassado, porquê?
      Porque você já o leu depois do rápido acordo que ele vaticina?
      Leia é o comentário do Causas Perdidas, que vale a pena, e vá aprender umas coisas acerca da produção agrícola nas várias zonas da Europa. Pelo menos, essas duas sugestões ser-lhe-ão mais úteis do que as restantes que me ocorrem, suscitadas pelo seu comentário.

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