Há um vampiro que assombra as TVs é o espectro da mudança?


Há dois anos escrevi este post. Não tinha muito em que pensar, menos que escrever, e fiz esta elucubração:

Todos os dias multiplicam-se os livros e os filmes de vampiros. Os antigos malditos passaram aos saldos da indústria cultural. Qual é a razão desta moda?
O romantismo descobriu o diabo romântico e saudou aqueles que em troca da paixão e conhecimento vendiam a alma ao Diabo. Os anjos caídos eram um grito contra as novas prisões da modernidade. Uma espécie de ludistas, falhados como muitas revoltas, que pretendiam impedir um progresso violento que os transformava em engrenagens e em meras mercadorias.
O culto dos vampiros, em pleno século XXI, significa certamente outra coisa. A repetição tende a ganhar contornos de comédia. Claro que precisamos de adrenalina para ter a excitação do tédio. Claro que o terror tornou-se uma espécie de montanha russa de feira. Claro que receber umas dentadas em troca da imortalidade não parece um mau negócio. Apesar de tudo isso e das lantejoulas, o vampirismo parece a forma distorcida que a fantasia romântica ganha numa época em que o mundo se autodestrói de uma forma autofágica, mesmo quando tem poster na Bravo.

Na edição de março da revista de lingerie do pensamento, que dá pelo nome de Philosophie Magazine, encontrei a ideia do historiador Erik Butler que cada vez que se avizinha um periodo conturbado de revolução e mudança, os vampiros aparecem à luz do dia (salvo seja). Uma correlação espúria ou uma dentada simpática?

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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5 respostas a Há um vampiro que assombra as TVs é o espectro da mudança?

  1. Sassmine diz:

    nham!

  2. a anarca diz:

    Eles comem tudo e nao deixam nada …
    não era o marx que comparava um capitalista a um vampiro ?!

    A ficção ajuda-nos a viver (pensamento lingerie (adorei o termo))
    não há dentadas simpáticas 🙂

  3. Hamílcar Barca diz:

    “O Sol brilhará para todos nós!” foi também um ‘hit’ do seu tempo.
    Entre poucos fãs, o tema da actualidade mais ouvido é: “O Sol brilhará para cada um de nós!” certamente, sem a entrada directa, para a casa das máquinas das caldeiras (deste ‘Sol’) onde, tempos idos, os vampiros se alimentavam de belas operárias, transpiradas e musculadas. Certamente a moda tem elipses; hoje a pornografia política vende mais. O bilhete para o espectáculo é uma pequena embalagem de sangue que corre em crude, depois de refinado é verdadeiramente alucinante, dizem!

  4. m diz:

    lembro-me de ter lido esse post. e toda a vida gostei de vampiros imaginários ( adoro o “por favor , não me mordas o pescoço”) e não tem nada a ver com vampiros sociais reais castrados. os vampiros de ficção são altamente sexys…lânguidos e tal lobo mau atração pelo abismo . suponho que tb tem a ver com os actores que escolhem para representar vampiros , quase sempre lindos de morrer.
    ouvi por aí , penso que foi a minha mãe ( era muito pequena , mas ainda conheceu uma guerra ) , que os gordos em tempo de fome é que passam a apetitosos.

  5. E eu além desse com a Tate (RIP) gosto do «Blade» com o Wesley Snipes e de vários outros, nomeadamente akele com o Cruise e o Pitt («Conversas com o vampiro» ?)

    Entre ‘uma correlação espúria ou uma dentada simpática’ venha the latter…

    🙂

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