CAMPANHA INFAME: 48 horas depois, o BE continua sem retirar a confiança política ao Rui Tavares.

Ban Ki-moon com Kadhadi nos tempos em que estava nas boas graças da ONU

Depois de abrir as portas à intervenção da NATO na Líbia o leque de argumentos do BE está ao rubro:

1º- Estão a ser vítimas de uma “campanha infame”

2º- Estão a ser vítimas de uma “campanha infame”

3º- Estão a ser vítimas de uma “campanha infame”

Em sentido contrário, o Miguel Portas, a Marisa Matias e @s cheerleaders afins, ainda não explicaram:

1º- Que autonomia goza Rui Tavares face ao programas eleitoral do BE?

2º- Com a moção aprovada ficamos mais perto ou mais longe da ocupação ocidental da Líbia?

3º- O que dizer do aplauso entusiasmado da NATO?

No playground dos jovens do Bloco de Esquerda (um espaço curioso onde a tag “5dias” ou “Renato Teixeira” tem mais entradas do que “Barack Obama“, “Kadhafi” ou mesmo “neoliberalismo”), salva-se o comentário-síntese do Nuno Ramos de Almeida à “Dark” Vader do Harry Potter:

“Sobre a questão em apreço, parece-me que escamoteiam que houve um eurodeputado do BE que votou favoravelmente à possibilidade de uma intervenção militar da Nato. Acho que a questão é complexa, mas que nem sequer o Miguel e a Marisa deviam ter votado na generalidade favoravelmente a esta resolução. Parece-me que a coberto do apoio humanitário está-se a abrir um perigoso precedente, de dar ao imperialismo a possibilidade de escolher quem são os ditadores que defendem pelas armas e quais são aqueles que derrubam pelas armas. Fazendo tábua raza de todo o direito internacional.”

Vale ainda a pena ler, no Vias de Facto, a posta que o Ricardo Noronha escreveu sobre o evidente problema das prioridades que o BE manifesta e na sua posta, no Arrastão, a Ana Mafalda Nunes continua implacável face à campanha confusionista:

“Ana Mafalda, nem sempre o que parece é. Sugiro-lhe que consulte o meu facebook ou o da Marisa, onde assinamos um texto contra a infame calúnia de que estamos a ser alvo. Acredito que no seu caso tenha sido simplesmente uma reacção viva contra algo que deu por boa informação. Se assim foi, acontece.”

Miguel Portas

“Caro Miguel Portas,

Nada tenho a ver com os comentários dos blogs já referidos, que entretanto, já tive oportunidade de ler. O meu post tem como objectivo único expressar surpresa pelo que considero contraditório na do BE quanto à NATO. A votação por si só (nem tem que ver com a orientação de voto), de um documento em que figura a “possibilidade” de uma zona de exclusão aérea, remete para a possibilidade de intervenção da NATO.

E recordo o que aconteceu em 93 quando o conselho de segurança decidiu avançar com uma zona de exclusão aérea sobre a Bósnia-Herzegovina, o resultado foi que a NATO teve de intervir para abater os desobedientes aviões sérvios.

O BE ao defender, muito bem, que Portugal deve estar fora da NATO, não deveria em momento algum tomar posição de voto (seja qual for) numa matéria que pode conduzir ao avanço da organização. Bem sei que o Miguel salvaguardou a posição contra uma ofensiva militar e votou contra o parágrafo “no-fly zone”, mas não deixou de votar um documento, que pode ser um dos passos para uma participação da NATO naquilo que é por agora a revolução bem merecida e tardia do povo da Líbia contra um louco ditador que tantas vezes foi recebido aos abraços por certos governantes europeus.

O caminho deveria ter sido a abstenção, justificada com o não reconhecimento de legitimidade de uma “possível” intervenção por parte da NATO, que bem sabemos ao que pode conduzir.

O meu post, não tem como objectivo alimentar calúnias nem maledicências.”

Ana Mafalda Nunes

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