Bloco, Esquerda de Confiança?

Ontem, fui surpreendido pela resposta de dois eurodeputados do Bloco de Esquerda ao artigo do Renato Teixeira sobre a aprovação de uma resolução no Parlamento Europeu. Surpreendido porque dois membros do grupo parlamentar do BE preferiram publicar um comentário ao texto de um blogue do que dedicar-se, porventura, a actividades mais importantes. Na minha opinião, isto resulta de uma profunda incomodidade com o que foi aprovado e, ao mesmo tempo, de uma tentativa de suster a ideia de que através daquela postura ajudaram a criar condições para uma intervenção militar estrangeira na Líbia.

Estranho é também o silêncio de Rui Tavares, eurodeputado eleito nas listas do BE, que aprovou o 10º parágrafo da resolução: “salienta que a UE e os seus Estados-Membros devem honrar o seu dever de protecção, de modo a salvar a população civil da Líbia de ataques armados em larga escala; assinala que nenhuma opção prevista na Carta das Nações Unidas pode, por conseguinte, ser descartada; solicita à Alta Representante e aos Estados-Membros que se mantenham disponíveis para uma decisão do CSNU sobre novas medidas, incluindo a possibilidade de uma zona de exclusão aérea destinada a impedir o regime de atacar a população civil; sublinha que as medidas adoptadas pela UE e pelos seus Estados-Membros devem ser conformes com um mandato das Nações Unidas e assentar numa coordenação com a Liga Árabe e a União Africana, incentivando ambas as organizações a conduzir os esforços internacionais”.

Curiosamente, boa parte da argumentação de Miguel Portas e Marisa Matias vai no sentido de defender que “existia uma razoável maioria no Parlamento Europeu para aprovar uma moção intervencionista a menos de 24 horas de um Conselho Europeu que iria decidir sobre o assunto”. Isso ninguém nega e, nesse sentido, Miguel Portas justifica as negociações com os socialistas europeus como o caminho para obter a melhor resolução possível dentro das circunstâncias. Como escrevem no comentário, Miguel Portas e Marisa Matias explicam que “em face da concreta relação de forças na mesa de negociação, ou a esquerda se desinteressava do assunto – e o resultado mais do que provável seria um parágrafo imposto pelas forças mais à direita, neste caso com apoio dos verdes – ou procurava segurar e melhorar a versão proposta pelos socialistas”.

Esta negociação, como descrevem, implicava aprovarem na generalidade a resolução, a par da maioria de direita no Parlamento Europeu. Como contrapartida, ganharam um rebuçado: votar à parte o parágrafo que continha aquilo que os eurodeputados do BE consideravam uma vitória, dentro das circunstâncias, dando assim possibilidade à esquerda de votar contra. Contra aquilo que o BE considerava uma vitória? Sim, isso mesmo. Confuso? Talvez, mas Miguel Portas e Marisa Matias explicam que “com esta salvaguarda, a esquerda podia deixar bem clara a sua oposição à possibilidade de uma zona de exclusão aérea. (…) E foi porque o fizemos que pudemos, simultaneamente, dar um voto favorável a uma resolução que condicionava fortemente a possibilidade de uma medida desta natureza”.

Mas o que tem mais piada entre o contorcionismo da argumentação dos dois eurodeputados para justificar a aprovação desta resolução é o facto de considerarem que assim deram, repito a citação, “um voto favorável a uma resolução que condicionava fortemente a possibilidade de uma medida desta natureza”. Acontece, porventura, que Miguel Portas e Marisa Matias mentem quando mais atrás explicam que conseguiram que o polémico parágrafo que se refere à zona de exclusão aérea impusesse que “esta eventual medida fosse ‘conforme com um mandato das Nações Unidas’, e que devia ‘assentar numa coordenação com a Liga Árabe e a União Africana'”.

É que o parágrafo aprovado com o grande contributo do BE, mas com o voto contra do BE, diz que “as medidas adoptadas pela UE e pelos seus Estados-Membros devem ser conformes com um mandato das Nações Unidas e assentar numa coordenação com a Liga Árabe e a União Africana, incentivando ambas as organizações a conduzir os esforços internacionais”. Repito a citação, “devem ser conformes com um mandato das Nações Unidas” e não têm de ser conformes com um mandato das Nações Unidas. Quem perceba minimamente como funcionam as construções das resoluções sabe muito bem a diferença entre o “should be” e o “must be”. Um aconselha ou defende, sem impor. O outro impõe.

Ou seja, não só apoiam uma intervenção militar, desde que apoiada pela ONU, como se deixam cair na esparrela de contribuir para um parágrafo que não impede a agressão militar sobre a Líbia a partir de organizações como a NATO. Brilhante, não é?

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60 respostas a Bloco, Esquerda de Confiança?

  1. closer diz:

    As conclusões totalmente arrevesadas a que o autor deste texto chega, eivadas de uma cegueira sectária pouco surpreendente, leva-me a concluir que ele deve ter saudades da famosa intervenção patriótica e revolucionária da URSS no Afeganistão.

    Há tiques que nunca se perdem!

    • Bruno Carvalho diz:

      Ao contrário do imperialismo, a URSS saiu do Afeganistão quando lhe foi pedido que o fizesse. O Karzai anda há meses a pedir o fim das operações militares e é o que se vê.

      • fernando antolin diz:

        Quando lhe foi pedido que o fizesse…pelos taliban(as voltas que depois o mundo deu…) depois de uma guerra e milhares de mortos.Sim, saiu mesmo a bem…

      • A quem é que se pede para que uma potência estrangeira saia? Qual é o impresso que se deve utilizar? Onde deve ser entregue?

        • Bruno Carvalho diz:

          Aqui a discussão não é essa. Aqui discute-se os que abrem o caminho para que as potências entrem na Líbia.

      • Daniel Nicola diz:

        e não é que há mesmo tiques que nunca se perdem! desculpar a invasão soviética, ou pelo menos minorá-la, com o facto de os EUA não retirarem a pedido de Karzai é surreal, aliás tal como a desconstrução que se faz do texto de Portas e Matias.
        E eu a pensar que tinham sido as RPG’s a derrotar o exército vermelho 🙂
        Menos sectarismo pessoal que o tempo é de união!

        • Bruno Carvalho diz:

          Daniel, o Exército Vermelho entrou e saiu do Afeganistão a pedido do governo democrático daquele país. Se olhares para trás, verás que havia naquele país um jovem processo democrático e no qual figuravam importantes conquistas políticas, económicas e sociais. As mulheres eram, segundo a lei, iguais aos homens. Contudo, pelo que me parece, ficaste contente com a derrota do Exército Vermelho e com o triunfo dos talibans apoiados pelos Estados Unidos, os mesmos que impuseram um regime feudal no Afeganistão.

          • José diz:

            “Daniel, o Exército Vermelho entrou e saiu do Afeganistão a pedido do governo democrático daquele país.”
            Só pode estar a gozar!
            Já nem na Rússia alguém defende tal versão disparatada!

          • Bruno Carvalho diz:

            Pois, a democrática Rússia dos dias de hoje!

          • Daniel Nicola diz:

            Isso é um acto de fé 🙂 Nem a URSS, nem os EUA, foram para parte alguma motivados apenas pela defesa da democracia ou direitos humanos, para além de que não se conquista a simpatia de ninguém com bombardeamentos indiscriminados e total desrespeito pela população pela qual supostamente se combate.
            E alguém perguntou aos afegãos aquilo que eles de facto desejam para si próprios? Não usaram os EUA os mesmíssimos argumentos da defesa da mulher para a invasão? E isso torna-a legítima?

          • José diz:

            E que tem isso a ver com os factos em causa? Mais ainda, sabendo-se a defesa de que esta Rússia tem feito das decisões dos governos anteriores, mesmo de Estaline. Ainda assim, têm a vergonha na cara de não defender a versão que o Bruno perfilha!
            É que é preciso não conseguir ver a realidade para além dos mantras ideológicos, livra!

          • Bruno Carvalho diz:

            Sim? Olhe que eu vi Putin ao lado dos polacos a alinhar na propaganda nazi de que foram os comunistas os responsáveis pelo que se passou em Katyn. Mas aqui a discussão não é essa e tem piada que os apoiantes do BE venham aqui discutir a URSS em vez de discutirem o que está em causa.

          • José diz:

            Qual é, então? O facto de um governo líbio, reconhecido por alguns países, haver pedido a intervenção estrangeira, seja qual for a sua nacionalidade, contra as forças de Kadahfi?
            Ou o facto de apenas as forças europeias e norte-americanas terem a capacidade operacional de efectuarem tal intervenção?
            Que se lixem os líbios, mas Nato nunca?

    • Bruno Carvalho diz:

      Já agora pedia que me ajudasse a libertar-me da cegueira e apontasse algo de concreto em relação ao que está em discussão…

    • Fernando C. diz:

      Isto realmente!!!
      Mas que argumentos são esses “Ó closer” à falta de argumentos reais sobre o conteúdo do artigo derivas para uma “cegueira sectária pouco surpreendente (ou não)”.
      Essa ânsia de a todo o custo defender a posição do BE e da Direita tem levado a comentários verdadeiramente hilariantes e às palermices dos closer deste site.

    • Tiago Mota Saraiva diz:

      closer, o seu comentário é um bom exemplo da ortodoxia sectária dos anti-sectários. Será que os apoiantes do BE que aqui comentam, conseguirão algum dia elaborar um argumento político a favor do seu partido que não implique uma critica directa ou indirectamente ao PCP?

      • LAM diz:

        caro Tiago, isso agora é que foi meter a pata na poça.
        Deixe-me usar as suas palavras, talvez com muito mais propriedade como vários posts podem demonstrar, e que este particularmente confirma a regra: Será que os apoiantes do PCP que aqui comentam (e escrevem posts, principalmente), conseguirão algum dia elaborar um argumento político a favor do seu partido que não implique uma crítica directa ou indirectamente ao BE?

        (olhe à sua volta, diga-me o que vê e que post está a comentar…)

      • Daniel Nicola diz:

        falar do sectarismo do BE num blog que tem como alvo privilegiado à esquerda o BE é caricato. Como dizia o outro, é fazer as contas! e nem mete pibs nem €uros nem percentagens. é só enumerar as postas que por aqui se publicam e que invariavelmente vão parar à vírgula que transforma o BE numa espécie de espada do império…
        Não é tanto um “be or not to be” that is the question, mas um “should be or must be”.

        • Bruno Carvalho diz:

          Não, Daniel, aqui a discussão é mesmo sobre coisas importantes: se um país vai ser ou não invadido com a modesta mas importante contribuição do BE.

          • Daniel Nicola diz:

            Entre invasão e No-fly-zone há um abismo de diferenças. É uma diferença modesta, mas importante! 🙂

        • Tiago Mota Saraiva diz:

          Daniel, sei que isto fará confusão às cabeças mais formatadas, mas creio que este blogue tem mais funcionários do BE do que de qualquer outro partido. Acrescento que até um eurodeputado independente eleito nas listas do BE já aqui escreveu.
          O 5dias não é um partido e, sobre partidos, não toma posições enquanto colectivo. É assim tão difícil de perceber?

          • Daniel Nicola diz:

            Sim, eu sei Tiago, e por isso (e não só por isso), tenho todo o gosto de aqui vir espreitar regularmente. Constato apenas que os ditos, não se dedicam quase em exclusivo a discutir a vírgula sobre as tomadas de posição do PCP… só isso, e apenas porque se falou aqui de sectarismo… do BE!

  2. Miguel Lopes diz:

    Continuas a ver se o bicho pega, mas não vais longe.
    Estás constantemente à procura de qualquer cagalhão para mandar ao BE e o título da tua posta é isso mesmo.

    “Surpreendido porque dois membros do grupo parlamentar do BE preferiram publicar um comentário ao texto de um blogue do que dedicar-se, porventura, a actividades mais importantes.”

    Achas portanto que os eurodeputados devem ignorar a malta que os elegeu e não esclarecer nenhuma questão que se levante relativa às suas opções de voto? Bonito..

    “Esta negociação, como descrevem, implicava aprovarem na generalidade a resolução, a par da maioria de direita no Parlamento Europeu. Como contrapartida, ganharam um rebuçado: votar à parte o parágrafo”

    Isso não está lá escrito e não faz sentido nenhum.
    Não se fez a negociação em troca de votar o parágrafo em separado, isso seria ridículo porque votar contra o parágrafo pode-se fazer sempre, basta votar contra a resolução e vota-se contra todos os parágrafos. Logo, seria dar algo sem receber nada em troca.
    O que o se trocou pelo voto foi o próprio conteúdo da resolução: “Entre esta posição – a que constou do compromisso final – e a defesa de uma intervenção militar da NATO, não é difícil descortinar as diferenças.”.

    “que continha aquilo que os eurodeputados do BE consideravam uma vitória, dentro das circunstâncias, dando assim possibilidade à esquerda de votar contra. Contra aquilo que o BE considerava uma vitória? Sim, isso mesmo. Confuso? Talvez”

    Isto és tu a brincar com as palavras… a ver se o bicho pega.

    “Quem perceba minimamente como funcionam as construções das resoluções sabe muito bem a diferença entre o “should be” e o “must be”. Um aconselha ou defende, sem impor. O outro impõe.”

    Mas entre um should be e nada, deve-se escolher o should be, mesmo que depois se vote contra o should be, porque assim obrigas os outros a votar o should be. Topas? 😉

    “Ou seja, não só apoiam uma intervenção militar, desde que apoiada pela ONU”

    Mentira. Não apoiam porque votaram contra. Ajudaram a enformaram o parágrafo para o melhorar, mas votaram contra ele!!
    Quem apoiou o parágrafo foi o Rui Tavares, é sobre ele que têm que incidir as críticas e sobre isso lê o último ponto do comentário da Marisa Matias em baixo.

    Em suma. Este teu texto é que é um contorcionismo com o objectivos obscurantistas, tentando denegrir os eurodeputados do BE no meio da confusão.
    O texto de resposta é claro: em vez de ignorar a resolução comum que ia ser aprovada de qualquer das maneiras pela direita, socialistas e verdes; negociaram para melhorar essa mesma resolução comum conseguindo suavizar os aspectos mais belicistas e imperialistas, e ainda votar o parágrafo 10 em separado. Ou seja, a sua acção teve consequências práticas!! Se tivessem ignorado o assunto, ganhava uma resolução da direita.

    Para acabar, deixo aqui o último comentário que li da Marisa Matias acerca disto:

    “1. O que é que os nossos 2 votos alteraram? Nada. Não foram eles, mas a posição nas negociações, que contou. Porque aí eram 6 os que decidiam. Quando o Miguel decide trabalhar para um compromisso que condicionasse fortemente a tal “possibilidade”, estava também a assumir que votaria a resolução se a sua redacção final lhe permitisse isso. Por que o fez? Porque sem a nossa intervenção, os socialistas teriam acabado por aceitar uma redacção bem pior. E isso “não seria um problema deles”? A 24 horas de uma cimeira, o tipo de resolução não nos pareceu indiferente.

    2.Com efeito, e ao contrário do que se possa imaginar, a posição dos governos estava longe de ser unânime. Mesmo na Casa Branca, uma intervenção militar estava longe de ser pacífica, para lá da retórica do costume. Foi com este conhecimento que o Miguel também decidiu da táctica a adoptar. À luz das notícias de hoje – ver Público – é cada vez mais claro que teve razão. EUA, Rússia e Alemanha, para já não falar da China, não estão virados para mais do que embargos e isolamento internacional do regime. Mas na sexta feira passada, a divisão europeia confrontava-se com uma fronda dirigida pelo Reino Unido e pela França que queriam acção musculada. Nessa altura ainda o chefe da NATO sonhava com uma “united position”…

    3. Sobre o voto do Rui Tavares no parágrafo 10, convém dizer que não foi única dentro do grupo. Os nórdicos, insuspeitos de simpatias intervencionistas, ou JL Melenchon e os deputados do PC checo, votaram como ele. Em caso algum o fizeram para facilitar a vida à NATO. Simplesmente consideraram que a redacção do parágrafo estava suficientemente protegida para o poderem votar, desse modo enviando um sinal reforçado a Kadafi de que o Parlamento apoiava a posição da sublevação – que é contra uma intervenção estrangeira no solo, mas pede à comunidade internacional que impeça os bombardeamentos aéreos. Não foi a nossa opinião, mas ela é estimável e não deve ser confundida com qualquer simpatia militarista.”

    • Bruno Carvalho diz:

      “Achas portanto que os eurodeputados devem ignorar a malta que os elegeu e não esclarecer nenhuma questão que se levante relativa às suas opções de voto? Bonito..”

      Portanto, a partir de agora vão dedicar a maioria do tempo a contestar a comentários de blogues. É que há muita gente a querer ser esclarecida sobre muitas das opções do BE na Assembleia da República e no Parlamento Europeu…

      “Isso não está lá escrito e não faz sentido nenhum.
      Não se fez a negociação em troca de votar o parágrafo em separado, isso seria ridículo porque votar contra o parágrafo pode-se fazer sempre, basta votar contra a resolução e vota-se contra todos os parágrafos. Logo, seria dar algo sem receber nada em troca.
      O que o se trocou pelo voto foi o próprio conteúdo da resolução: “Entre esta posição – a que constou do compromisso final – e a defesa de uma intervenção militar da NATO, não é difícil descortinar as diferenças.”.Isso não está lá escrito e não faz sentido nenhum.
      Não se fez a negociação em troca de votar o parágrafo em separado, isso seria ridículo porque votar contra o parágrafo pode-se fazer sempre, basta votar contra a resolução e vota-se contra todos os parágrafos. Logo, seria dar algo sem receber nada em troca.
      O que o se trocou pelo voto foi o próprio conteúdo da resolução: “Entre esta posição – a que constou do compromisso final – e a defesa de uma intervenção militar da NATO, não é difícil descortinar as diferenças.”.”

      Ou seja, admites que o BE fez uma negociação em que a troca era a aprovação da resolução pela possibilidade de votarem contra o parágrafo que eles próprios consideravam uma vitória dentro das circunstâncias. Mais ou menos isto: nós votamos a favor da vossa resolução desde que mudem o conteúdo e, principalmente, o parágrafo 10, desde que nos deixem votar contra ele para fingirmos que não contribuímos em nada para ele!

      “Mas entre um should be e nada, deve-se escolher o should be, mesmo que depois se vote contra o should be, porque assim obrigas os outros a votar o should be. Topas?”

      Interessante como tu e os eurodeputados tentam vincar a importância desse parágrafo ao mesmo tempo que nos atacam por vos acusarmos de tentarem atirar areia para os olhos das pessoas quando dizem que votaram contra. Insistem sempre na mesma historieta e tu ainda a fazes mais grave. Para ti, entre o should be e o nada é melhor o should be. Como se o should be não fosse já uma espécie de nada que permite tudo porque não impõe nada.

      “Mentira. Não apoiam porque votaram contra. Ajudaram a enformaram o parágrafo para o melhorar, mas votaram contra ele!!
      Quem apoiou o parágrafo foi o Rui Tavares, é sobre ele que têm que incidir as críticas e sobre isso lê o último ponto do comentário da Marisa Matias em baixo.”

      E lá vem ele outra vez. Pareces esquizofrénico, Miguel. Nuns parágrafos defendes com todas as unhas o parágrafo 10 e noutros levantas-te raivosamente: “Ajudaram a enformar o parágrafo para o melhorar, mas votaram contra ele!!” Por favor, tem a noção do ridículo.

      O teu final é fantástico e revela o ridículo da vossa argumentação, uma forma de tentarem camuflar o vosso colaboracionismo com a direita europeia:

      “O texto de resposta é claro: em vez de ignorar a resolução comum que ia ser aprovada de qualquer das maneiras pela direita, socialistas e verdes; negociaram para melhorar essa mesma resolução comum conseguindo suavizar os aspectos mais belicistas e imperialistas, e ainda votar o parágrafo 10 em separado. Ou seja, a sua acção teve consequências práticas!! Se tivessem ignorado o assunto, ganhava uma resolução da direita.”

    • Leo diz:

      Depois de quase 5.000 caracteres para escamotear o fundamental – se os três estivessem contra qualquer intervenção militar na Líbia tinham pura e simplesmente votado contra a resolução – o Miguel Lopes estampa-se ao comprido quando escreve: “Mas na sexta feira passada, a divisão europeia confrontava-se com uma fronda dirigida pelo Reino Unido e pela França que queriam acção musculada. Nessa altura ainda o chefe da NATO sonhava com uma “united position”…

      É que desde há semanas toda a gente sabia que nem na NATO havia consenso, a começar pelo próprio chefe da NATO. Desde que a questão se levantou a Turquia manifestou-se abertamente contra qualquer tipo de intervenção militar na Líbia. E com toda a clareza, repetidamente. E sem consenso a NATO não pode intervir militarmente.

      Votar a favor foi pois uma escolha dos três porque os três estão de acordo com qualquer tipo de intervenção militar na Líbia. É tão simples quanto isso. Os três querem mesmo uma intervenção militar na Líbia mas não querem o custo da impopularidade dessa escolha consciente e objectiva. Isso também já se percebeu.

    • miguel serras pereira diz:

      Claro, Miguel Lopes.
      Falta acrescentar que a própria resistência à ditadura reclamou o apoio internacional – sob certas formas, acautelando a eventualidade de uma invasão, etc. – à sua luta. Assim, temos de considerar que há alguns para quem o Conselho dos revoltosos está menos habilitado do que o regime de Kadhafi para “representar” a “independência nacional” da Líbia.
      Confrangedor…
      msp

      • Bruno Carvalho diz:

        Miguel Serras Pereira, não fuja à discussão. Aqui ninguém está a discutir se o Kadhafi é melhor que o tal Conselho. Estamos a discutir a intervenção militar estrangeira na Líbia. E é nesse ponto que uns condenam essa agressão e outros a aceitam. Por norma, os que estão contra a agressão ou são apoiantes de Kadhafi ou defendem uma solução que parta do próprio povo líbio condenando as acções de Kadhafi. Mas o senhor, naturalmente, tenta usar a manipulação para catalogar todos os que estão contra a agressão como estando do lado de Kadhafi. Pois eu acho que o senhor está do lado do imperialismo.

        • Daniel Nicola diz:

          ou seja, mais uma vez, privilegiam uma posição inconsequente, inconsequência que tem transformado as esquerdas em meros peões ao longo das últimas décadas, quando muito. E qual a solução que parta do próprio povo líbio se a desproporção de forças é brutal, e se Kadhafi não se priva de usar qq meio para alcançar o seu fim, que é a perpetuação do poder?
          Talvez haja uma, e que também contribui para uma “no fly zone” – armar o povo de RPG’s, tal como se fez nos anos 80 no Afeganistão 🙂

          • Bruno Carvalho diz:

            Ah, finalmente, desmascaraste-te. Estavas do lado dos talibãs nos anos 80 e contra o processo progressista que se vivia naquele país. Portanto, não me parece que haja muito mais a discutir contigo. Gente que apoiou uma guerra que afundou um país na idade média não merece qualquer credibilidade.

          • Daniel Nicola diz:

            Nos anos 80 o mais certo era nem estar com nenhum, nem talibãs, nem soviéticos, nem americanos. Mas percebo a lógica de desconstrução que me cola aos talibãs. No fundo é a mesma que se tem usado por aqui relativamente à resolução do PE que coloca o BE de mãos dadas com a Nato. E também acredito que nem vale a pena discutir com gente como eu, porque quem bebe do “pravda” e só do “pravda”, é quem tem obviamente a verdade, porque a “verdade”, é a fonte em si mesmo.
            Depois, o teu negacionismo (que já partilhei, mas felizmente expurguei há muito) leva a eufemismos como “processo progressista”, que não passou de uma tentativa administrativa e efémera de catapultar um país quase medieval na vanguarda socialista, sem transições, porque obviamente bastava impor a uma população quase 100% islâmica, devota e quase fanática, aquilo que demorou séculos a conquistar na Europa. Jamais resultará. Ainda para mais sem tempo sequer para a reeducação.
            Ou seja, desmascaraste-te quanto ao direito à auto-determinação que deveria assistir a todos os povos.
            De resto, quanto a credibilidade, deixo-a ao critério de cada um.
            E entretanto, parece que o Kadhafi vai levando a sua avante. Clap, clap, clap…
            Cps

        • miguel serras pereira diz:

          Bruno Carvalho,
          quando há uma guerra civil resultante de uma insurreição contra um regime ditatorial e agente de segurança anti-migrações da oligarquia europeia, e o campo que se levantou contra a ditadura reclama apoio internacional, o dever dos democratas é forçarem os seus governos a prestar apoio aos insurrectos e a reconhecê-los como interlocutores (em vez da ditadura). Aliás, é conhecido o juízo que se faz sobre os que se recusaram, durante a Guerra Civil de Espanha, a apoiar o campo republicano, a pretexto de não-interferência. E também é evidente que concertar com os combatentes anti-Kadhafi os meios e modalidades da intervenção que reclamam só pode ser considerado uma “agressão” imperialista se considerarmos que os revoltosos são combatentes do imperialismo.
          Quanto ao resto, sobre quem é amigo de quem, estamos conversados. Com a agravante de que a sua posição não impedirá, no caso de Kadhafi recuperar o controlo da situação, que a intervenção se dê: só que não será a que os revoltosos reclamam, porque estes já não terão condições de reclamar seja o que for, mas a que unilateralmente os interesses da oligarquia que comanda a NATO ditarem. Está a ver o filme – ou quer que lhe faça um desenho?

          mso

          • Luís Rocha diz:

            Comparar a fantochada da “oposição líbia” (monárquicos e agentes da CIA) com os republicanos espanhóis é de uma idiotice tal… que nem sei o que lhe diga.

            E dps questiona-se se o imperialismo apoiar um lado dos combates pode ser considerado “intervenção imperialista”?????????????????????????????????????????????????????????????

            Você acha-se realmente uma pessoa de esquerda? Consulte o seu psiquiatra, o líder do seu partido já não o pode ajudar!

  3. antonio diz:

    “Ao contrário do imperialismo, a URSS saiu do Afeganistão quando lhe foi pedido que o fizesse”
    É preciso ter lata! “Pedido”, só se tiver sido pelos mujahedin, e a tiro. Ou a coisa foi resolvida em eleições livres e democráticas?

    • Bruno Carvalho diz:

      Fico feliz por ver gente a defender o regime autocrático dos taliban face ao regime democrático que por eles foi derrubado, com o apoio dos Estados Unidos e da Arábia Saudita. Depois vêm falar dos direitos das mulheres quando naquele tempo estiveram contra as opções do regime progressista afegão. Mas repito o que já disse: aqui discute-se os que abrem o caminho para que as potências entrem na Líbia.

      • antonio diz:

        E alguém defendeu os taliban, ou os mujahedin, ou o que preferem que lhes chamem, e o seu “regime autocrático”? E, já agora, porque fica feliz?
        Quanto à Líbia, a preocupação deveria ser a salvação do povo líbio, mesmo que fosse necessária para isso a intervenção de potências estrangeiras.

  4. LAM diz:

    Eh pá, viva a Ilda Figueiredo que lavou as mãos do assunto e regressou a casa descansada. Salvaguardou “os princípios”, ficou bem na fotografia como gostam os entusiastas e saiu de cena pela esquerda alta. Se não contribuiu em nada para dar uma solução ao caso também ninguém poderá dizer que a culpa foi dela, assim é que é.

    • Leo diz:

      A Ilda e o João. Assim é que é mesmo. Destes ninguém duvida que não querem mesmo uma qualquer intervenção militar na Líbia, ao contrário de todos os outros.

      • Daniel Nicola diz:

        não querem nem intervenção, nem porra nenhuma. preferem assistir impávidos e serenos ao banho de sangue.

        • Bruno Carvalho diz:

          Esse foi o argumento usado para dezenas de agressões militares imperialistas contra os povos.

        • Leo diz:

          “Banho de sangue”?

          Refere-se aos polícias que enforcaram em candeeiros públicos e ao director do hospital de Bengasi que depois de torturado foi assassinado? Ou aos polícias e soldados que balearam apenas por estarem a cumprir o seu dever de guardar esquadras e quartéis? Mas tudo isto foi obra dos golpistas. Ou acha mesmo que o Estado deve ceder perante desordeiros armados?

          Pensaria assim se o que fizeram em Bengasi fizessem na cidade onde mora? Pois eu nunca apoiaria que assaltassem a esquadra do meu bairro ou o hospital e tribunal da minha cidade.

          • LAM diz:

            Leo, até que enfim sai do armário e explica claramente de que lado está na questão Líbia. Não há dúvida que para si e para os que pensam como o Leo, a posição demissionária de Ilda Figueiredo e do outro eurodeputado que não me recorda o nome faz todo o sentido, ao apoiar o restabelecimento da “ordem” do grande líder. Agora sim, fiquei mais esclarecido.

          • miguel serras pereira diz:

            Pois, caro LAM, é o que tenho passado boa parte dos últimos dias a dizer
            Mas creio que ninguém ainda assumiu tão preto no branco como o Leo que assim é.

            msp

          • LAM diz:

            Verdade que sim, caro Miguel, apesar de, tendo-o lido, me custar a aceitar a ideia. Entretanto com o fechar do circulo as coisas começam a fazer sentido.

          • Daniel Nicola diz:

            O Leo no fundo resume tudo aquilo que eu escrevi ainda agora ao B. Carvalho. No fundo, obrigado.

  5. Miguel Lopes diz:

    Bruno,

    Estás propositadamente a tropeçar na lógica para lançar a confusão na discussão.
    Vamos devagarinho para que se perceba:

    1. A resolução comum ia ser aprovada, com ou sem a participação do BE na sua feitura.
    2. Havia duas hipótese:
    2.1. Ignorar e votar contra. Nesta hipótese o que iria acontecer seria existir uma resolução com rédea mais solta para os apetites imperialistas.
    2.2.Participar nas negociações, procurando dificultar que a direita impusesse a sua agenda. Os deputados do BE optaram por esta hipótese e não estiveram isolados dentro da esquerda. Conseguiram com isso obrigar toda a direita a votar o parágrafo 10 com a formulação que ele tem (subordinando a zona de exclusão aérea ao mandato das Nações Unidas e sob a condução da Liga Árabe e União Africana) e ainda votar contra esse mesmo parágrafo em separado.
    3. Qual das opções é que tem melhores efeitos práticos? É obviamente a segunda.
    4. Desafio-te a encontrar no resto da resolução, excepto no parágrafo 10, algum ponto problemático que tenha sido votado pelos deputados do BE.
    5. A única pessoa que não está isenta de críticas é o Rui Tavares que votou o parágrafo 10.

    Parece-me simples de entender e nunca pensei que fosses adepto da inconsequência.

    Para terminar. Eu não tenho problema nenhum com uma intervenção militar, e para apoiar os revoltosos estaria disposto a aceitar todas as “ingerências”. O meu problema é que não confio nem na NATO, nem na União Europeia para o fazer.
    Se fosse possível apoiar uma no-fly zone, ou mesmo uma intervenção militar mais concreta, evitando ao mesmo tempo os perigos do imperialismo, eu seria a favor.

    • Bruno Carvalho diz:

      Basicamente, voltaste a repetir a mesma lenga-lenga para suavizar a acção do BE e dar razão aos argumentos que usei para rebater essa bela fábula que inventaram de que foram muito bons a negociar com a direita e que por isso conseguiram um relatório menos militarista e que precisamente o parágrafo que representa essa vossa vitória foi posto à parte para votação para que pudessem fingir que não têm nada a ver com o assunto. Não só foram péssimos porque a formulação do parágrafo admite a intervenção militar sem o aval da ONU como é uma manobra suja dizerem que não têm nada a ver com aquilo que andaram a negociar. Já para não falar do eurodeputado Rui Tavares, que foi eleito pelo BE, que aprovou essa mesma resolução e que o Miguel Portas e a Marisa Matias também tentam desculpabilizar.

    • Leo diz:

      “Para terminar. Eu não tenho problema nenhum com uma intervenção militar, e para apoiar os revoltosos estaria disposto a aceitar todas as “ingerências”.

      Nem os três. É precisamente aqui que está o problema. O que se passa na Líbia é um problema interno dos líbios e que só a eles compete resolver e a rigorosamente mais ninguém.

  6. Renato Teixeira diz:

    Brilhante é a tua posta. 😉

  7. José diz:

    “Surpreendido porque dois membros do grupo parlamentar do BE preferiram publicar um comentário ao texto de um blogue do que dedicar-se, porventura, a actividades mais importantes.”
    “Estranho é também o silêncio de Rui Tavares, eurodeputado eleito nas listas do BE, que aprovou o 10º parágrafo da resolução”
    Os dois primeiros deveriam dedicar-se a actividades mais importantes, mas o terceiro já se deveria dedicar ao que o surpreendeu nos anteriores.
    Um tanto contraditório, não?…

    • Bruno Carvalho diz:

      Nada contraditório. É estranho que uns publiquem um comentário e que o outro fique em silêncio.

      • José diz:

        Certo. Estranha que uns escrevam um comentário – “Portanto, a partir de agora vão dedicar a maioria do tempo a contestar a comentários de blogues.” – e estranha que um não escreva um mesmo comentário sobre o mesmo assunto e não, não acha contraditório.
        Certo.
        Deve rever o estudo da Lógica, Bruno.

  8. podem dar as voltas que quiseres, até mesmo aceitar a versão histórica da burguesia e do imperialismo (que entretanto é história oficial para as forças da direita e esquerdistas convictos), mas isso não apaga o facto de a União Soviética ter intervindo no Afeganistão a em resposta a pedido de apoio militar ao Governo revolucionário resultante da experiência revolucionária do povo contra os Mujahedeen / Taliban, superando o estado sectário por um secularista.

    E isto, para mal dos que caminham com pálas nos olhos e bebem com avidez a propaganda anti-fascista, não é nenhuma cassete. Até a wikipedia descreve o processo, bolas! http://en.wikipedia.org/wiki/Soviet_war_in_Afghanistan (e não fui eu que lá fui escrever o artigo à pressa!)

    • José diz:

      Manuel Tiago: mas você leu o artigo???
      “On December 27, 1979, 700 Soviet troops dressed in Afghan uniforms, including KGB and GRU special force officers from the Alpha Group and Zenith Group, occupied major governmental, military and media buildings in Kabul, including their primary target – the Tajbeg Presidential Palace.
      Soviet paratroopers aboard a BMD-1 in KabulThat operation began at 19:00 hr., when the Soviet Zenith Group destroyed Kabul’s communications hub, paralyzing Afghan military command. At 19:15, the assault on Tajbeg Palace began; as planned, president Hafizullah Amin was killed. Simultaneously, other objectives were occupied (e.g. the Ministry of Interior at 19:15). The operation was fully complete by the morning of December 28, 1979.
      The Soviet military command at Termez, Uzbek SSR, announced on Radio Kabul that Afghanistan had been liberated from Amin’s rule.”
      Pedido?!?!?!

  9. ah. e se o ponto 10 ficou no documento por que raio votaram a favor na votação final?
    e se o documento tem perigos, porquê não só votá-lo? era preciso subscrevê-lo?

  10. Rui F diz:

    Eu colocarai a questão de outra forma…
    e PCP de desconfiança que fecha os olhos aos assassinatos de Kadafi?

    Viva a URSS

  11. José Silva diz:

    Constituição da República Portuguesa
    (…)
    Artigo 7.º
    Relações internacionais

    1. Portugal rege-se nas relações internacionais pelos princípios da independência nacional, do respeito dos direitos do homem, dos direitos dos povos, da igualdade entre os Estados, da solução pacífica dos conflitos internacionais, da não ingerência nos assuntos internos dos outros Estados e da cooperação com todos os outros povos para a emancipação e o progresso da humanidade.

    2. Portugal preconiza a abolição do imperialismo, do colonialismo e de quaisquer outras formas de agressão, domínio e exploração nas relações entre os povos, bem como o desarmamento geral, simultâneo e controlado, a dissolução dos blocos político-militares e o estabelecimento de um sistema de segurança colectiva, com vista à criação de uma ordem internacional capaz de assegurar a paz e a justiça nas relações entre os povos.

    3. Portugal reconhece o direito dos povos à autodeterminação e independência e ao desenvolvimento, bem como o direito à insurreição contra todas as formas de opressão.
    (…)

  12. Boots diz:

    A questão está clarinha como água, bem que podem falar de URSS dos EUA do Diabo a sete, o BE apoia a ingerência militar num país numa situação de alinhamento com as forças de direita!

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