Coitado! As coisas que um coitado é capaz de dizer, escrever e pensar (por isso é que o conceito “direitos humanos” me é incompreensível: o que é essa coisa, “humano”?)

«Sendo uma pessoa naturalmente generosa, admiti de início que a área do Rossio poderia rondar 2 hectares.

Mas não: usando um método razoavelmente rigoroso cujo segredo não estou autorizado a divulgar, posso anunciar-vos que não chega sequer a 1 hectare.

Não compliquemos, porém. Admitamos então que a área é de 1 hectare, recordemos que 1 hectare equivale a 10.000 m2 e façamos de conta que o Rossio rebentava de gente pelas costuras.

Ora aqui fica um problema simples, que até um licenciado em Letras deveria ser capaz de resolver: quantos manifestantes deveria haver por m2 para que na praça coubessem 200 mil?»  [João Pinto e Castro]

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20 Responses to Coitado! As coisas que um coitado é capaz de dizer, escrever e pensar (por isso é que o conceito “direitos humanos” me é incompreensível: o que é essa coisa, “humano”?)

  1. xatoo says:

    ora, deixa lá o rapaz em paz
    afinal há coisas piores…
    ou não era de Lenine a frase “uma sociedade só será completamente livre quando a cozinheira puder desempenhar o cargo de ministro”?

  2. a anarca says:

    Xatoo que ironia :)

  3. Não creio que fôsse exactamente assim xatoo, era mais «Qualquer cozinheira deveria ser capax de gerir esta m#$%&a» toda , uma frase que eu axo absolutamente demagógica e descartável, e falsa.
    E nem as cozinheiras estão p’raí viradas, é só perguntar-lhes…

    ____________________________________________________________

    Agora vamos a isso do Rossio, contas:
    . Se aquilo tiver um hectare, e admitindo (vá que não vá…) 2,5 pessoas por metro quadrado, cabem lá 25.000.
    . Se tivesse o dobro, 50.000.
    200.000 só na imaginação ‘forte’> de alguém muito estúpido, ou se estiverem ‘alcandoradas’ umas por cimas das outras, tipo sardinha em lata.
    Axo eu…

    :-)

    :-(

    • idi na huy says:

      Está certo no caso do Rossio,mas há que contar com as pessoas na Av. da Liberdade,rua da Prata,onde estava muita gente a descobrir o final da manif.Ainda fui ao Largo Camões,na esperança que o pessoal fosse amandar uma mijinha na A. Nacional….

  4. Ernst von Superavit says:

    “por isso é que o conceito “direitos humanos” me é incompreensível: o que é essa coisa, “humano”?)”

    Esta sua afirmação é, para mim, completamente…..compreensível e pouco (ou nada) surpreendente.

    • Carlos Vidal says:

      Meu caro, ainda bem.
      Entendeu-me na perfeição, e ainda bem, repito; sem ironia, como é bom de ver.

      • Ernst von Superavit says:

        Completamente esclarecido.

        Quando leio estas coisas começo a ter saudades da:
        http://www.youtube.com/watch?v=dR0YHAEEg3I
        :)

        PS – Já agora, sem ironias:
        1- o que é, para si, um “humano”?
        2 – o que é, para si, o “conceito de Direitos Humanos”?

        Agradeço, antecipadamente, a atenção dispensada.

        • Carlos Vidal says:

          Humano é, como diria Lacan, noutro contexto, uma espécie de “casa vazia” – é informe, não tem nem deve ter como ter definição. Aquilo que podemos definir é: o “ser” ou o “humanismo”.
          O ser é algo que oscila entre uma presença (pode-se, na filosofia/ontologia, falar em presença do presente, ou, de outro modo, existência), uma presença à qual se recomenda “cuidado” (Sorge, no alemão de Heidegger), uma vez que o ser é “ser para a morte”, e as suas dimensões são a angústia (a consciência de ter sido lançado no mundo) e o cuidado (como disse atrás). Outro autor de que costumo falar, Badiou, não aceita a definição de ser como “ser para a morte”, pois em Badiou a essência do ser é o infinito. O ser produz infinitamente “verdades” (amorosas, incontroláveis e inexplicáveis; científicas, mudando as formas de vida; políticas, nas transformações sociais revolucionárias; artísticas, numa mutação sem fim de possibilidades egéneros).
          O termo humanismo é mais simples e complexo de definir.
          Aceito como interessante a ideia de Sloterdijk de que o humanismo tem por finalidade “domesticar o ser” (fazendo-o encapotadamente, intervindo aí o falso conceito de “direitos humanos”, que cada vez mais é/são um produto como outro qualquer – além disso, a um ser vivo não se vai dizer que tem o “direito” de estar vivo, obviamente; portanto, os “direitos humanos” são algo que até funciona bem num cérebro de uma Lili Caneças, para quem estar vivo é o contrário de estar morto).
          Tentei ser o mais claro que pude.

  5. idi na huy says:

    Pra malta da guerra umanitária(sic!),há agora,depois de 2 milhões de mortos,4.5 milhões de órfãos,2000 médicos abatidos(lembro-me de neurocirurgiões em Falluja terem sido eliminados por snipers-claro,bons qdo americanos e sus sabujos-mau na Libia…),prof universitários, existem 5 milhões de analfabetos,qdo a UNESCO em 82(creio) havia dito q o analfabetismo tinha sido erradicado.Mais uma vitória da democra cia.

    —————————————————————————————————–
    Para os palhaços desconfiados ,pq ele sabem muito bem que são trapaceiros e mentem todos os dias, mas q aceitam de fonte fonte o que dizem as corporações de privados,

    http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=23702

  6. a anarca says:

    Sem nenhuma ironia.
    Agora que demonstrou que até é um “ser” (demasiado) humano.
    Gostaria de o ouvir a dia 18 dizer mal do Courbet (e do simpático retrato do proudhon) :)

  7. xatoo says:

    professor Vidal, depois da excepcional lição sobre “direitos humanos” que fez evaporar o objecto sólido von Superavit 17:09 no ar – aguçou-me a gula
    onde é que é isso dia 17?

    • Carlos Vidal says:

      Vou tentar dizer qualquer coisa de jeito sobre os incómodos que os estilos realistas causam na estética. É no Anfiteatro III da Faculdade de Letras, 11.30, dia 17.

  8. Excelente C. Vidal.
    Mais claro e conciso que o que deixou acima é difícil.
    Integralmente de acordo.
    :-)

  9. Miguel Lopes says:

    Não sou muito picuinhas com isto dos números, mas vamos pôr um cenário razoável.
    Segundo o site Lynce, numa manifestação há uma densidade média de 1,5-1,7 pessoas por metro quadrado. Vamos dar duas pessoas por metro quadrado.
    Ver também: http://www.gkstill.com/CrowdDensity.html e percebemos que acima dessa densidade não é uma manifestação, é um concerto.

    Duas pessoas por m2 e Av. da Liberdade cheia mais Rossio cheio.

    Av. da Liberdade, usando pouco mais que o comprimento das faixas centrais são 44000 m2 (40m por 1100m), o que dá 88 mil pessoas.

    O Rossio são 19 095 m2 (201m por 95m). O que dá 38190 pessoas.

    Tudo somado dá 126 190 pessoas.
    Reparem: eu estou a encher 40 metros de largura da Av da Liberdade, desde o Marquês até lá abaixo, mais o Rossio, a uma densidade alta.

    Foi uma enorme manifestação, talvez de 100 mil pessoas e picos, mas para serem 200 mil era preciso arranjar outra Av. da Liberdade.

    • Carlos Vidal says:

      Às vezes bastam muito poucos para fazer muitas coisas: Mandar Franco ou Mussolini, e seguidores de todas as cores, para o pé dos passarinhos, por exemplo.
      Agora, “democraticamente” falando, bastam 10 ou 20 pessoas para fazer algo de notável, basta uma para encetar uma eficaz petição, 3 para pôr em marcha um movimento nacional como o de dia 12 de Março, etc.
      Não entro em contagens.
      Já vi filmes geniais e obras de arte geniais com 1 pessoa na sala.
      No Louvre, “A Virgem dos Rochedos” do Leonardo não é sequer vista.
      Ao lado, a Gioconda é “comida” e nem ficam os ossos.
      Bom, resumindo, eu não sei nem me ineteressa contar.

  10. xatoo says:

    pequenos grandes estudos académicos sobre a baínha das calças, enquanto o fato completo fica por analisar. O ponto critico que interessa é que foram 300 mil os manifestantes em todo o país, despoletando uma situação que pode arrastar muitos mais gente que tem permanecido indiferente. Assim nos vejamos livres dos contabilistas

    • Carlos Vidal says:

      Aplaudido.
      E mais: os contabilistas o que fazem é inventar uma “profissão” de merda, pois têm compradores de merda para os seus servicinhos.

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