PARTE II

Desde há um tempo – aliás, desde que o homúnculo frequenta a blogosfera – que somos nos nossos textos, posts, rascunhos, caixas de comentários, caixotes de lixo doméstico, idas e vindas ao médico, ao supermercado e à manicure, às noitadas, às putas e às amantes que as temos em enormíssimo número; dizíamos nós, desde há tempos imemoriais que somos parasitados por um estranho ser (uma pessoa?, uma pedra?, um invertebrado?, um mamífero?…)  que assina Miguel Serras P, e que anda por um sítio chamado “Vias de qualquer merda”.

Desse facto, gostamos e não gostamos. Nem temos opinião, mas, apesar disso, veio-nos à memória uma decisão – que descreveremos em seguida.

A coisa em causa (mamífero?…) aquilo que faz é postar nos dele os nossos posts e os nossos comentários a posts, nossos e a outros que não nossos, que postamos ou redigimos na nossa página ou em qualquer outro lugar. Saímos do local de trabalho e lá está a fraca figura. Saímos do querido bordel depois de um filha da puta de um bruto orgasmo e lá está a coisa invertebrada à escuta, a ver tudo o que mexemos, se um dedo em forma de figa ou caralho, se um pé, se um golpe de rins…

E ele não acrescenta, rumina. Masturba-se, não sai de cima. Não convence, é convencido. À falta de melhor paralelo, que a figura não merece grande rima, estamos perante um chulo do pensamento dos outros por ser incapaz de ter ideias.

Do que publicamos e não publicamos, o indivíduo tem acesso a tudo. Absolutamente tudo. Solitário, procura, procura, procura, procura e acaba por qualquer coisa encontrar nos nossos caixotes de lixo e de recordações pessoais e familiares, o que é, se o permitirmos, desrespeitoso para os nossos entes queridos. Depois, posta e pretende com isso, veja-se bem, denunciar-nos – não sabemos é a quê nem a quem. Por exemplo, não podemos ir ao teatro S. Luiz, porque na António Maria Cardoso lá está ele num dos terraços do Siza à coca. Decidimos, por isso, há muito, nunca mas nunca mesmo publicar respostas ou “comentários” da criatura em nada do que fazemos, pensamos, fodemos. Se alguma coisa da personagem em causa aparecer num próximo escrito de um de nós, não foi por nossa vontade, antes por engano de outro ou outros. Somos,

CARLOS VIDAL

RENATO TEIXEIRA

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