Terça-feira, às 18:30, na Pó dos Livros, com Valério Arcary, Fernando Rosas, Álvaro Bianchi.

“O livro de Raquel Varela discute pela primeira vez numa obra de natureza académica o papel político especificamente desempenhado pelo Partido Comunista Português no processo revolucionário de 1974/1975. Fá-lo de forma bem sustentada, construindo uma abordagem inovadora, ainda que naturalmente controversa, de um período crucial da nossa história do século XX.”

Fernando Rosas, professor catedrático da Faculdade de Ciência Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa

“É difícil combinar talento para a pesquisa documental e rigor analítico. Raquel Varela consegue fazer isso de modo competente. Movimentando uma grande quantidade de informações sobre a história recente de Portugal, não se deixa soterrar por elas. Sem confundir a compreensão do passado com seu mero relato, a autora deste livro contribui de modo inovador para a historiografia das esquerdas europeias.”

Alvaro Bianchi, director do Arquivo Edgard Leuenroth da Universidade
Estadual de Campinas, professor de Ciência Política da Unicamp (Brasil)

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

11 respostas a Terça-feira, às 18:30, na Pó dos Livros, com Valério Arcary, Fernando Rosas, Álvaro Bianchi.

  1. Insurrecto Meditativo (reformado, mas com uma boa pensão) diz:

    Tudo gente imparcial, portanto. Recorda-me a obra “Comunismo e Nacionalismo em Portugal”, escrita por um autor que, 1 mês antes de iniciar a obra, era militante do Partido Comunista Português. Louvo os elogios, na altura expressos no Avante!, feitos às cidades da URSS, “repletas de carros velozes”, “ao contrário de Lisboa”. Nenhuma menção ao frio homicida nas Gulags.

    Ou as críticas, também no jornal Avante!, ao super-jogador Peyroteo, cujos números o consagram como o mais temível goleador da história do futebol mundial, o tal “que jogava como um espanhol”.

    Não tenho nada contra a intenção da obra, o seu objectivo, digamos assim, mas aprecio a imparcialidade do autor. Aliás, é um critério meu sempre que penso em adquirir o livro. Porém, aqui admito que fui enganado no livro acima mencionado. Talvez devido ao estado semi-embriagado de então (estava a comemorar algo, não tenho a certeza), não sei. Não especulemos.

    Penso ser justo esperar referências às ocupações violentas, ao “afastamento” de jornalistas, às barricadas no meio da capital, etc. Não?

    Gosto, admito. Talvez, não sei, comprarei.

    Já agora, quem é a Raquel Varela? A sério. Juro que não sei quem é a camarada.

  2. xatoo diz:

    Raquel
    1º. parabéns pela sua adesão à escrita no 5Dias
    2º. um dos pontos mais misteriosos do PCP do periodo pré-prec é o endeusamento do judeu “simpatizante comunista e perseguido pela pide” Alain Oulman, o rico fille familie herdeiro da editora Calmann-Levy que editou (concebeu, ditou e de facto cozinhou) o “Portugal Amordaçado” do Mario Soares. E no entanto o mesmo Alain Oulman emprestou a sua casa na mata de Belas para abrigar os dissidentes maiostas do PCP (Xico Martins Rodrigues, Rui d`Espinay e outros, depois do jornal Avante ter denunciado em primeira página a sua entrada clandestina em Portugal, vindos de Paris) isto é, Oulman ajudou à tarefa de dividir o PCP nessa famosa dissidência nos anos 60. Decerto que isto é demasiado complexo para se discutir num blogue. Mas a aura propagandistica com que o PCP cobre Oulman continua a ser para o comum dos leitores de facto um mistério. Era bom que fosse esclarecido

    • Raquel Varela diz:

      Insurrecto, o Zé Neves fez uma excelente obra, que não é ideológica, sobre o nacionalismo do PCP. Vale a pena ler, antes de fazer acusações injustas.
      Xatoo, obrigada.
      O meu livro centra-se no período revolucionário. Está por fazer a história entre o Rumo à Vitória e 1974, que tem muitos aspectos ainda por descobrir e muitos mais ainda por compreender.

  3. José diz:

    Para quem se declara como não sendo racista/anti-semita, é sempre curioso verificar que xatoo, a Oulman qualifica-o pela sua religião e que, aos restantes indivíduos citados no comentário, Mário Soares, Francisco Martins Rodrigues e Rui D’Espiney (com “e”), entende que os seus nomes civis bastam.
    xatoo é o que é e não o consegue ignorar ou esconder. E é feio ser racista.

  4. vítor dias diz:

    Com a necessária ressalva que não conheço a obra mas tendo em conta opiniões
    que já conheço desta historiadora, acho que já pressinto o que aí vem. De algumas das concepções e opiniões da autora já tratei parcialmente aqui em http://tempodascerejas.blogspot.com/2008/11/combates-da-memria-29.html

    • Armando Cerqueira diz:

      Ó Vítor Dias, não seja sectário e bolorento, não faça processos de intensão, não seja impaciente e desconfiado. É que a impaciência e a desconfiança são, bastas vezes, reaccionárias…

      Aguarde a publicação da obra, leia-a, medite. A Raquel Varela é uma historiadora séria e competente, independente. Verificará que a obra é, em vários aspectos elogiosa e favorável ao PCP. Devia ficar contente. Não vê muitas obras dessas neste ambiente de uma verdadade única da burguesia contra-revolucionária pós 25 de Novembro e seus clientes.

      A Raquel Varela tem todo o direito a ter a sua opinião, de baseá-la nos dados a que chegou mediante o seu árduo trabalho de investigação. Foi para que os Portugueses tivessem o direito à expressão das suas ideias, opiniões, de publicar os resultados do seu trabalho, etc, enfim que fossem livres, que muitos da minha geração, desde os inícios dos anos 60, lutámos integrados então no PCP. Por que as pessoas pensassem pelas suas cabeças, e não segundo os estreitos e opressivos cânones que o Vítor Dias e outros parecem defender e querer implementar de um”a verdade a que temos direito”.

      Abra-se à realidade, à diferença, à mudança, à dialéctica da vida, à diferença. Mas se não for essa a sua opção, então vá definhando lentamente até à morte intelectual final.

      Armando Cerqueira

      • vítor dias diz:

        Concluo da sua prosa que tenho de me abrir para a diferença das opiniões dos outros mas que os outros não precisam de abrir para a diferença da minha opinião.

        Em vez de tantos e tão generosos conselhos, seria mais ajustado que em relação ao meu antigo «post»:
        – me dissesse se o relato feito pelo Jorge Nascimento Fernandes era falso;
        – rebatesse, os argumentos que eu usei em função desse relato cobre a comunicação de Raquel Varela.

        Quanto ao mais, eu até ressalvei que ainda não conhecia o livro da Raquel Varela.

  5. 3 pontos:
    01. O Chico Martins (que morreu aqui há uns meses) era do Comitê Central do PCP, antes de sair.
    02. Os D’Epiney eram dois e não um.
    03. Também havia um médico metido nisso com um nome muito conhecido, João Pulido Valente.

    Nota em baixo: Logo que possa deslocar-me daki da aldeia a uma livraria decente claro que vou adquirir o livro da Raquel..

    🙂

  6. Raquel Varela diz:

    Estimado Victor Dias,
    Vejo que faz referência a um comentário que fez a um colóquio no qual não esteve. E que aconteceu há 3 anos, sensivelmente. Não me recordo bem a data, mas estará algures no início do meu trabalho de investigação. Espero de um jornalista estagiário, a ganhar 200 euros, idêntico respeito pelas fontes. Não de um quadro intelectual do maior partido da classe operária organizada em Portugal.
    Aguardo, com muito interesse, os seus comentários depois de ler o livro. Como sabe há uma parte da história do PCP na revolução que aqui publico pela primeira, há uma grande parte onde existem dúvidas e outra sobre a qual nada se sabe. Tenho tido as mais interessantes conversas com camaradas seus com quem aliás tenho aprendido muito.
    Atenciosamente
    Raquel Varela

  7. vítor dias diz:

    Embora isso não fosse obrigatório, na altura não a vi desmentir a versão das suas afirmações que lhe foi atribuída por Jorge Nasciemnto Fernandes. E a Raquel saberá melhor que eu, que não pude lá estar (com pena), de algumas reacções que então as suas opiniões suscitaram pelo menos de um seu colega presente.

    Fico muito satisfeito por saber das suas conversas com camaradas meus. Do «metier» sabe a Raquel mas eu que dele não sei sempre achei que os testumunhos orais às vezes iluminam melhor os documentos.

    Votos de bom trabalho.

Os comentários estão fechados.