A energia nuclear é fixe, o povo que se lixe

Como se pode ver pelo que se passa no Japão, todos devemos respeitar e acatar os ditames de senadores da opinião como Mira Amaral ou Fernando Santo e, claro, do Presidente da República.

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33 respostas a A energia nuclear é fixe, o povo que se lixe

  1. Nightwish diz:

    O problema do Japão é que, basicamente, o desenho da central tem 50 anos. Numa central moderna, esta desliga-se automaticamente assim que falha a energia não havendo possibilidade de continuar a reacção. E, mesmo assim, a arquitectura tem mais segurança que qualquer outra indústria na sua altura.
    Quanto ao impacto do nuclear, as pessoas têm a mania que é mais radioactiva e mais poluente do que a alternativa. Esquecem-se que a alternativa é o carvão, que é muito mais maléfica para o ecossistema e para a saúde, e espirra uma grande dose de radiação para a atmosfera.
    Além do mais, só há duas alternativas no futuro para os países terem energia: nuclear ou importar. O resto são balelas.

    • Tiago Mota Saraiva diz:

      Não há uma construção 100% anti-sísmica… não evoluímos assim tanto nos últimos 50 anos.
      O nuclear não é uma energia limpa. Isso é que é uma grande balela.

      • Nightwish diz:

        Não é uma questão de ser anti-sísmica, é uma questão da reacção parar completamente sozinha com o corte de energia.
        Se o nuclear não é limpo, porque é que polui muito menos do que qualquer alternativa?
        Claro que o ideal era a fusão, mas isso está sempre a 20 anos…

  2. Info:
    o «Pimentinha» que andou comigo no Técnico e apesar de ser /ter sido do PêPêDê é um gajú que eu respeito, por ‘estórias’ do passado que não são agora p’ráqui chamadas, e que trabalhou com ou para o Miga Amagal é contra essa m#$%&a.
    E eu também.
    Espetem ‘ventoinhas grandes’ lá pelos montes com vento, seus ‘retrasados’ mentais.
    Em havendo azar tudo o que vai parar ao chão são postes e ‘hélices’ gigantes…

    :/

  3. Renato diz:

    E as cidades do litoral? Não são também fixes … e o povo que se lixe! (?)

  4. E já agora … os brothers españueles têm uma ou duas centrais nucleares (já não me lembro se são do tipo ‘água-a-ferver’ ou ‘água-à-pressão’) no Douro… junto à fronteira.
    Se alguma coisa correr mal por ali os/as gajús/ahs do Puarto-carago estão básicamente fornicados.
    🙁

  5. l'outre diz:

    E qual é a alternativa? Os fosseis (carvão e gás natural) que estão a acabar? A grande hídrica, que se encontra praticamente esgotada (já não há muito sítio em Portugal onde construir barragens)? A eólica, que é cara e que produz poucochinho de cada vez e só de vez em quando (quando há vento)? Talvez a solar que ainda é mais cara que a eólica, produz ainda menos que a eólica e que também só funciona às vezes? Também temos as das ondas e marés que ainda produzem menos e são mais caras que a solar. Ou então a biomassa, com biomassa é que isto vai ao sítio. Deixamos é de ter pão que o trigo vai ser todo queimado para produzir electricidade.

    Bottom line só há 3 processos de produção de energia eléctrica em larga escala: os fosseis (que poluem, emitem dióxido de carbono e estão a acabar), as grandes barragens (que estão limitadas ao número de sítios onde podem ser construidas, dependem do caudal dos rios (em anos secos é uma desgraça), e têm um grande impacto ambiental) e o nuclear (que tem problemas próprios ao nível da segurança e armazenamento de detritos). Nenhuma é ideal, mas o nuclear não pode ser descartado a priori só porque sim.

  6. marocas diz:

    Então se por acaso houvesse um terramoto que destruísse uma grande barragem, e esta inundasse parcialmente uma cidade, matando centenas ou milhares de pessoas, o Tiago Saraiva passaria a ser contra a energia hídrica?

    • Tiago Mota Saraiva diz:

      Honrado especialista em energia, a julgar pela sua prosa parece que uma barragem explode e liberta humidades tóxicas.

      • l'outre diz:

        Não liberta humidades tóxicas, mas liberta humidades, MUITAS humidades. Ao ponto de inundar todas as terriolas que entretanto se estabeleceram a jusante nas margens do rio. Humidades suficientes para arrastarem muitos milhares de pessoas (e seus bens) para o mar, um sítio onde as humidades são tóxicas, sobretudo se inaladas.

      • marocas diz:

        Caríssimo cómico, a energia nuclear é a energia mais segura que existe. Não há como fugir a isto. É como andar de avião. Seguríssimo. Se podem haver acidentes? Óbvio que sim, apesar de extremamente raro. Mas o Tiago Saraiva quer luz em casa, não quer?

      • Nightwish diz:

        Nenhuma central nuclear com um desenho feito nas últimas décadas explode.
        Ao contrário da alternativa, as centrais a carvão.

  7. Nelson diz:

    Pois… mas ao contrário do Jp, nós não temos terramotos cá (pelo menos para o Norte, Interior, Alentejo e Algarve). Não nos podemos comparar a uma ilha onde a actividade sísmica é uma k. Bastante sensacionalista, Tiago Saraiva.

    • Tiago Mota Saraiva diz:

      Destacado sismólogo, Portugal é mesmo um país tranquilo. No Algarve e o Alentejo não há história de haver abalos.

      • Nelson diz:

        Podes acusar que de vez em quando acontece um ou outro, mas não deita uma casota de um cão abaixo, quanto mais uma central nuclear. Lisboa, sim, é o único sítio que pode ser problemático em Pt continental, mas também não estou a verem construir uma centra nuclear aí, como é óbvio…

        Quer se goste quer não, somos reféns da energia desde que inventamos a máquina a vapor, e vai ser sempre assim. A energia nuclear é sem dúvida, a par da energia obtida a partir de biocombustíveis (renovável na mesma), nem falo das melhores opções, mas das únicas opções!

        As únicas razões que “peneiras para tapar o sol” como paineis fotovoltaicos, eólicas e mais não sei quê, só servem para três objectivos:

        1. Greenwashing – fazer pensar as pessoas que estão a ser ecologicamente responsáveis.

        2. Geração de capital – muita negócio em volta desses pedericalhos, muita gente a ganhar trabalho, com os pequenos investimentos que raramente vêm retorno, isto é claro, interessa aos Eng.os Electrotécnicos, técnicos electricistas, grandes empresas energéticas e estados.

        3. Bélico – podem ser bem atacados, que não há problema de um nuclear meltdown ou de um desabamento.

        Mais que isto, é pura utopia. E não sou eu que digo, mas os meus próprios professores.

        • Tiago Mota Saraiva diz:

          Nelson, antes de persistir no disparate leia isto:
          http://www-ext.lnec.pt/LNEC/DE/NESDE/divulgacao/tectonica.html

          • Nightwish diz:

            A gente já percebeu, fazer uma central nuclear com 60 anos de atraso numa falha tectónica é má ideia. Em que é que isso ajuda à discussão?

          • Nelson diz:

            Não há sítio nenhum no Mundo que não esteja sujeito a sismos.

            Se fizerem no Alentejo, por exemplo, vais dizer que um sismo vai deitar aquilo abaixo?

            Tá bem… tá…

          • Tiago Mota Saraiva diz:

            Nelson, isso é desconversar.

          • Nelson diz:

            Conversemos então…

            Qual é a ameaça sísmica no Alentejo?

            Quando é que houve, em >800 anos de Portugal, em >2 milénios de história um sismo no Alentejo capaz de destruir o que quer que seja, especialmente uma central nuclear, que nem é feita de betão armado, aço e nem sei que mais, e isto sem pensar em sismos…

          • l'outre diz:

            Caro Nelson,

            Vide o gráfico em:
            http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1449745
            e
            http://www.prociv.pt/PREVENCAOPROTECCAO/RISCOSNATURAIS/SISMOS/Pages/EmPortugalContinental.aspx

            O Alentejo (e o norte do país) também são atravessados por falhas tectónicas, e já foram registados inúmeros sismos nessas regiões. É certo que a maioria se concentra na área de Lisboa e do Algarve, mas aquilo que é curioso em relação aos sismos é que são imprevisíveis, dito de outra forma podem acontecer em qualquer altura e em qualquer lugar.

            Citando a segunda fonte:
            “para sismos intra placa a sismicidade é moderada passando a baixa nas zonas situadas no norte de Portugal. Este facto não significa que nestas zonas não possam ocorrer sismos de magnitudes significativas mas que os seus períodos de retorno são da ordem dos milhares a dezenas de milhares de ano”.
            Períodos de retorno altos não significa que as intensidades sejam fracas, i.e. não significa que as estruturas sobrevivam.

        • Nightwish diz:

          Nada impede as renováveis de fazerem parte de um mix energético que nalguns casos seja mais barato, ou permita a comunidades serem praticamente auto-suficientes.

  8. Nuno André Patricio diz:

    Não costumo, mas vou meter a colher, porque é assunto que me é querido.

    Procuram-se alternativas do lado da oferta ( chamadas energias “alternativas” ) que respondam ao crescimento da procura.
    Há uma outra alternativa num sistema energético. Diminuir a procura.

    Grande parte da energia é consumida nas relações casa-trabalho, na industria da construção e na utilização de edifícios ( aquecimento, arrefecimento, utilização e manutenção ) Ou seja Arquitectura e Ordenamento do Território. ( Venham-me dizer que há Arquitectos a mais )

    Diminuir a procura energética significa diminuir consumos. E acho que aqui já sabemos quem fica chateado com a diminuição dos consumos.

    Procurar energias “alternativas” ao petróleo seja, gás natural, carvão, areias betuminosas, óleo de xisto, etanol , a fissão nuclear, energia solar, eólica, hidráulica, marés, hidrogénio, e hidratos de metano, é procurar novos mercados e novos nichos de procura.

    Ora aqui também já sabemos quem adora criar novos mercados.

    By the way , nenhuma das energias chamadas “alternativas” combinadas , mesmo que sejam todas , não chegam para substitui o Petróleo. ( James Howard Kunstler em The Long Emergency )

    Ou seja a verdadeira alternativa é diminuir consumos, o que implica, viver mais perto de onde se trabalha , comer mais perto de onde se produz , e viver em habitações que pensem colectivamente e não individualmente “sustentáveis”. Isto porque gasta-se menos energia em simplesmente ocupar um edifício devoluto no centro da cidade , do que construir empreendimentos habitacionais pejados de painéis solares nos telhados se os habitantes desse empreendimento para ir trabalhar sejam obrigados a deslocar 2 toneladas de aço para transportar 70 quilos de pessoa, percorrer 30km para até ao local de trabalho.

    Concluindo mesmo que a energia nuclear fosse fixe, que não é , só serviria para perpetuar o sistema sócio-económico de extrema gula energética e sofreguidão consumista. Enchia era o bolso a uns quantos.

    A solução não tecnológica mas sim política.

    • Nelson diz:

      Devo dizer que concordo plenamente. E gosto do seu ponto de vista.

      Contudo, discordo da última frase “A solução não tecnológica mas sim política.”

      O que referiu, é sim um desafio para os engenheiros de todo o mundo.

      É uma das forças que faz mover actualmente o mundo da engenharia.

      Cada vez mais é importante optimizar tudo. É preciso repensar todo um carro, desde as rodas até ao banco do condutor para consumir menos combustível, deixando o condutor “tratar do resto” (BMW 123d tem 204cv, capaz de fazer 0-100 em 7s e 245kmh e gasta o normal para um carro médio, como gastava um Astra diesel de 100cv há 5 anos). É preciso repensar todo um computador, para fazer o mesmo, e em vez de gastar 400W, gastar só 1W ou menos! (iPad tem uma autonomia de 10horas e faz tudo o que a maioria das pessoas faz no dia a dia) Ar condicionados cada vez mais eficientes, edificios que não precisam de lareiras ou aparelhos de AC (nem para ligar 1 dia por ano), etc. etc. etc.

      É isto que guía cada vez mais as indústrias primárias, secundárias e, especialmente terciárias. Mesmo que não se esteja interessado no ambiente (na verdade, na verdade, a maior parte das pessoas não quer saber disso para nada), está-se interessado em coisas eficientes e poupar dinheiro. Fazer mais com menos é o mais interessante em qualquer engenharia, e é disso que mais temos que nos preocupar, quem relegar isso para segundo plano, não tem lugar no mercado.

    • Tiago Mota Saraiva diz:

      Totalmente de acordo, com o Nuno.

    • adeus-vai-te-embora diz:

      Isto é tudo muito bonito mas a verdade é que há limites ao quanto pode ser reduzida a ‘procura’.

    • Nightwish diz:

      Porque é que toda a gente tem a mania de confundir o petróleo com a energia elétrica? Não tem nada a ver uma coisa com a outra.
      Independentemente de precisarmos de maior poupança energética, vamos continuar a precisar de muita e há duas alternaticas, carvão e nuclear. E a que polui menos não é aquela que pensa (assumindo desenhos modernos, não estes com 60 anos.).

    • Mário diz:

      Excelente comentário.

      E já agora, poderemos falar de um meio de transporte que funciona com recurso às banhas: bicicleta.

  9. Nuno André Patricio o ‘Kun man’ é o grande guru destas coisas.
    Se eu o entendi bem (há amigos meus que são absolutos fãs dele) estamos no fim do ciclo dos combustíveis fósseis (peak-oil e isso tudo).
    Além de que isso tem implicações políticas idiotas, tipo fazer boa-cara a ditadores horrorosos para nos podermos continuar a aquecer e funcionar.
    Isso significa o que vc. disse: consumir menos (porque no momento vai ser mais caro) e investir mais em renováveis, a prazo os preços baixarão.

    Just my 2 cents.

  10. Daniel Martins diz:

    Parece-me curioso ver sempre os mesmos papagaios a comentar qualquer notícia/artigo de opinião sobre energia. Ainda mais curiosa a defesa que persistem em fazer do nuclear, olvidando sistematicamente a causa primeira para o abandono da referida tecnologia por parte da maioria dos países desenvolvidos (excepção feita aos suecos, embora este seja um caso ainda em aberto): a subida absurda do valor dos seguros a serem pagos pelos produtores de electricidade de fonte nuclear.

    Apesar de todas as garantias destes amigos do bolso alheio, a verdade é que as seguradoras não vão em conversas (especialmente depois de Fukushima, embora os custos com seguros de centrais nucleares existentes tenha subido acentuadamente desde 2002) e o último projecto de construção de várias centrais nucleares no Reino Unido foi abandonado por este preciso motivo. Parece que os promotores do dito projecto se esqueceram de incluir os custos com seguros na estimativa de custo kW/h de consumo apresentada ao delfim de Thatcher: “apenas” representavam um acréscimo de 37% ao custo estimado de produção.

    É fixe, quando faz pum!, faz pum! a sério e jamais passaria pelo crivo popular (vide caso alemão…)

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