Bloco de Esquerda vota a favor da intervenção da NATO na Líbia e quebra compromisso com eleitores e militantes

A notícia que o Bruno divulgou aqui não o deixa só a ele mal disposto, quebra o compromisso  do BE com os eleitores e suja as mãos dos seus dirigentes com sangue líbio e com o imperialismo. Não sou eu que o digo, é o próprio BE: “É uma história que representa a imposição de um modelo específico de Estado, de economia e de sociedade” afirma Marisa Matias a propósito do novo conceito estratégico e da cimeira da NATO em Lisboa. Mas disse mais coisas acertadas. Afirmou que “todos sabemos que o negócio da NATO é a guerra”, que “a guerra é um meio para a perpetuação das desigualdades e da exploração” e que por isso, justamente, Portugal deveria abandonar esta “aliança transatlântica e a sua política imperialista”. A Marisa Matias estava a ser coerente com o que também dizia a tese de orientação que venceu o último congresso e com o programa do BE.

Assim, violando o compromisso com os seus eleitores e os seus militantes, fico à espera de ouvir o que têm os dirigentes nacionais a dizer desta vergonha. Depois de votar o PEC grego e de apoiar o candidato do PEC português, o BE vem agora ratificar a guerra e a ocupação da Líbia pelas mãos da NATO. Onde que vai parar a “Esquerda de Confiança”?

“A Europa não precisa nem dos EUA nem da NATO para se defender e não tem qualquer interesse no regresso aos tempos da guerra-fria. O primeiro grande desafio militar que está colocado é o da instalação do sistema anti-míssil dos EUA na Polónia e na República Checa. Em resposta a estas derivas, o Bloco defende o fim da NATO e do sistema de mísseis norte-americanos na Europa.”

Tese 10 da Moção de Orientação Estratégica do BE

“Portugal deve sair da NATO e pugnar pela extinção deste e de todos os blocos militares.”

Programa do BE

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64 respostas a Bloco de Esquerda vota a favor da intervenção da NATO na Líbia e quebra compromisso com eleitores e militantes

  1. xatoo diz:

    sobre o case-study Rui Tavares (auto assumido como parte do clã israelita) e a sua importância adquirida pela escrita num jornal corporativo, seria bom de prever este desfecho… e para lixar mais a percepção geral, o tipo escreve com talento. A besta capitalista não dorme, de facto absorve aquilo que nos apresenta como representação da contestação, contribuindo para a alienação geral

  2. Augusto diz:

    Porque é que o Renato em vez de tentar lançar fogo de artificio, não começa por publicar na integra a tal resolução do Parlamento Europeu, e os seus pressupostos, eu desconheço totalmente a tal resolução e gostava de a conhecer.

    Acha que Kadhafi é um não um ditador ?

    Acha ou não que Kadhafi tem massacrado a população que se revoltou?

    Acha ou não que todas estas revoltas de Marrocos ao Iemen , do de Oman, á Tunisia , do Egipto, á Arabia Saudita, merecem a solidariedade e o apoio activo da Esquerda Europeia.

    Eu quero que Portugal saia da Nato.

    Recuso totalmente uma intervenção da Nato na Libia, ou em qualquer outro País.

    Julgo que a ONU e a Liga Arabe devem ter um papel determinante na ajuda ao povo Libio na sua luta contra o ditador.

    Aliás intervenção externa existe desde o principio, ou o Renato desconhece os mercenário que vários paises africanos enviaram para a Libia para ajudar Kadhafi, ou desconhece o encontro entre o filho de Kadhafi e o primeiro ministro de Israel para este o ajudar a contratatar mercenários.

    Se queremos um debate sério, devemos começar por não embarcar em todas as patacoadas que nos querem vender.

    • marilu diz:

      Carissimo:’Aliás intervenção externa existe desde o principio, ou o Renato desconhece os mercenário que vários paises africanos enviaram para a Libia para ajudar Kadhafi, ….’ isso é uma falsidade visivel pela vigilancia dos satelites.A Líbia é um país(por enquanto) Africano!

      Tb se ouve que a população foi atacada pelos aviões,onde?Os serviços de inteligência não viram nada disso.

      Os trabalhadores estrangeiros têem estado a ser corridos pelos chamados insurgentes que desde o principio sairam com armas.A Occidental Petroleum e Chevron à 6 meses atrás cancelaram a extracção de petróleo ,’Among US companies in Libya, Chevron and Occidental Petroleum (Oxy) decided barely 6 months ago (October 2010) not to renew their oil and gas exploration licenses in Libya. (Why are Chevron and Oxy leaving Libya?: Voice of Russia, October 6, 2010). In contrast, in November 2010, Germany’s oil company, R.W. DIA E signed a far-reaching agreement with Libya’s National Oil Corporation (NOC) involving exploration and production sharing. AfricaNews – Libya: German oil firm signs prospecting deal – The AfricaNews, ‘ in

      http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=23605

      e vá ver aí pela internet…Lembram-se das armas de destruição maciça?Os poços de petróleo no Iraque foram convenientemente PRIVATIZADOS!!!!

      Leia e,reflita antes de dar o seu parecer.Boas leituras.

    • miguel serras pereira diz:

      Augusto,
      gostaria de dizer que V. tem, evidentemente, razão no essencial.

      Como tive ocasião de explicar em vários posts “Contra a Resignação à Europa Realmente Existente”, publicados nestes últimos tempos no Vias, o que qualquer movimento democrático da UE deveria exigir desde o começo da guerra civil na Líbia seria que, invertendo a sua política de relações privilegiadas e cumplicidade com Kadhafi, os governos europeus reconhecessem o Conselho da frente dos revoltosos e apoiassem a luta destes, em termos acordados com eles – sem excluir o recurso a meios militares que se revelassem necessários.
      Esta posição deveria ser assumida pela UE como iniciativa própria e tomada fora do quadro da NATO, independentemente dos EUA e sem ficar suspensa do aval das Nações Unidas (ainda que reclamando-o). E, de resto, convém dizer que é diferente reivindicar uma intervenção da UE, como aliada do “campo republicano”, ou mesmo uma intervenção supervisionada pelas Nações Unidas, e reclamar a intervenção da NATO. Em meu entender, o BE e os que, no essencial, defendem a mesma posição deveriam insistir neste ponto.
      Os que se opõem a esta tomada de posição cometem dois erros fundamentais: 1. não impedem a intervenção na Líbia, mas conseguirão que ela venha a ser decidida em termos não concertados, como seria desejável, com o “campo republicano” e na perspectiva de assegurar os mesmos interesses oligárquicos que apoiaram Kadhafi; 2. confundem estupidamente o apoio a um dos campos de um país em guerra civil com a violação do direito à autodeterminação do seu povo.
      Por fim, aqui fica o link para um dos posts em que abordo um pouco menos apressadamente esta questão: “Não abandonar a revolta líbia” (http://viasfacto.blogspot.com/2011/03/nao-abandonar-revolta-libia-contra.html)

      Saudações democráticas

      msp

    • Renato Teixeira diz:

      O BE continua sem anunciar que está a ajudar a salvar o povo líbio: http://www.esquerda.net/

      Quanto ao assunto estou careca de saber a sua defesa pelo mal menor e continuo sem me convencer que os males que defendem vão deixar os líbios em melhores mãos. O que mudou? Porquê na Líbia e não nos restantes sítios? Porquê dar o aval a uma iniciativa da NATO que se sabe como acaba? Querem ajudar os revoltosos isolem Khadafi e dêem-lhes armas, não façam a guerra por eles em nome de outrem.

  3. A.Silva diz:

    Augusto, “se queremos um debate a sério não devemos embarcar em todas as patacoadas que nos querem vender”, principalmente aquelas de valor abaixo de rasca, como seja; “encontro entre o filho de Kadhafi e o primeiro ministro de Israel para este o ajudar a contratatar mercenários.”

  4. Miguel Franco diz:

    Caro Renato como postei tb no FB, fica aqui a resoluçao por completo, e a emenda que o bloco votou contra o paragrafo 10.
    Continuo a achar q nao se devia ter aprovado o documento certamente, mas o teu post falta-lhe este detalhe de rigor

    http://www.europarl.europa.eu/sides/getDoc.do?pubRef=-%2F%2FEP%2F%2FNONSGML+MOTION+P7-RC-2011-0169+0+DOC+PDF+V0%2F%2FPT

    • Renato Teixeira diz:

      Cá fica o seu link e terei todo o gosto em actualizar que o BE votou favoravelmente, sabendo como acabam este tipo de missões: “I want to make it clear that we are against any military intervention, including the measure that you can open doors, the no-fly zone; we know, by experience, how military measures start and we know they never end once they have started” Miguel Portas.

  5. Gostaria de ter uma opinião, mas vou ser brutalmente honesto: não tenho.
    O meu coração divide-se entre alguém estranho entrar por ali adentro (não é suposto), ou deixar o «coroné» matar os seus a torto e a direito porque lhe convém…

    🙁

  6. Maria Almeida diz:

    Nas presidenciais, o Bloco de Esquerda tinha o discurso de que era necessário votar em Alegre – fazendo campanha ao lado do PS – e justificava-se dizendo que, caso contrário, o papão da direita tomaria conta do país.

    Contra este apoio, vozes críticas de dentro do partido tentaram explicar que a direita já estava no poder, com o Governo PS/Sócrates, protagonista dos maiores ataques à classe trabalhadora após o 25 de Abril. Procuraram ainda mostrar que o candidato defendia interesses contrários aos do Bloco, nomeadamente – e isto torna-se agora particularmente interessante – porque MA é a favor da NATO (e o presidente da república é nem mais nem menos do que o chefe das forças armadas, isto é, quem tem o poder de decidir acerca das intervenções militares das tropas portuguesas).

    Ao tomarem esta posição, militantes foram apelidados de sectários e, em última análise, de cavaquistas. Felizmente, a direcção do partido acabou por rectificar rapidamente a sua posição. Procurando apagar o falhanço eleitoral que foi a candidatura de Alegre, bem como a ligação óbvia que esta criou entre BE e PS, foi apresentada uma moção de censura contra o Governo, com o argumentário (igual ao desses mesmos sectários e cavaquistas) de que o Governo e as suas políticas de austeridade representam os interesses da direita.

    Esta volatilidade da linha política da direcção não seria tão preocupante, se fosse sempre num sentido evolutivo. Ao “ai, ai que vem aí a direita!” das presidenciais seguiu-se, num mês, o “a nós ninguém nos ilude, é a direita que está a governar!”; o peremptório “uma moção de censura não vale de nada!” foi substituído em três ou quatro dias por “cá vai disto!”.

    O problema é que, agora, o Bloco de Esquerda se afasta da campanha “Game over. Portugal fora da NATO e do Afeganistão” para votar, no Parlamento Europeu, a favor da quase totalidade do documento acerca da intervenção da NATO na Líbia. Ainda bem que, pelo menos no que toca ao envio de tropas, se coibiram. Mas onde está a oposição forte a tudo isto, tal como se exige de uma força de esquerda como o BE? Onde está a coerência com as suas anteriores posições?

    Pé ante pé, a política bloquista vai-se moderando, como aquele rapaz que se senta no banco de jardim e, gradualmente, se vai aproximando da rapariga que está na outra ponta. O BE dá a impressão de ser esse jovem discreto mas atrevido, enquanto o PS encarna a moça cortejada que se faz desentendida.

    No futuro, parece-me que será importante lembrar essa célebre frase: “a prática é o critério da verdade”. É que, por muito que se fale, se, no momento de agir, traímos as nossas palavras, algo de muito errado se passa. Ao que parece, algo de errado se começa a passar dentro do Bloco e tudo indica que a tendência será o agravamento desta situação.

    Pergunto-me o que se seguirá… Até que ponto a direcção do Bloco estará disposta a capitular por um (ou vários) lugar(es) ao sol?

    Esta notícia é triste, sim, mas acima de tudo alarmante.

  7. Pedro Lourenço diz:

    Kadafi virou as armas contra o seu povo, matando milhares para se perpetuar no poder? Se sim, mandem para lá a NATO e já, estando em total desacordo com este teu post. Se isso não aconteceu, então não vejo razão para que a NATO entre na Líbia.

    Depois da invasão criminosa do Iraque e da situação absurda no Afeganistão é fácil criticar-se qualquer intervenção estrangeira, seja onde for. É fácil – e é o mais acertado – desconfiar-se das intenções daqueles que já mostraram não merecer a nossa confiança. Mas independentemente das entidades envolvidas, alianças militares ou não, estou firmemente convicto que há legitimadade para a comunidade internacional não ficar de braços cruzados quando uma parte significativa da população de um país resolve expulsar o seu ditador e este, mercê do poderio militar e financeiro, empreende uma matança de civis inocentes cujo objectivo é manter-se no poder.

    Pode discutir-se a relação entre o imperalismo americano – e já agora a subserviência da Europa – e a intervenção na Líbia em oposição a várias intervenções que poderiam ter ocorrido em locais do globo onde o sangue de civis inocentes também foi derramado mas onde a variável financeira – ou do bom negócio em vista – não se colocava. Sim, pode e deve.

    Se a NATO puder acabar com um genocídio, tanto melhor. Espero sinceramente não estar a ser demasiado naif, até porque a informação que nos chega da Líbia é difusa e desconfio das intenções de muita gente que está lá para informar.

    • Renato Teixeira diz:

      Desculpa lá Pedro, mas fácil é resolver tudo com os suspeitos do costume. A NATO é uma vaca sagrada do sistema com a qual nunca, em circunstância alguma, devemos alinhar. Vê a citação que faço do Miguel. Ele sabe perfeitamente onde vai acabar o que começou, também, com o voto do BE.

      • Pedro Lourenço diz:

        Sim, sim.

        Estranho o voto porque conheço (é pública) a opinião do Miguel Portas não só sobre a NATO, mas também sobre uma hipotética intervenção da NATO na Líbia.

        Mas eu falo em meu nome (como tu, aliás), e a minha opinião é que, se se confirmar a matança de inocentes, alguém da comunidade internacional tem que intervir.

        • Renato Teixeira diz:

          Discordo da tua posição, mas ela tem a virtude de ser honesta. O bloco e os seus cheerleaders não querem assumir as suas responsabilidades. É pena.

  8. marilu diz:

    http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=23686

    E,isto,não é caso para intervir,sr.louçã?

  9. Leo diz:

    Só não entendo o seu espanto, Renato. Viu-os alguma vez a votarem de forma diferente da desbocada da Gomes?

  10. http://www.beinternacional.com/pt/noticias/1438-miguel-portas-contra-a-intervencao-militar-na-libia

    Miguel Portas abordou a situação na Líbia e deixou clara a a oposição da esquerda a qualquer intervenção militar. “Sabemos como começam as medidas militares e sabemos como elas nunca acabam quando começam”, disse.
    Durante o debate sobre a situação na Líbia realizado no Parlamento Europeu, Miguel Portas sublinhou a importância de uma mudança da posição europeia “face ao modo como tem actuado” no país – um “dos pilares de suporte do antigo regime”. Deixou clara, por outro lado, a oposição da esquerda a qualquer intervenção militar. “Sabemos por experiência como começam as medidas militares e sabemos como elas nunca acabam quando começam”, disse.
    “A resolução em debate não o diz mas as armas com que o povo líbio está a ser reprimido são em grande medida armas e bombas europeias”, declarou o deputado do GUE/NGL eleito pelo Bloco de Esquerda reflectindo sobre o que foram as relações da UE com Khadaffi e o conteúdo do documento em discussão no plenário.
    “A esquerda é a favor do congelamento de bens, do embargo das armas, do relacionamento com a sublevação, de todas as medidas de ajuda humanitária”, sublinhou o eurodeputado.
    Por outro lado, acrescentou, “quero deixar bem claro que somos contra qualquer intervenção militar, incluindo a medida que lhe pode abrir as portas, a zona de exclusão aérea; sabemos, por experiência, como começam as medidas militares e sabemos como elas nunca acabam quando começam”.

    • Renato Teixeira diz:

      Também declarou que era contra o governo apoiando o seu candidato presidencial, e que era pelos trabalhadores gregos votando a sua dívida. Entre o dizer e o fazer vai uma grande distância, mas estou certo que entre a moção votada e uma intervenção militar não vai distância nenhuma. Se assim não fosse, para que a votariam os barões?

  11. Não foi bem isso que aconteceu, não foi Renato?
    http://www.beinternacional.eu/en/the-week/1445-miguel-portas-sobre-a-europa-e-a-libia-sim-a-ajuda-humanitaria-nao-a-intervencao-militar

    Acho que devias deixar de salivar sempre que vês o BE, isso tira-te a calma , a inteligência e o rigor.

  12. Bruno Gaminha diz:

    Os votos individuais dos Eurodeputados podem ser consultados aqui:

    http://www.votewatch.eu/cx_vote_details.php?order_by=euro_tara_nume_en&order=ASC&last_order_by=euro_parlamentar_nume&id_act=1557&euro_tara_id=&euro_grup_id=&euro_vot_valoare=&euro_vot_rol_euro_grup=&euro_vot_rol_euro_tara=&vers=2

    Dois dados interessantes, não só os eurodeputados do Bloco de Esquerda votaram favoravelmente uma moção que dá cobertura a intervenções militares se sustentadas por uma resolução da ONU, como votaram esta resolução de forma contrario à votação da maioria dos eurodeputados do seu grupo parlamentar – GUE/NGL.

  13. Miguel Lopes diz:

    Acabei de ler a resolução e nem sequer fala na NATO. Vou deixar aqui o parágrafo 10 que é o que interessa, e que aparentemente, o Rui Tavares foi o único a votar a favor (informação que ainda tenho que confirmar):

    “Destaca que la UE y sus Estados miembros deben hacer honor a su responsabilidad de protección, con el fin de poner a salvo a la población civil libia de los ataques armados a gran escala; señala, por tanto, que no puede excluirse ninguna opción prevista en la Carta de las Naciones Unidas; pide a la Alta Representante y a los Estados miembros que estén preparados para hacer efectiva una decisión del CSNU sobre medidas adicionales, incluida la posibilidad de establecer una zona de exclusión aérea destinada a evitar los ataques del régimen contra la población civil; destaca que todas las medidas adoptadas por la UE y sus Estados miembros deberían ser conformes a un mandato de las Naciones Unidas y basarse en
    la coordinación con la Liga Árabe y la Unión Africana, alentando a ambas organizaciones a dirigir los esfuerzos internacionales”

    A Liga Árabe e a União Africana não são a NATO.
    Portanto, é o típico tentame do PCP de atirar lama e devias ter vergonha em participar em mentirolas!!!

    • Bruno Carvalho diz:

      Miguel, deixa-te de tretas. Nunca falei da NATO e não sei porque trazes o PCP para o barulho. A mim tanto me dá que seja uma intervenção da NATO como que seja uma intervenção amparada pelo Conselho de Segurança da ONU, como vem nessa resolução.

      • Renato Teixeira diz:

        Uma intervenção será sempre da NATO. Ao que sei o Conselho de Segurança ainda não tem exército.

      • Augusto diz:

        Como é lógico não vejo o Miguel Portas fazer uma declaração no dia 10 , e votar uma moção contra as suas posições , isso seria o seu suicido politico.

        Por isso há por aqui mãozinha de reaça como se dizia noutro tempo, ou será de Figueiredo……

    • Renato Teixeira diz:

      Miguel, sobre vergonha ou falta dela acho que o BE não tem moral para falar (neste e noutros casos) e tu não tens seguramente para falar da minha. Lê a moção, conclui pelo menos o mesmo que o Miguel Portas concluiu e pondera se não seria melhor não ter alinhado nesta fantochada.

  14. Boas

    Estive a ler a proposta de resolução e, efectivamente, não vejo nada de grave, nem referência a uma intervenção militar na Líbia, a não ser no parágrafo 10. O Miguel Portas e a Marisa Matias não aprovaram esse ponto, segundo percebi. O que está mal, então?

  15. José diz:

    Bem se vê que a “solidariedade internacionalista”, que justificou tantas intervenções militares – Angola, Afeganistão, para além das democracias populares europeias – já deu o que tinha que dar.
    Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, mudam-se as solidariedades, perde-se a coerência.

    • Luís Rocha diz:

      Bem pode vir com histórias bizantinas para branquear o “Trio de Ataque” (Portas, Matias e Tavares). Conversa lateral: esqueceu-se dos comunistas vietnamitas quando invadiram o Cambodja para ir às trombas do Pol Pot. E a intervenção militar em Angola foi realmente culpa dos cubanos, o Apartheid não teve nada a ver com essas confusões.

      O facto é que o Obama disse “todas as opções estão em cima da mesa” – a gente já viu este filme cham-se “vamos à guerra” – e o “Trio de Ataque” disse “sim senhor” eu voto a favor.

      Mas a culpa é do Kadafi não é? Malvado do Kadafi… ele obrigou-me a apoiar a NATO!!!!!!

      • José diz:

        “E a intervenção militar em Angola foi realmente culpa dos cubanos, o Apartheid não teve nada a ver com essas confusões.”
        ????
        “Bem pode vir com histórias bizantinas para branquear o “Trio de Ataque” (Portas, Matias e Tavares). ”
        Branquear?? Não quero branquear nada.
        Tenho memória, isso sim, e continuo a verificar que muitos outros a perderam, mai’la coerência.
        Onde está a solidariedade internacionalista?

    • A solidariedade neste caso vai ser do Egipto, que se prepara para defender a revolução líbia. O resto é treta, tanto mais que a Nato nem tropas tem para se aguentar no Afeganistão, quanto mais para se enfiar na Líbia.
      E o petróleo, por favor, já é explorado pelos do costume. Com uma fatia dos lucros para o clã governamental, e as sobras para a Líbia.

  16. Rui F diz:

    Que fazia o Bloco?
    Meter a viola no saco e fechar os olhos?
    Deixar o regime do coronel assassinar a seu bel prazer?
    O Bloco esteve muito bem na Europa mais uma vez. Na linha do que tem sido sempre.
    Maior motivo para nos sentirmos Bloquistas e termos a certeza que o partido não pactua com ditadutas e carnificina.

    • Luís Rocha diz:

      A paz passou de moda! Viva a Guerra! Os belicistas do Bloco batem com a mão no peito… O Rui F orgulha-se da sua bravata, como quem diz “antes Salazar que Sócrates”, antes a “NATO que Kadafi”.

      Os pacifistas do Bloco vão reagir contra este belicismo descarado? Estou certo que sim. Meu Deus que p**a de confusão.

      • Rui F diz:

        Se isto foi declaração de guerra vou ali já venho.

        Fiquei mesmo triste foi com a atitude pro Kadafiana de alguma Esquerda que se rege pelos valores da Liberdade.
        Que mer**a de significado tem a palavra liberdade.
        Gostei de saber quem está a favor ou contra a carnificina….ou quem se absteve. Há uns PS’s pro NATO que se abstiveram, e que em Portugal apoiam o PEC.

  17. Leo diz:

    Obviamente que os três votaram exactamente da mesma maneira que Nuno Melo, José Manuel Fernandes, Elisa Ferreira, Regina Bastos, Mário David, Maria da Graça Carvalho, Diogo Feio, Carlos Coelho, Ana Gomes, Edite Estrela, Nuno Teixeira, Vital Moreira, Luís Paulo Alves e Paulo Rangel e assim formaram a maioria do país tendo todos tidos a classificação de “leal à maioria do país”. Ao contrário destes seus colegas que também obtiveram a classificação de “leal à atitude do grupo”, Rui Tavares, Marisa Matias e Miguel Portas tiveram a classificação de “rebelde à atitude do grupo.

    Os únicos que tiveram a honrosa classificação de “leal à atitude do grupo” e “rebelde à maioria do país” foram apenas Ilda Figueiredo e João Ferreira.

    Podem confirmar seguindo o link. Tudo o resto é má retórica e piores desculpas.

    http://www.votewatch.eu/cx_vote_details.php?order_by=euro_tara_nume_en&order=ASC&last_order_by=euro_parlamentar_nume&id_act=1557&euro_tara_id=&euro_grup_id=&euro_vot_valoare=&euro_vot_rol_euro_grup=&euro_vot_rol_euro_tara=&vers=2

  18. Miguel Lopes diz:

    1. Eu acho que já é uma falta de princípios estar a discutir questões laterais ao documento enquanto estivermos por baixo das parangonas que dizem: “Bloco de Esquerda vota a favor da intervenção da NATO na Líbia e quebra compromisso com eleitores e militantes”
    Isto é falso, o próprio Renato ao dar o flanco na discussão reconhece que isto é objectivamente falso, e assim, o que se deve fazer primeiro é corrigir o título.

    2. O único parágrafo que tem algum conteúdo prático é o décimo. Ele sugere a possibilidade de estabelecer uma zona de exclusão aérea e determina que futuras medidas adoptadas pela UE devem respeitar o mandato das Nações Unidas e devem ser conduzidas pela Liga Árabe e União Africana. Este ponto só foi votado pelo Rui Tavares. A Marisa Matias e o Miguel Portas votaram contra. A NATO não é referida em parte nenhuma do documento.

    • Leo diz:

      Diga o que disser, Marisa Matias, Miguel Portas e Rui Tavares votaram exactamente da mesma maneira que Nuno Melo, José Manuel Fernandes, Elisa Ferreira, Regina Bastos, Mário David, Maria da Graça Carvalho, Diogo Feio, Carlos Coelho, Ana Gomes, Edite Estrela, Nuno Teixeira, Vital Moreira, Luís Paulo Alves e Paulo Rangel.

      Os únicos que votaram contra e por isso tiveram a honrosa classificação de “leal à atitude do grupo” e “rebelde à maioria do país” foram apenas Ilda Figueiredo e João Ferreira.

      E na sua declaração de voto, Ilda Figueiredo explicou porquê:

      “Manifestamos a nossa profunda inquietação relativamente aos mais recentes acontecimentos na Líbia, mas defendemos a resolução pacífica e política do conflito, sem ingerências externas. Ora, lamentavelmente, a Resolução do PE defende a intervenção militar, dado que não pode haver zona de exclusão aérea sem intervenção militar.

      Por isso, esta resolução, em vez de contribuir para uma solução pacífica, parece visar a preparação de actos de agressão, pelos EUA, a NATO e talvez da União Europeia, contra a Líbia, pelo que expressamos a nossa firme oposição a qualquer intervenção militar externa neste país .

      Qualquer agressão contra a Líbia, independentemente dos pretextos e “mandatos”, teria graves consequências para um povo que vive já numa situação de profunda tensão e insegurança; seria profundamente prejudicial para todos aqueles que, na Líbia, prosseguem a luta pelos seus direitos, a democracia, a soberania e a paz e introduziria sérios factores de instabilidade e conflito na região.

      Qualquer agressão militar pelos EUA e seus aliados – inseparável dos seus objectivos de controlo dos recursos naturais líbios – seria direccionada não só contra o povo Líbio, mas contra todos os povos da região que se levantaram e prosseguem a luta pelos seus direitos sociais e políticos, pela liberdade, a democracia e a real soberania e independência dos seus países. São lutas que apoiamos. Por isso, votámos contra a Resolução.”

  19. Me Nhoca diz:

    nunca percebi muito bem porque é que a Nato apoia um grupo de fanáticos em favor de outro

    ou porque numa guerra civil esmaga o grupo mais forte sejam sérvios ou talibans afgãos

    em favor de outros demo’s kratas

  20. Além de a Resolução estar eivada de eurocentrismos e sacralizações da democracia burguesa ocidental como a única possível e de apelar claramente no sentido da intervenção e ingerência, também não vejo nada de mal. Aliás, do ponto de vista dessa “esquerda”, a democracia europeia é o que se quer e recomenda e vai ao ponto de dar lições aos outros povos sobre que democracia devem ter.

    Acho particularmente curioso aquele ponto que alerta a União do Mediterrâneo para a necessidade de se actualizar aos tempos modernos – modernos as in “submissos, bem-comportados e liberais”, como é bom de ver.

    Respeito a guinada social-democratizante do BE, que sempre julguei natural, mas não concordo com ela e julgo que não contribui para a ruptura inequívoca que considero crucial para a construção de uma europa dos povos. Acho mesmo que o BE começa a obrigar os seus simpatizantes e militantes a encontrarem demasiadas formas de defender o indefensável, e julgo mesmo que defrauda expectativas. É uma no cravo, outra na ferradura, sempre ao sabor da cultura dominante e do que “fica bem dizer”.

    Estou certo de que não tardará para que o BE torne a vir, ácido e pressuroso, afirmar a sua natureza anti-belicista e pelo desmantelamento da NATO. Um pouco como o PS, que espuma de raiva quando o associam à direita, mas que em momento algum da história teve a coragem – ou a vontade? – de defender o interesse nacional acima do interesse imperialista dos EUA e agora também da Alemanha.

    • Hamílcar Barca diz:

      Transparente! Obrigado Pedras.
      Hoje alguém irá precisar de comprimidos para o estômago com uma Água das Pedras. As minhas desculpas pela publicidade.

  21. am♥te paulo diz:

    “como é que eu, Renato, os vou tramar hoje”?

  22. Ricardo Sá Ferreira diz:

    O sectarismo acaba sempre mal.

  23. CausasPerdidas diz:

    Ao invés de especular, porque não ir ler a justificação apresentada pelos próprios?
    http://www.esquerda.net/opiniao/resposta-infame-campanha

  24. Esses meandros das votações em «alta política» confundem-me, fico sem perceber o que pensar, e quais são as agendas / intenções não desveladas dessa gente toda.

    Uma coisa é no entanto certa: dezenas (ou centenas ?) de milhares de líbios já cavaram dali.
    Alguma razão p’ra isso há-de haver, uma pessoa não abandona a sua vida e tudo o que tem a não ser em «circustâncias extremas».

    Moralidade: é uma peninha que no arab world os militares que fixeram os golpes contra os sultões do seu (deles) próprio passado não tenham tido a decência de voltar a quartéis.
    Depois dá nisto…

    🙁

  25. Quer se queria quer não, o documento aprovado com os votos do BE serve apenas para legitimar a entrada da NATO no Norte de África. O objectivo está claro: as convulsões políticas nessa região estão a originar uma subida dos preços do petróleo e uma inflação incompatível com a recuperação económica europeia. Tudo o resto são tretas.
    Essa disputa moral de “não podemos estar do lado de Kadafi”, contraposto pelo outro “não podemos estar do lado da armas” é puro fogo de artifício…

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  28. João Pais diz:

    Todo este filme da Líbia é curiosamente semelhante ao da Jugoslávia em 1999. Aos iludidos com a posição do BE (a começar no próprio Miguel Portas), vão lá dar uma volta pela zona e ver a boa merda que a “intervenção humanitária” da NATO trouxe.
    Triste, mas não surpreendente, é o que tenho a dizer…

  29. john diz:

    Sobre o BE e a sua deriva para partido “responsavel” e “construtivo” há muito a dizer.
    Mas se mete a NATO ui! É um horror de incoerência
    Durante a manif da cimeira refugiou-se nos braços dos gorilas da Inter para não se misturar com os “anarquistas e arruaceiros” da Pagan e dos seus amigos estrangeiros. Na realidade queria mostrar aos seus que era contra a NATO e esconder-se para que os apoiantes do Alegre (que é a favor da Nato) não visse o BE comprometido com gente inconveniente.
    O BE antes da cimeira nada fez contra a dita cuja, a não ser umas poucas sessões intramuros; e fez tudo o que podia para ocultar a acção da PAgan, enviando para dentro desta um funcionário, que saiu dias antes da contra-cimeira, depois de assegurar a sua presença lá
    Quanto ao Renato Teixeira, que creio ser revista Rubra é melhor que se cale nos seus arrotos anti-_NATO. Esse pessoal da revista defende a existência de forças armadas só que com um serviço militar obrigatório (!!!); se a ignorância pagasse imposto, não era preciso PEC. Ora as FA em Portugal são – e nada mais – uma divisão Nato, pelo que defender qualquer tipo de FA é considerar necessária a NATO
    John

    • Renato Teixeira diz:

      John, arroto por arroto mande o seu e deixe lá a Rubra falar por si. Se insistir pelo menos cite. Linke. Extrapolando o seu raciocínio, imagino que entenda que a Coreia do Norte, o Irão, Cuba ou a Venezuela são um bando de capituladores à NATO, uma vez que todos estes países têm serviço militar obrigatório. Uma relação inteligente.

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  33. Zé Ninguém diz:

    Alguém tem dúvidas do oportunismo do Bloco de Esquerda,e agora confirmados mais uma vez pelos seus elementos no PE ?

  34. João Nuno diz:

    uma dúvida: é impressao minha ou a UE e a NATO sao duas coisas completamente diferentes? nem o parlamento europeu tem autoridade para decidir invasoes (cada país controla as suas forças armadas) nem a NATO se ia deixar governar pelo parlamento europeu (tantos paises que fazem parte da NATO e nao da UE e vice-versa)

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